segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Formação no Hospital Santo Antônio




Começamos a participar da Formação para Contadores de Histórias em setembro. Estamos nas últimas semanas antes de nosso estágio, nos quartos, com as crianças. Hoje, tivemos um encontro muito "bacana" com uma das contadoras do Hospital que falou sobre "Como contar histórias para crianças hospitalizadas".


Processo de seleção de novos contadores de histórias da Associação Viva e Deixe Viver – 2007
Agenda


1. Sensibilização – Equipe Viva e Deixe Viver
22/09 às 14h
24/09 às 19h

2. Mestre do Tempo – Denis Escudero + preencher questionário
01/10 às 19h30min

3. Pensamento Positivo – Organização Brahma Kumaris
08/10 às 19h30min

4. O que é ser voluntário – Flávia Pimentel
15/10 às 19h30min

5. Ambientação Hospitalar – Controle de infecções e Serviço de Psicologia
Raquel Bauer e Juliana Potter
22/10 às 19h30min

6. A arte da contação de histórias para crianças hospitalizadas – Naraiana Nunes
29/10 às 19h30min

7. Aprendendo a perder – Equipe de Psicologia
05/11 às 19h30min - A confirmar

8. Vivência Prática – Voluntários Viva
Todo mês de novembro - Cronograma a ser definido

9. Formatura
A confirmar

Mais um pouco do Expresso25

domingo, 28 de outubro de 2007

Expresso25

ATIVIDADES MUSICAIS DE MINHA CIDADE

Da Guedes, Bidê ou Balde, Nenhum de Nós são alguns dos conjuntos e bandas conhecidos de nossa cidade. Talvez, Engenheiros do Hawai e, atualmente, Papas da Língua sejam os grupos gaúchos de maior expressão nacional, através da mídia televisiva.
Lá no Bairro Restinga existe uma moça chamada Tânia. Viúva, com um filho pequeno, mora com os pais. É educadora de uma creche e responsável pelo coral da Igreja Nossa Senhora da Misericórdia: Os canarinhos da Restinga. Na creche em que trabalha, também é responsável por mais vozes infantis. Tânia tem “vozeirão” de encher capela e deixar o coração da platéia mais alegre.
Fazer um levantamento musical (bem singelo, eu diria) de nossa cidade, no meu caso, passa muito próximo das vozes quase anônimas, mas reunidas pela mesma paixão. Passa pelo canto coral, do qual fiz parte durante alguns anos. Passa bem pertinho da moradora da Restinga chamada Tânia, que faz sucesso nas missas e nos festivais de coros religiosos.
Optei por relembrar de um grupo que conheci nos Festivais de Coros como
Coral 25 de Julho.
Esse coral, criado em 1964, tinha como base musical as músicas alemãs e como finalidade preservar a cultura germânica através do canto. Em 1997, sob nova regência do maestro Paulo Trindade, o grupo optou por outro caminho, envolvendo a mpb e “uma nova expressão cênica e estética visual do canto coral”, com instrumentos e percussão.
Atualmente com 45 vozes, o Expresso 25 (nome atual) tem 4 cds gravados, recebeu o Prêmio Açorianos na categoria Melhor Intérprete MPB, realizou sete turnês pela Europa e ministra diversas oficinas com artistas de renome como Guinga, Marcelo Delacroix, Arthur de Faria, Marcos Leite, entre outros.
Ensaiam na sede do Centro Cultural 25 de julho, localizada na rua Germano Peterson Júnior, em POA.

Contando histórias na "Província de Shiga"

Parte do nosso grupo de trabalho para a Disciplina de Literatura se encontrou no sábado, dia 27, na Província de Shiga. Nosso objetivo era darmos encaminhamento ao trabalho de conclusão da disciplina, que envolverá contação de história utilizando diversos recursos. Na verdade, iniciamos o trabalho, contamos histórias e até conseguimos uma platéia da praça para assistir a contação. Foi divertido, produtivo e, com certeza, prazeroso. Encontrar colegas e amigas em um ambiente como esta Praça, que tem uma história peculiar, foi um dos bons momentos de meu fim de semana. Não posso deixar de me exibir um pouco dizendo que sou vizinha deste espaço. Impossivel deixar de contar que ali, na Praça Província de Shiga foram depositadas as cinzas de minha mãe. O encontro de Kátia e Bruna, Lu Sobotyk, Maria Gabriela e Bia pode ser considerado como "anti-stress pedagógico". Que tal?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Ponto.

