segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Surfista de pátios
Ao abrir os braços, oferecer o rosto ao vento, estufar o peito e gritar parecia estar livre de amarras sociais, familiares ou profissionais.
Na mesma hora, lembrei da cena do filme Titanic em que a dupla principal abria os braços e se equilibrava em uma das partes do navio. Na verdade, Leonardo di Caprio segurava sua parceira.
Braços abertos, vento no rosto, busca de afirmação, sentimento de coragem , impetuosidade, transgressão à regras... algumas coisas em comum.

Pouco tempo passou e eu relembrava de outra passagem de um filme:
Forrest Gump deixava para trás o peso de suas botas, de seus medos, das humilhações vindas da infância: corria para a liberdade ou, penso, para uma estrada que poderia ser a concretização de seus desejos.
Fiquei com estas imagens e com minhas conjecturas, por alguns dias.
Então, aconteceu algo que me fez relembrar de outra cena. O que aconteceu, conto depois. Mas, a cena relembrada, compartilho já adiantando que a personagem principal era uma menina de seus cinco anos, por volta de 1966.
Ela burlava o controle materno pulando pequenos muros e esgueirando-se entre frestas de cercas. Em cada pátio se aproximava dos cachorros, abria os braços e ficava frente a eles, esperando...
Alguns vizinhos reclamavam com sua mãe, "rosnavam" para ela que a criança quase fora mordida, que era teimosa e rebelde, que desobedecia os limites impostos por cercas, muros e grades.
A mãe repetia exaustivamente as palavras dos vizinhos acrescentando ordens, súplicas e, até, castigos. Alguns cachorros se mostraram não receptivos e morderam a menina que, geralmente, era salva por um adolescente, vizinho, e que tomara para si a tarefa de "controlar" a pequena criatura de cachos pretos. Foi nessa época que ela ouviu a palavra vacina e sentiu na pele a dor que a acompanhava.
O que a menina queria, na verdade? Não sabia explicar ,mas ao abrir os braços, na frente dos cachorros, não tinha um pingo de medo...apenas se sentia feliz.
Volta e meia, davam falta da menina e a encontravam em algum pátio, abraçada a um cachorro, falando em seu ouvido e, muitas vezes, sendo lambida por um deles. Até um dos cachorros, com fama de durão, se tornava manso e oferecia o dorso para ser acariciado, quando recebia sua inesperada visita. O padrinho da menina balançava a cabeça e, disfarçando um certo orgulho, repetia "ela não tem medo. Quer domar os cachorros". Fato era , que ela causava espanto em muita gente .
Uma observadora vizinha dizia que ela tentava encantar os bichos. Não era verdade: aquela criança estava encantada por eles. A transgressora, confusa, teimosa, apaixonada pelo vizinho-adolescente-salvador, aquela que abria os braços em cada pátio fazendo com que algumas pessoas questionassem sua sanidade...aquela era eu.

Humberto Maturana é um curioso. E foi pela curiosidade e desejo em conhecer mais, que estudou Biologia.
Quando fala em "biologia do amar", se refere à confiança em que o ser vivo recebe, nas relações construídas, no que alicerça a vida de cada um e, também, do que é construído através das relações do ser com os outros.
Somos resultado de nossas relações e da forma como somos criados. Segundo ele, "se você observa a história de crianças que se transformam em seres, (...) anti-sociais, vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser."
Fico pensando em como eu fui criada, em que me tornei, nas coisas que gosto e das coisas que desgosto. Fico pensando na relação de Maturana com as cenas dos filmes relembrados e dos braços abertos...
Acho, que eu era uma pequena e confusa surfista de pátios, testando a coragem e a confiança adquiridas nas relações com os adultos que me cercavam.
Daquele tempo, talvez, eu tenha trazido a persistência e o amor incondicional pelos animais.
Será que eu já contei que escrevi uma carta para cada um de meus alunos de primeira série, em 1979? Que deixei a carta com seus pais, em dezembro do mesmo ano, quando se despediam em direção à segunda série, com a recomendação que fosse entregue a eles nos seus aniversários de 18 anos?Pois é, fiz isso. Em cada uma das cartas eu me reapresentava e contava como era aquela criança, minha aluna, no período em que se alfabetizou: do que gostava, situações engraçadas ocorridas em sala, algumas de suas falas, seus desejos, seu jeito infantil de encarar o mundo.
Pois, no finzinho da década de 90, recebi alguns retornos: fui reencontrada por alguns de meus alunos. Uma me reconheceu em um restaurante: relembrou da carta, de colegas, de brincadeiras que eu fazia, das músicas que ensinava... Apresentou-me sua família: marido e filha de três anos. Fez questão de me informar que continuava adorando ler e que se formara em jornalismo.
Outro ex-aluno me encontrou durante um Seminário de Educação. Saíra rapidamente da banca onde vendia os livros da editora em que trabalhava e fora ao meu encalço, perguntando se eu era a "tia Bia, da ACM". Eu era. Eu fui. Fiquei sabendo que ele tinha dois filhos e que guardava para o mais velho um presente que recebera no dia de seu aniverário de 18 anos: uma carta da professora que o alfabetizara. Fabiano, esse é o seu nome, me dizia que , embora sendo o único presente que recebera naquela data, fora um dos melhores momentos de sua vida: resgatava palavras de uma pessoa que lhe ofertara muito carinho. Então, iria presentear o filho com a mesma carta, dizendo que o mais importante não era nenhum bem material mas, a certeza de ter sido especial , a certeza de que alguém depositava nele esperança e confiança. Choramos um bocado, neste dia...
