O problema é que cheguei em uma idade em que, para falar de A, antes eu tenho que contextualizar com B. E, ao fazê-lo, me lembro, necessariamente, do C.
Então vamos lá...
Tenho temas de escrita e vídeos a fazer. O primeiro está ligado à minha querida profe e amiga, Beatriz. Sim, vou mandar notícias de como estou.
O segundo, talvez fale de mudanças...está relacionado ao primeiro. Acho que o título será Aprendizes da Espiral
O terceiro são temas de obrigação relacionados a mais um curso de extensão.
O quarto, são vídeos de momento especiais em lugar querido e desejado...
Acho que devo escrever um outro texto que chamarei de Capadócia...
Bem, vamos lá...ao que antecede o primeiro.
TENHO INFORMAÇÕES DE ONDE ESTÃO OS ANJOS DE PLANTÃO
Conhece o Ivo? Não o Ivo de "Ivo viu a uva", mas o outro, o Mozart. Ivo Mozart.
Eu fui apresentada a ele através de um colega que adorava essa música: o Paulo Mauro, do Teatro.
Gosto dele, por esta música: O Ivo. Do Paulo, eu já gostava.
A letra da música inicia com a pergunta que mapeia toda a estrutura musical: "Onde estão os anjos de plantão?"
Onde estão os anjos de plantão?
Sei como é difícil atender todos os pedidos
E que a minha prece é mais uma na multidão
Será que Deus pode me ouvir?
Só quero agradecer tudo que um dia eu já consegui
Aí, começam as chamadas coincidências : Há outra música que "conversa" com esta acima. Falcão canta Anjos (pra quem tem fé). O RAPPA me lembra os tempos em que fui professora de EJA, no CMET PAULO FREIRE. Lembrar do CMET é lembrar de meus alunos, é lembrar de conversas, de incentivos, de professora encantada com as turmas que acompanhou...é lembrar de asas, de águias, do Vôo da Águia, de um grupo chamado Debatedores e do indicativo para cada um: VOE!
Em algum lugar, pra relaxar
Eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé
A vida nunca tem fim
Não tem fim
É
De certa forma, pedi para os anjos cantarem por mim. E , então, aquela que preparava vôos, que acompanhava partidas , fez seu próprio caminho. Partiu, mudou, voou.
Cheguei em lugar já conhecido mas , de algumas formas, saudavelmente transformado. (e aí vem o futuro texto sobre a espiral, percebem?) Cheguei, acho que, como sempre fui: rápida, com o desejo de fazer todo o possível o quanto antes...como se amanhã não estivesse mais por ali. E me vi envolvida com programa de leitura Adote um Escritor, com poesia, com trabalhos lindos feitos pelas professoras e seus alunos e com os famosos tercetos de Ana Mello, nossa escritora adotada no turno da tarde.
Então, vamos retomar didaticamente:
Anjos de Plantão, a canção
As perguntas
Anjos, a canção
Algumas respostas
Um pedido atendido
Muitas lembranças
Novas andanças... anjos, asas, voem, mudem, tenham fé...
Em "nova escola", Lucena Borges, no segundo dia de visita a escritora chega usando um par de asas...
Por quê? Porque eu a questionara sobre um poema de sua autoria, que encontrei na Internet. O nome do poema? Anjos!
Agora, voltemos a Ivo Mozart, esse carinha esperto... escuta aqui...
Sei que o tempo passa e a saudade fica
Será que alguém me explica o sentido da vida
Me aponta uma saída ou me conta um segredo
Me ensina a crescer sem olhar pra trás e sentir medo
Em algum momento percebo que se foi o tempo de olhar pra trás. É tempo de mudanças e despedidas. E o faço, atualmente, com mais facilidade do que antes. Por vezes, minha despedida é solitária, unilateral...mas necessária.
Já contei para muita gente que amo fotografar. Enquanto fotografo, antecipo cenas que construo, mais tarde, em registros...enquanto fotografo , reflito e repenso, busco, alcanço o deixo no ar...
Fotografei noite dessas e me despedi de um importante lugar. Enquanto fazia os registros, me despedia silenciosamente...e acho que o que acreditava ser imperceptível a muitos olhos foi percebido por alguém. E, dela, recebi um longo abraço. Muitos vôos , nessa noite.
"A fé na vitória tem que ser inabalável", não é, querido aluno José Lauderi? Não é, Rosane Borges? Falcão diz... (e olhem...outra coincidência...Águia, vôos, asas...e o nome do Cantor? Falcão!)
Agora, fotografo em mais um lugar que, por muito tempo, eu nem pensara em voltar. E aí, chegamos próximos ao título TENHO INFORMAÇÕES DE ONDE ESTÃO OS ANJOS DE PLANTÃO. Chegamos ao Noel, um cachorro idoso que apareceu na frente do portão de nossa escola. Sobre ele, fiz especialmente para as pessoas mais próximas, um breve relato , contado pelo próprio Noel. Disponibilizo para quem quiser...
Sobre os anjos de plantão e sobre o que o Ivo Mozart, o espertinho, dizia/pedia...
