terça-feira, 26 de setembro de 2006

Medos, ousadias e desejos (segunda parte da primeira)

Lugares em que trabalhei:

Nossa Toquinha (Maternal 1 e 2)

Escola da ACM (Jardim e Primeira Série)

E.E Gal. Sampaio (Primeira Série, Segunda Série)

E. E. Japão ( Jardim B e Quarta Série)

Colégio Champagnat (Jardim B e coordenação)

E.M.E. I Jardim Bento Gonçalves (Jardim A)

SMED-POA (Assessoria Pedagógica de Ed. Infantil- EMEIs e Creches Comunitárias)

Atualmente, trabalho com Primeiro Ciclo, no turno da manhã e Segundo e Terceiros à tarde, na Escola Municipal de Ensino Especial Lucena Borges. Nossa escola atende alunos até 21 anos, que possuem Transtornos Globais de Desenvolvimento.

Considero uma feliz ousadia, depois de uma década trabalhando com Ed. Infantil, retomar minha outra área de formação: Educação Especial.

Quero dialogar sobre Educação, Sexualidade(no momento, sexualidade de adolescentes especiais),Valores, Amores e Amizade, Relações de Poder, Autoridade e Autoritarismo...

Tenho medo da minha "braveza de ariana"(que domo e deixo adormecida, geralmente),de violência e, atualmente, muito receio do que este país, através de governantes corruptos, venha a se tornar.

Ser professor, hoje, não é ser conteudista. Ser professor é propiciar conhecimento, informação, criticidade...é estar de braços dados com Valores e com Ética. Fácil? Que nada...Há muitos obstáculos a ultrapassar... Mas "tudo vale a pena, se a alma não é pequena"...

domingo, 24 de setembro de 2006

Escola, Cultura e Sociedade

Aritmeticamente falando, sou resultado da curiosidade e teimosia da infância, mordidas de cachorros, arranhões de gatos, afagos e reprimendas de minha mãe, leituras e conversas com meu padrinho, batatas fritas, pizzas, paixonites juvenis, choros, desilusões, risadas, incertezas, certezas, chocolates Kri e canetinhas Pelikan.
Escolhi ser professora na quarta série primária, por causa da mãe do Antônio Augusto, meu colega e por quem eu viria a suspirar muito, alguns anos depois.
Já na quarta série, eu tinha curiosidade em saber como era o pai de Antônio. Deveria ser uma pessoa muito bondosa e querida. Afinal, meu colega deveria ter a quem puxar...
Minha professora de quarta série se chamava Sônia, era mãe do Ântonio Augusto e uma "peste".
Nas segundas e quintas-feiras, era assim: ela chegava e cumprimentáva-nos secamente, deixava bolsa sobre a cadeira, livros na mesa e escrevia, no quadro, dezenas de equações, uma para cada um de nós. Enquanto escrevia furiosamente , a turma deveria estar em silêncio, copiando e aguardando o que, sabíamos, viria... Mas na verdade, estávamos em ebulição silenciosa.
A professora funcionava do mesmo jeito, sempre. Por isso, sabíamos que a primeira equação seria resolvida, no quadro, pelo primeiro da chamada; a segunda pelo número dois, da chamada e, assim,sucessivamente. (A minha equação sempre era a 12!) Também sabíamos que ela diria "bom" para quem acertasse, começaria a bater a caneta sobre a classe se o aluno demorasse a resolver e humilharia quem errasse.("criança burrinha", "esqueceu a matéria?", "dormiu demais?", "ficou brincando?")