Por último, um rapaz que trabalhava como atendente em uma ferragem. No dia em que me reencontrou estava na frente do trabalho oferecendo um pastel para um cachorro faminto. A cena me sensibilizou e fez com que eu diminuíse os passos o suficiente para provocar uma sensação de reconhecimento no jovem. Contou-me que gostava tanto de animais que, muitas vezes, deixava o balcão de atendimento pra oferecer água aos vira-latas sedentos que passavam. Já recolhera mais de cinco cachorros e os presenteara à sua namorada. Ri e falei que entendia muito bem o que ele sentia. Como resposta, me olhou e disse " a senhora foi minha professora". E me falou da carta.
Mais de vinte anos depois eu recebia alguns presentes... entre eles, a constatação de que aquela surfista de pátio conseguira ensinar um pouco mais do que letras e números. Eu me via em meus alunos. Sabia que, de alguma forma, cada um surfava nos pátios da vida usando o carinho recebido, por uma professora recém formada, como uma espécie de combustível interno. Pois não é o tipo de relações, a forma como somos tratados e como reagimos, que nos faz Ser? Maturana sabe...
Lembra quando falei que algo acontecera e fizera com que eu começasse a relembrar algumas cenas? Então...
Na verdade, na sexta feira , dia 19, pouco antes da meia noite, em meu colo, Beethoven começou a se despedir . No dia 20, conduzido pela veterinária , se foi...
Lu e eu o trouxemos de volta para casa e escolhemos o lugar onde seu corpo seria depositado: entre folhas e arbustos, perto do nosso fusca, em frente à janela de nosso quarto.
E, enquanto esperava o Lu cavar o seu espaço, eu relembrava de tudo isso: assisti Titanic e , ao voltar pra casa, ao abrir a porta, lá estava o orelhudo me esperando. Forrest Gump correu nas telas dos cinemas e eu corri com Beethoven latindo ao meu lado, em muitos momentos. (Nossa... "eu corri"! Quanto tempo já se foi... agora eu não corro... estou aprendendo a caminhar com passos mais tranquilos.)
Pensando bem, ele acompanhou 18 anos de minha vida, resignificando-a para algo bem melhor. Com a chegada de meu marido, adotou-o, também.
Agora, como eu acredito, está entre folhas e arbustos, cheirando, cavando e fazendo xixi.
Enquanto observava meu marido cavar, ia me despedindo de partes do que fui: uma pequena transgressora, uma menina apaixonada por um "vizinho-herói", uma jovem que corria pelas calçadas do IAPI imaginando ser Forrest Gump, da professora que transbordava suas emoções sobre folhas de papel envelopadas... eu me despedia e, ao mesmo tempo, abria outras portas para que novas partes fossem acrescentadas.
Pela enésima vez, o Lu perguntava se eu estava bem. Sim, eu estava. Faltava um pedaço, como diria Djavan, mas eu estava. Pensando bem, não tenho interesse, hoje em dia, em correr. Mas ainda abro os braços, buscando sentir a coragem do vento, me oferecendo para vida... ainda hoje, eu sou uma surfista de pátios.
Valeu, Thothoven!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Sempre não é todo dia
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Do Livro dos Abraços, um mar de fogueirinhas
da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou.
Disse que tinha contemplado lá do alto
a vida humana.
E disse que somos uma mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - revelou - um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre
todas as outras.
Não existem duas fogueiras iguais.
Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas
e fogueiras de todas as cores.
Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento,e gente de fogo louco,
que enche o ar de chispas.
Alguns fogos, fogos bobos,
não alumiam nem queimam;
mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar,
e quem chegar perto pega fogo".
Eduardo Galeano
Pois fiquei pensando, ontem,antes de dormir, na manhã de domingo, Dia de Valores no hospital. Relembrei da alegria dos familiares nos quartos, dos agradecimentos emocionados de alguns, do abanar de cabeça triste de um "jovem talvez pai" ao lado de uma criança na UTI, do início de choro de um menino ao ver a bruxa (o que fez com que eu saísse de mansinho...sim, ela era eu.), de outro menino que nos seguiu durante as apresentações em um dos andares, da família castelhana que abriu a porta do seu quarto com restrições, para que pudéssemos, do corredor, encenar nossa peça, cantar, brincar e deixar uma mensagem de alegria.
Com uma pintada a mais de satisfação, também resgatei imagens de uma de minhas afilhadas do Viva participando como Rena, em outro grupo de Valores. Ao mesmo tempo, fixei em minha mente o sorriso generoso de minha própria dinda: Madalena,que entrava em cada quarto apresentando todos os personagens e coordenando a brincadeira.
Nosso grupo tinha como Valores-Tema a Alegria e a Felicidade. Nossa peça durava menos de 2 minutos mas era tempo suficiente para que vilões e mocinhos de histórias infantis surgissem abraçados, comemorando o Natal e enfatizando que o mais importante é a união, alegria , felicidade e amizade. Assim, Eu-Bruxa, fiquei boazinha e entrei em cada quarto, após o chamado de um lindo palhacinho, de braços dados com a Fada . E o porquinho e a Chapeuzinho entravam abraçados ao lobo cantando "ninguém tem medo do Lobo Mau , Lobo Mau, Lobo Mau..."
Por último, nos despedíamos cantando um funk de Natal.
Dormi com o propósito de realizar no outro dia, uma postagem sobre nosso dia de Valores. Ao acordar, relembrei de um fato que mobilizou todo o grupo: no saguão da UTI, assistindo a nossa mensagem, uma mãe chorava. E foi no abraço que fiz questão de oferecer-lhe, assim como as colegas, que senti um pouco do seu desespero e de sua dor.
Abraços não precisam vir acompanhados de palavras, em alguns momentos... mas, se elas, as palavras buscam forças para se fazer presente...
Lembrei do Livro dos Abraços e de uma passagem que diz sermos um mar de fogueirinhas. Olhando nossas fotos, observando cada uma participante do grupo, confirmo as palavras escritas por Galeano: "não existem duas fogueiras iguais".