Ivo canta que só quer agradecer por tudo que já conseguiu, pois sabe que os pedidos para os celestiais são muitos. (imaginem, na época de Natal...)
Ele continua e não deixa de fazer um pedido no final...
Eu tive sim mas sei que não tô sozinho Eu sinto que é você que ilumina o meu caminho Me olhando com carinho me leva pra casa Segura na minha mão e me abraça, Me cobre com sua asas e me livra do mal
Noel , o cachorro, surgiu cansado, desnorteado, perdido. Depois de muitas conjecturas, venceu a que concluía que foi abandonado devido a sua idade avançada e incapacidade de acompanhar pessoas mais ágeis do que ele. Na velhice, em época de aposentadoria canina, se viu em lugar desconhecido, sem comida, sem aqueles que considerava Os Seus.
Então, alguém o enxergou e o convidou pra entrar...pra tomar água, pra descansar. E outros se juntaram...comida, carinho, aconchego, lugar para dormir, olhares de preocupação e , muito mais de aceitação (Pausa, novamente, para lembrar da Espiral. Podemos voltar ao mesmo lugar, mas não somos mais os mesmos e, também, quem ali escolheu por muito tempo ainda ficar. Mudanças. Mesmo lugar, espiralmente, falando...)
Pois não é que a Vida é uma espiral?
Então, o Noel entrou e foi ficando...e as pessoas compartilhando diferentes momentos com ele.
Ah! os Anjos do Ivo! Que acredita que todos estão "lá em cima"! Não estão, seu bobinho!
Estão aqui, junto com a gente, do nosso lado, como diria a Ana Mello...
Perguntaram-me,
o que são anjos?
São seres mágicos, puros, perfeitos.
Elos de ligação com o Criador.
Cada pessoa tem seu guardião.
Chamados nos momentos de dificuldade, estão sempre prontos a interceder
por quem faz oração.
Aparecem do nada,
nas oras de maior precisão.
-Possuem asas ou auréolas?
São masculinos ou femininos?
Que formas eles têm?
Tem formas de amigo,
telefonam e mandam e-mail
e alguns trabalham comigo.
Se também sou anjo?
Sim, às vezes.
É receita fácil e sem pretensão:
Amar, não ter preguiça de ajudar,
agir com alma, com coração.
Os anjos fazem vakinha para pagar remédios, ração, vacinas, internação ...os anjos saem de suas casas e fazem companhia e tratam de um bichinho triste e abandonado, os anjos acordam, nem dormem, eu diria, e vêm buscar , de carro, um cachorro triste e cansado e quem o levantou. Anjos podem vestir fardas e abrir portas depois das 22h, não é ,guarda Eleonora? Anjos acompanham de alguma forma...não, não é necessário ser igual! É preciso se importar...e, de algum jeito, somar. Anjos buscam telefones pra compartilhar...
Talvez eu conte em outro texto como morri, como voltei. Mas agora, é importante lembrar que muitas asas me auxiliaram a voar.
Maria do Carmo Janson, minha querida coordenadora de um tempo potente que custa a voltar, contava que uma determinada tribo do Amazonas que falava sobre quem somos e o que podemos. Era, mais ou menos assim:
" Todos nascemos como seres celestes . Somos anjos, nascidos com duas asas. Com o tempo, quanto mais crescemos e esquecemos de nossa principal missão, as penas vão caindo...uma asa vai minguando e desaparece. Somos imperfeitos, então. Temos ainda uma asa e o eterno desejo de voar. Mas , agora, para voar, necessariamente , com outro alguém temos que nos abraçar!"
Noel não chegou a toa! Ele agradece. Está internado, tentando recuperar as forças e o desejo de voar.
Sigamos! Obrigada para todos e por todos!
Anjos do Lucena e proximidades... todos nós!
INCLINAR SEU OLHAR SOBRE NÓS...E CUIDAR
domingo, 26 de dezembro de 2021
Breve relato de como estou...
Olá! Sou o Noel. Cheguei poucos dias antes do Natal na escola que me abrigou. Eu estava bem cansado e minhas patas , machucadas de tanto caminhar desorientado.
Fui convidado a entrar para descansar, tomar água e...pronto...acho que uma nova possibilidade surgiu. E, não só para mim.
As especulações sobre meu aparecimento são muitas: se perdeu, fugiu, o dono ou dona talvez tenha morrido e eu enxotado ou então, a que parece ser mais provável, para um grupo da escola: fui abandonado por estar velhinho. Não tenho os dentes da frente, preciso de uma comida que me favoreça, não tenho mais a mesma energia para correr ou acompanhar quem tem muito mais disposição do que eu. Chegou a hora de minha aposentadoria. E, quando pensava em dormir, dar umas caminhadinhas básicas , receber carinho de gratidão pelo tempo que servi e fui fiel...bem, vocês já sabem.
Estou na escola, ganhei amigos, alguns olhares de receio tipo "o que vamos fazer com ele?" e , neste momento, ganhei a segurança que eu pensava ter perdido.
