segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"E eu vou tentar recuperar você..."


Há tempos atrás eu fui aluna do professor Assis Brasil. E, pelos seus comentários, eu era boa em fluxos de consciência. Escrever sob essa forma se tornou relativamente fácil.
E faz tempo que eu não escrevo no blog...faz tempo que estou em trajetória não esperada, não desejada ...mas, enfim: estou nela. Fiz uma cirurgia há pouco tempo, sabe ? Reduzi o estômago, eliminei nódulos, reajustei minha pressão arterial e estou voltando a caminhar com alegria. Mas, até achei que estava me encaminhando para outra dimensão. Nos últimos dois anos senti muita dor ao caminhar, levantar, estar em pé, estar sentada. Meu corpo estava triste. E, quase que paradoxalmente, o bom humor me mantinha .
Estou me recuperando e fazendo um tcc. Esse tcc não me conquistou...nem música achei para ser sua trilha. E, quem me conhece , sabe que eu preciso de uma trilha.
Sobre o Bom Humor, meu companheiro mais antigo e fiel, sou obrigada a reconhecer que, por alguns momentos, ele tirou férias. Mas voltou ligeiro ao saber que eu estava bem pior do que dizia. Passou...
Lembro do meu exame de endocospia: antes de apagar completamente, tive tempo pra cantar Lulu Santos, com o anestesista e ver duas enfermeiras cantarolando e dançando suavemente. Quando acordei, uma delas me disse que aquele sábado fora divertido porque não imaginavam que uma paciente os faria dançar e cantar. E eu pensei "Eu fiz? E como foi que eu fiz? "
Acho que o Facebook, rouba o tempo que eu poderia dedicar ao blog e escrever com mais consistência. Facebook é para encontros, reencontros, comentários, curtidas , construção de perfis fakes...mas, no meu caso, não é para reflexão. Não como no blog... Mas , confesso que sou seduzida pelos vários tipos de exposição. Acho que haverá um dia em que as pessoas que souberem manter sua privacidade, que não tiverem interesse em "espiar", serão destacadas de alguma forma. E eu deveria ter escrito "tcc" em letras maiúsculas, mas não consigo... Lembrei da Lu, que me reapresentou a palavra "preconiza". Mas isso é outra história que agora , não vou contar. Acordei com saudades da Mariana , da Gabi...
"Preso na contramão"... "Se não tentar, nunca vai saber o quanto vale..." Pois é, quero continuar tentando, arriscando, partilhando e aprendendo. Aí, cada vez mais vou descobrindo que o que vale mais está no outro, no que você pode fazer por ele, que na verdade estará fazendo por você. Ganhei tempo... Na verdade, nem me lembro sobre o que eu queria escrever. Acho que era sobre a minha necessidade de ter uma trilha, um fim, um foco, uma idéia, um propósito...e sobre a vontade de ir buscar. E de , no caminho, conhecer pessoas que me amem, que eu ame, conhecer pessoas que me levem para casa e outras, que eu possa levar para seus destinos, ou pelo menos até metade do caminho... Assisti a um documentário muito legal chamado Young@Heart. Estou com saudades dos alunos, de contar histórias, estou com saudades de abrir uma porta de um dos quartos do Hospital Santo Antônio e dizer "Hellooooo, quem quer ouvir uma história???" Quero agradecer aos que me recuperaram, me visitaram, me ligaram, pensaram em mim... Há tanta coisa pra fazer em qualquer lugar... Sempre saudades do que ainda não vivi, do que que já vi, da casa onde ainda não morei e daquela, da qual me despedi. Lembro da espiral e a confundo com a imagem que tenho da Vida: voltamos ao mesmo lugar, mas sempre estaremos diferentes.

Quando ouço "luzes vão te guiar até sua casa" lembro de tanta gente... da Thaís, do Tata, da Íris e da Bea, da Guacira, da Denise, da Luísa, do Raul e da Madalena... Eles são luzes... Que ano interessante... ReConhecemos pessoas que imediatamente se tornaram amigas de "pouco tanto tempo"... Adriana,Vainir, Lucas, Aline, Rodrigo, Marília, Clóvis, Maria, Leandro e sua mãe, Jonas ...
Tempo, tempo...
Eu reafirmo o meu compromisso com a vida, esteja onde estiver. Minha trilha é musicada e eu nunca estou só. Obrigada por me levarem para onde foi preciso e me fazerem voltar. Estou aprendendo, de um jeito diferente, a caminhar.

sábado, 14 de janeiro de 2012

"Deixa"


Recebi pelo Facebook, um compartilhamento muito especial: Anice me mostrava fotos de Banzé, um cachorrinho que resgatou, de uma caixa de papelão abandonada em uma praça, filhotinhos de gato. Banzé fora abandonado naquele mesmo lugar e, agora, já adotado levou para sua casa perto dali, todos os filhotes rejeitados por algum humano.
Interessante, não é? Então eu me lembrei de outra foto em que gatos e cachorros foram resgatados após um tsunami e permaneceram quietinhos, aconchegados uns aos outros, no banco traseiro do carro da protetora que os salvou.
E agora, lembrei da faculdade, em 2009... um dos focos do semestre fora o filme Entre os Muros da Escola. E em minha apresentação de portfólio, coloquei um slide com as perguntas que considero vitais para a trajetória de muitos (ou todos):

Ah! E por isso, lembrei do Lenine, também... mas ainda não conto o porquê. Deixa... voltemos ao Banzé, aos gatinhos, ao tsunami, às protetoras anônimas...
O Banzé nos mostrou que, ao levar os bichanos para sua casa e aconchegá-los estava fazendo o que foi feito com ele, após um período de sofrimento: estava partilhando a generosidade.
E os animais são irracionais, não é o que dizem? E nós, os humanos, temos mais condições de fazer muitas outras coisas, não temos?
Bah! E agora, ao reler o que escrevi, fui "jogada" há um tempo atrás, quando assistia Paulo Freire dizer em sua última entrevista, que todos somos seres inacabados. E que há um movimento de busca, do "ser mais"... E nesse processo, alguns se perdem, distorcem os objetivos iniciais e mergulham em um processo chamado de desumanização...
Quem sou eu? O que faço e como faço? Por que eu faço? O que eu quero, afinal?
Aí, chega o Lenine e canta que é preciso ter consciência pra poder mudar, que nunca teve pressa mas que agora tem... que "deixa... deixa..."
Pois eu acho que sempre tive pressa. Talvez, por isso, tenha deixado de usar relógio...
Durante todos os anos em que lecionei acreditei estar auxiliando a formar consciências, acreditei estar possibilitando mudanças... Eu quero que meus alunos possam mudar, que participem de transformações, que se sensibilizem ao enxergar algum abandonado...Eu quero, acima de tudo, que saibam vivenciar a generosidade.
Sempre tive pressa...mas aprendi a esperar... E enquanto espero, aproveito pra fazer alguma coisa.

Mas retornando ao Banzé, fico pensando no quanto de desumanização assistimos por aí, de quantas distorções , quanta gente sem noção, sem objetivos, sem foco... quanta gente perdida em um "trágico acidente em busca do ser mais"...
"Deixa, deixa os bichos do mar, deixa as tartarugas, deixa a natureza", canta o Lenine. Ele sabe...
2012 vai ser diferente em quê, para você? Você que me lê, vai fazer o quê? Tem certeza de que pensa o que pensa? Tem certeza de que faz o que faz? E que é o suficiente? Será que você também não precisa mudar?

Lenine canta Bichos do Mar from Projeto Tamar on Vimeo.