Mas, a união, o conjunto das labaredas pode ser um bonito espetáculo e trazer felicidade aos olhos de quem precisa. Participar como voluntária do Viva e estar próxima de chamas tão intensas, me preenche, me satifaz e me "encharca" de alegria.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Tudo aquilo que brilha...
Não esqueçam de manter os olhos brilhando!
Um beijo carinhoso
Hilda Alevato
Fim de ano se aproxima e , parece-me, a necessidade de avaliar alguns fatos e relembrar momentos, também.
Em novembro, participei de uma reunião no Santander Cultural e assisti a algumas pessoas falando sobre Educação Indígena. Mais especificamente sobre o livro Povos Indígenas e Educação.
Pois, logo lembrei da mensagem carinhosa enviada pela Dra. Hilda Alevato às Abelhudas Pedagógicas, por ocasião do trabalho sobre Sress(PA). A professora organizadora do livro tinha os olhos brilhando. Em toda a sua fala, registrei a paixão pelo que fazia, pela sua pesquisa, pelo objeto pesquisado, pela vida. Ela falava e sorria com o olhar.
Uma coisa me intrigava: de onde eu a conhecia? Apenas alguns minutos e eu já encontrava a resposta:
Maria Aparecida Bergamaschi, professora da disciplina de Estudos Sociais, do PEAD. Aí, lembrei dos trabalhos, dos fóruns, dos comentários, de tempo e espaço...
Com certeza, ela mantém os olhos brilhando! Foi muito bom ter sido sua aluna.
domingo, 16 de novembro de 2008
Teoria da "Conspirução" ou Mensagem para Mosqueteiras, Abelhudas e Aposentadas
Cheguei à conclusão de que "ELES estão entre nós..."Foram abduzidos em ocasiões especiais. E começo a desconfiar que isso tudo está relacionado a rupturas emocionais , cortisol em doses elevadas no organismo e a colapsos causados por stress, já se transformando em distress.
Explico-me:
Você desejava muito uma coisa. Por exemplo: seu sonho era passar no Vestibular da UFRGS para Medicina. Tentou várias vezes. Não conseguiu. Define que esta será a última tentativa. Caso não passe, ouvirá Pagode e Funk pelo resto de sua vida.(breve, a partir desta decisão) Mas você é aprovado e pensa estar salvo. Na festa dos Bixos, está tão eufórico, tão transbordante de alegria que sua pressão sobe, seus batimentos cardíacos aceleram, seus olhos começam a ficar esbugalhados, sente ardência no peito... Vai ter um AVC? Não!!! Está sendo abduzido no meio da festa.
Outro:
Você se incomodou com um colega. Ele disse que você disse o que não disse. Você já não consegue dormir pensando no que disse a ele, no que não disse e poderia ter dito. Você só pensa em tudo que poderia ter dito, no que disse e no que vai dizer quando encontrá-lo novamente. Você está gripado, a gripe se fortificou e, em breve, você descobrirá que além da gripe, está com uma tremenda gastrite. E você continua pensando no chato.
Já passaram alguns dias e o chato nem lembra de você, está procurando outra vítima pra infernizar. Mas você, fiel ao extremo, continua ali, grudado nele.
Em outro dia, vai até um consultório médico e espera ser atendido. Enquanto lê uma reportagem sobre "Cortisol, o hormônio do Stress", sente um formigamento nas pernas. Tenta levantar da cadeira e não consegue. Cãimbras, problemas circulatórios? Não!!! Você está sendo abduzido!
Mais um:
Você está prestes a se aposentar, "descansar as chuteiras", "aproveitar a vida", acordar mais tarde, "quebrar o despertador". Você tem uma família enorme, repleta de primos, tias e sobrinhos que não vê há anos. Nas primeiras horas de já aposentado, seu pensamento menos nítido parece o de fazer, algum dia dentre os próximos anos, uma visita àquela turma do interior.
É noite, você ficou acordado até tarde sem culpa e vai dormir feliz sabendo que meio-dia é bom horário para sair da cama. Dorme. Acorda poucas horas depois com o insistente barulho da campainha. Verifica que são apenas sete da manhã e, ao abrir irritadamente a porta, se depara com várias pessoas sorridentes e caladas: tios, tias, primos, sobrinhas vieram tomar o primeiro café da manhã de aposentado com você. Bate a porta rapidamente e pensa estar vivendo o princípio de um pesadelo. Reabre devagarinho e espia para ter certeza. Eles continuam ali, silenciosos e aguardando... Então, são mesmo a sua família? Não! São ELES-disfarçados! E você está sendo abduzido!
Muitos anos se passaram e eu penso que você já era. Não era.
Passei no vestibular. Estou feliz, encerrando o primeiro semestre de aulas. Tiro uma foto com as colegas mais próximas e queridas. Esta foto vai fazer história.
Semestres depois, faço um trabalho de uma tela com acrílico e colagens de fotos. Colo aquela foto. A tela permanece em minha sala até o dia em que, espantada, percebo a presença de uma pessoa desconhecida abraçada ao grupo. Quem era? De onde veio? Ah! Era você! Você foi liberado da abdução em outro corpo, agora feminino e chegou no Planeta no minuto em que meu celular captava uma imagem. Foto histórica. Mas, ainda não sei quem é você. Mas posso adiantar que meu curso não é o de Medicina.
Outra:
Dizem que sou uma pessoa ZEN, tranquila...até abraço árvores. Sou consciente da força propulsora de Gaia! Falo com as plantas, as pedras e escuto os animais. Minha trajetória é uma tranquila sinfonia inacabada.
