quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Na retaguarda...


Pois é o segundo dia que, ao acordar, dou de cara com um comprido focinho me aguardando. Desde o primeiro, percebi que  minha companheira de tanto tempo queria me dizer algo em especial...
"Estou cansada..."
"Sei..."
"Sério, Bia, estou cansada... nem preciso explicar em detalhes..mas meu momento de partir não está muito longe. É preciso que te prepares..."
"Sim...eu já venho percebendo...teus olhos já são de despedida, estás mais dorminhoca e não consegues correr mais...e correr era a tua alegria maior, lembra? Samantha já percebeu, também, não é?"
"É, já faz um tempo que a doida me sufoca com lambidas insistentes,  me dá patadas quando estou descansando, para se certificar que ainda estou... e o mais incrível,  tenta dormir comigo, na minha caminha. Mais do que os outros, ela vai sentir minha falta. Mas sabemos que é uma outra possibilidade de aprendizagem, não é?"
 "Sim, vou ficar de olho nela. Não te preocupa."
"Fizemos uma bonita parceria, não é?"
"Sim, Guria, fizemos. E espero que o tempo que ficaste comigo tenha  te possibilitado um novo e belo recomeço... Guria, te agradeço todos esses anos, teu carinho, tua presença, tua companhia serena em momentos alegres e em outros, mais difíceis. Aprendi muito contigo... vou sentir tua falta quando fores. Mas dá para esperar mais um pouquinho?"
"Vou fazer o possível, Bia...vou tentar."
"rs Aprendi a falar com os olhos contigo..."
"E a Nith, também..."
"Nossa! Foi contigo que ela aprendeu?"
"Aprendeu e aperfeiçoou a técnica..."
"Verdade!"
"Está chovendo, não é?"
"Sim, hoje o Rodrigo não vem para passear com vocês. O máximo é darmos uma volta na quadra mais tarde e , de novo, antes de sair para trabalhar."
"Ok, essas saídas já não me fazem tanta falta. Prefiro dormir enrolada no meu edredon."
"Guria, eu te contei que quero trabalhar um dia com cuidados paliativos? Que é isso que me falta?"
"Não precisou contar. Eu sei. Além disso, eu não parto à toa... E espero que tenhas tempo para fazer o que desejas. Mas sabes, que se não conseguires todo o tempo que precisas..."
"Sim...eu sei. Terei outro tempo."
"Bia..."
"O que é?"
"Melhor deixar essa conversa para mais tarde. Olha quem está se espreguiçando, ali no tapete..."
"O Júnior!"
"Vai acordar, subir na cama e ficar nos provocando até que todos se levantem... só não se mete com a Nath..."
"Então, tá! Mas fica mais um pouco...enquanto não sentires dor...Pode ser?"
"Pode! E Bia...uma última coisa...eu aprendi a te amar. Aprendi a ser paciente com tua  inexperiência em algumas questões. Aprendi a correr em círculos ao teu redor só para te ver ficar tonta...e para receber um abraço apertado, depois. Isso foi bom!"
"Eu aprendi muito com a tua chegada, tua presença e companhia...e vou aprender mais ainda com tua partida. Um amor que é eterno."
"Júnior acordou! Argh"
"Argh! rs"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre corações postiços...

Rubem Braga, Fernando Sabino... fico pensando numa nova geração que , talvez, nem saiba quem é o Fernando e o Rubem. Que pena...
Mas o fato, não é esse...é sobre o tal menino que nasceu em Budapeste e o outro, o paulistinha. E eu não recordava da crônica muito bem mas relembrava o sentimento que tive ao lê-la pela primeira vez, há muitas décadas atrás. Incrível! Aquele sentimento foi guardado, arquivado em uma das "caixinhas do meu interior". E ela se abriu faz pouco tempo...
Fiquei pensando  "mas o que dizia o Fernando Sabino, sobre o menino que nasceu com o coração fora do peito?"  Sobre esse menino, ele não disse nada. Quem disse, quem falou, quem escreveu e gravou em mim...ah, foi o Rubem Braga.
Mas por que lembrar disso, agora? Qual o elemento catalisador?
O nome da crônica é "Como se fora um coração postiço".
 "Saladadefruticamente" falando... esse fevereiro tem sido muito especial. Através de contatos, compartilhamentos, cutucadas pela rede, conseguimos que o o casal de manos cinza (vide Juli, Dulcídio e Louise) finalmente ganhasse um lar. Vão juntos para Garopaba...com as nossas bençãos e desejos de muita felicidade.




