Na verdade, ainda refletindo sobre Andrea Ramal, comentários,Escola da Ponte, Projeto Amora....Sobre a falta de recursos em nossas escolas e sobre o quão distantes estamos da realidade do conteúdo da entrevista de Andrea Ramal , penso ser necessário refletir mais um pouco. E relembrar...(bah!estou me tornando perita nisso...)
Trabalhei em um lugar chamado Nossa Toquinha, lá por volta dos anos 80. A coordenadora da escola se chamava Guacira e era professora de uma outra "escolinha" chamada "Pato". Naquela época, o "Pato" era sinônimo de diferença , ousadia e muito bom trabalho.
Pois a Guacira levou algumas coisas do "Pato", para a "Toca".
Formada há pouco tempo, eu estranhei quando recebi a tarefa de buscar diferentes profissionais para participarem do Planejamento das Profissões. Sim, íamos trabalhar com as profissões e convidar pais e mães para visitar as turmas, falar do seu trabalho e mostrar objetos utilizados no mesmo. Até aí, tudo bem. Mas cada uma de nós, professoras, recebeu, de Guacira, a tarefa de buscar outros profissionais. E na minha lista estavam sapateiro, padeiro, médico, vendedor de algodão doce.
Bem, naquela época eu me sentia tímida e nada "ousada". Como eu ia conseguir que esses profissionais fossem na escola? Gratuitamente? Fui falar com a responsável pela tarefa e explicar minhas dificuldades. Sabe o que ouvi? "Querida, quem trabalha com educação tem que ter, além do conhecimento, muita cara-de-pau, para conseguir certas coisas para os alunos. Aceite o desafio e vire-se."
Foi a partir dali que, minhas colegas e eu, nos descobrimos nada tímidas e com uma grande capacidade de convencimento. Tínhamos bons motivos: nossos alunos.
Um sapateiro bem disponível foi encontrado e visitou minha turma. Analisou sapatos, tênis,mostrou pedaços de couro, ferramentas de trabalho, respondeu perguntas, fez algumas, riu e foi embora. O médico(maravilha!) era tio de uma das crianças. Levou estetoscópio, ensinou como podemos saber o tamanho de nosso coração, examinou línguas, ouviu sintomas( tô com dor de barriga, "tio"..., meu irmão não faz cocô faz dias...), distribuiu balas e foi embora. Já o padeiro, fez-me um questionário: Para que, "mas crianças tão pequenas...", como, quanto tempo, se ele teria que levar pão para todos ou se uma conversa bastava... Depois de muita conversa e argumentação, a surpresa: ele não estava disposto a ir, mas convidava a turma a conhecer seu reino: a padaria. E nós fomos e foi o máximo! Observamos, fizemos perguntas, ajudamos a colocar pães no forno, sovamos a massa, comemos biscoitos, arranjamos um novo amigo (de quem muitas famílias de minha turma ficaram freguesas), rimos, nos divertimos e fomos embora.
E chegou a vez do vendedor de algodão doce. Eu não conhecia nenhum. Na verdade, deixara essa figura nas memórias de minha infância. Onde encontrar um vendedor que se dispusesse a ir até a escola, fizesse algodão para todos e, se cobrasse, cobrasse bem "baratinho"? Onde eu vira um, pela última vez? Na Redenção. E , para lá fui, em um domingo, caçar um vendedor. O dia bonito, a natureza ao redor, o clima de alegria trazido pelas pessoas, nada disso me interessava. Eu precisava, desejava e ia conseguir um vendedor de algodão, "no tamanho certo", para a minha turma.
Depois de muito rodar, de ter recebido olhares tipo "mas o que ela quer aqui, se não compra...?", descobri o Seu Jorge, cabelos já "grisalhando", sorriso fácil, com falta de dentes, cara de bondade. Comprei algodão, apresentei-me, falei de meu trabalho, minha turma, minha tarefa. Ele sorriu e me perguntou: "quando e onde, professora?"
Pois, o Seu Jorge foi uma das mais bonitas descobertas daquela época: tornou-se sucesso entre professoras e crianças, participava sempre que era convidado(durante muitos anos...), fazia o algodão em festas da escola , em aniversários, dava conselhos para alguns, era chamado de "vô", por outros. Descobrimos em Seu Jorge, um educador nato. Dele ouvi uma coisa parecida com o que Guacira falara: "professora, a gente não pode ficar só esperando ...tem que buscar...".
Lá por volta de 80, nem imaginávamos como o computador se tornaria importante. Mas nossas ferramentas eram outras... O fato de não termos algo, nos fazia desejá-lo e planejar formas de como conseguí-lo. Pedíamos muuuuuuito! E adorávamos, quando conseguíamos.( Bem verdade, que nem sempre...) Mas sem saber que era um plano B, geralmente tínhamos outra opção.
