sábado, 31 de outubro de 2009

Ampliando a rede

Já faz tempo que penso em escrever sobre a multiplicidade de meu dia a dia.
Começo por dois cursos de extensão que estou realizando: o primeiro, semipresencial, tem como foco Competências para um Trabalho em Equipe. ( em ambiente virtual)
Meu interesse por esse curso se origina no semestre passado quando realizei um Projeto de Aprendizagens sobre Grupos.
Com um olhar mais distante, percebo que o desenvolvimento do PA e sua aparente conclusão sempre esteve "costurado" com as relações que o grupo mantinha. O que não deixa de ser óbvio. Mas já naquela época as relações, o vai e vem de papéis, a troca de funções, chamava minha atenção... Saí daquele PA com a sensação de que alguma tinha mudado e outras coisas precisavam ser descobertas. Quando li o folder do curso pensei "é por aí que eu vou..."
Uma das coisas que gostei muito é a possibilidade de, por algum tempo, conviver com pessoas de diferentes áreas: artista plástico, contador, gerente, analista, estudante de Filosofia e vários outros.
Já no primeiro dia, dividimo-nos em grupos. Com as iniciais de cada um, formamos o WeBiJeCla: um grupo buscando se transformar em equipe.



A ferramenta de trabalho é o ETC, Editor de Texto Coletivo. Através dele, nossa participação é registrada, colaborações e idéias são compartilhadas.
Confesso que, para alguém já acostumada a utilizar o ROODA e, principalmente, o pbworks com suas inúmeras funcionalidades, a utilização do ETC parece ser ainda muito limitada.
Mas é com a participação do grupo, sugestões e indicativo de dificuldades encontradas que a equipe técnica buscará o aperfeiçoamento da ferramenta. Portanto, "faz parte".
Ironicamente, constatei que para alguém que não gostava dos fóruns deste semestre no PEAD, procurei de forma certeira: no mínimo 4 fóruns, dentro do ETC. Mas, surpresa! Estou gostando. Quem participa o faz por que tem algo a questionar, acrescentar, a descobrir... não há preocupação (nossa) com um número mínimo de postagens mas sim, em relacionar o que foi lido com os comentários do fórum e com o que se registra. Vamos conversando e a opção "resposta" é bastante utilizada. Novamente a diversidade se apresenta como aspecto positivo.

Em relação às leituras e bibliografia indicada estou me organizando pois o volume aumentou. Mas questões como a funcionalidade de uma equipe, diferença entre equipes e grupos, competências vêm ao encontro de algumas percepções e curiosidades "alimentadas" no Seminário Integrador.
Com todo o cansaço e pouco tempo, tem valido a pena.

O segundo curso de extensão foi escolhido por razões óbvias: também oferecido pela Educação à Distância da UFRGS, trata de Projetos de aprendizagem. Há muitas afinidades neste curso. O fato de realizá-lo na companhia de duas de minhas amigas Mosqueteiras (kátia Diehl e Lu Sobotyk)é um grande estímulo.
Ainda estamos no período de apresentações virtuais mas percebo que, em breve, estaremos com a "mão na massa".



Considero este semestre um interessante desafio. A "batalha" se trava entre a minha vontade de descobrir cada vez mais e os limites que meu corpo e mente impõem.
Neste momento, o que procuro? Encontrar um meio termo e desfrutar das oportunidades que surgem com prazer e saúde. E, como diz a tutora Rossana, "vamoquevamo!"

sábado, 24 de outubro de 2009

Os Galileus que leêm o mundo

Enquanto assistia ao vídeo disponibilizado pela Professora Luciane (EJA) e , mais tarde, ao ouvir seus comentários, relembrava de uma história que contei na primeira apresentação de Memorial, no PEAD: Galileu Leu.
Gosto muito de contá-la quando realizo oficinas com educadores. A conversa que surge, a partir do Galileu, sempre é muito boa.
A aula presencial, e me refiro exclusivamente à professora e a discussão proposta por ela, foi muito significativa.
Ao ouví-la, lembrava de uma de minhas alunas que tem uma ânsia de aprender admirável. E as leituras de mundo que começa a fazer emocionam suas professoras: minha colega Sílvia e eu. Fiquei pensando se estou, realmente, fazendo todo o possível para auxiliá-la ou posso conseguir mais...

E sabem de uma coisa? Acho que essa aluna merece que eu "consiga mais"...
Por hora, ofereço a leitura de Galileu para a professora Luciane e para todos os colegas e amigos que sabem que , muitas vezes, fazemos uma atuação bem melhor fora dos palcos que alguns procuram criar.

domingo, 11 de outubro de 2009

Para todos os 15!

