Bem...promessas à parte, tenho muita coisa para relembrar... Se todo o curso fosse um TCC acredito que algumas das minhas palavras chaves seriam: evidências, argumentos, Projetos de Aprendizagem, CMap Tools, Stress, Distress, Eustresse, perguntas, cooperação, investigação, redes, Arquiteturas Pedagógicas e "olhos brilhando..."
Uma das propostas mais instigantes(adoro essa palavra) se refere à construção de nosso primeiro PA em grupo. Depois do choque inicial causado pela Professora Íris ao relatar-me que já vira muitas vezes filhotes de pomba e que, por conseguinte , minha sugestão de aprofundarmos o que sabíamos sobre os bichinhos não renderia muito, busquei com meu grupo, outro tema. Na verdade, fomos encontradas por ele": estávamos estressadas e o próprio stress se transformou em nosso objeto de pesquisa. Foi muito bom! Dúvidas, certezas provisórias... nosso trabalho gerou conhecimento, cooperação, conflitos e superação. Hoje, quando falo ou ouço a palavra stress faço inúmeras associações que antes nem imaginava: cortisol, eustresse, distresse. O meu stress, agora, é carregado de significados e de conceitos entrelaçados em rede. Diverti-me nos relatos do trabalho e reconheci o bom-humor como fundamental em minha vida. Bom humor é um excelente remédio. O trabalho com mapas conceituais se instalou em minha rotina. Além da faculdade, é no planejamento de meu trabalho que o utilizo com frequência.
Através deste PA, entramos em contato com a Dra. Hilda Alevato que, gentilmente, respondeu-nos algumas questões sobre o tema estudado por nosso grupo. Ao final do email que nos enviou, a Dra Hilda relembrava Ligia Fagundes Teles:
Além das propostas das Professoras Bea e Íris, as disciplinas de Ciências e Estudos Sociais muito me mobilizaram. Em Estudos Sociais, cada atividade proposta , ao ser encerrada, deixava uma expectativa: "o que será de bom, que vem , agora?"
Será que não existem outras formas de percepção do EU e que podem se expressar em um “mero estar”, dispondo-se ao movimento do universo? Talvez seja isso que teus alunos querem nos mostrar. Porém, a escola, para construir esse conhecimento, esse currículo, criou um conceito de normalidade, excluindo tudo e todos que saem dos seus parâmetros de pretensa homogeneidade."
"Lendo teu trabalho me perguntei: e se o certo é o que consideramos errado? Concordo que Estudos Sociais tem que ter a temática da vida, o tempo e o espaço que é constituído e constituinte de cada sujeito que ali está. E creio que esse Estudos Sociais se expressa nas belas atividades que exemplificam a tua proposta: 1) o varal de fotos; 2) o grande calendário; 3) o dialogar com o silêncio e muito mais, suportar o silêncio. Bia, nos encontraremos mais adiante, na interdisciplina que discute as questões étnico-raciais, situação em que retomaremos novamente esse tema e, talvez, questionados por outras diferenças, ver como tudo isso se implica com os Estudos Sociais na escola."
(transcrito do webfólio de Estudos Sociais)
Que pena não tê-la reencontrado na outra disciplina... Mas sua postura,suas propostas, seu diálogo e respeito com os alunos são inesquecíveis. Em Ciências, durante algum tempo, dialoguei através de emails com o professor, que também gosta de Filosofia e de Música, sobre minha diferente realidade com alunos PNEE. Gostei.
Retomando minhas lembranças percebo o quanto estas 3 disciplinas, através de suas propostas e de seus professores foram importantes para mim. Em meu trabalho, buscava cada vez mais resignificar minha prática. Naquele semestre, tive a impressão inicial de que , com certa surpresa, alguns professores percebiam que não só suas alunas deveriam resignificar sua prática a partir da vivência de seus grupos mas, também eles...a partir de uma diferente vivência de uma professora de Educação Especial.. Escrevi muito neste semestre e relembro, com carinho, da postagem Surfista de Pátios. Diferentes disciplinas e professores...e eu conseguia enxergar relações entre as propostas e questionamentos. E com certeza, uma coisa posso afirmar : Bea, Íris, Maria Aparecida, José, Eliane, Maura... todos eles tinham os olhos brilhando!