ACORDO FORA DE MIM

-Acordo fora de mim
como há tempos não fazia.
Acordo claro, de todo,
acordo com toda a vida,
com todos cinco sentidos
e sobretudo com a vista
que dentro dessa prisão
para mim não existia.
- Acordo fora de mim:
como fora nada eu via,
ficava dentro de mim
como vida apodrecida.
Acordar não é ter saída.
Acordar é reacordar-se
ao que em nosso em redor gira.

João Cabral de Melo Neto 1920 - 1999
in Auto do Frade - fragmento
Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Um pouco da gente...

Esta postagem está no webfólio da Interdisciplinas Artes Visuais, excetuando os slides. Achei pertinente colocar também no blog.



RELATO DE TRABALHO REALIZADO COM A TURMA CT3, A PARTIR DA RELEITURA, REALIZADA PELA PROFESSORA, DA OBRA AS MENINAS, DE VELÁSQUEZ

Contextualizando

Meus alunos têm idades entre 15 e 21 anos. Todos são portadores de Transtornos Globais de Desenvolvimento. (autismo ou psicose associados a outras síndromes e/ou deficiências). De todo o grupo, apenas uma das adolescentes consegue se expressar através da fala, utilizando pequenas frases.
A utilização de roupas, fantasias, acessórios e espelho em sala de aula é atividade comum para o grupo. Divertem-se ao se olhar no espelho. Do grupo, duas alunas têm autonomia para escolher suas fantasias, colocá-las com relativa facilidade e compreender a proposta de uma brincadeira dramatizada. Os outros alunos necessitam de auxílio para colocar as roupas e realizar alguma proposta a partir desta ação. Entretanto, o grupo mantém a unanimidade no que se refere a fotos. Reconhecem a máquina fotográfica e a associam a “fazer poses”, sorrir, mostrar objetos. No livrão da turma, observam com atenção e satisfação as fotos tiradas pelas professoras, que revelam momentos da rotina na escola e passeios realizados..

A proposta

A partir de duas fotos tiradas frente ao espelho, pensei em reunir dois momentos que a turma aprecia: a produção através das roupas de teatro e a produção para as “poses para as fotos”. Desta vez, procuraria envolver as famílias convidando-as a participar de uma sessão de fotos.
Levei para a sala algumas reproduções de obras de pintores conhecidos (Pinacoteca Caras), dentre eles, Velásquez com sua “As meninas”. Na roda, oportunizamos minha colega e eu, que manuseassem o material. Uma das adolescentes chamou a atenção do grupo ao comentar, apontando para “As meninas”: vai casar, ela vai casar. (importante registrar que esta aluna tem fixação por casamentos e tudo relacionado ao mesmo...).
Com uma moldura trazida por uma colega iniciamos o que chamamos de “construção de quadros fora de esquadro”. Brincávamos com as roupas de Teatro e acessórios e montávamos a nossa obra.
Aqui, vale salientar o quanto essa atividade, iniciada timidamente, cresceu. Escolher as roupas, partilhar com os colegas, observar as reproduções que ficaram expostas na sala por alguns dias, receber sua família e, com ela, “entrar no quadro”, trouxe muito prazer para todos os envolvidos.
Novamente, cabe ressaltar outra questão: uma vez por semana, enquanto nossos alunos estão em aulas especializadas reúno as mães que aguardam seus filhos no pátio externo da escola e faço um momento de contação de histórias. Conto histórias, conversamos sobre as mesmas, rimos... Começo a vislumbrar outras possibilidades com este grupo, utilizando algumas reproduções que possuo. Posteriormente, este trabalho será registrado no webfólio.
Retomando aos “quadros fora de esquadro”: colocamos este nome porque sabíamos que a moldura traria algum estranhamento da parte de alguns alunos e que, certamente, outros não se “enquadrariam” na mesma. Estávamos certas. Como exemplo, há a foto em que apareço com uma coroa cor de laranja, na cabeça. Colocar a coroa e ficar na moldura foi a única solução para que um dos alunos se aproximasse. Na verdade, seu objetivo era resgatar o objeto preferido. (o que conseguiu fazer, não sem antes, puxar o tecido do fundo, derrubar alguns objetos e tentar empurrar-me para que eu também me afastasse. Tudo, dentro da nossa normalidade...).