Bom...pra que tudo isso? Pois relaciono tudo isso com os útimos textos e comentários lidos no Seminário Integrador. Não acho que estejamos anos luz de distância da realidade citada por Andrea Ramal. Só acredito, que será mais demorado, mais difícil, para muitos. Acredito que muitas coisas, se não temos, podemos buscar através do "quem conhecemos, que pode...?" Outras, talvez não consigamos, logo. Mas não devemos deixar de buscar, querer, conhecer quem conseguiu...
Lá na Escola da Ponte, havia um espaço em que as crianças ofereciam e pediam ajuda, no Aplicação há as oficinas do Projeto Amora...Pensando em crianças construturas de sua aprendizagem posso também citar um lugar(há muitos outros, com certeza) aqui de POA: Creche João Paulo ll, que acompanhei durante 10 anos. Mas isso é outra história e eu já contei demais...
12 comentários:
Bia !!! Lindo texto e concordo, nada de esperar tem que ir atrás ! Fica tranqüila ! Eu vou te ensinar a colocar o Merlin no teu Blog ! Mudando de assunto, na próxima aula presencial eu vou com certeza. Já instalei o SKYPE - meu código é Kátia Diehl - liga para mim ou manda o teu código.
Estou com saudades ! Beijos !
Excelente história de vida... uma reflexão que com certeza irá me ajudar! Como fiquei curioso para saber da história e vejo que o seu blog e fantástico! Parabéns!
BJS
Oi Bia, tudo bem?
Queria agradecer essa linda história, és uma excelente contadora de histórias!
Na quarta-feira tinha escrito outras coisas e nem lembro mais, pena, estava bem inspirada...
Mas era isso.
Um grande abraço, Ivana
Bia, achei lindo o texto,me emocionei lendo. Fiquei curiosa para saber a història.
Seu blog esta lindo! Parabéns!
Beijos!
Oi,Bia! Visitei hoje o teu blog e fiquei emocionada com o texto que tu escreveu (Algodão doce). Parabéns o teu blog está lindo,maravilhoso. Estou orgulhosa
em te-la como colega neste curso.
Espero que na próxima aula presencial possamos nos conhecer pessoalmente.
Beijos Evanice.
Oi Bia ! 'as 20,00 hs de hoje, eu não estava em casa, mas amanhã ( Sábado ) + ou - neste horário eu vou te ligar !
Que bom que tu gostastes do meu Blog, pode entrar nele quantas vezes quiser.
Só tem 2 pessoas que entram nele : EU e VOCÊ !
Sempre que eu posso eu mando uma mensagem. Eu adorei essa história de inserir imagens e texto, e também é bom, porque se a gente não usar o BLOG, acaba esquecendo com se faz, este é o meu 1° BLOG !
Beijos ! Até amanhã !
OI Bia! Adorei o texto do Algodão Doce, e também quero dizer que escolhi esta profissão, por acreditar que ela nos a leva a enfrentar desafios constantemente e sempre nos colocando,mesmo que empurrado, a frente do futuro.
Beijos!!!
Oi Bia, respondendo a tua pergunta quanto a link, também estou aprendendo , mas quando tu cria uma portagem do lado da mudança de cor de letra tem um símbolo que é para inserir link, daí tu seleciona uma palavra e insere o link nela. Percebi que no teu blog também tem do lado direito a opção linck daí é só mudar a URL para a que tu quer, na ajuda do blogger tem explicação. bjs Marta
Bia até que enfim li teu texto.Fiquei com uma vontade de...comer algodão doce?não de aprender coisas e espero que me ajudes.Beijocas
Sabe o mais fantástico de toda essa novidade que é o EAD? É poder conhecer novas pessoas, profissionais que estão na luta, que querem transformar o óbvio em poesia; como tu, amiga. Tu és uma poetisa...
Tu história é minha parecida comigo. Eu sou assim mesmo. Outro dia estava conversando com colegas da escola, morro de vergonha de pedir qualquer coisa prá mim. Às vezes, até uma ajudinha no curso, quando estou desesperada. MAs se é para os meus alunos, eu pexincho: no teatro, no cinema, com os donos das empresas de ônibus. Peço de tudo prá todos que conheço e, principlamente, nunca deixo de fazer meus contatos. E por que isso? Porque é prá eles, acredito neles e desejo sempre o melhor de mim.
Muitos beijos e Bom Domingão!
(Ah...esse dia tá ótimo prá ir na Redenção, mas não prá procurar o Seu Jorge...mas pra sentar na grama e tomar um gostossérrimo chimarrão!!!)
Oi Bia! Resolvi visitar teu blog e depois de ler tudo o que colocaste aqui,lembrei dos primeiros encontros no pólo e de uma vez que você disse estar perdida na frente da máquina.Não sei se lembrarás de mim ao seu lado.Agora pergunto,depois de ver a qualidade do teu blog,aquela era você mesma???Teu trabalho está ótimo,parabéns!!!Beijo,Luciene
Bia linda biografia,como professora de 4ºsérie já a 15 anos fiquei muito tocada com tua histíria.Sempre vou tentar não me paracer em nada com tua prof.Beijocas
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