Como a colega Luciene relatou em seublog, com a proposta de trabalho com as Arquiteturas Pedagógicas, por parte do Seminário Integrador, tivemos a possibilidade de iniciar um trabalho cooperativo. No Victor Issler temos uma dupla querida. No Lucena, temos o nosso querido Bob. Antes mesmo de nossa organização para as Arquiteturas, Bob já estava em nossa escola provocando reações diversas. Sua permanência conosco, até este momento, é uma conquista de todas as pessoas que gostam, respeitam e valorizam os animais. É uma conquista de professores, funcionários e de sensiveis diretora e coordenadora. Sobretudo , é uma conquista de alunos de uma turma e do trabalho realizado. As histórias das Escolas Victor, Lucena e Roque vão se entrelaçar... aguardem.
Já faz tempo que penso em escrever sobre a multiplicidade de meu dia a dia.
Começo por dois cursos de extensão que estou realizando: o primeiro, semipresencial, tem como foco Competências para um Trabalho em Equipe. ( em ambiente virtual)
Meu interesse por esse curso se origina no semestre passado quando realizei um Projeto de Aprendizagens sobre Grupos.
Com um olhar mais distante, percebo que o desenvolvimento do PA e sua aparente conclusão sempre esteve "costurado" com as relações que o grupo mantinha. O que não deixa de ser óbvio. Mas já naquela época as relações, o vai e vem de papéis, a troca de funções, chamava minha atenção... Saí daquele PA com a sensação de que alguma tinha mudado e outras coisas precisavam ser descobertas. Quando li o folder do curso pensei "é por aí que eu vou..."
Uma das coisas que gostei muito é a possibilidade de, por algum tempo, conviver com pessoas de diferentes áreas: artista plástico, contador, gerente, analista, estudante de Filosofia e vários outros.
Já no primeiro dia, dividimo-nos em grupos. Com as iniciais de cada um, formamos o WeBiJeCla: um grupo buscando se transformar em equipe.
A ferramenta de trabalho é o ETC, Editor de Texto Coletivo. Através dele, nossa participação é registrada, colaborações e idéias são compartilhadas.
Confesso que, para alguém já acostumada a utilizar o ROODA e, principalmente, o pbworks com suas inúmeras funcionalidades, a utilização do ETC parece ser ainda muito limitada.
Mas é com a participação do grupo, sugestões e indicativo de dificuldades encontradas que a equipe técnica buscará o aperfeiçoamento da ferramenta. Portanto, "faz parte".
Ironicamente, constatei que para alguém que não gostava dos fóruns deste semestre no PEAD, procurei de forma certeira: no mínimo 4 fóruns, dentro do ETC. Mas, surpresa! Estou gostando. Quem participa o faz por que tem algo a questionar, acrescentar, a descobrir... não há preocupação (nossa) com um número mínimo de postagens mas sim, em relacionar o que foi lido com os comentários do fórum e com o que se registra. Vamos conversando e a opção "resposta" é bastante utilizada. Novamente a diversidade se apresenta como aspecto positivo.
Em relação às leituras e bibliografia indicada estou me organizando pois o volume aumentou. Mas questões como a funcionalidade de uma equipe, diferença entre equipes e grupos, competências vêm ao encontro de algumas percepções e curiosidades "alimentadas" no Seminário Integrador.
Com todo o cansaço e pouco tempo, tem valido a pena.
O segundo curso de extensão foi escolhido por razões óbvias: também oferecido pela Educação à Distância da UFRGS, trata de Projetos de aprendizagem. Há muitas afinidades neste curso. O fato de realizá-lo na companhia de duas de minhas amigas Mosqueteiras (kátia Diehl e Lu Sobotyk)é um grande estímulo.
Ainda estamos no período de apresentações virtuais mas percebo que, em breve, estaremos com a "mão na massa".
Considero este semestre um interessante desafio. A "batalha" se trava entre a minha vontade de descobrir cada vez mais e os limites que meu corpo e mente impõem.
Neste momento, o que procuro? Encontrar um meio termo e desfrutar das oportunidades que surgem com prazer e saúde. E, como diz a tutora Rossana, "vamoquevamo!"