E, enquanto eu procurava informações sobre como alimentar 3 gatinhos órfãos que nem tinham aberto os olhos, Nith, nossa cadelinha petterapeuta, charmosa, que adora ser o centro das atenções e distribuir carinho...pois bem, ela se ajeitou, aconchegou os filhotes e amamentou-os como se fossem seus. Sim, até leite ela conseguiu produzir...E tem feito isso, sistematicamente, sempre que os filhotes acordam famintos. Mesmo com mamadeira complementar, que agora, bem instruídos, oferecemos.
E aí, nesses momentos, sempre vinha lá de longe...da minha adolescência, um sussurro... "Nasceu, na doce Budapeste, um menino com o coração fora do peito..."






Observava Nith lambendo os gatinhos e ouvia, "na doce Budapeste", "coração fora do peito"...
E com os dias passando, a voz teimava em sussurrar mais coisas... "Dr. Merege"... "em São Paulo, há 7 anos, também nasceu uma criança assim...", "seis horas, sete horas... nove horas..."
Noite dessas, acho ontem, conversava com a Juli e comentava "Salvamos mais dois, não é?"
Isso é tão bom, que vicia..."salvar pequenas e indefesas vidas". Vidas que, para muita gente, nem existem, que fazem parte de uma uma espécie diferente e menor, segundo alguns. Pois quantas pessoas passam por bichos abandonados, machucados e famintos e não  os enxergam? Para dizer o mínimo, pois há os que nem deveriam enxergar, mesmo...
Dos pequeninhos, Anita já tem uma tutora chamada Liane...e o Félix ( o amarelo) vai para a casa da querida Lisi, mãe do Pedrinho. E a menor, chamada Nithinha...vai ficando sob as lambidas e cuidados insistentes da mãe Nith.
Uma cachorrinha que adotou gatinhos... que não liga para diferenças ou supostas impossibilidades criadas por gente boba: adotou-os e são seus. Nith é mãe.
E, bem agora, me lembrei de uma história que eu adoro contar: Coração de galinha. Nessa história, os órfãos são cachorrinhos e a mãe é uma "penosa". Quando um deles resolve buscar a história de sua origem e conhecer sua primeira mãe...bem, aí... eu poderia , certamente, ouvir uma voz sussurrar alguma coisa. O Livro é muuuito bom. Preciso reencontrá-lo, na biblioteca da escola...





E eu sonhei que estava sentada em um banquinho conversando com um santo chamado Expedito. E ele me perguntava "Doca, do que tu gosta mais? De gatos? Ou de ajudar gatos? De cachorros? Ou de ajudar cachorros?"
Eu, intrigada, respondia "Mas não é a mesma coisa, Expedito? Eu gosto e ajudo. "
"Pois não é, Doca. Tem gente que gosta. Dos seus. E  só..."
"Ah...então...eu gosto...e não consigo separar uma coisa da outra...mesmo, não sendo "meus", se tornam minha responsabilidade...eu preciso salvar, ajudar, encaminhar...sempre que é possível. E nesse processo, tenho conhecido tanta gente boa... que supera os que nem precisam ser lembrados..."
E o Expedito ria e dizia "Tá na hora de relembrar tudo, não achas? Tá na hora de saber do paulistinha, que nasceu com o coração fora do peito..."
Acordei. Ajudei a Nith com os filhotes. Dei mamadeira. Sentei frente ao notebook e pedi ajuda ao Google: "Nasceu, na doce Budapeste, um menino..."
E ele, respondeu. Li e reli a crônica que há mais de 30 anos ficou gravada em mim. Descobri que às nove horas, morrera o menino com o coração fora do peito, que o Dr. Mereje era como muitos de nós, mas diferente de muitos outros, graças aos céus.
Conta o Rubem, sobre o menino que fala com os anjos..