O objetivo deste post é retomar a conversa iniciada com as professoras Bea e Íris através de postagem e comentários neste blog sobre fórum e trocas realizadas. Acho pertinente partilhar alguns vídeos e escritos que mobilizaram a minha reflexão.



Volta e meia retomo alguns vídeos e escritos de Paulo Freire. Se quero assistir a um depoimento apaixonado sobre seu ofício, geralmente, começo com ele.



"...antes da palavra o que a gente tem pra ler... é o mundo. A gente lê o mundo na medida em que o compreende e o interpreta..." (Paulo Freire)
Em minhas circuladas pela rede encontrei um vídeo falando sobre as idéias de Paulo, uma leitura e escrita equivocada na Revista Veja e uma bronca de outro Paulo. Interessante assistir...



Dinéia Hypólitto, em seu artigo O Professor Como Profissional Reflexivo, escreve:

"O saudosismo, o desejo da volta a um mundo em que não havia contestação, o professor tinha status e era o centro da sala de aula, ditando normas, pontos e conceitos, não se coadunam com o professor reflexivo, homem de seu tempo, de passo acertado com a evolução que continua. Vasconcellos nos explica que: “O espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática é essencial para um trabalho que se quer transformador."

Acho interessante pensar que somos seres inacabados buscando a perfeição. Hoje, bem mais do que antes, acredito que o mais significativo seja o processo de busca, a forma como idealizamos e realizamos nossas caminhadas.
Ter a certeza de tudo e de todos nos engessa, nos formata, impede o processo de procura.
Quando Paulo Freire fala sobre a leitura de mundo nos aponta um dos caminhos: o caminho de "nos sabermos", "nos conhecermos" e conhecermos nossos alunos: o caminho da investigação.
Em seu comentário neste INTERDISCIPLINAS a professora Bea escreve "...pois não se saber impede que se mude..."
A professora Íris indaga : "...precisamos pensar como colocar a situação: desabafamos e denunciamos mais do que criamos e anunciamos ou tendemos ao contrário?"

Ah! Posso estar sendo repetitiva mas lá vem, bem grudadinho nas palavras de nossas mestras, o nosso amigo Platão. O que fazemos? temos a certeza do que fazemos? Mesmo?
Pois o Platão já nos indicava que uma boa pergunta pode ser bem mais produtiva do que uma resposta.
Afinal, o que queremos desde a entrada neste curso? Qual a nossa busca? Queremos apenas um canudo ao final do último semestre ou , ao contrário, desejamos ir além, através das experiências possibilitadas?
Será que conseguimos fazer a relação (longínqua para uns, inexistente para outros, mas presente para alguns) entre o que vivenciamos e a possibilidade de termos uma sociedade melhor? Com alunos mais criativos, mais ousados, mais confiantes e, ao mesmo tempo, com um olhar mais terno e respeitoso com todos os seres? Conseguimos perceber que nossa postura, aquilo que pensamos, dizemos e criamos tem a ver com a sustentabilidade desse planeta?
Nossas ações correspondem aos fatos?
Se queremos transformar precisamos nos buscar. Assim como Hypólitto e Vasconcellos escreveram a reflexão é necessária.

Será que eu já escrevi em algum lugar sobre o que eu mais observava quando ia assistir óperas com meu padrinho?
Pois bem, vou contar. Meu padrinho era fã de óperas e eu, a mais nova da casa, era fã do meu padrinho. rs A única que o acompanhava até a PUC para assistí-las, era eu. E com o tempo, à medida em que ia crescendo, meu olhar se tornou um pouco mais exigente.
Um dia, olhei para o maestro que regia a orquestra e me encantei: a partir daquele momento, as óperas e concertos eram a possibilidade para que eu revisse o que tanto me chamara a atenção: um homem que falava musicalmente com os braços e que interagia com um grande grupo...

Ainda hoje, a regência me fascina. O conhecimento que o maestro tem dos instrumentos, dos músicos e da relação de ambos o torna um excelente "articulador musical".
Bah! Lembrei agora, de João Carlos Martins!
Aprendeu a tocar piano aos sete anos e, antes dos vinte, já tocava no exterior. Foi considerado o maior intérprete de Bach, pela crítica mundial. Com vinte anos, ao tocar no Carnegie Hall, foi aplaudido de pé, por 10 minutos, pela platéia.
Vários episódios e lesões fizeram com que fosse perdendo o movimento dos dedos. Aparentemente, sem poder tocar piano, a história deste homem podería partir para um epílogo. Não foi o que aconteceu. João nos prova que sua vida apenas recomeçara com outro caminho...