O objetivo deste post é retomar a conversa iniciada com as professoras Bea e Íris através de postagem e comentários neste blog sobre fórum e trocas realizadas. Acho pertinente partilhar alguns vídeos e escritos que mobilizaram a minha reflexão.
Volta e meia retomo alguns vídeos e escritos de Paulo Freire. Se quero assistir a um depoimento apaixonado sobre seu ofício, geralmente, começo com ele.
"...antes da palavra o que a gente tem pra ler... é o mundo. A gente lê o mundo na medida em que o compreende e o interpreta..." (Paulo Freire)
Em minhas circuladas pela rede encontrei um vídeo falando sobre as idéias de Paulo, uma leitura e escrita equivocada na Revista Veja e uma bronca de outro Paulo. Interessante assistir...
"O saudosismo, o desejo da volta a um mundo em que não havia contestação, o professor tinha status e era o centro da sala de aula, ditando normas, pontos e conceitos, não se coadunam com o professor reflexivo, homem de seu tempo, de passo acertado com a evolução que continua. Vasconcellos nos explica que: “O espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática é essencial para um trabalho que se quer transformador."
Acho interessante pensar que somos seres inacabados buscando a perfeição. Hoje, bem mais do que antes, acredito que o mais significativo seja o processo de busca, a forma como idealizamos e realizamos nossas caminhadas.
Ter a certeza de tudo e de todos nos engessa, nos formata, impede o processo de procura.
Quando Paulo Freire fala sobre a leitura de mundo nos aponta um dos caminhos: o caminho de "nos sabermos", "nos conhecermos" e conhecermos nossos alunos: o caminho da investigação.
Em seu comentário neste INTERDISCIPLINAS a professora Bea escreve "...pois não se saber impede que se mude..."
A professora Íris indaga : "...precisamos pensar como colocar a situação: desabafamos e denunciamos mais do que criamos e anunciamos ou tendemos ao contrário?"
Ah! Posso estar sendo repetitiva mas lá vem, bem grudadinho nas palavras de nossas mestras, o nosso amigo Platão. O que fazemos? temos a certeza do que fazemos? Mesmo?
Pois o Platão já nos indicava que uma boa pergunta pode ser bem mais produtiva do que uma resposta.
Afinal, o que queremos desde a entrada neste curso? Qual a nossa busca? Queremos apenas um canudo ao final do último semestre ou , ao contrário, desejamos ir além, através das experiências possibilitadas?
Será que conseguimos fazer a relação (longínqua para uns, inexistente para outros, mas presente para alguns) entre o que vivenciamos e a possibilidade de termos uma sociedade melhor? Com alunos mais criativos, mais ousados, mais confiantes e, ao mesmo tempo, com um olhar mais terno e respeitoso com todos os seres? Conseguimos perceber que nossa postura, aquilo que pensamos, dizemos e criamos tem a ver com a sustentabilidade desse planeta?
Nossas ações correspondem aos fatos?
Se queremos transformar precisamos nos buscar. Assim como Hypólitto e Vasconcellos escreveram a reflexão é necessária.
Será que eu já escrevi em algum lugar sobre o que eu mais observava quando ia assistir óperas com meu padrinho?
Pois bem, vou contar. Meu padrinho era fã de óperas e eu, a mais nova da casa, era fã do meu padrinho. rs A única que o acompanhava até a PUC para assistí-las, era eu. E com o tempo, à medida em que ia crescendo, meu olhar se tornou um pouco mais exigente.
Um dia, olhei para o maestro que regia a orquestra e me encantei: a partir daquele momento, as óperas e concertos eram a possibilidade para que eu revisse o que tanto me chamara a atenção: um homem que falava musicalmente com os braços e que interagia com um grande grupo...
Ainda hoje, a regência me fascina. O conhecimento que o maestro tem dos instrumentos, dos músicos e da relação de ambos o torna um excelente "articulador musical".
Bah! Lembrei agora, de João Carlos Martins!
Aprendeu a tocar piano aos sete anos e, antes dos vinte, já tocava no exterior. Foi considerado o maior intérprete de Bach, pela crítica mundial. Com vinte anos, ao tocar no Carnegie Hall, foi aplaudido de pé, por 10 minutos, pela platéia.