 Ora, pinhões! Eu nasci com o coração fora do peito. Queria que ele batesse ao ar livre, ao sol, à chuva. Queria que ele batesse livre, bem na vista de toda a gente, dos homens, das moças. Queria que ele vivesse à luz, ao vento, que batesse a descoberto, fora da prisão, da escuridão do peito. Que batesse como uma rosa que o vento balança…

Os anjinhos todos do limbo perguntaram:

- Mas então, paulistinha do coração fora do peito, pra que é que você foi morrer?

O anjinho respondeu:

- Eu vi que não tinha jeito. Lá embaixo todo mundo carrega o coração dentro do peito. Bem escondido, no escuro, com paletó, colete, camisa, pele, ossos, carne cobrindo. O coração trabalha sem ninguém ver. Se ele ficar fora do peito é logo ferido e morto, não tem defesa.

Pois eu ousaria: escreveria uma carta celeste ou melhor, mandaria um email ou  WhatsApp Celestial para o menino contando:
Menino paulista do coração fora do peito...
Nem todos são como o Dr. Mereje, sabe.
Tem muita gente que, do mesmo jeito que você, nasceu com o coração pulsando fora do peito. E estão em todo o lugar. E aprenderam a abrigar o coração dentro de suas vestes, sim. Mas deixam que ele trabalhe sempre em função  da generosidade e compartilhamento. Tenho conhecido muita gente que é assim.
Dia desses, um livro me chamou...dia desses, a parede de um prédio na Ramiro, me gritou... e uma adolescente bateu à minha porta pra falar de 3 gatinhos... Ontem, uma amiga me buscou e me ofereceu uma possibilidade...antes disso, uma pessoa chamada Vera me reencontrou... Tanta gente com "coração postiço" brilhando e pulsando feliz... 
Menino com o coração fora do peito que o Rubem Braga imortalizou...eu acho que te conheci...




PS: Doca era meu apelido de infância.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Links

Antes de qualquer outra coisa, é preciso destacar que:

1) Há mais ou menos uns 10 anos eu não via uma querida professora da rede, chamada Vera. Assessorei a escola em que ela trabalhou no início dos anos 2000 e um pouco mais.

2) Uma criatura que não conheço e nem necessito, adotou dois gatinhos, ainda bebês. Depois de mais ou menos 6 meses, resolveu que não gostava de gatos porque eles soltam pêlos e sobem nos sofás. Colocou-os para fora de seu apartamento, do prédio e de sua vida. Mas os dois, não entenderam nada e ficaram dias rondando e pedindo para entrar. Cansados, buscaram abrigo no pátio de um apartamento térreo. A dona do apartamento, não gosta de gatos também, mas está na praia, curtindo as suas férias. Os gatinhos tomaram conta. E deles, uma outra vizinha e eu. Nós duas temos gatos, cachorros e mais nenhum espaço físico. Mas não nos furtamos de fazer o que é possível.

3) Guardo o que considero a "melhor parte de mim" para meus alunos, meus bichos, minha família, meus amigos e para quem precisa. Mas não tenho muita paciência com gente chata, cruel e ignorante. Deveria? Não sei... mas o que sei é que, por conta dessa minha "impaciência" , brinco com duas queridas amigas e colegas de trabalho  dizendo da dificuldade que terei para evoluir por causa de certas criaturas que teimam em "causar" no meu caminho. rs Claro, coloco a culpa nos outros...

4) A acupuntura me faz muito bem.  Eu gosto muito da minha médica acupunturista. Fazia muito tempo que não a via e que não era "espetada" por suas agulhas.

5) Amo nadar.