As evidências

Esta proposta apenas inicia, pois percebo a grande possibilidade de trabalhar, a partir da releitura de Velásquez, de forma interdisciplinar unindo Artes, Teatro, Literatura e Música.
Neste momento, toda a equipe de professores e funcionários da escola também participou do quadro, indo até nossa sala, se produzindo e posando para as fotos. Durante este mês estaremos realizando uma exposição de todas as fotos produzidas e das reproduções utilizadas. Estaremos ainda visitando a Bienal e registrando nossas impressões.
A participação e alegria das famílias é um destaque. Cabe aqui salientar que, sem ter visto a foto que a filha tirara, uma das mães se produziu de forma quase que idêntica à da filha, destacando uma figura que indicava, segundo ela, uma noiva.



domingo, 7 de outubro de 2007

Releituras

Digital Camera Fun

Prazeres e mudanças

Depois que tirei a primeira destas fotos, lembrei-me da releitura sobre o quadro de Velásquez.
O espelho é peça fundamental em nossa sala de aula. Achei interessante a imagem retratada: a fotógrafa e o fotografado ambos sendo personagens principais e secundários do cenário que se reflete.
Outra coisa que temos, minha colega Sílvia e eu, observado é como o "retratar" já é rotina para nosso grupo. Fotografar e filmar os vários momentos já é parte do trabalho e da vivência de todos nós.

Do ano ano passado até agora , noto uma grande diferença: em 2006, na escola, quando falava em blog, postagens e no que poderíamos fazer com os alunos, a maior parte do grupo se interessava inicialmente, mas não se dispunha a saber mais ou participar.Hoje, temos o blog da escola que é visitado por professores, alunos (turma Ct1) , familiares e pessoas interessadas. Minhas colegas pedem muitas vezes " Bia, tira foto pro nosso blog!" As turmas do terceiro ciclo vão até a Informática e visualizam os blogs. Uma de minhas colegas pediu minha ajuda para criar o seu blog. " Assim, Bia, vou ensinar o grupo. Nossa turma vai ter um blog." Depois dos JOMEEX, alguns familiares vieram falar comigo pedindo orientações para, na escola, "acharem o blog" no computador. Começo a perceber que, de mansinho, todas as minhas colegas do turno da tarde principalmente, pensam em "Ah, isso podemos registrar no nosso blog"... Pois é...o que era, no passado, meu...agora começa a ser de todos. Tudo tem seu tempo, sua hora, sua duração. Valeu esperar, não insistir, mas acompanhar a mudança... Outras propostas estão pra chegar... Algo que acho bem interessante salientar é que uma das assessoras responsáveis pela criação do site das escolas municipais, ao visualizar o nosso blog entrou em contato comigo. A partir daí, estamos fazendo uma parceria com o site e blog da escola. As fotos selecionadas para este slide tiveram como critério de escolha a relação com o lúdico, a literatura, com artes, com a alegria e o prazer .


Pois lá estávamos: no Anfiteatro do Hospital Santo Antônio, em nosso segundo encontro.
Chaine, kátia e Bia
Fomos recepcionadas pela dupla de contadoras que está na foto abaixo. Nesta noite, o tema foi a administração do tempo. Também respondemos a muitas perguntas que serão analisadas pela equipe de Psicologia do Hospital.



domingo, 30 de setembro de 2007

Contando histórias


Pois é... como disse a Kátia, algumas coisas conspiram a nosso favor...eu acrescento que nada é por acaso. Explico uma parte: além de ser professora de uma turma de terceiro ciclo, sou uma das responsáveis pelo Projeto Adote um Escritor, em minha escola. Portanto, literatura faz parte do meu dia-a-dia e de minhas tarefas. Faço contação de Histórias há algum tempo para crianças e adultos. Faltava-me contar histórias em hospitais, meu desejo há anos. Graças ao convite da colega Selva pude contar histórias para um grupo de crianças, pais e profissionais do Clínicas. E, agora, através da Mosqueteira Kátia, finalmente, inicio o processo de tornar-me parte da equipe de contadores do Hospital Santo Antônio. Minha escola, a faculdade, o Hospital... tudo entrelaçado...Por hora, encerro. Hoje desejo brevidade. Mas com algum registro fotográfico...