Vários episódios e lesões fizeram com que fosse perdendo o movimento dos dedos. Aparentemente, sem poder tocar piano, a história deste homem podería partir para um epílogo. Não foi o que aconteceu. João nos prova que sua vida apenas recomeçara com outro caminho...
Mas o que Paulo Freire, João Carlos Martins , Platão, as professoras Bea e Íris e a professora Hypólitto têm em comum?
Todos falam e mostram que é possível, através de nossa postura, nossas ações, transformar vidas. Todos eles falam e agem com paixão. Buscam, de diferentes formas partilhar o que possuem de melhor: a sua crença.
Crença que vai para além dos desabafos e denúncias. Vai para a possibilidade de aprendizagem através de um processo em que a investigação, a formulação de hipóteses, a sustentação de teorias através da busca de soluções e respostas é o trajeto.
Precisamos pensar, refletir, avaliar, reformular. Precisamos ler e sustentar nossa prática à luz das teorias.
No primeiro semestre, minha colega e eu organizamos um ppt para a entrega dos relatórios de acompanhamento. Ali, junto às fotos do trabalho com os alunos, colocamos alguns trechos de teóricos da educação que sustentavam o que mostrávamos. Desta forma, a importância do jogo, foi apresentada com escritos de Constance Kammii. Buscamos falas de fotógrafos que salientavam o significado do ato de fotografar, o que é muito trabalhado por minha turma.
Conversávamos sobre o grupo, sobre suas preferências, necessidades, prazeres e conquistas enquanto as imagens eram disponibilizadas.
No momento em que, em um clima de bate-papo, colocávamos as imagens à luz da teoria, desnudávamos a nossa intencionalidade pedagógica: estávamos mostrando o que fazíamos, como fazíamos e o porquê de fazermos.
É através de ações deste tipo que valorizamos o nosso ofício.
Temos ouvido muitas queixas de falta de valorização do professor mas, penso que esta se dá a partir de nós, de nossas ações, de nosso engajamento político-pedagógico.
Uma das leituras que considerei muito significativa, no semestre passado, foi através de um trabalho acadêmico de Karina Mollon e Bettina dos Santos. Ao final de sua tese comentam e destacam uma afirmação de Miguel Arroyo:
“... Miguel Arroyo (2000) ao reforçar a idéia de uma nova pedagogia, capaz de recuperar a centralidade do como, comenta que a escola pode ser um espaço facilitador do desenvolvimento ou um entrave para ele. Para que possamos nos encaminhar a uma educação de qualidade, precisamos refletir sobre como nossos alunos aprendem mais. Esse é um questionamento pertinente. E ainda me pergunto se os educadores têm a percepção de que:” O que fica para a vida, para o desenvolvimento humano são os conhecimentos que ensinamos, mas também, e, sobretudo, as posturas, os processos e significados que são postos em ação, as formas de aprender, de se interessar, de ter curiosidade, de sentir, de raciocinar e de interrogar” (ARROYO, 2000, p.110
Pois sobre isso, sobre as formas de aprender, de se interessar, de interrogar, de desacomodar, nossa dupla do Seminário Integrador tem sido incansável, não é?
Quando a professora Bea, através de uma breve retomada dos movimentos realizados desde o início do curso, nos traz o indicativo de que podemos mais, julgo necessário partirmos para a ação. Em nossas salas, com nossos alunos, com nossos colegas, em nossos trabalhos, em nossa vida.
Quando a colega Neusa nos conta que, a cada dificuldade surgida, uma forma de contorná-la (ou enfrentá-la) é buscada eu acredito que aí está uma resposta para perguntas e provocações que têm sido feitas por Bea e Íris, desde o início do curso.
Danielle, uma de minhas colegas no Lucena, gosta de comentar que, quando cheguei na escola, não sabia nem digitar um parecer e salvá-lo em um disquete. Depois de falar isso, dá uma pausa e finaliza "eta faculdade, hein, Bia! Olha só o que tu fazes, agora..."
Pois é...
Ah! E se alguém ficar pensando qual a relação do título desta postagem com o seu conteúdo, a resposta não é tão óbvia: Para todos os 15 de outubro eu desejo mais 364 dias de alegria, bom-humor, paixão e, sobretudo, superação.
Por último mesmo, um presentinho: a primeira parte de um documentário sobre João Carlos Martins e a possibilidade de vê-lo tocando em 1970!