Agora, vamos às outras coisas:

Quarta-feira, saí da sessão de acupuntura e fui caminhar pelo shopping, ali perto. Aos costumes, fui parar dentro de uma  livraria. Circulei, li muitas orelhas de livros, anotei alguns títulos mentalmente e já ia saindo quando um deles me chamou. Sim, um livro me chamou: Psiuuuuuuuu....
Voltei e fiquei frente a frente com ele, decidindo o que fazer. E ele, baixinho, dizia: me leva, me compra...  Comprei. Levei. Em casa, guardei-o para uma futura leitura.


A filha da dona do pátio onde os gatinhos se abrigaram voltou da praia. E expulsou os dois. E aí, uma nova e bela corrente começou a se estabelecer: Patrícia, Kati, Luísa, Juli, Cassalina, Louise, Dúlcídio, Bia...
Cada um do seu jeito, com suas possibilidades... O fato é que os bichanos foram recolhidos, tratados, e agora, em lar temporário, esperam uma nova vida. O macho tem perfil para petterapia: apresenta a docilidade e tranquilidade necessárias, entre outras coisas. Tudo isso, foi ontem. E eu resumi , bastante. Mas de ontem, o que levei para casa foram algumas palavras e questionamentos sobre o "viver livre, na natureza, nas ruas...já tendo nascido na rua" e o "viver nas ruas, após um abandono...",entre mais outras coisas.







E, lendo as postagens do face, encontrei as palavras que resumem o que penso. Elas antecedem o relato sensível e generoso da Deputada Estadual Regina Becker. A postagem se chama As fitas do adeus aos 120 cães .

Ontem passou. Hoje é agora. E , pela manhã, fui até um laboratório perto de minha casa, realizar exames. E o improvável aconteceu: o laboratório não atende mais meu convênio. Um pouco incomodada, subi numa lotação e fui para o laboratório do Hospital Moinhos de Vento. No caminho, lembrei de ter pego um livro para o tempo ocupar o tempo de espera. Comecei a ler na lotação e já na primeira página uma interessante surpresa:  fora escrito para uma pessoa com o meu primeiro nome: "Antes de começar o livro, Maria, quero falar de duas preocupações..." Ok! Pode falar... E falou sobre várias coisas, entre elas, uma palavra conhecida: evoluir. (Viu, Sandra?)
Desci e, caminhando em direção ao hospital vi uma pintura nos muros de um prédio na calçada oposta com os dizeres "Cuide da Vida." Cliquei.




Enquanto descia a lomba da Ramiro, pensava no artigo final do meu segundo Pós. O tema trata da viabilidade de um projeto, através das ações de um gestor escolar. E aí, eu lembrava da sensibilidade necessária, da sensibilidade e preocupação que vi, ontem, nas palavras e gestos da Kati. Relembrei da Luísa que retornou ao nosso convívio , o que me deixa imensamente feliz. Enquanto caminhava, lembrei do Rodrigo que recebeu outra oportunidade de continuar conosco, lembrei de sua sabedoria e generosidade com os cães ...com a minha turma, entre tantos. Lembrei da Cassalina, sempre ajudando...de sua disposição e preocupação com os bichanos.  Lembrei do trio Juli, Louise e Dulcídio...fazendo o bem, levando os gatinhos e organizando um "quarto cruz vermelha felina", para que ambos se recuperem em paz e com afeto...


 Pensei num pastor chamado Sombra e desejei que minhas boas energias fossem até ele e ajudassem  a acalmar seu desconforto... Saboreei o gostinho de saudade da bela turma da escola: colegas, mães, alunos... e cheguei no  laboratório. Fiz os exames e , depois, comecei a subir lomba da Ramiro, em direção à Independência.
Na esquina da Independência,uma mulher retira os óculos escuros, ao me ver e sorri. "Tu és a Bia, não é?"
"Sou!"
"Eu sou a Vera".
Vera é a professora de ed. infantil que eu não via há anos. Lembro de seu trabalho amoroso com os pequenos, de sua sede por fazer mais e melhor e da alegria ao me receber em sua turma. "Vera dos pequenos e das Artes" me conta que se aposentou mas que continua trabalhando com Arte , em escola privada. Conta que está feliz, que esteve doente e se curou. Na despedida, abre a bolsa e, timidamente, me oferece "Posso te fazer um carinho te dando um  livro ?" "Claaaro" E ela me presenteou, disse que tinha a certeza de que deveria me reencontrar, me abraçou e se foi para algum lugar. O livro...é esse...