Então, um dia, já não sou mais ZEN: tenho desejos inconfessáveis de esganar alguém pelo pescoço. Esse alguém é você que voltou da abdução como um "Chato de Galocha e Carteirinha".
E você pensa que eu sou a presidente do Sindicato das "Vítimas dos Abduzidos que voltaram sem noção". Fica o tempo todo atrás de mim pedindo o endereço do Steven Spielberg e repetindo frases desconexas como "somos educadoras...do manancial de ervas."
A última:
Converso com amigas sobre outras amigas. E todas elas pensam que uma das amigas é amiga de outra amiga. Mas, não é. NINGUÉM CONHECE: "mas ela não é sua amiga?" "Não! Pensei que fose sua. Estava conosco por ser sua conhecida. " "Mas não é!" "Ela é conhecida de alguém?" Não???!!! Ué...
Você chegou da abdução e confundiu todo mundo. Ninguém lhe conhece.
MAS...você quer conhecer a todos.

Cuidado, pessoas! Eles estão entre nós! Estão se aproximando. Nos ônibus, em nossos empregos, nos cursos, atravessando a rua... são olheiros, captando imagens, mandando informações, sugerindo novas adduções.
Será que tem PEAD no lugar DELES? E SPA?
E se eu já fui abduzida e, voltei?
Nossa!!! E se o lugar dos abduzidos for aqui? A TERRA NÃO É A TERRA! Nós somos os abduzadores. Na verdade, esquecemos de nosso ofício primitivo: apenas uma elite continua abduzindo. Essa elite está no Planalto, nas prefeituras, nos cargos de confiança...
MISTÉRIOS...
sábado, 15 de novembro de 2008
QG da Chaine!
Neste sábado, Lu e eu estivemos no QG da Chaine. Juntamente com Inês e Lu Sobotyk conversamos sobre nosso trabalho sobre aposentadoria e realizamos as finalizações necessárias. A tarde foi muuuito legal! Chaine, seu irmão, sua mãe, Hermes (o cocker charmoso) e Belinha ( a vizinha de quatro patas que está "doidinha" para se mudar para a casa da Chaine)... Muitas risadas, trabalho e, entrelaçando tudo isso, um sentimento de carinho e amizade. Saímos com sacolinhas recheadas de verduras da horta de nossa amiga. Voltamos com a Lu e seu marido Paulo, falando sobre Música, filmes, Informática e outras coisas. Valeu!
PS: Sentimos falta da Iliana e da Aline, que não puderam ir. Mas, participaram do trabalho como todas.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Mais uma dança
Circula pela rede uma carta que teria sido escrita por Fernanda Torres, sobre seu pai.Transcrevo-a. Os créditos da foto são de Antônio Guerreiro.
A DANÇA DA MORTE
"A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi o melhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos de parceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela se passa no início do século passado e conta a história de um general aposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em um farol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde com eles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por doze vertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua mais derradeira solidão.
Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general da I Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lá pelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:
– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!
E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando em torno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque da esposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC. A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alice arrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo.
Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viu sabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria a acontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce, amorosa e redentora. Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde, no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer que meu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.
Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante a representação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, como a neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era um problema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levou vinte anos para acontecer.
Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numa crônica. Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para os filhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modesto perfil.
Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce e sádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor e ator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro. Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dos tempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissão etérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plena Cinelândia ele gritou: 'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica. Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo a ele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu, Buenos Aires e as montanhas russas. Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meu pai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.
Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do pai jovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturam fortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimos tempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai. Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesse período, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge e Cristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital Sarah Kubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida, libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos e colocando no lugar o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e à doutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fui entender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, e com ela. Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração ou batimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foi ela quem nos ajudou. A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica e acolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundos achar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte da vida.
Um salva de palmas para ele. Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso. Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minha Dança dos Boiardos."
(Fernanda Torres)
domingo, 19 de outubro de 2008
Quando eles começam a dizer adeus
Volta e meia lembro das palavras da professora Íris ao afirmar que, depois do término do curso, poderíamos, através dos blogs, percorrer nossa caminhada acadêmica, profissional e pessoal. Espero voltar e relembrar com muita nitidez todos os anos e meses.Estamos em outubro de 2008 e quero relembrar que é um mês eleitoral, estamos escolhendo nossos prefeitos e vereadores. Em POA, vamos ao segundo turno para decidir quem governará nossa cidade.
Já eleitos alguns, podemos aguardar e acompanhar a construção de trajetórias de sucesso ou, ao contrário, lamentar trajetórias e posturas baseadas em ignorância, atrapalhação, autoritarismo ou má-fé.
Em outubro também assistimos, estupefados, o desequilíbrio e a doença no seu auge, ceifando a caminhada de uma adolescente chamada Eloá. Um ex-namorado manteve a menina refém em um apartamento em Santo André, SP. O desfecho foi infeliz: Eloá em coma, sua melhor amiga ferida e, no mínimo, três famílas tragicamente abaladas.
Estamos no quinto semestre do PEAD e acredito ser o trabalho com os Projetos de Aprendizagem o grande foco do semestre. Participo de dois grupos com os temas Stress e Aposentadoria.
Através da pesquisa com minhas colegas, descobri coisas interessantes como "que o stress não é sempre negativo, que existe o Distresse e , ele sim, é a parte que nos traz malefícios que podem ser emocionais ou orgânicos". A afirmação o stress mata, não é verdadeira pois o stress, pode trazer benefícios dependendo da forma como é "recebido pelas pessoas"; o que pode matar são as consequências de uma situação estressora que se transforma em Distresse, quando o corpo e/ou a mente entram em colapso.
Podemos controlar nosso stress, podemos resignificá-lo de forma saudável. Podemos buscar maior qualidade de vida , através de nossas ações. Podemos... e é aí, que entra outra parte: Queremos? Sabemos o que queremos?