Vamos por partes que podem se interligar ou, não: Iniciamos o semestre com as propostas do Seminário Integrador referentes a descobertas através da análise de um saco de lixo e de planejamento de mobiliar uma casa através de informações oferecidas e de um limite de valor.Não estive na aula presencial, mas a questão me interessou bastante, principalmente a que se referia ao que fora encontrado no saco de lixo.
Já faz algum tempo que acompanho às séries de CSI (Miami, Las Vegas...) e, também, Criminal Minds.A análise de locais de crimes e do funcionamento da mente de criminosos é enfocada nestas séries. Seus personagens principais resolvem os desafios impostos através da associação de excelentes recursos tecnológicos e um profundo conhecimento sobre o foco de seu trabalho.
Antes mesmo do PEAD eu já ouvia com frequência a palavra "evidências".No meu dia a dia, algumas vezes, brincava com a possibilidade de descobrir algo através das evidências.Foi através delas que descobri qual a colega que comia em horário diferente do restante da escola, ou seja, antes ou depois do recreio, e não limpava seus farelos. (analisando o tipo de farelos, com que frequência surgiam, relacionando horários de especializadas, datas...) Nossa! Eu me tornara uma importante detetive!Em outra acasião, por conta do arrombamento de uma sala do anexo da escola, enquanto um grupo se mantinha na sala de reuniões conjecturando sobre o fato, fui a única a ir até o anexo, observar a porta, olhar o chão, verificar que as funcionárias da limpeza já haviam varrido o local (afinal, nada seria feito. A guarda apenas registraria o arrombamento e conversaria com a direção), observar a cena toda e imaginar de onde tinha ou tinham vindo. E com a descoberta de uma pegada grande de tênis, próximo ao muro eu me sentira uma CSI!Enquanto voltava ao outro anexo eu pensava que , embora de nada adiantasse o que eu observara, minha postura havia mudado. Em lugar do medo e especulação, a curiosidade e ingênua busca de evidências que confirmassem alguma teoria. Enquanto pensava isso veio a idéia "Bah, eu deveria ter fotografado..."
Você já assistiu a um filme e, antes mesmo, de alguma descoberta ser realizada (solução de um crime, uma personagem que praticara um ato desconhecido por todos...) já indicar, acertadamente o resultado? Alguém já não perguntou "Como você sabe? Como descobriu?" Acredito que, em muitos momentos, olhamos um filme, acompanhamos o seu desenrolar sem nos preocuparmos em, juntamente com os personagens principais, solucionarmos a questão. Olhamos, mas não enxergamos. É mais fácil ficarmos curiosos e à espera do resultado. E o "palpite" de quem diz "foi ele", "fez assim..." pode ser a análise mais apurada de uma ou mais cenas, da relação feita entre fatos e locais apresentados. Se olharmos a cena abaixo, o que poderíamos concluir?
Bem, o fato é que nós e nossos alunos , mesmo não sendo agentes de um CSI, podemos utilizar a observação, os questionamentos, a busca de evidências que auxiliem e comprovem nossos argumentos, em nossas vidas.
Se você é um leitor, se gosta de escrever e tem um certo "carinho" pelas palavras pode identificar padrões de escrita. Você pode, depois de algum tempo, perceber que naquele blog, aquele post não foi escrito por quem assina, por exemplo. A linguagem diferente, as palavras utilizadas, as construçõs frasais podem ser indícios de uma nova participação. Dizem que, geralmente, sabemos quando um de nossos alunos usa de subterfúgios, não é?
Neste exato momento, partilho uma de minhas leituras, que é sobre criatividade e pensamento divergente. Também posso afirmar que estaremos enfocando, de alguma forma, estes temas. Compartilho mais, ao anexar esta frase escrita por uma de nossas professoras, em algum lugar:
"A atitude investigativa inclui por em duvida os preconceitos e o conhecimento anterior para construir um novo conceito, mais próximo do momento em que se está."
Como eu afirmo que trabalharemos com este foco? Como eu afirmo que a frase acima é da nossa querida professora Bea? Observação e leitura.
