Primeiro recebemos um email de nossa professora Íris partilhando a pesca realizada.
Sabendo que sempre há uma intencionalidade pensemos no que a postagem da colega nos traz:
- Fórum como possibilidade de repensar o trabalho, a prática de cada um;
- Fórum se constituindo como espaço de desabafo;
- Lugar de desabafo poderia ser mais específico;
- Um lugar sugerido seria um wiki criado para este fim
- A lista (da UFRGS, um espaço acadêmico, para trocas acadêmicas) não se constitui para este fim e, sim, para fins de "dificuldades do curso".
Haveria indícios de que o foco dos fóruns estaria mudando?
Passado algum tempo recebemos, pela lista, outro email com o que considero um interessantíssimo desafio...


A partir do convite para relatarmos o que concluirmos, salientei uma palavra no email: realmente.
E através de análise mais detalhada pude verificar algumas questões bem interessantes.
Consideremos o fórum como um campo de futebol e , nós, os jogadores. Os passes são as ações realizadas.
Quem realizou mais passes? Quem recebeu mais a bola? Quem distribuiu mais ou menos? Quem fez sua participação no início e saiu para a reserva? Quem entrou no segundo tempo?
Para realizar a análise mais apurada abri e minimizei o fórum indicado, abri na tela o ppt da professora Íris e, com o auxílio das teclas Ctrl + F, realizei uma nova leitura. Depois de algum tempo, vi a necessidade de um terceiro instrumento de análise. Compartilho a página criada para este fim...
À medida em que ia "clareando a leitura" do fórum analisado, pensava no tipo de ações que EU fizera e deixara de fazer no fórum em que participei. Fui atuante ou apareci, dei um chutezinho e voltei tempos depois?
Huuuummmm... As evidências poderão comprovar a segunda alternativa, reconheço. Mas estarei lá, retomando e analisando com outro olhar o que fiz e o que deixei de fazer.
Percebo que temos, constantemente, recebido "munição" para sairmos do achismo (acho que participei pouco ou bastante, acho que perguntei ou só comentei...) Podemos e devemos comprovar e, consequentemente, nos auto-avaliar.
Bem...agora, lanço um singelo desafio para nossas queridas Bea e Íris:
Ouçam esta "brega música":
Que relação é possível fazer entre as questões trazidas pelos escritos de Platão (vide últimas cenas do filme Entre Muros da Escola: tens certeza de que pensas o que pensas, tens certeza de que fazes o que fazes?), a nossa postura enquanto educadores e partes da letra dessa música?
6 comentários:
Bia Adorei o desafio! E elas o que acharam? Eu paricularmente adoro essa musica brega, e na voz da Ana Carolina, se nao me falhe a memoria,ficou mais bonita ainda , na minha opinião.Parabéns! Não esquce de me avisar o resultado do desafio com as invensíveis Bea e Iris! rsrsrsrsrs Lidiane
Nossa, Bia!
Vou ter que matutar um bocado...
Vou dormir e amanhã, se as sinapses não falharem, tento responder ao desafio. :)
Abra@os
PS: Senti um prazer "malévolo" no comentário da Lidiane? :)
Bia do céu!! Que desafio!! Tive que voltar para dentro de mim mesma e ver o curso da minha perspectiva, agora enquadrada nb ângulo que me desafias. Acho que o texto será longo. Portanto, desculpem antes mesmo de ler.
Vamos voltar um pouco no tempo e fazer um retrospecto no trabalho proposto no Seminário, desde o primeiro semestre e vamos "ver" algumas ações que devem ter passado despercebidas ( pelo enos ninguém apontou): o Rooda foi pouco utilizado; o fórum não foi uma ferramenta usada; a leitura e a reflexão teórica foram propostas como elementos de apoio a análise da ação concreta de operar sobre algum objeto de estudo;a busca de posições argumentativas foi valorizada; as trocas foram sempre objeto de interesse e necessidade; o uso do espaço livre, público, social e cooperativo foi ampliado; o olhar-se e ouvir-se assim como o olhar e compreender os outros e os fatos( colegas, professores, alunos e o mundo em geral) foram sempre motivo das ações;enfim, a intenção de formação e intensificação de redes foi permanente.
Se voltarmos ao jogo de futebol, a preocupação foi a de que os jogadores desenvolvessem o jogo mediante ações cooperativas, cujos lances derivavam dos talentos individuais e das cadeias de pensamento construídas, que eram postas em prática para atingir uma alvo comum e partilhado: o gol,resultado final de um processo que, obrigatoriamente exige confiança na partilha da bola.