sábado, 29 de setembro de 2007

Alegrias



Hoje participei, mais uma vez, dos JOMEEX. São os "Jogos Olímpicos" dos alunos especiais, de todo o estado. Meu olhar é diferenciado, neste ano. Graças ao EAD, registrar os momentos para postá-los no blog, tornou-se um prazer e uma obrigação. Melhor, uma necessidade. Procuro captar o melhor ângulo , dentro de minhas referências, registrar momentos significativos e informar. Tornei-me responsável pelo blog da Escola e registro toda e qualquer situação que possa se transformar em registro de alegrias, dúvidas, sustos, conquistas e superações.



sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Salto alto, salada de frutas ou tin, tin, gordinhas!





Se eu pensar sob a ótica da "salada de frutas", devo mencionar um comercial a que assisti esses dias. Com o objetivo de alertar familiares e público em geral sobre a anorexia, trazia uma adolescente se olhando no espelho. E, lógico, a visão de uma pessoa anoréxica é bem distorcida. Fiquei pensando nisso. Fiquei pensando a meu respeito . Estou do outro lado do espelho, posso assim dizer. Faço parte das gordinhas, das gordas, das obesas, das fofinhas. Não deixo de ser um extremo, bem sei...
Ainda na "Salada de Frutas" preciso contar que, há muitos anos, eu e uma colega fomos a um Centro de Controle da Obesidade muito conhecido em POA.
Ao sermos entrevistadas pela médica responsável, ficamos bem impressionadas. Ela dizia "queridas, é preciso entender e aceitar que obesidade é uma doença...portanto vocês estão doentes. Muito doentes! Mas existe salvação..."
Minha amiga prestou atenção na mensagem enviada. Eu, prestei atenção nos detalhes: a carga de dramaticidade que a médica usou me fez morder os lábios rapidamente. Meu Deus, eu ia rir!
Ela continuava de forma enfática, nos fazendo perguntas e nos diagnosticando: "sem namorado atualmente? Ah...sei... , pais separados...hum, hum... não gosta de legumes... NÃO GOSTA MESMO??? Gosta de ler, que bom... fica lendo em casa e não caminha, não é?"
Maximira já começava a se aproximar da deprê, "encaídando" os olhos e mexendo rapidamente as mãos sobre o colo. Eu, caso perdido, ouvia (deixara estampada em meu rosto uma fisionomia de interesse e concordância) e fazia o que mais me agradava: especulava.
E entre tantas coisas, pensei que aquela médica poderia ser, também, uma atriz. Mais tarde, notei seu sapato com saltinho fino. Gostei daquele sapato.... (Gordinha como eu estava, conseguiria equilibrar-me por muito tempo em um salto daqueles?)
A entrevista foi se encaminhando para o final quando ouvimos o preço do pacote: nossa! Certo, faríamos uma semana intensiva em um hotel spa, da serra gaúcha. Sem contar os exames, as caminhadas orientadas já em Porto Alegre...
No mesmo momento, internamente, Maxi e eu fazíamos cálculos: ela calculava todas as possibilidades existentes para conseguir aquele valor. Eu, calculava de que forma iria encerrar a entrevista deixando uma frase tipo "entraremos em contato. Obrigada." Despedimo-nos da médica com elogios ao programa e falso indicativo de que voltaríamos.
Na frente do casarão nos olhamos e começamos a rir. Maxi propôs: "Vamos comer uma pizza?" "Claro!"
Maxi e eu trabalhávamos na mesma escola particular. Ela se apaixonou por um de nossos colegas. Ele era apaixonado pelo seu trabalho. Maxi achou que o fato de ser gordinha ( muito menos do que eu!) era o fator determinante no seu fracasso amoroso. E, escondida de todos, começou a tomar inibidores de apetite.
Eu saí da escola e não mais a vi . Anos depois, fiquei sabendo que ela falecera. Ao visitar seus pais tive a noção exata e tardia de como era a angustia de Maxi: ela falecera por excesso de remédios. Tivera uma overdose.
Eu tinha esquecido de tudo isso. Mas hoje, ao acordar sem a tosse característica da coqueluche que me "visitou", senti-me, desde o momento em que coloquei os pés no chão, poderosa! Sim, "acordei de salto alto"! Nada me abalará! Vou ler e enviar meus e-mails, fazer as atividades necessárias no Rooda, ouvir música, conversar com alguma das Mosqueteiras, passear com o Lu, brincar com a turma canina...sei lá! Eu me olhei no espelho e gostei do que vi, bem mais do que em outros dias.
Sei, uma gordurinha aqui, outra ali...outra lá...outra acolá... outra escondida, outra perdida, outra apertada, outra recém encontrada... quase todas não desejadas... Preciso emagrecer por uma questão de saúde, principalmente. Acho que em breve, depois de comer uma pizza, vou começar mais um regime...Quem sabe?Mas não serei uma escrava da balança, sou muito preguiçosa para isso.
Você, que está me lendo... Qual é o seu time? Seja qual for, saúde! Vamos saudar os magrinhos, os gordinhos, os altos, os baixos, os mancos, os quietos, os falantes... Não esqueçamos que os excessos fazem mal... Mas não deixemos de nos amar! E falando nisso, encontrei essa gordinha maravilhosa em minhas andanças virtuais: Jennifer Larmore!
Tin-tin! Saúde!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Comentário nacional