Então, tá. Abençoados links que a Vida nos oferece...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Laurinha

Vez por outra, penso se meu Laboratório não esta chegando ao seu fim. E esse pensar está intimamente ligado ao cansaço que sinto ao rever cenas que considero barbárie...ou  , pela milésima vez, lidar com situações de cruel abandono e maus tratos.
Penso que não é por acaso que  gosto tanto da música Fix You. A Vida é uma salada de frutas: doce ou amarga. Enquanto visualizo fotos enviadas de uma cachorrinha chamada Laurinha (a parte amarga, infelizmente) assisto na TV o maestro João Carlos Martins. Admiro profundamente a história de vida desse cara... Dor e Arte..Dor e Superação... Dor e Recomeço..  (agora lembrei do Alexandre Brito e seu carinho pelas palavras... Dormir... seria possível  , através da dor, ir? Dormir...dor...ir...)

Mas, agora, "saladadefruticamente" falando, relembro de Adorno, por causa da barbárie e do grupo Young@Heart, por causa do documentário que assisti há tempos atrás...

 
No documentário, podemos saber em que condições esse grupo fez a apresentação acima. Sabemos que se despediam de um colega que partira...que dormira...que já não sentia dor...que fazia outra caminhada...
Ano passado, há poucos dias, recebi uma solicitação  que muito me incomodou: uma pessoa que conheço pedia ajuda para conseguir um lugar para sua cachorrinha pois ela "está velha e rabugenta, não querendo ficar sozinha" em casa enquanto a dona trabalha, "já não dá mais pra ficar...mas eu a amo profundamente". Ora! Me poupe! Por anos, essa bichinha  doou o seu melhor...e agora, já não mais serve...
Revi as fotos dessa pessoa, em momentos familiares, com o bichinho no colo... Enfim, resumindo: começo 2015 com uma limpa em meu facebook. E, Não!, não ajudo uma pessoa se DESFAZER de um ser. Pedir-me isso é me ofender, procurar briga... enfim, dificultar minha evolução!!! É mostrar que não me  conhece...
Logo depois, pessoas com a maior boa vontade, compartilham fotos de Laurinha, contando o seu caso e solicitando ajuda. E é aí, que me sinto tão cansada e impotente ...
"Crianças" amarraram bombinhas na boca da cachorrinha e estouraram. Não tenho coragem de postar aqui as fotos. Mas o link...
Hoje eu soube que a Laurinha está melhor: recebeu ajuda, fez cirurgia e está sendo acompanhada por anjos em forma de gente.
Mas fico tão triste e cansada ao pensar nas "crianças" que fizeram isso...que estão em evolução ao inverso, que , provavelmente, cometerão outras infrações, se não encontrarem melhores possibilidades pelo caminho... Fico pensando no pouco que consigo fazer e tenho pressa... mas ontem, li e postei que "Devagar também é pressa..." E, talvez, eu possa acrescentar "E tudo é evolução."
Aí, continuo minha caminhada na certeza de que contribuo para que crianças e adolescentes vivam outras possibilidades...melhores possibilidades. Com respeito ao próximo e a si mesmo.
Hoje eu soube que Rodrigo, nosso amigo que passou um tempo na UTI, recebeu alta. E sei que o seu retorno foi uma grande batalha de muitos e é uma demonstração de que "ainda há o que fazer".
Eu pergunto e tenho a resposta, linhas depois...
Então tá: "bora" continuar a encontrar lugares, pessoas, a estender a mão, oferecer ração, brigar, insistir, acompanhar meus alunos amados, reclamar, sonhar com uma casa com pátio, realizar sonhos, testemunhar o que não gostaria,dizer o que talvez não deveria (mas que bom!!! só que sim!!!), ... bora...  tenho pressa e sei que, por vezes, vou com vagar...e que continuo... Silencio algumas vezes mas, por dentro, estou a gritar... E sei que há quem esteja a escutar...