Eu e minha colega de turma conversamos com as famílias de nossos alunos fazendo um desenho. Chamamos de mapa do aluno o desenho que é feito pelo seu familiar, enquanto conversa conosco. Primeiro pedimos que a mãe (ou pai, ou avó...) se desenhe. Depois, que desenhe seu filho(a), neto (a). Enquanto os desenhos são feitos vamos conversando sobre coisas que gostam, que não gostam, medos, desejos, sonhos inatingíveis, sonhos difíceis mas possíveis...
Nesta semana, em conversa conosco, uma mãe disse que seu sonho mais distante e impossível de se concretizar é ter uma casa, um dia...
Fico pensando nos sonhos que temos e que julgamos impossíveis de se concretizarem. Fico pensando nas pessoas que pensam por nós...que nos julgam, que dizem que nossos desejos são sonhos e que nossos sonhos não se transformarão em realidade.
Baseados em quê, algumas pessoas julgam? Em quais evidências? A aparência é uma evidência?
Pois olhem só: nado há muito tempo. Se entro em uma piscina eu não me afogo, não tenho medo, não peço socorro. Eu nado e brinco.
Hoje, fui fazer um teste para verificar se poderia participar de um grupo de natação/condicionamento. O professor perguntou-me "sabe nadar, mesmo?", manifestando certa desconfiança. Respondi "um pouco". Menti. Sei nadar um pouco mais do que um pouco. Ao final do teste, o professor ria e comentava surpreso a satisfação com o resultado de meu teste.
Fiquei feliz ao ouvir "bem-vinda (COM HÍFEN, SEMPRE!!!), tu já és da casa".
Quem disse que uma obesa não poderia nadar bem? Quem associou obesidade à dificuldade para deslizar numa piscina? Eu não li essa cartilha, se é que ela existe.
Quantas pessoas são julgadas apenas por sua aparência? Quantas pessoas são rotuladas de incapazes por serem especiais? Por necessitarem de medicação? Por se deslocarem de forma trôpega? Quantas pessoas já foram deixadas de lado, por não conseguirem articular as palavras facilmente?
Por outro lado, quantas vezes tivemos a oportunidade de romper com padrões, esteriótipos... quantas vezes conseguimos enxergar além da "embalagem"?
Volto a lembrar de "minhas mães": uma delas conta que seu sonho é poder assistir ao casamento de seu filho, um dia. Outra, que a filha consiga ler o seu nome.
Então, busco o vídeo de uma lição chamada Susan Boyle. Compartilho e acrescento: matar sonhos, também pode ser resignificá-los e transformá-los em realidade.