Muitos comentários, notícias e discussões sobre o filme Tropa de Elite. A discussão nacional procede e vale a pena conferir.

O filme é baseado no livro "Elite da Tropa".

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pavarotti e "Mãe de Deus"

Saí de casa com uma certa resistência: por mais incrível que pareça, naquele momento, eu pensava que estava em dívida com Pavarotti. Sentia necessidade de escrever algo em meu blog, sobre ele, sobre sua partida... afinal, no mês anterior , diariamente , sua voz ao cantar Nessum Dorma, tocava fundo nas ondas agitadas que se tornava a mente de um de meus alunos. Ouvindo-o, o adolescente se acalmava, relaxava, parava de gritar e tentar machucar a si e aos que estavam próximos. Como não falar em Pavarotti?
Mas meu marido, com sua insistência, venceu e saímos rapidamente de casa. Nosso destino ficava do outro lado da cidade. Ao chegar na sala já minha conhecida, utilizei o mesmo mecanismo de alguns alunos lá da escola: fixei minha atenção no espaço físico, procurando reconhecer objetos e verificando se houvera alguma mudança. Concentrei-me, antes mesmo de responder aos cumprimentos, nas poltronas. Lá estavam elas! Poltronas grandes, reclináveis e confortáveis. Poltronas cinzas com rodinhas vermelhas. Perfeito! Agora eu ia escolher o meu lugar.
Olhei as pessoas que já estavam acomodadas e percebi que entre um homem de olhos fechados e rosto virado para a parede e uma velhinha de aparência gentil, havia uma possibilidade... Sentei-me, refletindo que o homem não teria nenhuma condição de conversar e que a velhinha provavelmente só iria sorrir ou, nem isso. Talvez estivesse com mais receio do que os outros, sentindo-se sozinha... neste caso, eu abdicaria do meu voto de silêncio e tentaria distrair sua atenção, se a tosse me permitisse. Era muito importante fazer um rápido reconhecimento e escolher estrategicamente o lugar onde sentar pois eu tinha noção de que ficaria no mínimo umas cinco horas por ali...
Próxima etapa: observar discreta e rapidamente as outras poltronas. A sala é dividida em dois ambientes. No primeiro, onde eu sentara, havia oito poltonas. Nas cinco à minha frente estavam sentadas quatro mulheres e um senhor de aproximadamente 80 anos. Uma, a mais jovem , estava de abrigo e tênis. A outra, ao seu lado, vestia uma blusa lilás que chamou minha atenção. Calçava uns tamancos de plataforma. As duas regulavam a idade: por volta de trinta anos. Na poltrona do centro, uma idosa que saiu pouco tempo depois: cabelos tingidos e olhos atentos, controladores. Observava os responsáveis pela sala com certa desconfiança( o que eu traduziria em medo, pela situação em que se encontrava). Ao lado dela, sentadinho de olhos fechados e expressão de muita dor estava o Seu Ari. Fiquei sabendo logo o seu nome pois todos que estavam à trabalho perguntavam "Passou um pouco, Seu Ari?", "Ainda dói muito, Seu Ari?" Ao que ele respondia com balançar de cabeça. Parecia um Papai Noel desnutrido, fraco... mas os indícios de uma vida bondosa "estavam fortes" através de suas tentativas de sorriso e dos frágeis agradecimentos a quem lhe dava atenção. Gostei dele e adotei-o mentalmente. Durante todo o tempo que estive a sua frente, enviei-lhe sorrisos e olhares ,procurando demonstrar que eu observava e , de alguma forma, entendia a sua situação.
Por último, uma senhora de aproximadamente 50 anos, coberta com o seu casaco. Estava de abrigo de passeio . Gostei do tênis dela mas achei-a antipática. Reconhecimento feito em poucos minutos.
Comecei a tossir novamente e lá veio um dos rapazes com uma bandeja na mão , certificando-se de meu nome: "Dona Maria Beatriz?" - "Eu mesma, sem o o Dona." - "Ok, Maria Beatriz... agora eu vou te machucar só um pouquinho, certo?" Por entre tosse , brincando e já esticando o braço... "Nem pensar, meu amigo... vim aqui pra dormir nessa poltrona e já vou avisando: minhas veias são 'bailarinas'." Gilberto, esse era o nome dele, sorriu e respondeu "hum...veias de nenê...difíceis de encontrar..."
