
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Pasárgada por alguns momentos, please
Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá um Existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei nenhum pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na Beira do Rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir uma concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei --
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira uma Vida Inteira", Editora Alumbramento - Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
Manuel Bandeira: em sua vida e sua obra estão "Biografias".
segunda-feira, 8 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
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