Tivemos aula presencial de Psicologia e, em clima descontraído, "fomos para o chão" criar mapas conceituais com temas já trabalhados na disciplina. As Mosqueteiras e cia, logicamente, se reuniram. (Só faltou a nossa amiga e Mosqueteira Lu Sobotyk)
Com a apresentação, pudemos acomodar alguns conceitos e certificarmo-nos de que os mapas nos auxiliam bastante .
Por conta dos textos sobre Adorno e reflexões sobre barbárie, sobre questões étnico-raciais, questões e relações grupais, tenho lembrado do poema em homenagem à Maiakóviski. Que, na realidade, por muitos é atribuido ao próprio Maiakóviski, mas não é de sua autoria.EduardoAlves da Costa é o autor.
Hoje é sabado. Pela manhã, permaneci bom tempo em um dos auditórios da FACED, participando do curso de capacitação para voluntariado com idosos ou crianças, na área de inclusão digital. Na pauta das palestrantes o tema era "O Idoso". Ouvindo as assistentes sociais e uma das enfermeiras do Complexo Santa Casa foi impossível deixar de fazer "Zumpt!"
"Zumpt!" é quando você , rapidamente, a partir de uma fala, uma imagem, um sentimento , é transportado para uma outra época, geralmente a passada, e relembra ou revive situações marcantes. Isso é "Zumpt!" . E eu inventei a palavra e sua definição, agora.
Segundo as assistentes o processo de envelhecer "é natural, provoca mudanças físicas, psicológicas e sociais". Velho é aquele que tem várias idades: a idade do corpo, a idade de sua história genética, de sua parte psicológica, de sua ligação com a sociedade."
No hospital, o auxílio dos voluntários é essencial para que o ambiente se torne cada vez mais humanizado. Diversos grupos circulam levando sua solidariedade.
"Zumpt!" , minha mãe permaneceu muito tempo internada em diversos hospitais. Felizmente, sua última internação foi em um hospital que deixou boas marcas . Lembro que uma vez por semana um grupo de pessoas ia em cada quarto, cantar. Era o coralzinho, como os familiares chamavam. Minha mãe já não falava, nem movia mais do que os olhos mas eu sabia que escutava e gostava do que ouvia. Por mais incrível que possa parecer, era nestes momentos que eu rezava para que ela se fosse, para que, junto à música de que tanto gostava pudesse fugir do corpo cansado que a aprisionava.
"Zumpt!" , nas manhãs de segunda, antes de ir para o trabalho, eu deixava um estoque de revistas perto da cama de minha mãe e na mesa de sua cabeceira um potinho com balas e pequenos cartões das Irmãs Paulinas com mensagens de bom Dia e de agradecimento. Eu sabia que a fisioterapeuta e outros profissionais estariam passando. Assim como sabia que as revistas de fofoca saiam do quarto e retornavam antes que eu voltasse. O planejar o que fazer para que minha mãe, que já não interagia, fosse "visitada" enquanto eu não estava manteve meu equilíbrio. As enfermeiras conversavam sobre as fofocas das revistas, pegavam uma balinha, um cartão e sorriam, enquanto cuidavam de minha mãe. Chamavam-na de vovozinha.
"Zumpt!" de retorno : a enfermeira chefe falava de regressões. Dos idosos que voltavam a comer comida pastosa, como os bebês, dos idosos que permaneciam nos leitos com grades, como berços de bebês... distanciamento da vida produtiva, aposentadoria, abandono, violência de familiares...
"Zumpt!", estou lendo o texto de Filosofia "Educação após Auschwitz": nazismo, grupos, barbárie...grupos... A questão dos grupos ainda me desafia. "O que faz com que um grupo deixe suas marcas na história?" Grupos, líderes, ditadores, nazismo, facismo, racismo... idéias, ideais, posturas equivocadas que geram sentimentos diversos, raivas, inquietudes, desejo desajustado de ser supremacia, de se sobrepor, pessoas e grupos, milícias...
"Zumpt!" de retorno: Novamente, falamos e ouvimos sobre os projetos de voluntariado nos hospitais. Tomamos conhecimento do motivo do logotipo do Santo Antônio ser um castor chamado Nestor. Segundo o relato, um grupo de pessoas das mais diversas áreas e idades se reuniu com o objetivo de reconstruir o hospital das crianças. Um dos voluntários mais abnegados se chamava Nestor. Em sua homenagem e associando ao ofício de construir, o mascote do Santo Antônio ganhou o nome daquele que tanto ajudou e que já se foi. De novo, grupos! Um grupo silencioso e eficaz em torno da conquista de seu objetivo.