Mas o que Paulo Freire, João Carlos Martins , Platão, as professoras Bea e Íris e a professora Hypólitto têm em comum?
Todos falam e mostram que é possível, através de nossa postura, nossas ações, transformar vidas. Todos eles falam e agem com paixão. Buscam, de diferentes formas partilhar o que possuem de melhor: a sua crença.
Crença que vai para além dos desabafos e denúncias. Vai para a possibilidade de aprendizagem através de um processo em que a investigação, a formulação de hipóteses, a sustentação de teorias através da busca de soluções e respostas é o trajeto.
Precisamos pensar, refletir, avaliar, reformular. Precisamos ler e sustentar nossa prática à luz das teorias.

No primeiro semestre, minha colega e eu organizamos um ppt para a entrega dos relatórios de acompanhamento. Ali, junto às fotos do trabalho com os alunos, colocamos alguns trechos de teóricos da educação que sustentavam o que mostrávamos. Desta forma, a importância do jogo, foi apresentada com escritos de Constance Kammii. Buscamos falas de fotógrafos que salientavam o significado do ato de fotografar, o que é muito trabalhado por minha turma.

Conversávamos sobre o grupo, sobre suas preferências, necessidades, prazeres e conquistas enquanto as imagens eram disponibilizadas.
No momento em que, em um clima de bate-papo, colocávamos as imagens à luz da teoria, desnudávamos a nossa intencionalidade pedagógica: estávamos mostrando o que fazíamos, como fazíamos e o porquê de fazermos.
É através de ações deste tipo que valorizamos o nosso ofício.
Temos ouvido muitas queixas de falta de valorização do professor mas, penso que esta se dá a partir de nós, de nossas ações, de nosso engajamento político-pedagógico.
Uma das leituras que considerei muito significativa, no semestre passado, foi através de um trabalho acadêmico de Karina Mollon e Bettina dos Santos. Ao final de sua tese comentam e destacam uma afirmação de Miguel Arroyo:
“... Miguel Arroyo (2000) ao reforçar a idéia de uma nova pedagogia, capaz de recuperar a centralidade do como, comenta que a escola pode ser um espaço facilitador do desenvolvimento ou um entrave para ele. Para que possamos nos encaminhar a uma educação de qualidade, precisamos refletir sobre como nossos alunos aprendem mais. Esse é um questionamento pertinente. E ainda me pergunto se os educadores têm a percepção de que:” O que fica para a vida, para o desenvolvimento humano são os conhecimentos que ensinamos, mas também, e, sobretudo, as posturas, os processos e significados que são postos em ação, as formas de aprender, de se interessar, de ter curiosidade, de sentir, de raciocinar e de interrogar” (ARROYO, 2000, p.110

Pois sobre isso, sobre as formas de aprender, de se interessar, de interrogar, de desacomodar, nossa dupla do Seminário Integrador tem sido incansável, não é?
Quando a professora Bea, através de uma breve retomada dos movimentos realizados desde o início do curso, nos traz o indicativo de que podemos mais, julgo necessário partirmos para a ação. Em nossas salas, com nossos alunos, com nossos colegas, em nossos trabalhos, em nossa vida.
Quando a colega Neusa nos conta que, a cada dificuldade surgida, uma forma de contorná-la (ou enfrentá-la) é buscada eu acredito que aí está uma resposta para perguntas e provocações que têm sido feitas por Bea e Íris, desde o início do curso.

Danielle, uma de minhas colegas no Lucena, gosta de comentar que, quando cheguei na escola, não sabia nem digitar um parecer e salvá-lo em um disquete. Depois de falar isso, dá uma pausa e finaliza "eta faculdade, hein, Bia! Olha só o que tu fazes, agora..."
Pois é...
Ah! E se alguém ficar pensando qual a relação do título desta postagem com o seu conteúdo, a resposta não é tão óbvia: Para todos os 15 de outubro eu desejo mais 364 dias de alegria, bom-humor, paixão e, sobretudo, superação.

Por último mesmo, um presentinho: a primeira parte de um documentário sobre João Carlos Martins e a possibilidade de vê-lo tocando em 1970!


sábado, 10 de outubro de 2009

Sobre os Jonas da vida

A primeira coisa a pensar é em qual contexto foi realizado esse filme. Em 1979, como a comunidade surda era vista e tratada? Que reflexos desta época podem ser percebidos?

Algumas coisas que chamam a atenção, de imediato:

· a crença, por parte de algumas pessoas de que Jonas era “retardado”. Surdez confundida com “atraso mental”.

· a idéia de institucionalizar (em clínicas) crianças especiais.

