domingo, 19 de setembro de 2010

Parte Três


O ano de 2007 trouxe fatos e descobertas importantes. Pessoalmente, fortalecia os vínculos com algumas das colegas do curso. Criávamos, na brincadeira, um nome para o encontro das colegas Lu Betat Lu Sobotyk, Kátia Diehl e eu: éramos as Mosqueteiras Pedagógicas cujo lema era o mesmo do quarteto famoso "Um por todos e todos por um!"
O apoio das colegas via skype, telefone e email foi fundamental , principalmente, nos primeiros semestres do curso. As madrugadas de estudo e pesquisa não eram solitárias. Além do grupo das Mosqueteiras, geralmente, encontrava a professora Íris.
Foi neste ano que escrevi uma das
postagens pela qual tenho muito carinho: refletindo sobre meu processo de alfabetização, relacionei-o com outras questões significativas.
Acredito ter sido neste período que o meu prazer em fotografar se tornou ato mais sério: meu olhar para com o que era fotografado se modificou. Comecei a editar imagens, procurar o melhor ângulo para tirar uma foto, abandonei fotos de pose e busquei fotos mais naturais... Semestres mais tarde eu observaria minha turma de terceiro ciclo "debruçar-se sobre a fotografia," também.
Em meu Inventário de Aprendizagens do terceiro semestre, registro o fato de , a partir de uma proposta da interdisciplina de Artes Visuais, iniciar um trabalho com os familiares de meus alunos:

" a partir da proposta (...) sobre a releitura de um quadro de Velásquez, procurei oferecer aos alunos uma atividade um pouco diferente das habituais: com uma moldura e vários acessórios e roupas do armário de Teatro, nossa turma se produziu para "fazer poses"... (...) As mães e pais de outras turmas perguntaram se poderiam ser fotografados. Topei o pedido e sugeri que viessem em um dia em que eu teria duas aulas especializadas seguidas... Comecei contando histórias, mostrando reproduções de obras de outros pintores. Atualmente, todas as quintas-feiras, o grupo que está na entrada é convidado por mim a ir até a sala ouvir histórias. Depois de contar as escolhidas pelo grupo, pergunto se estão "a fim" de brincar. Geralmente, todo o grupo aceita participar de brincadeiras envolvendo Música, Expressão Corporal e Teatral."


Carly Simon - Coming Around Again live 1987

Entretanto, foi na esfera pessoal que acredito ter ganho do PEAD um interessante presente, ou registro.... Já na primeira parte de minha volta ao passado, menciono a minha dificuldade em dizer adeus. Rápida como sempre, a professora Bea, em seu comentáio à postagem, afirma que existem apenas "momentos de transição". Mas o fato é que , apenas ao encontrar o clipe de Carly Simon, pude resgatar memórias que tinham sido concretadas. Graças a esta música, a este curso e suas propostas, naquele momento consegui, finalmente dizer adeus de uma forma tranquila e saudável: consegui despedir-me de minha mãe que falecera já há alguns anos.

"Querida Bia, interessante que a tecnologia, que tanta gente acusa por facilitar a frieza e o individualismo, é capaz de fornecer um recurso para que as lembranças permaneçam arejadas, ao vento e ao sol. Isso significa compartilhar o que somos , de quem viemos e que caminhos estamos cruzando para que outros se emocionem conosco e se dêem conta de que a humanidade dos homens está nesse constante entendimento de si e dos outros. Quando As pessoas dizem que falta o olho no olho na ead fico pensando em como se enganam!! Não precisa a troca de olhar e sim a troca vinda da mente e do coração."

Professora Beatriz Magdalena no Blog SOGUTERRES

minha mãe Judith

Algumas pessoas dizem que tenho facilidade em estabelecer relações entre pessoas e fatos, que vou tecendo redes que vãoi alcançando inimagináveis distâncias. É verdade.

meu padrinho Alfredo


Ao reencontrar casualmente algumas fotos de minha infância, percebo de onde, talvez, tenham vindo dois de meus grandes interesses e motivos de meu prazer: nas fotos de minha mãe, sempre um mascote a acompanha. Em uma das fotos de meu padrinho revejo uma de suas paixões : a fotografia. Interessante isso... não me lembrava desse fato.

Como a querida Bea reforçou, que interessante o fato de ser através da Tecnologia que , finalmente, eu tenha conseguido reorganizar algumas de minhas emoções. A frieza de que alguns falam sobre a Tecnologia e as redes que constrói é um engano. Em todos os momentos que utilizei esta rede, que necessitei de auxílio, de conforto, de estímulo e acompanhamento , sempre encontrei. A rede virtual só é fria para quem não se dispõe a conhecer suas possibilidades. Através do blog, resgatei outro prazer há muito tempo adormecido: o de escrever e, principalmente, refletir sobre tal ato, "lapidar" um texto, soltá-lo na rede e acompanhar o impacto que é capaz de promover...


meus padrinhos Ilka e Alfredo e eu

Pois lá estava eu em 2006, 2007... em uma nova trajetória. Mas, percebo agora, que uma boa base já estava consolidada. A criticidade, a observação, o sentimento inquietante de que mesmo o correto nem sempre sendo mais fácil e menos doloroso, ainda assim, é a única opção, me acompanhavam há tempos. Cheguei no PEAD, desta forma. Mas, certamente, ao longo do novo caminho transformações ocorreram. Acompanhar estas transformações é deslizar no tempo, ir para além de 2007 e construir novo capítulo, neste blog...

minha mãe , eu( bebê e pré adolescente) e o cachorro Jaques

2 comentários:

mauranunes.com disse...

Querida Bia! Algumas pessoas utilizam a rede (internet) para proteção... outros, para fazer conexões, relações, assim como para compartilhar momentos de vida, reflexões, aprendizagens. Isso sim é rede. Achei muito significativo o percurso que fizeste, das tuas aprendizagens, as tuas origens e interesses no resgate do semestre! Bjs, Maura - tutora do SI

Beatriz disse...

Bia amada, o fato de juntarmos pedaços novos aos velhos só aumenta as possibilidades de nos darmos conta de que os novos já eram filhotes dos velhos e só faltava ligá-los. Essa é a rede mental. A perspectiva no olhar muda, aprofunda e junta. Esse, para mim, é o tal do (re)olhar que todo o professor devia cultivar e ajudar no cultivo dele pelos alunos. Vejo por mim, pelo prazer que sinto ao te ver me olhando de um jeito que eu não sei me olhar, pois esse jeito é só teu. Aí penso: felizes são os alunos dela porque são olhados constantemente, cada vez de uma diferente forma, incentivados a também ter um olho clínico para o outro. Um abração
Bea