Na busca de materiais para o trabalho relativo à aposentadoria, encontrei um vídeo em que Paulo Freire fala da Evolução do Ser. Segundo ele, somos seres inacabados e estamos sempre em busca do SER MAIS. E, algumas vezes, neste processo de busca, nos perdemos. Ocorre um outro processo, o de Desumanização. E Paulo afirma que esta desumanização nada mais é do que a distorção da busca anterior, um "trágico acidente a que nós estamos sujeitos no processo de buscar."
Neste outubro, motivadas pelo trabalho sobre aposentadoria, conversamos com a colega Marion e com a professora Bea, que nos ofertaram seus depoimentos. Foi bem legal.
Pessoalmente, acredito que neste mês tive várias oportunidades de presenciar buscas bem e mal-sucedidas em direção ao SER MAIS. Infelizmente, muitos ainda confundem o SER com o TER, o ser dono, tomar posse, não aceitar o outro... escrevo relembrando o provável sentimento de posse que um rapaz de 22 anos tinha sobre a vida de uma menina de 15 anos. Relembro também da fala despreocupada de um senhor de 78 anos, que incomodado com seu cachorro, arrastou-o acorrentado em um carro.
Paulo Freire tem razão...
E é embalada pelas palavras de Paulo Freire que relembro de outras passagens, de amigos, de parentes, de palavras acalentadoras oferecidas em diferentes momentos. Enquanto escrevo, aos meus pés, em seu almofadão, Beethoven ressona. Em fevereiro de 2009 ele faria 19 anos...ou fará, ainda não sei. O fato é que meu companheiro canino começa a se despedir.
E é acompanhando sua marcha trôpega, seus latidos enfraquecidos e a ausência do brilho em seus olhos que, mais uma vez, aguardo o momento de decidir sobre a partida de um de meus amigos . Mas enquanto os remédios e a veterinária garantem uma qualidade de vida ainda razoável , vou desfrutando de sua amizade e de sua companhia. Vou relembrando, junto a ele, de nossas corridas e brincadeiras pelo campo aqui perto de casa, das suas fugas em dias de chuva, de seu salto em um lago em dia de verão, das suas orelhas compridas balançando enquanto corria ou fugia levando um brinquedo na boca e da manhã em que, protegendo-me, frustrou uma tentativa de assalto. Agora, ele levanta a cabeça e cheira em minha direção, certificando-se de minha presença. Suspira e retorna ao sono.
Outro mestre (desta vez, literário) escreveu um livro que muito admiro. Graciliano Ramos tornou a cadelinha Baleia inesquecível para muitos. Tenho uma amiga que escreve contos e crônicas . Uma vez, disse-me que ainda escreveria um conto que desse vida à personagem Baleia, que de alguma forma faria com que seu desfecho fosse outro. Minha amiga, até hoje, tem bronca com Graciliano Ramos por causa do Vidas Secas. Eu gosto de pensar no que Baleia teria vislumbrado: outra possibilidade de viver de forma mais feliz. E é pensando assim que todos os dias, ao sair de casa, me despeço de Beethoven. Meu amigo começa a me dizer adeus e entendo a sua necessidade de partir. Acredito que em breve ele estará entre folhas e arbustos, cheirando tudo com seu olfato recuperado e se preparando para uma corrida sem cansaço.
Torna-se mais difícil, entretanto, aceitar o adeus de quem não se sabia partindo, de quem ainda estava construindo uma trajetória...Através de Maturana podemos compreender a importância do que tivemos na infância e , também, das escolhas que fazemos ao longo de nossa vida.
Neste outubro, confirmo o que penso, ao valorizar amigos, momentos e recordações. Um beijo e abraços do Lu, conversas e risadas com Mosqueteiras, Abelhudas, Aposentadas e todas as outras pessoas que me fazem bem, despedidas bem elaboradas, saudades... tudo isso me preenche , me prepara para essa grande tarefa de passar pelo mundo e, quem sabe, também para a hora de , algum dia, começar a dizer adeus.
domingo, 12 de outubro de 2008
Confiantemente, sem stress
Neste, como em outros semestres, o Seminário Integrador propõe mais uma atividade instigante: os Projetos de Aprendizagem. Inicialmente, o grupo esteve confuso em relação ao foco de pesquisa. Mas com o tempo, sentímo-nos mais seguras e capazes de trilhar outra nova jornada. Nosso foco é o Stress e a pergunta inicial é "O stress pode ser saudável?"
É evidente que a resposa não será fornecida aqui mas, posso tecer algumas considerações sobre este trabalho. Uma de nossas maiores conquistas, no grupo, se refere, certamente, à sintonia demonstrada entre suas participantes. Desde o início, o "tom" do trabalho foi registrado com bom-humor. As relações entre as participantes são de confiança e partilha. Rimos bastante durante nossas conferências. Por sinal, uma ótima dica para administrar o stress é rir , sorrir, praticar atividades que nos tragam prazer e procurar ter contato com pessoas que nos façam acreditar que a vida vale a pena... apesar de muita coisa.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
JOMEEX
Dia 27 passou. Deixa saudades, novamente. A cada ano, nossos alunos se emocionam, nos emocionam e se superam.
Todos que competem ganham suas medalhas, sobem no pódium, tiram fotos e sentem imenso orgulho. Uma de minhas alunas ao receber sua medalha, no sábado, só foi retirá-la do pescoço na segunda-feira, depois da aula.Todos nós, professores, gritamos, torcemos e aguardamos nossos competidores na linha de chegada para cumprimentá-los e falarmos de nosso orgulho.
domingo, 28 de setembro de 2008
"tenho sonhado muito estranho"
Meus sonhos estão muito estranhos... mas, pensando bem, se justifica. A animação abaixo mostra qual o meu foco imaginário.
sábado, 13 de setembro de 2008
Quando "menos é mais"
Não gosto de luzinhas piscando, florzinhas e outros "inhas". Blog muito colorido, no meu caso, me atrapalharia. Afinal, o que é mais importante? O conteúdo ou a embalagem? Respondo que a embalagem é importante mas não deve se sobressair ao que escrevo.