Esse semestre, avaliamos que tinha chegado o momento de usar o fórum, aproveitando todas as possibilidades que um instrumento desses oferece, não caindo nas armadilhas do mesmo. Como era esperado, houve muita participação. E surpresa!! Dois indicadores apareceram fortemente: houve pouca leitura crítica e comparativa das práticas operatórias com o apoio dostextos; não houve responsabilidade social com uma tarefa que exigia argumentações contraditórias, adicionais, aprofundadas, para crescer coletivamente.
Assim, como diz a Iris, "realmente", o fórum não teve o êxito que nós esperávamos. Como colocar o fato em discussão? Concretizando o que lá aconteceu.
E vieram as argolas, as flechas, os silêncios, o isolamento de alguns e presença forte de outros, a mediação,enfim, vieram á tona as evidências. E a Ana Claudia se deu conta e outro e mais outro até começarem movimentos criativos de análise e sugestões.
Como canta a Ana Carolina ( tb gostei da música), chega de disfarçar as evidências, chega de negar e esconder o que realmente se pensa, se faz e não se é; chega de não se entregar, de ter medo de ser o que é, pois não se saber impede de que se mude e impede que não se viva.
Por isso, a nossa relutância em usar o fórum logo no começo dos trabalhos do curso, o cuidado de não banilizá-lo como um espaço de falação sem comprometimento. Pois, não é ele um espaço excelente para disfarçar? Para usar um discurso baseado no achismo ou num "ouvir falar em palestras ou conversas paralelas, ou falr sobre o que leu por alto o escrito por pessoas que, para nós, são ícones a seguir?" Para abafar uma ação nova e possível pelo peso das denúncias da realidade escolar? Para fingir que participa e se compromete ? Para fingir que lê, que pensa e que age diferente na escola? Para se falar sobre tomadas de consciência que não se concretizam a prática?
Por outro lado, há os que se entregaram ao fórum, os que mediaram, os que se comprometeram, anunciaram e perceberam anúncios. Há os que se viram e viram os utros em uma nova perspectiva. E agora, há os que abriram os olhos!!
A certeza de que é possível fazer o que se pensa e mudar o que se pensa a partir do que fazemos se tornou mais forte e mais evidente.
Há uma enorme luz do fim do tunel!! Basta olhar e caminhar!!
Bjão
Bea
Bia vim aqui pra resgatar a resposta do desafio! Diga a professora Iris que não foi com fim malevolo o comentario, mas recebemos tantos desafios ao longo do curso que nos faz bem saber que também podemos desafiar.E a Bea hein,não mandou recado, falou e disse!!! Isso é muito bom! Acho que vamos sentir saudades!!! Não achas? Bjus Lidiane
Com certeza, Lidiane, com certeza...
Bia, querida
O que dizer depois da Bea, não é? Mas, vamos lá...
As perguntas de Platão tem tudo a ver com nossa intenção e preocupação. Examinem a "pesca" e vejam o que a Neusa disse: A cada dificuldade (...) encontro uma solução para contorná-la, encontro uma alternativa de como realizar o trabalho com os recursos que tenho. Isso é ou não é ressignificar?
Podemos pensar no espaço, que ela sugere para desabafo, como um espaço onde, ao re(a)presentarmos algo que nos incomoda, podemos ressignificar a situação em pauta? Um lugar onde o exposto aos olhos dos outros pode trazer uma luz que nos ajuda a enxergar o que não enxergamos, por estarmos imersos na situação?
Quando vamos descrever um problema precisamos pensar sobre como colocar a situação, de modo a mobilizar quem nos lê; pensar se o que escrevemos traduz o que queremos dizer; se já fizemos tudo a nosso alcance para resolver ou ao menos contornar ou minimizar a situação e, quem sabe, nos ajuda a pensar sobre como nos colocamos: desabafamos e denunciamos mais do que criamos e anunciamos, ou tendemos ao contrário? Tendemos a acreditar ou a duvidar?
Mostrar o dinamismo das trocas no forum, usando a animação, também foi uma forma de re(a)presentar algo, mostrá-lo sob outra perspectiva e isso, sem dúvida, pode nos ajudar a sair do "achismo", como dizes, pois pode favorecer tomadas de consciência.
Resumindo, a idéia em pauta é mostrar que recursos simples, que estamos explorando com vocês desde o início, desde a descrição do trajeto casa-escola, podem nos ajudar a ver além.
Quanto à música, penso que ela evidencia muito bem a dualidade humana, a nossa capacidade de dissimular, do dizer diferente do fazer e assim vai.
Será que era isso?
Abra@os
PS: Lidi, querida, foi só uma provocação. Tenho certeza de que te manifestaste porque ficaste curiosa sobre o desenrolar da situação que a Bia nos apresentou.
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