Sempre procurei, em minhas postagens, isentar-me de opiniões pró ou contra algum candidato, político ou semelhante. Obedeço a alguns critérios internos que me auxiliam a tornar este espaço isento de ideologismos políticos. Ponto.
Há algum tempo venho sendo acompanhada de uma sensação estranha e indesejada. Sensação que se agiganta, se remexe, sibila sempre que escuto um telejornal ou leio alguma reportagem sobre nosso presidente e seu "companheiro de profissão", Hugo Chavez.
"Por que não te calas?"; "Por que não te calas?" Por que será que eu lembro dessa frase, já célebre, com a mesma insistência que recordo do Caco Antibes, vivido por Miguel Falabella, dizendo "Salvem a professorinha!", "Salvem a professorinha!" ?
O "basta" do Rei Juan Carlos imortalizou-se até em chamadas de celulares. Muitas pessoas acharam graça, brincaram, imitaram, elogiaram ou criticaram.
Considero-me uma pessoa razoavelmente esclarecida e informada sobre algumas questões de âmbito mundial.
Relembro que Chavez foi personagem principal de uma tentativa(frustrada) de golpe em seu país, em 1992. Logo após ser eleito , destituiu o Congresso de seu país. O novo parlamento tinha a maioria de seus aliados. Ministros que o questionavam foram aposentados; a emissora de televisão que fazia oposição ao seu governo foi "fechada".( não houve renovação da concessão da RCTV) Atualmente, reforça suas tropas, investindo pesadamente em material bélico.
Fico pensando e tentando imaginar como é "ser professor" em um país como a Venezuela...
Mas aí... meu sono desaparece quando ouço e leio o seguinte:
"Podem criticar o Chavez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticá-lo: mas por falta de democracia na Venezuela, não é." Palavras do nosso presidente Lula. "Jeeeesuíta" , como diz minha amiga Kátia!
Nosso presidente, há tempos vem afirmando que não sabe de muita coisa: um mensalão aqui, um mensalinho ali, troca de favores acolá... Ele não sabia de nada... Não sabe...
Pois percebo que, quem não sabia, eram muitos eleitores.
Como será "ser professor", daqui a pouco tempo, no Brasil?
Ruth de Aquino, da revista Época, escreve em seu artigo "Falou por quê?":
"Na Venezuela chavista, quem se opõe aos delírios de poder do presidente está sendo calado à força, pela censura pura e simples ou por conflitos armados nas universidades. Televisões, estudantes, manifestantes, jornais. Basta discordar de Chavez, e você será colocado na mesma categoria de José Aznar, o ex-primeiro ministro espanhol. Será chamado de fascista. No Brasil, existe uma televisão pública em gestação. Em seminário internacional em Lima, um dos mais importantes ideólogos da política externa de Lula..., acusou a mídia brasileira de "despolitizar a população" e de controlar os excluídos "pela distração". No Rio de Janeiro, quatro pesquisadores que discordavam da política do governo Lula acabam de ser afastados de um instituto, o IPEA.E se Lula apoiou Chavez não por pragmatismo, mas por convicção, por estarem irmanados em idéias e projetos?"
Quem foram os mestres de muitos dos presidentes que estão por aí? Quem foram os mestres do Senador Renan Calheiros? Quem foram os mestres do faxineiro do aeroporto que, há tempos atrás, encontrou e devolveu uma maleta cheia de dólares ao seu dono? Quem foram os mestres dos pesquisadores que ousaram discordar de uma política vigente em nosso país? Quem foram e são os NOSSOS mestres?
E, nós? Somos mestres de alguém?