O que fazíamos, enquanto ela estava de costas? Cada um esperava pela sua equação e começava a resolvê-la. Caso não soubesse, procurava ajuda, pé ante pé, pela sala. Promessas eram feitas: "se resolver pra mim, te dou meu lanche...uma canetinha...faço teu tema de casa". Quem não tinha nada para barganhar, tentava a troca de lugar com um colega que estivesse "sentado numa equação fácil".
Naquele tempo, eu me perguntava várias coisas: Por que ela quase nunca olhava para nós? (E, se olhava, parecia estar sempre com raiva...) Será mesmo, que não percebia que algumas crianças, tinham trocado de lugar? Não se interessava em saber o motivo? Ela não tinha pena, quando alguns de nós, os mais frágeis, os não tão populares para conseguir uma troca ou ajuda, começavam a chorar, já na classe? Por que ela não ajudava? Coitado do Antônio Augusto...
Pois foi num dia em que "a escolhida" era eu, enquanto ouvia risinhos de deboche de alguns colegas e as ironias da professora, que eu "fugi" e decidi. Fiquei em pé, frente ao quadro, giz na mão suada, ouvindo, longe, a voz da professora. Não sabia como , mas eu fora para um outro lugar, onde a raiva e o descaso não eram aceitos. Fiquei parada, pensando em outra coisa, virei estátua. Mas, antes de retornar, pensei "Quando for grande..."(putz! eu pensava que seria...rs),"...vou ser professora e não vou magoar ninguém, vou ajudar... e os meus alunos vão gostar de mim."
Na tarde, do mesmo dia, enquanto chorava com a cabeça em seu colo, dizendo que não ia voltar para a escola, ouvia minha mãe dizer "Doca, tu és muito melhor que ela, chora mas não esquece... e , amanhã , cabeça erguida, na sala de aula."
Na noite, daquele mesmo dia, quando meu padrinho chegou, contei a minha decisão: "Vou ser professora. "
Pouco tempo depois, meu padrinho perguntou se a decisão continuava "firme". Ao ouvir a resposta afirmativa sorriu e me entregou um livro de histórias. "Vai ter que ler muito, sabe? Começa , agora."
Algumas de minhas influências: minha mãe, que me ensinou a reagir e que, mesmo sendo muito humilde,colocou sua melhor roupa e foi conversar com "quem não olhava os seus alunos"; meu padrinho que, anos antes, mostrou-me um galho de uma árvore e falou-me como ele tinha a capacidade de, muitas vezes, "vergar, mas não quebrar" e, mesmo assim, a professora que me mostrou como eu não queria ser.
O mais legal, é que muuuuuito tempo depois, numa escola estadual chamada Japão, eu fui professora de quarta série. Ensinei equações. Expliquei, repeti... meus alunos não tinham medo, nem vergonha de dizer que não entendiam ou não sabiam. Ofereciam-se para ir ao quadro, ajudavam os colegas e inventavam as suas próprias equações. Eu gostava muito deles. E a recíproca, era verdadeira.
Ah! Mas acho importante contar que duas de minhas influências "já se foram", a professora Sônia, nunca mais vi depois que saí da escola para cursar o normal e, há muito tempo, um caixa do Banrisul, enquanto me atendia, perguntou se eu era a colega de cachos chamada Bia, que fora sua companheira de brincadeiras, da segunda até a quarta série. Era eu. Ele, era o Antônio Augusto.
Agora, sentada frente ao computador, realizando parte de uma tarefa, considero-me o resultado de lembranças e muita, muita saudade.



quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Algodão Doce e Cara-de-pau

Na verdade, ainda refletindo sobre Andrea Ramal, comentários,Escola da Ponte, Projeto Amora....
Sobre a falta de recursos em nossas escolas e sobre o quão distantes estamos da realidade do conteúdo da entrevista de Andrea Ramal , penso ser necessário refletir mais um pouco. E relembrar...(bah!estou me tornando perita nisso...)
Trabalhei em um lugar chamado Nossa Toquinha, lá por volta dos anos 80. A coordenadora da escola se chamava Guacira e era professora de uma outra "escolinha" chamada "Pato". Naquela época, o "Pato" era sinônimo de diferença , ousadia e muito bom trabalho.
Pois a Guacira levou algumas coisas do "Pato", para a "Toca".
Formada há pouco tempo, eu estranhei quando recebi a tarefa de buscar diferentes profissionais para participarem do Planejamento das Profissões. Sim, íamos trabalhar com as profissões e convidar pais e mães para visitar as turmas, falar do seu trabalho e mostrar objetos utilizados no mesmo. Até aí, tudo bem. Mas cada uma de nós, professoras, recebeu, de Guacira, a tarefa de buscar outros profissionais. E na minha lista estavam sapateiro, padeiro, médico, vendedor de algodão doce.
Bem, naquela época eu me sentia tímida e nada "ousada". Como eu ia conseguir que esses profissionais fossem na escola? Gratuitamente? Fui falar com a responsável pela tarefa e explicar minhas dificuldades. Sabe o que ouvi? "Querida, quem trabalha com educação tem que ter, além do conhecimento, muita cara-de-pau, para conseguir certas coisas para os alunos. Aceite o desafio e vire-se."
Foi a partir dali que, minhas colegas e eu, nos descobrimos nada tímidas e com uma grande capacidade de convencimento. Tínhamos bons motivos: nossos alunos.
Um sapateiro bem disponível foi encontrado e visitou minha turma. Analisou sapatos, tênis,mostrou pedaços de couro, ferramentas de trabalho, respondeu perguntas, fez algumas, riu e foi embora. O médico(maravilha!) era tio de uma das crianças. Levou estetoscópio, ensinou como podemos saber o tamanho de nosso coração, examinou línguas, ouviu sintomas( tô com dor de barriga, "tio"..., meu irmão não faz cocô faz dias...), distribuiu balas e foi embora. Já o padeiro, fez-me um questionário: Para que, "mas crianças tão pequenas...", como, quanto tempo, se ele teria que levar pão para todos ou se uma conversa bastava... Depois de muita conversa e argumentação, a surpresa: ele não estava disposto a ir, mas convidava a turma a conhecer seu reino: a padaria. E nós fomos e foi o máximo! Observamos, fizemos perguntas, ajudamos a colocar pães no forno, sovamos a massa, comemos biscoitos, arranjamos um novo amigo (de quem muitas famílias de minha turma ficaram freguesas), rimos, nos divertimos e fomos embora.
E chegou a vez do vendedor de algodão doce. Eu não conhecia nenhum. Na verdade, deixara essa figura nas memórias de minha infância. Onde encontrar um vendedor que se dispusesse a ir até a escola, fizesse algodão para todos e, se cobrasse, cobrasse bem "baratinho"? Onde eu vira um, pela última vez? Na Redenção. E , para lá fui, em um domingo, caçar um vendedor. O dia bonito, a natureza ao redor, o clima de alegria trazido pelas pessoas, nada disso me interessava. Eu precisava, desejava e ia conseguir um vendedor de algodão, "no tamanho certo", para a minha turma.
Depois de muito rodar, de ter recebido olhares tipo "mas o que ela quer aqui, se não compra...?", descobri o Seu Jorge, cabelos já "grisalhando", sorriso fácil, com falta de dentes, cara de bondade. Comprei algodão, apresentei-me, falei de meu trabalho, minha turma, minha tarefa. Ele sorriu e me perguntou: "quando e onde, professora?"
Pois, o Seu Jorge foi uma das mais bonitas descobertas daquela época: tornou-se sucesso entre professoras e crianças, participava sempre que era convidado(durante muitos anos...), fazia o algodão em festas da escola , em aniversários, dava conselhos para alguns, era chamado de "vô", por outros. Descobrimos em Seu Jorge, um educador nato. Dele ouvi uma coisa parecida com o que Guacira falara: "professora, a gente não pode ficar só esperando ...tem que buscar...".
Lá por volta de 80, nem imaginávamos como o computador se tornaria importante. Mas nossas ferramentas eram outras... O fato de não termos algo, nos fazia desejá-lo e planejar formas de como conseguí-lo. Pedíamos muuuuuuito! E adorávamos, quando conseguíamos.( Bem verdade, que nem sempre...) Mas sem saber que era um plano B, geralmente tínhamos outra opção.
Bom...pra que tudo isso? Pois relaciono tudo isso com os útimos textos e comentários lidos no Seminário Integrador. Não acho que estejamos anos luz de distância da realidade citada por Andrea Ramal. Só acredito, que será mais demorado, mais difícil, para muitos. Acredito que muitas coisas, se não temos, podemos buscar através do "quem conhecemos, que pode...?" Outras, talvez não consigamos, logo. Mas não devemos deixar de buscar, querer, conhecer quem conseguiu...
Lá na Escola da Ponte, havia um espaço em que as crianças ofereciam e pediam ajuda, no Aplicação há as oficinas do Projeto Amora...Pensando em crianças construturas de sua aprendizagem posso também citar um lugar(há muitos outros, com certeza) aqui de POA: Creche João Paulo ll, que acompanhei durante 10 anos. Mas isso é outra história e eu já contei demais...

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Sobre olhares e lembranças...

Foi preciso olhar bem para trás, nesta semana. Foi aí, que relembrei de um tempo em que fui aluna, brevemente, da UFRGS. Revi uma sala no Campus Agronomia e pessoas sentadas em suas cadeiras, em semi-círculo. Líamos e analisávamos os textos que escreveramos... (E eu escrevi bastante, naquela época...)
A professora, daquele grupo, viajou, foi visitar um poeta, certamente.
E, hoje, por vários motivos, para saudar a vida, celebrar a saudade, prestar homenagem, escolhi uma "coisinha pequena", que produzi, naquela sala, com "aquela" professora , com meus antigos colegas:

Solidez da Manhã

Desperta preguiçosa, a tímida manha, nos grãos de areia do deserto.
Ainda ofegante da bruma silenciosa da noite, ele desliza despercebido. A temperatura atravessa seu corpo. Travessa, brinca com sua alma, teoria despovoada de sentido, que aos poucos se ilumina.
Procura telhas, solitários telhados trazidos pela tempestade.
O tempo serpenteia a sua volta. Olha para trás, tentando enxergar o que apenas sente. Visualiza pontas compridas voando pelo vazio, sugando o resto de seu, agora, corpo pequeno de formiga.Tímidos tamanduás descobertos pela terra...
Delira e goteja.
O deserto some ardente e silencioso, fazendo com que seus olhos abram em grito e se juntem com a voz, que se esparrama ao redor.
Percebe quente, o granito de seu corpo. Sorri completo, verdadeiro esperma deslizando solitário e, finalmente, descendo em vulcão, pelas linhas de meu sexo.

Bia Guterres
Tchau!


quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Um olhar para 2006

Relembrando o que a Professora Íris nos disse sobre "daqui há quatro anos, olhar para trás e ler no blog...", resolvi fazer um levantamento dos primeiros dois meses(incompletos), a partir da boa notícia: Passou!!!

Agosto e Setembro

Aulas presenciais, no Pólo
Colegas, professores e tutores
  • Pesquisando afinidades, no grupo
  • Dúvidas
  • Auxílio das professoras, tutores e alguns colegas
  • Troca de mensagens, comentários(alguns respondem, outros, ainda não)
  • Blogs
  • Skype
  • Rooda
  • Wiki ("pedrinha no sapato", em alguns momentos)
  • Salvar imagens e utilizá-las (que legal!)
  • Nova rotina
  • Pressão alta e paramédicos (argh!)
  • Trilha Sonora do Crash (Bird York-In the Deep...incansavelmente!)
  • Decisão: Voto em branco, não. (apesar dos candidatos) Raiva de tanta corrupção.
  • 3 dias de Multiplas Deficiências (Curso)
  • Um de meus alunos...depois de um ano, já sorri e me abraça, rapidamente
  • 5 cachorrinhos para encaminhar
  • cansaço nas sextas
  • Música, música, música
  • Novas reflexões em torno de conquistas, desejos, saúde-morte-vida, saudade, frustrações , tolerância, contensões...
  • Amigas-irmãs
  • Ferreira Gullar e o TRADUZIR-SE
  • Festa dos Rasgados, no Primeiro Ciclo

domingo, 10 de setembro de 2006

Para uma nova amiga...

Esta imagem é para uma nova amiguinha, que tem acompanhado a recente trajetória de sua mãe, Luciana, aqui na UFRGS. Interessante pensarmos nas coisas e pessoas que movem nossa vida. Certamente, o amor e confiança dos filhos, são uma delas. Colocando esta imagem, de certa forma,também faço referência a todos nós que aqui chegamos. Não , sozinhos. Mas com a expectativa e apoio de amigos, namorados, maridos, esposas, namoradas, enfim...de todos que nos amam.
Lu, tenha a certeza, que essa pequeninha sente muito orgulho de ti.
Amiguinha,filha da Lu, um beijo no coração.
Bia

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Imagem impactante

Já que uma das solicitações é
"usar imagens impactantes e carregadas de sentido", escolhi esta.
Brincadeiras à parte, começo a me certificar que o volume de tarefas se agiganta. Sei...é normal. Acho que a euforia inicial, a alegria por ter passado no vestibular já estão passando. Agora, é trabalho , dedicação e transpiração. Repito o disse para uma de nossas colegas:estamos todos no mesmo barco e o "coletivo' faz a diferença. Altos e baixos...um ajuda o outro...
Gosto muito de um livro de Literatura Infantil chamado Mãos de Vento e Olhos de Dentro. Nele , um dos personagens diz , várias vezes, "não sei", "não sei e não sei". Estou descobrindo não saber de muuuita coisa... às vezes, dá um cansaço... Bom fim de semana a todos!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

TRADUZIR-SE

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim é todo mundo; outra parte ninguém, fundo sem fundo

Uma parte de mim é multidão; outra parte estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa e pondera; outra parte delira

Uma parte de mim almoça e janta; outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente; outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem; outra parte linguagem

TRADUZIR UMA PARTE NA OUTRA PARTE

QUE É UMA QUESTÃO DE VIDA E MORTE

SERÁ ARTE?

Ferreira Gullar

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Aprendendo...

Nossa! Eu me sinto assim...
São várias, as tentativas. Quando alcanço o objetivo, evidentemente, fico feliz e ansiosa em passar para outra etapa. Entretanto, há muitas dúvidas. Algumas vezes surge algo que nem sei como fiz... Ainda bem que sei gritar por socorro .