· a inabilidade dos pais em lidar com o filho diferente.

· após o aumento das dificuldades com o filho, o abandono, por parte do pai. (fato que até hoje é vivenciado por muitas famílias. Em minha escola, por exemplo, mais de 80% das famílias são constituídas pelo filho especial, sua mãe e irmãos , apenas).

· O desconforto frente a sociedade e o sentimento inexplicável de culpa, principalmente da mãe.

A primeira dificuldade de Jonas foi imposta por sua família, ao acreditar que necessitava ser institucionalizado como um menino portador de doença mental.

Com o seu retorno para casa podemos acompanhar a dificuldade dos pais em enxergar o filho como diferente e portador de necessidades especiais. Em nenhum momento há a tentativa de entender como Jonas pensa, o que pensa, o que deseja e o que recusa

No próprio filme, apenas na chegada em sua casa e recepção por parte de familiares, é possível “enxergar/ouvir” sob o ponto de vista do menino. Durante o desenrolar da trama é a tentativa e superação da mãe que é salientada. É através da mudança de postura da mesma que Jonas se beneficia, saindo de uma escola com ênfase em condicionamento e exercícios para aquisição de fala, para uma nova possibilidade através do prazer, da busca e da linguagem de sinais.

O avô era o único personagem que, desde o início, não demonstrou nenhum problema na compreensão e relação com Jonas. Sua linguagem era bem mais simples e espontânea: baseada no amor, no respeito e na isenção de cobranças.

Na verdade, o problema não estava em Jonas. Estava nos adultos que, com ele conviviam e na sua incapacidade, em alguns casos momentânea, de se colocar no lugar do outro, de perceber e tentar compreender outros pontos de vista.

Talvez essa história fosse um pouco diferente, se vivenciada nos dias de hoje em uma capital de nosso país. Talvez a mobilização da comunidade surda, a sua força em relação ao direito de exercer sua cidadania seja um diferencial em relação àquela época retratada no filme. Ou, não. Ainda há muita gente, por aí, que precisa se alfabetizar integralmente...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aceito!

A descrição dos fatos:

Primeiro recebemos um email de nossa professora Íris partilhando a pesca realizada.
Sabendo que sempre há uma intencionalidade pensemos no que a postagem da colega nos traz:
  • Fórum como possibilidade de repensar o trabalho, a prática de cada um;
  • Fórum se constituindo como espaço de desabafo;
  • Lugar de desabafo poderia ser mais específico;
  • Um lugar sugerido seria um wiki criado para este fim
  • A lista (da UFRGS, um espaço acadêmico, para trocas acadêmicas) não se constitui para este fim e, sim, para fins de "dificuldades do curso".
Haveria indícios de que o foco dos fóruns estaria mudando?

Passado algum tempo recebemos, pela lista, outro email com o que considero um interessantíssimo desafio...







A partir do convite para relatarmos o que concluirmos, salientei uma palavra no email: realmente.

E através de análise mais detalhada pude verificar algumas questões bem interessantes.
Consideremos o fórum como um campo de futebol e , nós, os jogadores. Os passes são as ações realizadas.
Quem realizou mais passes? Quem recebeu mais a bola? Quem distribuiu mais ou menos? Quem fez sua participação no início e saiu para a reserva? Quem entrou no segundo tempo?

Para realizar a análise mais apurada abri e minimizei o fórum indicado, abri na tela o ppt da professora Íris e, com o auxílio das teclas Ctrl + F, realizei uma nova leitura. Depois de algum tempo, vi a necessidade de um terceiro instrumento de análise. Compartilho a página criada para este fim...

À medida em que ia "clareando a leitura" do fórum analisado, pensava no tipo de ações que EU fizera e deixara de fazer no fórum em que participei. Fui atuante ou apareci, dei um chutezinho e voltei tempos depois?
Huuuummmm... As evidências poderão comprovar a segunda alternativa, reconheço. Mas estarei lá, retomando e analisando com outro olhar o que fiz e o que deixei de fazer.
Percebo que temos, constantemente, recebido "munição" para sairmos do achismo (acho que participei pouco ou bastante, acho que perguntei ou só comentei...) Podemos e devemos comprovar e, consequentemente, nos auto-avaliar.

Bem...agora, lanço um singelo desafio para nossas queridas Bea e Íris:

Ouçam esta "brega música":




Que relação é possível fazer entre as questões trazidas pelos escritos de Platão (vide últimas cenas do filme Entre Muros da Escola: tens certeza de que pensas o que pensas, tens certeza de que fazes o que fazes?), a nossa postura enquanto educadores e partes da letra dessa música?