A manhã encerrou.Almoço no Bar do Antônio e me preparo para a segunda parte do meu sábado, pertinho do Guaíba...
Sento em outro auditório, desta vez na Fundação Iberê Camargo. Assisto a um filme em que o artista partilha o seu processo criativo. Inquietação nos movimentos, pinceladas rápidas, auto-retratos, faces que se desfiguram, modelos que viram personagens, uma dança, quase um duelo em frente e com a tela.
As Idiotas, personagens de Iberê e as cores sombrias que as acompanham me fazem lembrar de algumas afirmações do texto de ADORNO, em relação à barbárie: "Devemos trabalhar contra essa inconsciência, devem os homens ser dissuadidos de, carentes de reflexão sobre si mesmos, atacarem os outros. A educação só teria pleno sentido como educação para a auto-reflexão crítica."
Fiquei pensando no quanto de inquietação e de angústia Iberê colocava em suas telas. Também pensei, outra vez, em como alguns educadores podem ser referências positivas e em como, por diversos desvios, podem se transformar em exemplos perniciosos.
Se a Filosofia vai além do óbvio, do que é senso comum ela está em toda a parte, a nossa espera...
"Zumpt!" , estou assistindo ao filme Onze homens e uma sentença. Procuro evidências e argumentos. Evidências, argumentos, questionamentos que são trabalhados por nossas professoras do Seminário Integrador com determinação . Percebo todas as amarras, os alinhavos, costuras e ponto em cruz realizadas por estas professoras no sentido de possibilitarem uma nova visão, uma outra perspectiva do nosso fazer pedagógico. A Filosofia não chegou no sexto semestre: está conosco há mais tempo.
"Zumpt!" de retorno: estou fotografando um dos quadros de Iberê. No tempo que passou enquanto caminhava de um andar a outro voltei a pensar nos grupos, na barbárie que, as vezes, aparece camuflada, em um jogo de memória de obras de arte para confecccionar para minha turma, no Dossiê de Inclusão que tem um título que promete, promete..., em uma entrevista sobre aposentadoria que a Bea nos concedeu, de alguns receios que partilhou e que são parecidos com os meus. Via Iberê em suas telas e lembrava do filme o Jardineiro Fiel tentando relacionar o sentimento que ambos me traziam.
Tela de Iberê Camargo
"Zumpt!", encerrei a formação, peguei carona e fui pra casa. Já estou frente ao computador, falando com Lu Sobotyk sobre nosso PA. Enquanto falo e escrevo pelo skype, "Zumpt!", estou assistindo a outro filme: Clube da Felicidade e da Sorte...um grupo de mulheres chinesas ,"ZUMPT!"
No sábado, dia 8 de maio iniciei minha participação no Curso de Extensão "Aprender não tem idade: Inclusão Digital de crianças hospitalizadas. O curso é uma parceria entre a UFRGS, PROCEMPA e Complexo Hospitalar Santa Casa. Há dois grupos distintos de participantes, na verdade: aqueles que irão fazer a capacitação para trabalhar com idosos no Hospital Santa Clara e os que, como eu, ficarão no Hospital Santo Antônio, com as crianças. Como já conheço e sou voluntária , através do VIVA e DEIXE VIVER, optei por realizar o voluntariado digital também no Santo Antônio.
Conhecemos um pouco mais sobre o Complexo Santa Casa através dos diferentes relatos da Doutora Maria Beatriz Targa, diretora do hospital Santa Clara, da Enfermeira Teresa Eltz, de Lígia Lubbe administradora do hospital Santa Clara e de Swetlana Cvirkun, responsável pelo Hospital Santo Antônio.
Representando a Procempa, o coordenador Luiz Canabarro Cunha, antigo aluno da UFRGS.
Coordenadora do projeto , a professora Marlene Soares recepcionou a todos e fez combinações para os próximos encontros. Até 27 de junho estarei fazendo a capacitação.
A atividade do SeminárioIntegrador III propõe que escolhamos uma postagem no Blog Relato de Experiências e, a partir da mesma, realizemos leitura analítica e façamos uma postagem em nossos blogs observando alguns aspectos salientados.
