domingo, 12 de maio de 2013

Resgate

Esse post era para ser sobre mães, genéricas e similares. Era. Talvez, seja. Talvez, não. Dependerá da trilha que vou encontrar. (trilha musical)
É fato que estou cansada, ultimamente. E tenho sentido vontade de mudar alguma coisa... ainda não sei o quê. Procuro, nas últimas semanas, algo que me impulsione, que justifique minha permanência neste tempo e espaço.
Cada vez mais, sinto a fragilidade da Vida, o descontrole de seres ditos humanos, a indiferença em relação ao sofrimento alheio... pena... E vejo isso relacionado com a Educação que temos ou não temos, com movimentos sociais, com políticas públicas. Acredito que estamos em falta conosco...
E o improvável aconteceu: encontrei a trilha! Vou de Beyonce!

Pois é...
Acho que uma breve imagem do vídeo já começa a me dar a resposta.




No mês passado, enquanto as vozes do American Idol me acompanhavam na sala, ouvi um estampido e um barulho de pneus de um carro que saia da frente de nosso prédio. Eram quase duas e meia da manhã e o corpo do segundo taxista executado em Porto Alegre, fora deixado em nosso calçada. Eduardo era o seu nome, fiquei sabendo depois. 
Quando o vi, pela janela, pensei "Mas é um menino..." Não era, mas parecia. Ainda hoje consigo , claramente, visualizar mais tarde os policiais brigadianos cercando o corpo, outros fazendo uma espécie de corrente humana frente ao portão, impedindo entradas e saídas de quem , por acaso, quisesse saciar mais de perto sua curiosidade.
Atentamente, sempre da janela, acompanhei o trabalho da perícia que veio horas depois. E foi quando vi o fotógrafo se ajoelhando ao lado do rapaz que percebi que ali não estava mais uma pessoa deitada: era só mais um corpo...estatística. Será?


Não tenho conseguido dormir tranquilamente, deste então. Acordo com qualquer ruído, já relembrando um sábado infeliz para tantas famílias... tantos filhos, companheiras, amigos...

Foi aí que a idéia de mudar começou a tomar contorno. Inicialmente, mudar de casa, de cidade, de ir para um lugar  mais tranquilo. E esperei   uma trilha adequada para isso ...


Acho que "perto de uma mata e de um ribeirão", talvez, por algum tempo, eu ficasse mais feliz. Mas só por um tempo...e não muito longe. Então, defini que vou pensar a respeito e, se possível, concretizar essa mudança dentro do tempo que já estabeleci.
Mas, por enquanto, ainda estou aqui. Ainda trabalho na escola, ainda circulo pelas ruas de uma cidade cada vez mais urbana e confusa, ainda tento dormir sem lembrar-me da violência que deixou suas marcas em nossa casa.
A música de Vítor e Léo eu ouvi ontem, em uma seleção feita, com as canções prediletas das mães de nossos alunos. Enquanto confraternizavam com os filhos e equipe da escola, ouviam a sua seleção musical. Gostei da melodia e resolvi procurar no youtube. Era a trilha "da fuga da cidade".

Hoje à tarde, receberemos novamente a visita dos futuros pais do Bolota, um cachorrinho que resgatei, vítima de negligência. Em junho, Bolotinha irá para sua nova casa. Assistir ao carinho que este jovem casal dedica ao "filho escolhido" me preenche de alegria e de esperança. Sensibilizada, acompanho o cuidado que possuem ao pegá-lo no colo, ao abraçá-lo e aproximá-lo de sua nova irmã, Moçamba, uma linda mix de Border Collie.
Como li no facebook da Ana e de várias outras pessoas, "Mãe de cachorro, também é mãe." E eu concordo. E mãe de gato, de porco, de cavalo e de terneirinho , também.
Agora lembrei da Emeraci, amiga protetora, que hoje, no dia das mães, está participando de uma feirinha de adoção. Tentando encontrar boas mães para filhotes maltratados e abandonados.



 Quando tento me definir penso que sou professora, contadora de histórias e protetora , cada vez mais, uma pessoa que resgata animais do abandono, de maus tratos e da indiferença. Sou muito mais, eu sei, mas isso já me define e satisfaz...