No blog Interdisciplinas, procuro manter um ar mais formal. Sendo um instrumento utilizado, principalmente, com fins de acompanhamento de minha história acadêmica (somada à vida profissional e pessoal) tenho um cuidado maior com a seleção de conteúdos e com a ortografia, concordância, etc.
Minhas eternas vilãs, as Vírgulas, sempre me acompanham pregando algumas peças em meus escritos. Mas, sobrevivo.
Apenas um gif permanece no layout de meu blog: Mutley , o cachorro personagem do desenho Corrida Maluca. Sua presença me traz boas recordações de infância e indica um gosto pessoal: gosto de animais, especialmente cachorros. (Ah! também tenho o gif do relógio que, atualmente, faz parte ...)
Continuando... escolhi a cor preta para ser a base de minhas postagens. Na escrita, procuro escolher sempre a mesma cor ou suas tonalidades de forma que haja uma certa harmonia. Jamais coloco vermelho sobre o preto, pois acho difícil de visualizar.
Agora lembrei do Melvin! No primeiro semestre do PEAD coloquei, copiando uma das colegas, um gif do mago Merlin em meu wiki. Assim que minha página era acessada, ele aparecia, fazia um movimento de bater na tela e voava por toda a página. Sempre acompanhado de sons característicos, claro. O que eu achava uma gracinha, inicialmente, tornou-se um tormento, tempos depois: já não aguentava ouví-lo batendo em uma porta imaginária, dizendo "Helloooo" e voando sobre as postagens que eu tentava ler. Como todo o mago, este era temperamental e, ao tentar excluí-lo de minha tela, não conseguia. Com a ajuda de uma das professoras "despachei-o" para os tempos da Távola Redonda.
Nos primeiros meses de PEAD, ao percorrer por outras páginas, conheci o blog de um cara legal, chamado Sérgio Lima. Ao conversar, via comentários de post, falei de meu desejo de colocar música em meu blog. Eu, que adoro música, não poderia deixar de colocar músicas que gosto no meu espaço. Foi então que li como resposta "Bia, menos é mais". Gentilmente, ele me indicou alguns links para que eu pudesse me apropriar e colocasse uma trilha em meu blog. Entretanto, demonstrou que isso, talvez, não fosse tão importante e que meu blog poderia ser mais atrante se menos recursos tecnológicos tivesse. Naquela época, concordei parcialmente. Argumentei que "menos é mais, quando se sabe como faz". Aprendi a usar o recurso mas não coloquei.
E, agora, faço um parênteses: gosto muito de Música. Gosto de MPB, música instrumental, new age, algumas clássicas, Glenn Miller, Pavarotti, Djavan, Engenheiros...Gosto de tangos, música celta, trilhas de filmes... Eu gosto. Eu. Entretanto, meu blog é um convite, espero que outras pessoas venham e permaneçam um tempo em sua leitura. Quando entro em um blog cuja música compete com o texto e ganha,desisto de permanecer. Descobri com o tempo que música no blog precisa levar em conta os visitantes e, também, a mensagem que ela traz. (se há alguma, lógico) Músicas de funk, com letras tendensiosas e agressivas sempre me gritam "vá embora, correndo". E, salvo algumas exceções, geralmente vou.
Mas, com a possibilidade de colocar vídeos de música que só tocam se o leitor quiser, considerei-me satisfeita.
Minha amiga novamente me pergunta agora, aqui em casa, o que ela deve considerar. Acho que a melhor resposta foi a que dei anteriormente: pense que o blog está sendo feito para ser exibido, para que outros leiam....não dificulte o trabalho das visitas. Mas, se colorir, colocar milhares de florzinhas, gifs, mensagens diversas for de sua vontade...Faça. Só o tempo vai dizer o que é bom... e você precisa acreditar que aquele recurso, aquela palavra, aquela imagem tem uma razão de estar onde está...e que isso contribui para o que você deseja. O resto, é o resto.
Mas não esqueça... às vezes, MENOS É MAIS.
sábado, 23 de agosto de 2008
Luto pombal e cia

"É verdade que as abelham morrem depois de darem uma ferroada?"
Facilmente, Iliana encontrou a resposta, em sua casa. Mas, tendo abandonado os filhotes de pomba, tentávamos ficar com as abelhas.
Nossa "Poderosa Íris" entrou em ação e lá íamos nós outra vez, à procura de uma questão que nos mobilizasse de verdade. Mas, enquanto essa nova e ainda desconhecida curiosidade está adormecida, procurei, finalmente, fotos de filhotes de pomba e curiosidades mais específicas sobre a abelha rainha.
Li que a abelha rainha ao ficar velha e incapaz de procriar era substituída pelas abelhas operárias. "Como assim? Elas se voltam contra a Rainha e matam a coitadinha?"
Alguns textos falavam em substituição mas não entravam nos detalhes mais perversos. "Garimpei" e encontrei esta resposta na wikipédia:
Substituição é o processo pelo qual uma rainha, normalmente muito velha ou doente, é substituida por outra. Com o avanço da idade, a rainha para de produzir seu feromônio inibidor.
A substituição pode ser forçada por uma operária. Ela pode, por exemplo, cortar uma das patas dianteiras ou do meio da rainha, que não consegue mais se apoiar corretamente e para de colocar os ovos na posição correta. Tal fato é percebido pelas operárias, que iniciam imediatamente a produção de novas células de rainha. Quando uma nova rainha já está madura e fértil as operárias matam a anterior por sufocamento, se sobrepondo umas as outras sobre a rainha, até que ela morra por excesso de temperatura (método também utilizado para matar vespas predatórias).