Na quarta tentativa, encontrou. Enquanto virava o rosto para não olhar a agulha entrando em minha pele eu pensava no Lu, que estava me aguardando em outra sala. Provavelmente, ouvindo música com os fones de ouvido e tentando, frente a outras pessoas, disfarçar a apreensão. Em todas as minhas idas sempre ficamos assim: ele extremamente preocupado por minha causa e eu, por minha situação e, também pela dele, que sempre vem acompanhada de um grande sentimento de impotência, de querer fazer mais do que consegue. Esse sentimento não o abandona: sei que , antes mesmo de ser atendida pelos médicos, ele já fantasia diagnósticos complicados.
Na verdade, tanto ele como eu (e milhares de pessoas) não conseguimos lidar muito bem com hospitais. Mas devo admitir que utilizo vários mecanismos de defesa e disfarço de forma bastante satisfatória.
A cortizona já começava a circular em minha corrente sanguínea... pensei sobre isso, "deixei" o Lu ouvindo música e lembrei do Pavarotti. Antes de sair de casa eu dera mais uma olhada no blog da Neusa. Ela fizera uma postagem sobre o tenor... senti-me, brevemente, representada pela minha amiga.
Observei que os rapazes da sala, pela altura, poderiam estar numa quadra de basquete. Mas estavam ali, conosco, e tentavam minimizar nossas dores de várias maneiras. Junto com os medicamentos , um deles distribuia sorrisos e dava tapinhas confortadores nas mãos dos mais idosos. O mais sério era rápido, respondia a todos sem deixar de verificar temperaturas e aplicar injeções. Ao contrário de Gilberto, não olhava nos olhos dos pacientes. Mas era ele, juntamente com uma colega, que firme e educadamente retirava os parentes mais afoitos que insistiam em permanecer na sala, atrapalhando a circulação e demonstrando o nervosismo comum de quem gostaria de tirar a dor e doença de seu ente querido. Só nestes momentos, ele olhava nos olhos dos familiares.
Gilberto era o gozador: tinha noção de que era divertido e procurava desviar a atenção de quem atendia. Achei engraçado quando se dirigiu à moça de lilás e disse: "tenho duas notícias pra te dar: uma é tchan a outra é...tchan-tchan. Qual quer primeiro?" Entretanto, a "Lilás" estava tão desorientada que só ficou olhando para ele. E ele continuou: a notícia-tchan é que vais ter que fazer uma medicação na veia do braço e a tchan-tchan é que precisas fazer na nádega também. Qual vai querer primeiro?" O jeito com que falou lembrava muito um vendedor ambulante e, acredito que até ela percebeu porque deu uma risada baixinho e disse que preferia primeiro a menos dolorida. "Braço!" ele respondeu. É... ele poderia ser um pivô de um time de basquete, distribuindo as jogadas... chamou uma das atendentes e disse "o tchan-tchan é teu". Por alguns minutos nem lembrei de dor nas costas, tosse, vômitos. Só fiquei observando a performance do rapaz.
O time era composto por cinco. Os rapazes e duas moças que não "solavam" tanto quanto eles. Ficavam mais no "coro". Mas cada qual demonstrava saber muito bem a função de cada um: quando uma outra senhora com saltinho agulha e olhar de "venham todos me atender" fez sua primeira das muitas exigências , Gilberto se afastou e deixou que o Sério assumisse a bronca. Quando Seu Ari começou a chorar enquanto tirava sangue, com uma das moças, foi o "Tapinha nas Mãos" que se aproximou e afagou seu ombro. Também foi ele quem buscou a filha de Seu Ari, para confortá-lo e acalmá-lo .
Nesse meio tempo, o velhinho se desculpava por chorar e explicava que fazia quimioterapia e que seus braços já estavam doloridos, sua pele não aguentava mais tantas espetas das seringas.