Amo meu trabalho e também, a possibilidade de proporcionar  uma vida melhor a outras vidas. Relembrando o vídeo da Beyonce, foi no "um minuto e quatro segundos" do mesmo, que encontrei uma de minhas respostas. Até porque já estive muitas vezes num local como aquele, rindo, contando histórias e fazendo outras pessoas esquecerem, por um tempo, de suas aflições. É...acho que sei fazer isso, também. Mas preciso me concentrar bastante. E estar bem...e ter a certeza de que esses são os melhores resgates.
Na verdade, a resgatada sempre sou eu. Quando vejo meus cachorros brincando, quando percebo um sorriso de resposta de um aluno, ou mesmo um relance de olhar, quando conheço pessoas como a Emeraci, como a Luísa, como a Ana e o Ricardo...pessoas que fazem o bem para além de seus corpos, de suas casas percebo que tudo isso é conhecimento e oportunidade.
Então eu me resgato todos os dias, com meus alunos, no meu trabalho, com as opções que faço, com as vidas de quatro patas que encaminho. E é pouco, eu sei.


Minha mãe se chamava Judite e morreu há mais de 10 anos. Antes até, se considerarmos que o Alzheimer nos retira mais cedo, a pessoa que o possui. Permanece o corpo, que vai se esvaziando... Minha mãe se chamava Judite e gostava de gatos e cachorros. Acho que não tanto quanto eu. Ainda hoje, sinto falta de nossos melhores momentos. 

Minha mãe me deixou como legado a capacidade de indignar-me e de fazer alguma coisa. A vontade de ir além, de mudar, de buscar o que falta, de caminhar sabendo que, muitas vezes, a chegada não é o principal.
Com ela, aprendi a me resgatar.
E a Beyoce canta Halo, Halo, Halo... 
Em todos os lugares que estou olhando agora
Você me cerca com seu abraço...

Eu sempre soube. Obrigada.

Um beijo especial para as mães Taís, Vainir, Adriana, Lúcia, Ale, Rejane, Márcia (todas elas!rs),Silvinha, Lu Mosqueteira, Ada, Gi, Sandra, Lu, Íris, Bea, Denise, Ilsa, Magali, Angélica,Leila, Keila, Rita, Fátima, Patti, Luísa, Dalila, Giovana, Carlinha, Marília, Maria...





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Rascunhos

Pois tive uma ideia interessante: resgatar os rascunhos do meu blog e publicá-los do jeito que ficaram quando eu acreditava não ter condições de completar a sua escrita.
São projetos de textos, pequenos parágrafos ou postagens quase completas. Mas por diferentes motivos, resolvi guardá-los. Lembrando que boas idéias e invenções, as vezes, partem de indivíduos com preguiça e que desejam " tornar o trabalho mais fácil", compartilho com os devidos comentários.  



Primeira:





No início desta semana, aquele aluno que gosta da música do Mágico de Oz chegou muito mal. Desta vez, precisamos levá-lo rapidamente ao hospital. Coordenadora, orientadora e eu o acompanhamos durante toda a tarde e início da noite. Este menino, embora não consiga falar, compreende muita coisa. Assim como nós , certamente, percebeu o descaso com que foi atendido por alguns profissionais da saúde. Enquanto ele grunhia de dor, apertava nossas mãos, buscava nossos olhos pedindo o afastamento da dor, a preocupação de uma médica era conversar com seus pares sobre como atender aquele adolescente.

Sobre a postagem: não fui adiante porque ainda estava impactada pelo atendimento recebido pelo meu aluno. Comprovei, naquele dia, que alguns médicos necessitam, muito, aprender como atender um adolescente especial.
O aluno já saiu de minha escola, pois completou 21 anos. Não sei como está. Mas não deixo de lembrar dele e desejar que sua vida seja bem mais amena...
Consegui, mais tarde, escrever uma postagem sobre ele...

Segunda:


Reencontrei Carlinhos

  
Eu queria descer da lotação bem na esquina do prédio do Santander. O motorista me avisara que "só se não tiver azulzinho por perto." Tinha. Tudo bem, fui até o fim da linha, na outra esquina, já atrasada para o meu compromisso. Mas, nada é por acaso: ao descer da lotação, caí na década de 60, quando estava no início do meu primeiro grau. O dia em que desci atrasada da lotação, na Rua Sete de Setembro, foi o dia em que reencontrei Carlinhos.



