
A primeira coisa a pensar é em qual contexto foi realizado esse filme. Em 1979, como a comunidade surda era vista e tratada? Que reflexos desta época podem ser percebidos?
Algumas coisas que chamam a atenção, de imediato:
· a crença, por parte de algumas pessoas de que Jonas era “retardado”. Surdez confundida com “atraso mental”.
· a idéia de institucionalizar (em clínicas) crianças especiais.
· a inabilidade dos pais em lidar com o filho diferente.
· após o aumento das dificuldades com o filho, o abandono, por parte do pai. (fato que até hoje é vivenciado por muitas famílias. Em minha escola, por exemplo, mais de 80% das famílias são constituídas pelo filho especial, sua mãe e irmãos , apenas).
· O desconforto frente a sociedade e o sentimento inexplicável de culpa, principalmente da mãe.
A primeira dificuldade de Jonas foi imposta por sua família, ao acreditar que necessitava ser institucionalizado como um menino portador de doença mental.
Com o seu retorno para casa podemos acompanhar a dificuldade dos pais em enxergar o filho como diferente e portador de necessidades especiais. Em nenhum momento há a tentativa de entender como Jonas pensa, o que pensa, o que deseja e o que recusa
No próprio filme, apenas na chegada em sua casa e recepção por parte de familiares, é possível “enxergar/ouvir” sob o ponto de vista do menino. Durante o desenrolar da trama é a tentativa e superação da mãe que é salientada. É através da mudança de postura da mesma que Jonas se beneficia, saindo de uma escola com ênfase em condicionamento e exercícios para aquisição de fala, para uma nova possibilidade através do prazer, da busca e da linguagem de sinais.
O avô era o único personagem que, desde o início, não demonstrou nenhum problema na compreensão e relação com Jonas. Sua linguagem era bem mais simples e espontânea: baseada no amor, no respeito e na isenção de cobranças.
Na verdade, o problema não estava
Talvez essa história fosse um pouco diferente, se vivenciada nos dias de hoje em uma capital de nosso país. Talvez a mobilização da comunidade surda, a sua força em relação ao direito de exercer sua cidadania seja um diferencial em relação àquela época retratada no filme. Ou, não. Ainda há muita gente, por aí, que precisa se alfabetizar integralmente...