Mesmo sensibilizada não deixei de pensar que Seu Ari tinha o privilégio, como nós, de ter, no mínimo, um convênio. Relembrei de alguns de meus alunos e suas mães que esperam meses por um atendimento. Aí, "saltei" para Pavarotti, de novo, imaginando que tipo de paciente ele fora. E refleti, que ele se fora mas jamais deixaria de ser imortal. Estaria sempre conosco, através de tudo que fez. "Serviço feito...e bem feito" ele poderia dizer, ao chegar em sua nova morada.
Tenho uma amiga que brinca dizendo que, na sua morte, vai subir até o Céu e marcar uma hora com Deus. Só fará uma pergunta, após sentar em sua frente: "Mas Deus...pra que tudo aquilo, lá embaixo?"
Eu acho que o tenor nem precisou marcar hora ao chegar. Após um período de descanso deve ter recebido muitos convites pra cantar no céu.
O tempo passara e eu já estava em minha segunda nebulização. Até o momento de minha saída, às 21h, ainda faria mais duas nebulizaçoes e três exames.
Meu braço começou a formigar, coração acelerou e a visão ficou turva. Pensei: "me sedaram! Droga!" Chamei o "Sério". Disse-me ser efeito do medicamento e que logo iria passar. Sem preocupações, eu estava "sendo monitorada'. ("Ah, tá! O Pavarotti também estava...")
Dormi. Ao acordar, tinha novos companheiros nas poltronas cinza. Cadê o Seu Ari? E a velhinha muda, do meu lado? E a "Salto agulha"? Em minha frente, um cara musculoso e tatuado. Pressão, ele dizia. É a minha pressão. Enquanto isso, na entrada, "Sério " explicava a uma familiar os motivos pelos quais não poderia ficar na sala.
Independente de quem sejamos, de como estamos vestidos, que acessórios colocamos ou, não... nestes momentos, quase sempre todos comungam de sentimentos parecidos: receio, dor, tristeza, impaciência, agradecimento, impotência. A velhinha cuja filha insistia em entrar falava de seu arrependimento em relação ao marido: deveria tê-lo abraçado mais nos últimos meses antes de sua morte, deveria conversar sobre coisas alegres para fazê-lo mais feliz. Mas não conseguia... Da porta a filha sinalizava para que a mãe se acalmasse. Novamente "Tapinhas nas Mãos" surgiu, permitindo a entrada, por breve período, da filha. Após conversar baixinho com a mãe, deu-lhe um abraço e disse que estaria esperando.
A médica que me atendera na chegada, fora verificar como eu estava. Conversou um pouco comigo e com outros pacientes.
Seu Ari voltou do exame e sentou ao meu lado. Contou-me das idas dolorosas á quimioterapia e de como sentia falta de sua mulher que casara com ele aos 18 anos e ficara em sua companhia até os 65. Muito tempo depois de ter saído do hospital pensei que mais forte que o câncer que lhe corroía era a saudade de sua companheira. Há alguns anos atrás , o Lu me disse que seu projeto de vida mais importante era envelhecer ao meu lado, serenamente. Fiquei pensando nisso e em outras coisas, outras planos, outras palavras... Pensei, que apesar da dor eu poderia me considerar uma pessoa feliz.
Com a certeza de que eu saíria do hospital, de que meu marido me aguardava e , que juntos iríamos para casa, as nove horas que permaneci entre exames e sala de medicação foram rápidas, até. Ter a consciência de que seu problema não é o único e de que existem pessoas para amenizar a sua dor é um alento. Não perder a consciência e humanidade é importante. Difícil, para alguns...mas necessário para todos.
Pavarotti fez a sua parte, o quinteto da sala de medicação fazia o melhor que o tempo e as condições permitiam, Seu Ari fez a sua parte com esposa, filhos, netos e um bisneto a caminho. De alguma forma, enquanto não partir pra me encontrar com a Outra Turma, faço o melhor que posso. Quando chegar frente a Deus vou dizer "Serviço bem-feito. Tem mais algum?"