Considero muito luto de uma vez só: o luto pela saída de uma fase infantil para outra, o luto pelas pombinhas que caem dos ninhos perto da casa da Íris, o luto pela abelha Rainha(tadinha...) e por todas as operárias que morrem ao picarem alguém... minha nossa, se demorar mais, sou capaz de chorar pela morte da "bananeira que morre depois de dar cacho", se isso for verdade, lógico.
É, esse semestre promete...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Nos caminhos de Alvorada
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Agosto à gosto na segunda parte
Agosto, à gosto...
No dia 5, junto com minha colega e amiga Kátia, retornei ao Hospital Santo Antônio para contar histórias e participar da Hora do Contador.
O "caminho" até o hospital pode apresentar obstáculos (cansaço, atrasos, um aluno que surta, uma carona perdida, um ônibus que atrasa e outras coisinhas) mas, quando chego nos quartos e começo a contar histórias ...esqueço tudo e fico feliz. O cansaço vai embora, a dor no pé... Gosto disso. Durante algum tempo, as intempéries do caminho reduziram minhas forças. Mas, como cantava o Oswaldo Montenegro, "sempre não é todo dia".
quinta-feira, 31 de julho de 2008
"Champagnat da Juventude" e uma história de Jardim

sexta-feira, 11 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Se
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Quase sempre assim...
domingo, 15 de junho de 2008
Finalizando o infindável
Talvez deva começar com a descrição de uma nova casa. À esquerda, um convite para entrar, para conhecer e, quem sabe, desvelar. Logo abaixo, lembranças musicais, admiração pela crítica construída a partir do criativo, do belo e instigante exercício da contestação fundamentada. Acima, à direita, atualmente, a mais preciosa aquisição: voz, arranjo e visual cuidadoso: Paciência...Descendo se observa o contraste vindo da inquietude, do enfrentamento e disposição para a violência. “O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós...”.
Lenine afirma que, enquanto o tempo acelera e pede pressa, ele se recusa... e vai “na valsa”.
Naruto, tenso, engessado em um pseudo-uniforme ninja, distribui seus golpes, se defende e/ou ataca.
Esta casa é virtual e se chama wiki. Paradoxalmente, traz a possibilidade real de transformar meu presente e minhas ações no futuro. Crio esta nova página com objetivo de falar sobre meu aluno Tiago e refletir sobre os movimentos realizados durante seu período de adaptação na escola. Na verdade, procuro finalizar uma tarefa com a certeza da continuidade de um trabalho de resgate e descobertas.
Iniciei minha pesquisa sobre Naruto tentando descobrir um pouco mais da história de Tiago. Tiago que acredita ser Naruto, que acredita ser um ninja vingador e que sente uma força estranha e incômoda dentro de si.
Confesso que, desde o início, antipatizei com o personagem da série. Sua figura estava associada, em minha opinião, à violência, vinganças, incompreensão... Entretanto, foi através da história de Naruto que começamos o resgate de Tiago para o convívio com novas pessoas, novas possibilidades e verdades. Falamos com Tiago, inicialmente, através de Naruto; identificando o que era semelhante a ele: as dúvidas e os receios em relação a uma história familiar nebulosa.
Hoje, percebemos que a forma que Tiago encontrou para falar de si foi entrelaçar-se com o personagem.
Através de um jogo de perguntas, de entrevistas realizadas por Tiago, com as pessoas da escola e sua família, pudemos conversar sobre o que é Ficção Científica, Ficção e Realidade. Algo muito desafiador para alguém com o diagnóstico de psicose. O que é real? O que é imaginário?
Entretanto, aprendo todo o dia que, muitas vezes, caminhamos sem cessar e não chegamos a um destino conhecido ou desejado. A caminhada se torna o objeto mais importante, o processo mais elaborado.
Tiago se relacionou conosco, inicialmente, através da recusa em ser nosso aluno, em permanecer na sala de aula ou junto a seus colegas. Sua fala era rápida, por vezes incoerente, utilizava o corpo para empurrar professores e colegas e a intensidade da voz para intimidar quem se aproximasse.
Embora notássemos o gosto de Tiago por jogos e brincadeiras violentas como Naruto, começamos a perceber que o mais relevante no personagem da ficção era o desejo de ser amado, de resgatar uma história incompreendida e, a partir daí, reescrevê-la.
Mas foi, há poucos dias, numa tarde chuvosa que, sentada ao seu lado, recebi um gratificante retorno:
Tiago começara a explicar-me as regras de um confuso jogo de cartas do Naruto que eu comprara de um camelô. Estava eufórico com a surpresa trazida e gozava de minha dificuldade em gravar nomes de novos personagens e truques e golpes apresentados nas cartas. O aparecimento da raposa de nove caudas sempre gerava em Tiago, agitação e preocupação por minha parte: ao mesmo tempo que acreditava ser uma oportunidade de falar sobre alguns desejos relacionados à vingança, que Tiago trazia, corria o risco de facilitar-lhe a entrada no imaginário, a colar-se ainda mais em uma história com semelhanças e, também, muitas diferenças. Este dia, a raposa foi observada e ignorada. A conversa foi, mais ou menos, assim:
Os marcianos trocam a cabeça das pessoas e colocam as cabeças de outras pessoas...
É? Por que tu achas isso?
Por que...eles dão mordidas...
Quem dá mordida?
O marciano! E coloca o veneno com as próprias mãos!
Tu viste isso, onde?
No filme...
No filme...então isto é...
Eu sei! É ficção.
Ah, legal...
