sábado, 14 de janeiro de 2012

"Deixa"


Recebi pelo Facebook, um compartilhamento muito especial: Anice me mostrava fotos de Banzé, um cachorrinho que resgatou, de uma caixa de papelão abandonada em uma praça, filhotinhos de gato. Banzé fora abandonado naquele mesmo lugar e, agora, já adotado levou para sua casa perto dali, todos os filhotes rejeitados por algum humano.
Interessante, não é? Então eu me lembrei de outra foto em que gatos e cachorros foram resgatados após um tsunami e permaneceram quietinhos, aconchegados uns aos outros, no banco traseiro do carro da protetora que os salvou.
E agora, lembrei da faculdade, em 2009... um dos focos do semestre fora o filme Entre os Muros da Escola. E em minha apresentação de portfólio, coloquei um slide com as perguntas que considero vitais para a trajetória de muitos (ou todos):

Ah! E por isso, lembrei do Lenine, também... mas ainda não conto o porquê. Deixa... voltemos ao Banzé, aos gatinhos, ao tsunami, às protetoras anônimas...
O Banzé nos mostrou que, ao levar os bichanos para sua casa e aconchegá-los estava fazendo o que foi feito com ele, após um período de sofrimento: estava partilhando a generosidade.
E os animais são irracionais, não é o que dizem? E nós, os humanos, temos mais condições de fazer muitas outras coisas, não temos?
Bah! E agora, ao reler o que escrevi, fui "jogada" há um tempo atrás, quando assistia Paulo Freire dizer em sua última entrevista, que todos somos seres inacabados. E que há um movimento de busca, do "ser mais"... E nesse processo, alguns se perdem, distorcem os objetivos iniciais e mergulham em um processo chamado de desumanização...
Quem sou eu? O que faço e como faço? Por que eu faço? O que eu quero, afinal?
Aí, chega o Lenine e canta que é preciso ter consciência pra poder mudar, que nunca teve pressa mas que agora tem... que "deixa... deixa..."
Pois eu acho que sempre tive pressa. Talvez, por isso, tenha deixado de usar relógio...
Durante todos os anos em que lecionei acreditei estar auxiliando a formar consciências, acreditei estar possibilitando mudanças... Eu quero que meus alunos possam mudar, que participem de transformações, que se sensibilizem ao enxergar algum abandonado...Eu quero, acima de tudo, que saibam vivenciar a generosidade.
Sempre tive pressa...mas aprendi a esperar... E enquanto espero, aproveito pra fazer alguma coisa.

Mas retornando ao Banzé, fico pensando no quanto de desumanização assistimos por aí, de quantas distorções , quanta gente sem noção, sem objetivos, sem foco... quanta gente perdida em um "trágico acidente em busca do ser mais"...
"Deixa, deixa os bichos do mar, deixa as tartarugas, deixa a natureza", canta o Lenine. Ele sabe...
2012 vai ser diferente em quê, para você? Você que me lê, vai fazer o quê? Tem certeza de que pensa o que pensa? Tem certeza de que faz o que faz? E que é o suficiente? Será que você também não precisa mudar?

Lenine canta Bichos do Mar from Projeto Tamar on Vimeo.