Escolhi o relato do Projeto Maduridade por tratar-se de uma proposta que beneficiou pessoas que, geralmente, não são consideradas prioridade: os idosos.
Mafalda Canarim da Silva identificou uma problema quando esperava em uma fila de banco: "observei com que dificuldade as pessoas idosas retiravam, dos caixas eletrônicos, os seus vencimentos de aposentadoria. Às vezes, humildemente, confiavam suas senhas e números de contas bancárias à estranhos para poder fazê-lo".
Percebeu as dificuldades de pessoas que não compreendiam nem como usar um cartão telefônico.
Identificada a evidência de que algumas pessoas, da "maior idade", demonstravam desconhecimento e atrapalhação no manuseio de máquinas, de recursos tecnológicos, Mafalda
concentrou seus esforços para criar um projeto de Inclusão Digital para a terceira idade, o MADURIDADE.
Seus argumentos para tal projeto salientavam que pessoas acima de 55 anos fazem parte de uma geração que tem pouca "intimidade" com o uso das tecnologias, precisando, portanto, de auxílio para fazê-lo. também utilizou o critério de "pessoas com até a quarta série do ensino fundamental" pois, seriam de uma classe menos favorecida em relação às tecnologias.
A autora do projeto relatou, brevemente, a dificuldade inicial referente ao uso da língua inglesa bem como, as soluções encontradas pelo grupo. Evidenciou com fotos e relato a alegria dos participantes e as mudanças em seus comportamentos: aprenderam a utilizar o computador e alguns de seus recursos, usar com mais segurança celular, caixa eletrônico e outros aparelhos.
Eu diria que este pequeno grupo, no período de três meses iniciou sua alfabetização digital.
Digo "iniciou" porque acredito que, a partir destas ações, muitas outras poderiam e podem ter sido realizadas.
O último parágrafo da postagem-relato dá uma impressão de nostalgia: "Alguns deles ganharam computadores dos familiares e outros compraram seus próprios computadores com recursos que tinham na poupança, e até hoje trocamos e-mails de vez em quando." O "de vez em quando" final indica que outras coisas poderiam acontecer. Acredito que limitar-se à troca de e-mails, após o término do projeto" é uma grande perda de possibilidades. Os idosos podem "viajar" pela internet, participar de comunidades, criar seus blogs, pesquisar, estudar, transformar... Torço para que o "grupo dos nove" tenha ido muito além dos e-mails...
Começamos a participar da Formação para Contadores de Histórias em setembro. Estamos nas últimas semanas antes de nosso estágio, nos quartos, com as crianças. Hoje, tivemos um encontro muito "bacana" com uma das contadoras do Hospital que falou sobre "Como contar histórias para crianças hospitalizadas".
Processo de seleção de novos contadores de histórias da Associação Viva e Deixe Viver – 2007 Agenda
1. Sensibilização – Equipe Viva e Deixe Viver 22/09 às 14h 24/09 às 19h
2. Mestre do Tempo – Denis Escudero + preencher questionário 01/10 às 19h30min
3. Pensamento Positivo – Organização Brahma Kumaris 08/10 às 19h30min
4. O que é ser voluntário – Flávia Pimentel 15/10 às 19h30min
5. Ambientação Hospitalar – Controle de infecções e Serviço de Psicologia Raquel Bauer e Juliana Potter 22/10 às 19h30min
6. A arte da contação de histórias para crianças hospitalizadas – Naraiana Nunes 29/10 às 19h30min
7. Aprendendo a perder – Equipe de Psicologia 05/11 às 19h30min - A confirmar
8. Vivência Prática – Voluntários Viva Todo mês de novembro - Cronograma a ser definido
Hoje participei, mais uma vez, dos JOMEEX. São os "Jogos Olímpicos" dos alunos especiais, de todo o estado. Meu olhar é diferenciado, neste ano. Graças ao EAD, registrar os momentos para postá-los no blog, tornou-se um prazer e uma obrigação. Melhor, uma necessidade. Procuro captar o melhor ângulo , dentro de minhas referências, registrar momentos significativos e informar. Tornei-me responsável pelo blog da Escola e registro toda e qualquer situação que possa se transformar em registro de alegrias, dúvidas, sustos, conquistas e superações.