Carlinhos me acompanhou na primeira, segunda, terceira e quarta-séries do primeiro grau, há mais de trinta anos atrás. Fora alvo das brincadeiras maldosas de muitos de meus colegas. Com seu andar peculiar, sua fisionomia diferente e fala prejudicada, não tinha muitos amigos. Alguns o chamavam, escondido da professora, de "cara de macaco". Acredito que as provocações poderiam ser mais constantes e cruéis não fosse o detalhe dele ser filho da vice-diretora da escola. Quase todo mundo tinha receio da diretora e da vice... 
Bem, o fato é que era um menino especial. Era mais lento em tudo. Ficava sozinho na hora do recreio e, muitas vezes, ia até a sala da mãe onde, hoje percebo, se sentia protegido. Na primeira série , fora o fato de ter uma curiosidade em espiá-lo em alguns momentos e observar que babava quando nervoso, não tive nenhum interesse em ser sua amiga.Ele enfrentou a implicância de colegas e a indiferença de outros(inclusive a minha) com silêncio , incompreensão e , por vezes, proteção de professores e de sua mãe. 
Acho que foi pela metade da segunda série que as coisas começaram a mudar... Minha mãe e meus padrinhos adoravam ver meus cabelos balançando sob a forma de cachos. Isso implicava em , no mínimo, meia-hora sentada em um banquinho, imóvel, sentindo mecha por mecha ser esticada e enrolada com um pente. Eu achava um tédio ter que ir com aqueles cachos balançando e amarrados a uma fita colorida no alto da cabeça. Foi então que surgiu o Marcos, um menino chato e grande que implicava com todos . Carlinhos era uma de suas vítimas. Meus cachos também. Primeiro ele começou com um gesto rápido: passava e puxava meu cabelo, antes de fugir. Depois, o que me indignava deveras, sofisticou o gesto: puxava os cabelos e murmurava: "muuu vaquinha". 
Bah! Comecei a observar o vilão no recreio, na hora da saída, na entrada: eu precisava dar um jeito de parar com aquelas brincadeiras. E , aí, percebi que o Carlinhos passava por momentos difíceis, também: lápis roubados, folhas de caderno amassadas...

Fazia um bom tempo que eu pensava no que fazer: contar pra minha mãe ou dar um jeito sozinha. 
Em um dia de chuva, em que o recreio fora na sala, Marcos se aproximou de meus cachos com seus dedos irritantes. Depois de sentir o puxão, grudei minhas mãos em sua camisa e puxei com força. Nesse meio tempo, Carlinhos corria até a classe de Marcos e começava a quebrar os seus lápis. Naquela tarde, Marcos saiu com a camisa rasgada, os lápis quebrados e o orgulho violado. Eu e Carlinhos ficamos sentados na direção enquanto nossas mães conversavam. No dia seguinte, os três: Marcos, Carlinhos e eu pedíamos desculpas uns aos outros, sob os olhares atentos de nossas mães. Como eu não fora suficientemente convencida, terminei meu pedido-ensaiado de desculpas colocando a língua para o colega.
Mas foi aí que nossa cumplicidade começou. Carlinhos e eu nos encontramos naquele sentimento chamado amizade.

Sobre a postagem: esse reencontro aconteceu e me sensibilizou por demais. Ali, no meio da rua, 30 anos depois, Carlinhos me reconhecia e me chamava como na época em que tínhamos 8 anos: "coleguinha Beatriz"
Entretanto, por mais que eu tentasse, nunca consegui escrever a respeito desse amigo da forma como acredito que deveria: com excelência. todas as postagens iniciadas, como essa, não conseguiram dar conta do carinho que sentia por esse pequeno e especial amigo. Hoje, percebo que foi meu primeiro contato com uma criança especial. E acho interessante eu trabalhar com especiais já há muito tempo... sem nunca ter feito nenhuma relação com aquele meu amigo... 

Terceira:




Shena

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que Shena nasceu no exato dia em que eu e o Lu nos conhecemos.
Dito isso, me pergunto por que algumas pessoas se apegam a crenças, sinais que surgem como respostas a perguntas não formuladas mas guardadas internamente?
A resposta me chega fácil: para se proteger, para criar mecanismos que possibilitem que trafeguem pela vida de um jeito mais ameno, sem tanta dor, com mais confiança. E podemos dizer que a crendice, superstição ou coisa parecida se origina na brincadeira, quase como se não fosse tão importante quanto, em algum momento, realmente é.
Crer em alguma coisa é motivo para sermos mais fortes. 
Shena foi um presente meu no dia dos namorados. Fomos até a casa do criador e o Lu escolheu a bolinha saltitante de pelos que lhe fez festa com maior confiança. Ali ele decidiu que ela seria Shena. E brincou, acrescentando "a princesa guerreira." Achei engraçado. 
Eu e uma querida amiga temos uma combinação feita em tom de brincadeira, há quase vinte anos e que é levada muito à sério: se uma estiver em dificuldades, seja aonde for, na beira de um precipício...vai chamar a outra. Em momentos difíceis para ambas, estivemos juntas, amparando quem precisava. E com o tempo, acrescentei detalhes que só o meu específico humor seria capaz de utilizar; "Carmela, se eu passar para o outro lado, antes, faço questão de me despedir do Lu e de ti..." Foi por isso, que anos atrás, enquanto um assustado motorista me levava para a emergência de um hospital , eu ligava e a convocava. Ela e o Lu estavam lá, mas eu não desci nenhum precipício. Com o tempo, o "estar lá" se tornou rotina para diferentes e importantes acontecimentos. 
Por que as pessoas têm imagens ou objetos como símbolos de sorte, crença, fé? Atribuir a uma determinada imagem a responsabilidade por conquistas, respostas...
A imagem não é a imagem. Significado e significante...Signos... A imagem é a idéia personificada, o desejo, a busca e a resposta...

Neste ano, descobri que um diagnóstico equivocado fora o responsável por um longo tempo de fisioterapias sem sucesso. Com a certeza da necessidade de uma cirurgia (rotineira, segundo o médico, simples e rápida) comecei a, de forma desapercebida, buscar sinais que indicassem sorte e sucesso no procedimento. 
Shena, a princesa guerreira era calma e totalmente focada na atenção àquele que escolhera como dono. Entretanto, aos nove meses, interceptou um ataque de um fila que fugira de seu pátio e tentara atacar a pessoa que passava mais próxima. E essa, era eu. A filhote de Rotweiller se colocou entre mim e o Fila, deixando que ele atacasse seu pescoço. Do episódio só a lembrança da coragem da guerreira.

Na semana que antecedia meu procedimento cirúrgico simples e rápido comecei a intensificar minha busca por sinais. O primeiro veio através da Internet: uma modelo americana de roupas GG se internara para fazer o mesmo procedimento que eu faria: morreu durante a cirurgia. Resolvi, então, aguardar outros sinais não tão distantes do Brasil. Por via das dúvidas, telefonei para minha amiga e avisei de minha cirurgia, prometendo que um dia antes, telefonaria para relembrar e dizer o horário. Por via das dúvidas novamente, telefonei para outra querida amiga e a relembrei pois eu sabia que já estava focando suas energias no sucesso que viria.
Então, fiquei esperando...

Shena, no auge de seus quase onze anos, arrancou uma das unhas da pata , ao cavocar buracos no pátio. Precisamos levá-la à veterinária e deixá-la hospedada pois necessitava tomar antibióticos para ceder a inflamação.
Poucas horas antes de minha cirurgia a veterinária ligou solicitando que fossemos até lá. Um novo agravante se apresentava e, devido, a sua idade avançada a tentativa de recuperação não era certa mas indicava uma dose de sofrimento.
Ao sairmos de casa, no pátio do prédio, a primeira coisa que enxerguei foi um chaveiro. Ao pegá-lo, identifiquem a única imagem à qual atribuo respostas, sorte e sucesso: uma imagem incomum e difícil de ser encontrada no pátio de meu prédio. 
Eu e o Lu resolvemos ir de táxi até o hospital: como passageiros conduzidos tínhamos tempo para pensar , repensar e relembrar.
Minha amiga dos momentos difíceis não foi encontrada em casa, no celular, não respondeu a mensagens deixadas e, nem conectou-se às minhas frustadas tentativas de uso de paranormalidade.  "Cadê você, criatura?"
 Então, eu soube e quis acreditar que, de alguma forma, a princesa guerreira partia como resultado de um duelo e negociação. Imaginei-a dizendo "Deixa meu Lu feliz. Ela fica mais um pouco por aqui e eu vou em seu lugar..."
Quando avistou meu marido, após chegarmos na veterinária, fez força para se levantar, fez festa, lambeu seu rosto. Partiu algumas horas depois...

Minha cirurgia foi bem sucedida e aqui estou eu, escrevendo sobre ela, entre outras coisas. Mas sempre vou me lembrar dos olhos de despedida de Shena, poucas horas antes de minha internação...

Sobre a postagem: Shena faz muita falta, principalmente, para o Lu. Ainda hoje, a enxergamos através das brincadeiras e olhares do seu filhote, Thor.
Não achei que tivesse escrito um bom texto, que desse conta da emoção que eu sentia, sem parecer piegas...por isso, não publiquei...