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Para Chaine...

Energia Pura. Assisti há muitos anos atrás. Ao recordar, ainda hoje, me emociono com a cena em que o caçador consegue sentir exatamente o que sua presa sentiu ao ser abatida...
Chaine, acho que ias gostar deste filme, sabe...

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pra quem gosta de "Terça Insana" ou não conhece

Conheça a Irmã Selma...
Olha só: concordo plenamente com este texto. Acredito, inclusive, que muitos de nós, ainda agimos ingenuamente em relação à Internet.


ORKUT!!!!! Opinião - Opinião Marco André Vizzortti

O ORKUT apareceu como uma forma de contatar amigos, saber notícias de quem está distante e mandar recados. Hoje está sendo utilizado com o propósito de, creio ser o seu maior trunfo, obter informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira. Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve? Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade,de forma tão irresponsável e leviana. Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam sendo seqüestrados? Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros? Já te abordaram num barzinho, dizendo que te conheciam faz tempo? Já foi a festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu ninguém? Pois é. Ta tudo lá. No ORKUT. Com cinco minutos de navegação eu sei que você tem dois filhos, tem um namorado, estuda no colégio tal, freqüenta cinemas. E o melhor de tudo, com uma foto na mão, identifico seu rosto em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da rua. Afinal, já sei onde você está. É só ler os seus recadinhos. Faço um pedido: Quem quiser se expor assim, faça-o de forma consciente e depois não lamente, nem se desespere, caso seja vítima de uma armação. Mas poupe seus filhos, poupe sua vida Íntima. O bandido te ligou pra te extorquir dinheiro também porque você deixou. A foto dos meninos estava lá. Teu local de trabalho tava lá. A foto do hotel 5 estrelas na praia tava lá. A foto da moto que está na garagem estava lá. Realmente somos um povo muito inocente e deslumbrado. Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos. Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais. Se você me entendeu, ótimo! Reveja sua participação no ORKUT, ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você os coloca. Se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável. Informo que pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas gratuitos, sem perceber que tinham sido vítimas da própria imprudência. A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários. Não só de Orkut vive a maioria dos internautas. Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma informação que pode nos prejudicar. Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede. O papo pode ser muito bom, legal. Mas disponibilizar informações a nosso respeito pode se tornar perigoso ou desagradável. Portanto, cuidado ao colocar certas informações na Internet.

Marco André Vizzortti é professor de informática da USP. Esse texto está circulando pela Internet...

domingo, 12 de agosto de 2007

Ninguém durma

Ninguém durma
Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu mistério está fechado em mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, só o direi na sua boca
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha[Coro]
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!

Esta é a tradução de uma música que muito tem auxiliado um de meus alunos. Há quase quinze dias ele chega na escola muito mal, agredindo sua mãe e colegas da Kombi que o traz. Já em sala de aula, por vezes, precisa ser contido por minha colega, tutores e por mim. Nestes momentos, enquanto contemos o menino para que não se machuque e nem a outras pessoas, é esta voz e esta música que prende sua atenção. Ouvindo-a, relaxa, pára de gritar e tentar se morder e fica em silêncio... minutos depois, mais calmo, já circula pelo espaço, batendo palmas e chegando o mais próximo possível do aparelho de som. Reconhece o nome Luciano que, por várias vezes eu cito, lembrando-o de quem canta a música. Impossível deixar de postar a música e a voz de quem tem me acompanhado diariamente e acalmado um turbulento coração: Pavarotti canta Nessum Dorma.

Se eu fosse...



Olha só: se eu fosse pai ou mãe... acho que um presente legal do qual eu gostaria seria a possibilidade de assistir meus filhos se tornarem pessoas dignas , sinceras e, especialmente, que soubessem valorizar e respeitar as diferenças.
Não tenho filhos mas, com certeza, faço o que me cabe... Fico pensando em quantos de nós sabem e procuram trabalhar para que nossos alunos sejam tudo o que eu coloquei acima. Tá certo, não somos os responsáveis por tudo...mas podemos fazer a nossa parte, não é?