Só que a única maneira de destruir os marcianos e matá-los é água! O marciano sucumbiu com a água. Os vampiros vendem sua alma... chupam sangue...
Nossa! Tu já viste algum vampiro antes?
Já sim, na televisão. Eu gosto de ver o Jason...
O Jason do filme? Aquele de terror?
Sim...ele se vingou das crianças que gozaram dele...
Aqui, vale uma nova pausa para novo resgate: Jason, personagem do filme de terror, também foi incompreendido e busca, através da violência, vingança. Assim como Naruto, em alguns momentos, se sente. Assim como Tiago pensa que deve agir, buscando a semelhança e continuidade de ações com os personagens.
Perguntei:
Olha só, Tiago... tu não achas que o Jason seria bem mais feliz se percebesse que, em vez de se vingar, poderia achar pessoas que gostassem dele?
Nesse momento, ficou em silêncio. Depois de alguns segundos levantou-se da cadeira e debruçou-se sobre a classe, ficando de costas para mim. Começou a falar com a cabeça escondida entre um dos braços:
Tu e a Sílvia (minha colega, também professora de Tiago) me ganharam...
Como assim?
Você sabe que eu não queria ficar aqui, ser aluno de vocês...
Ah...
Mas eu sei que vocês gostam muito de mim.
Sabe? Como? (Provoquei, porque sabia a resposta.)
Por que vocês me falam isso. E eu sei que isso não é ficção.
Isso é verdade, Tiago. A gente gosta muito de ti e quer te ajudar. Mesmo quando te dizemos Não, continuamos gostando de ti.
Sei...compreendo...isso é verdade... E, agora, que conheço vocês, não posso deixá-las... Bia, posso ir pro recreio, agora, sem meus colegas?
Não, não pode.
Ah...qualééeé...
Esta fala foi uma grande demonstração de carinho e confiança. Mesmo que efêmera, como tantas outras ações de alunos com transtornos, é uma possibilidade: Tiago que, em alguns momentos, já fala de Naruto com distância conseguindo desvincular fantasia de realidade, que se recusava a sentar perto de um “aluno com Down” e hoje, auxilia o mesmo colega a deslocar-se até a assembléia. Aprimora a ironia e implicância à medida que gestos e falas violentas se atenuam...
“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma... a vida não pára...”
Percebo que Naruto exerce um fascínio em jovens, adultos e crianças. Surpresa, ouvi de um camelô, na Assis Brasil, que Naruto lhe ajudara a fazer um puxadinho nos fundos de sua casa. Ao perceber minha surpresa explicou-me que, com as vendas das Cartas de Naruto, faturou muito. O camelô nem tem idéia de quem seja o personagem...mas o adora.
Não me sinto seduzida pelo animê. Menos ainda, por algum mangá do personagem. Sentimentos como raiva, inveja, dissimulação e atos de violência se sobressaem ao meu olhar. Porém, reconheço o auxílio que o animê proporcionou e proporciona a Tiago: blinda-o, protege-o e, ao mesmo tempo, em um interessante paradoxo, o expõe.
Tiago tem se permitido brincar: brinca de esconde-esconde, na entrada, fazendo com que uma de nós o procure pela escola e o traga, de braços dados, com o capuz de seu casaco, escondendo todo o rosto, para a sala. Ao ser saudado com palmas e brincadeiras ri e disfarça rapidamente o contentamento. Há dias, falou de seu padrasto sem manifestar raiva. Sabemos que o conquistado em um dia, pode se perder no outro... Mas insistimos pois é nosso trabalho, nossa crença e nossa paixão.
Será que é tempo
A questão trazida através das professoras do Seminário Integrador e dos textos disponibilizados me acompanha: como proporcionar que a capacidade criadora e crítica seja cada vez mais estimulada? Dando respostas imediatas e prontas é que não é...
Desacomodar nosso aluno começa pelo processo de nossa própria desestabilização: do reconhecimento que pouco sabemos e que temos muito a aprender, inclusive COM os nossos alunos. Aceitar que não sabemos tudo e, principalmente, que nossa matéria-prima nos desafia e nos convida a refletir, por vezes, é difícil.
“Será que é tempo que falta pra perceber?”
Percebo que muitos de nós temos a tendência a formatar, a classificar nossos alunos dentro de uma mesma perspectiva, procurando facilitar planejamentos, planilhas , sem pensarmos nas diferenças. É mais fácil aplicar uma mesma prova do que pensar e avaliar os diferentes tipos de aprendizagens e conquistas de cada um, no grupo, não é? Será?
“De concreto, o que podemos fazer para erradicar essa postura da nossa sala de aula?”
Talvez a resposta esteja em Tiago e em seus colegas. Talvez eu consiga perceber que além de perguntar, com a turma que tenho, em alguns momentos, preciso silenciar... e escutar o que não é dito, mas é mostrado. Talvez eu aprenda ainda mais se não comparar desempenhos, se enxergar possibilidades...
Buscar respostas para perguntas feitas, para perguntas não pronunciadas e, principalmente, perceber que a busca é mais valiosa que a resposta entregue facilmente.
As atividades realizadas com Tiago e seus colegas ainda serão relatadas. Entretanto, pelo cumprimento de prazo e metas, adiciono esta página ao PIE. Interessante é a maneira com que lido, atualmente, com um recurso que trouxe muita angústia. Mexer, editar , escrever no wiki, no primeiro semestre eram atividades desagradáveis. Hoje, percebo que o desagrado estava diretamente ligado ao desconhecido: na medida em que me apropriava de todas as ferramentas, o que era complicado se tornou positivo.
“A vida não pára... a vida é tão rara”
“Vamos na valsa”, como Lenine ou “girando cada vez mais veloz”, como Naruto. Mas, vamos...



