Quarta:

Quando as evidências não correspondem aos fatos
Pois hoje, no Dia Mundial dos Animais, estou bem triste.
Bob apareceu , não por acaso. De todas as casas e prédios foi em uma escola especial que, inicialmente, foi acolhido. Não por todos, é verdade. Ironicamente, esse bichinho veio mostrar que, muitas vezes, falamos da boca para fora. Somos a favor da inclusão mas excluímos um animal pela sua aparência, por seu cheiro...Não temos tolerância de aguardar que o pelo seja limpo, que as cicatrizes da pele sejam cuidadas e curadas. Somos favoráveis à inclusão de duas patas, apenas. Ah, mas adoramos quando vemos um lindo cachorrinho de raça, cheiroso, bem cuidado...fazemos festa e pegamos no colo, não é?
Achamos lindo quando ouvimos pessoas falando em uma vida mais sustentável, em desprendimento...chegamos a dizer que essa é nossa meta: caminhar mais devagar, perceber a beleza das plantas, colher frutos pela manhã, meditar... Mas não deixamos de questionar a presença de um filhote abandonado, não para ajudar, mas para certificarmo-nos que vai sair de nossa visão. Pois as diferenças tão respeitadas não chegam até o corpo machucado de um animal...
Bem...Bob está melhorando: sem carrapatos, comendo todos os dias, brincando com quem o aceitou incondicionalmente e, tentando conquistar quem não o enxerga. Mas o fato é que o cachorrinho que dá a pata quando pedimos bom dia precisa de um lar, de pessoas que o queiram e possam adotá-lo com carinho.
Pessoas especiais estão em todos os lugares.Se você conhece alguma que possa adotar o nosso amigo, entre em contato, ok?

Um recadinho pra quem sofre por um animal que já se foi: adote! Não sofra mais...


Sobre a postagem: resolvi arquivá-la porque identifiquei muita raiva em sua escrita. Naquele momento, Bob enfrentava a rejeição de algumas colegas e  resolvemos, para livrá-lo das mesmas, oferecê-lo para  adoção. O resto é uma longa história já contada... Bob "desapareceu", foi muito procurado, buscamos a polícia para tentar resgatá-lo, ouvimos muitas histórias bem e mal contadas...mas de uma coisa eu tive a certeza: da participação de pelo menos uma pessoa conhecida, em seu desaparecimento. Mas eu nunca esqueço que "A vida é um bumerangue". Você recebe de volta...

Hoje, Bob está comigo. E estamos felizes. Há muitas pessoas que o adoram e protegem, com certeza.


Quinta:


A perfeição do descanso na imperfeição das férias

Você já sentiu o corpo cansado de tanto descansar? Tédio de tanto dormir (aquilo que você sonhava fazer, durante o ano)? Preguiça de se encontrar com pessoas que você adora? Enjoo de tanto comer doce? Desejos de fazer todas as provas de vestibulares possíveis (na verdade, vestibular=estudo=leituras=organização do ambiente de forma a atingir objetivo=sair do marasmo)? Vontade de se transformar em um corretor ortográfico , ao ler alguns blogs, incluindo o seu (meu)? Preguiça de responder perguntas feitas em dias muito quentes, quando você não está em um ambiente refrigerado? Tem pensamentos tipo "que tédio, que preguiça, que sono, que dor no corpo de tanto que dormi.."? Hum... Talvez pense que está enlouquecendo. Tá não! Mas , inegavelmente, você faz parte do meu clubinho. Qual o nome dele, do clubinho? Ainda não sei, mas vou tentar descobrir. Sou boa em títulos. Mas, aos pouquinhos, vou escrever uns textos pra você tentar se-me entender. ok?

Sobre a postagem: Sou boa em títulos, é fato. rs

Sexta:

Seu Klein



Conheci Seu Klein quando ainda calçava botas ortopédicas e entrelaçava meus dedos nos de minha mãe, que me conduzia diariamente, ao Jardim de Infância. Sempre passávamos em frente "à casa com um pátio bonito e varanda", que eu insistia em dizer "vranda". Curiosa, eu queria saber quem era aquele que, todos os dias, ali ficava, sentado em uma "cadeira diferente". Eu abanava para o "tio"e ficava zangada por nunca receber um aceno. Mesmo assim, insistia: queria saber quem era, por que ficava sempre sentado na "vranda", por que geralmente estava de pijamas, o que comia, o que bebia, se usava chinelos ou "botinhas", se os dedinhos do pé ardiam e outras coisas mais.
Na verdade, ele tivera um derrame e não caminhava, nem falava. Sua cadeira era de rodas.
Um dia, desentrelacei meus dedos e fugi, indo parar bem a sua frente , com minha mãe se desculpando, atrás. Sua esposa chegou na varanda e achou graça ao ver "uma coisinha cacheada" puxando conversa com seu marido. Explicou o que acontecera mas eu, "nem bola": queria falar e , melhor, contar coisas. Foi assim que, durante muito tempo eu caminhei pelo gramado do pátio bonito, com as devidas permissões, e fiz companhia para Seu Klein. Lembro que eu falava pelos dois, contava de minhas amigas, fazia queixas.... Eu olhava em seus olhos e sabia que era entendida. Com o tempo, sabia quando ele estava feliz, quando achava graça no que eu falava e quando precisava que a esposa viesse até a varanda. E eu a chamava. Todos diziam que a menina dos cachos e Seu Klein se entendiam como se falassem um com outro. Eu nem ligava para isso. simplesmente éramos amigos e nos comunicávamos.

Sobre a postagem: Não consegui terminá-la. Mas conto o que, infelizmente, aconteceu: um dia, já adolescente, não consegui mais entender o Seu Klein. E até hoje me pergunto se ele fora embora e deixara o corpo ou se eu é que "desaprendi ao adolescer"...




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Com os cabelos nas mãos


A preguiça se instalou em mim. Faz um tempinho que só penso, penso e nada escrevo. Ontem, depois de receber mensagem da pessoa da foto acima, resolvi arregaçar as mangas.
Dia desses, via facebook, uma colega de internação (fizemos a cirurgia bariátrica no mesmo dia) comentava, apavorada, que seus cabelos estavam caindo muito. Nas reuniões e encontros com os médicos da equipe que nos operou sempre fomos alertadas para este fato: por volta dos cinco meses depois da cirurgia, nossos cabelos começariam a cair. Falta de vitaminas, necessidade de suplementos, quem sabe até, de uma peruca.
Comentei com a colega que meus cabelos estavam caindo, também. Mas encaro isso, sem nenhum stress. Vão cair e nascer outra vez, o médico afirmou. E eu acredito nele.
Há meses atrás, conversando com a guerreira da foto, fiquei sabendo que estava com câncer. Ela me informou a data de sua cirurgia e eu lamentei não poder ir visitá-la pois dois dias antes,eu também estaria no hospital. Ao saber do meu procedimento, ela, na mesma hora, quis me acompanhar..."afinal, a minha cirurgia é depois...", dizia ela. Incrível, isso...
Ela se chama Jaci e trabalhamos na mesma escola durante anos. E graças a ela, muitas vezes, nosso mascote Bob foi protegido de pessoas que não gostam de animais .
Os cabelos de Jaci cairam e, em nenhum momento, que eu saiba, isso a preocupou. Em sua mensagem, ela comenta que atualmente trabalha como cuidadora de animais, que o contato com os mascotes faz com que se fortaleça e encontre um sentido para sua vida de recém aposentada.
Penso em nossos cabelos caindo pelas mãos, por diferentes motivos. Relembro a preocupação da jovem que sabe que , em breve, retomará sua vida, mais magra, mais forte e determinada, por conta de uma nova e desejada imagem. Então, relembro de uma propaganda e de uma frase que falava de imagem. Mas eu sei que imagem não é tudo...
Aí vem a Jaci e não fala de pequenas preocupações, lógico. Ela fala de ações. E a Jaci nos ensina aquilo que eu já sei há algum tempo: partilhar é, no fundo, dar pra si. O melhor presente, muitas vezes, é ajudar alguém, é ter um sentido, um motivo para acordar todos dias e dizer "eu vou conseguir". E que os motivos sejam um cãozinho, uma neta, a família, um propósito, um sonho ainda não realizado... os motivos podem ser diversos...mas nos seguram, nos localizam nessa vida. Eles são nossos GPS.
Jaci sorri e mostra fotos, compartilha com os amigos a sua trajetória. E tem a Sônia, que para nossa surpresa, relatou as conquistas realizadas depois de um penoso período de quimioterapia. E não sabíamos de nada...
O fato é que cada um tem seu tempo, cada um tem diferentes caminhadas para mesmos caminhos...e isso, percebo, é bom.
Que o 2013 traga possibilidades de superações, momentos alegres,objetivos traçados e sonhos conquistados. Feliz Jaci! Feliz Sônia!