Então, uma das muitas pessoas que me apadrinhou nessa escola me disse que seria interessante relatar o que já foi feito para me ajudar:
Vakinha - ajuda para comprar e pagar :
minha guia,
minhas rações,
minha estadia em hospedagem (tios Carla e Giovanni que me cuidaram e passearam todos os dias comigo),
o transporte de ida e volta,
os sachês que misturam na ração para tentar me convencer a comer aqueles grãos,
o vermífugo que precisei tomar antes das vacinas que virão,
o exame de sangue que constatou que estou anêmico...
Doações mais específicas:
Visita domiciliar da veterinária ( gentileza da profe Luísa)
Coleira Seresto (Turma da Bibliopet - gentileza de um tal de Bob Borges, Samantha Elisa e Nith...não os conheço mas já falaram deles perto de mim)
Minha linda e nova casa azul ( gentileza da amiga da Ondina e da própria Ondina que contou minha história)
Suplementos alimentares indicados para o combate da anemia (gentileza da profe Dani)
Carinho, compreensão , tolerância e cuidados de todos os meus novos amigos da escola
Tempo, carinho, cuidados e companhia em momentos diferentes do dia para que eu não me sinta tão sozinho ( Milene, Alex...e acho que devo mencionar a profe Bia, criatura insistente que me obriga a engolir os suplementos, depois que eu descubro que iria engolir com outra coisa ,só pra me enganar, e os cuspo, fora.) Hum...também ao marido dela, que traz comida feita por ele (muito boa, por sinal) na tentativa de me enrolar e promover a transição para uma ração...
Sei que tem o grupo da doação em R$, do financeiro, da arrecadação e compra, da preocupação ... sei que tem muita disposição em me ajudar. Sou gratidão na forma que aprendi: olhares afetuosos, caminhadas lentas para encontrar e acompanhar, balanços do meu rabo. Cuido do pátio e arredores com as forças que disponho: lato quando percebo que há pessoas que não conheço na horta e fico atento ao movimento. Lato incomodado quando percebo a entrada de outro bicho por baixo do portão. Sim, estou cansado...mas estou ligado.
Agradeço a quem primeiro me viu e enxergou (Juli) e possibilitou que, como escreveram em uma linda mensagem, o espírito do Natal se transformasse em acolhimento e inclusão.
Preocupados com meu bem estar em noites de muitos fogos de artifício (que são proibidos e afetam negativamente, não só animais...) o trio que está acompanhando diariamente, está vendo a possibilidade de eu permanecer em LT em um lugar mais calmo, já oferecido. Depois de terça, poderei dar mais detalhes, pelo que me disseram, pois vamos até lá fazer um primeiro contato.
Ouvi algumas pessoas falarem que eu devo ser adotado, que será difícil por causa de minha idade e incapacidade de ser tão ágil e companheiro quanto , certamente, já fui, para alguém. Também ouvi que nada acontece por acaso e que minha chegada, provisória ou não, é possibilidade para questões como velhice e suas transformações, abandono, possibilidades de inclusão ,necessidade de tolerância, de diálogo e união em diferentes ações sejam trabalhadas.
Estou por aqui...cansado mas muito agradecido. E acho, que estou começando a esquecer de coisas tristes para ter a certeza de que ainda posso ser bem feliz.
Felizes dias para todos nós!
Noel
domingo, 2 de maio de 2021
ALTERNO...
Alterno momentos de enganosa tranquilidade, com momentos de exaustão.
Alterno momentos em que caminho satisfeita com as melhores companhias, com momentos em que apresso o passo segura da incerteza do que me aguarda.
Alterno momentos em que acompanho e busco minimizar a solidão do outro lado da tela com momentos em que, preocupada, acompanho a depressão do outro, dentro de casa.
Alterno momentos em que subo na maca , deito e aguardo que um túnel barulhento e investigativo me engula, com outros momentos, em que o convencimento para a busca do auxílio médico se faz necessário.
Alterno o desejo de estar em outro lugar, com outras pessoas, em outro mundo, com a certeza da necessidade de estar onde estou.
Alterno momentos de saudades de episódios da minha infância, com outros...com saudades de uma memória que não é minha...mas já se deteriorou.
Alterno momentos de satisfação e alegria por acompanhar alunos que conseguem resistir, insistir e persistir apesar de todas as dificuldades... com outros, em que minha tolerância é pequena em relação à pessoas com quem sou obrigada a conviver por conta do "ambiente de trabalho".
Alterno momentos em que sonho que um dia vou estar com os meus, em um fim de tarde, às margens do Bojador ...com a certeza de que o momento atual é de profunda dor.
Alterno...resisto e persisto buscando reconhecer cada diferente momento, seu significado e seu valor.
REVISITO...
Foi noite de revisitar meu blog, de relembrar das queridas Bea e Íris...minhas referências de excelência no que fazer e como fazer.
Percebi, ao reler minhas postagens, que desde 2013 , em meus escritos, falava sobre o mesmo tema...às vezes, abertamente, outras vezes, entrelaçado com outros...escondido...mas sempre ali.
Houve um tempo em que escrever era como respirar...tornava-se necessário para que eu conseguisse continuar.
Hoje, revisito meus textos para não esquecer de minha essência...