Ao colocar a palavra discriminar no Google esta é uma das imagens surgidas. Então, vamos refletir: - presume-se que a discriminação congelada pela imagem está no fato de 5 personagens estarem de mãos dadas , formando uma roda e apenas um outro personagem se encontrar à parte, excluído do grupinho, não é?
Mas e se o personagem aparentemente solitário estiver participando de uma brincadeira onde é necessário que um dos participantes se afaste?E, se ele estiver à frente de seu grupo, virado para uma platéia, durante a apresentação de um show? A imagem pode indicar mas não consegue comprovar, não é? Vejo bonequinhos de papel. Mas não consigo enxergar mais nada além disso. (considerando apenas a imagem, lógico) Agora, deixemos a foto e passemos ao vídeo:
Esse vídeo foi enviado ao grupo por um dos colegas da faculdade, evidentemente, durante o semestre em que tivemos uma disciplina voltada para questões étnico-raciais. Com o título em português, propaganda racismo nunca mais, foi enviado com um comentário tipo "olhem que bacana" . Na verdade, acredito que quem o enviou pensava estar contribuindo para reflexões antiracistas.
Mas nem tudo é o que parece, não? Ao assistir ao vídeo, surpreendi-me com o "tom" do mesmo. Fiquei impactada. Penso que foi idealizado e produzido com muita raiva. E a raiva não é um bom indicador para ações antidiscriminatórias.
Que conceitos aparecem neste vídeo?
Ironia, a afirmação de que o narrador faz parte de uma supremacia não ignorante e que o Outro É ignorante ("eis algumas coisas que você deve saber" )e violência. (através das imagens e da frase dúbia, pois se trata de racismo no futebol americano: "vamos chutar o racismo...")
Racismo, segundo as entrelinhas da propaganda, está no Outro, no branco. Então, a quem a propaganda incita a chutar?
Em 2009, o primeiro semestre teve as disciplinas de Seminário Integrador, Etnias, Ed. de Pessoas com Necessidades Especiais e Filosofia como desencadeadoras das questões trabalhadas.
E quando necessito relembrar desse período penso na palavra Barbárie, em Adorno, no PA sobre grupos e nas teorias de Pichon e na insatisfação com a disciplina de Etnias. Sobre a última ,mais em especial, penso na palavra perigo. O quão perigoso pode ser a forma de conduzir ou indicar um trabalho. Pela primeira vez no curso , recusei-me a levar adiante uma proposta indicada por uma disciplina. Ofereci outro trabalho, outras reflexões de acordo com o que eu acreditava e acredito.
Mas, por outo lado, conheci Adorno e suas idéias. Gostei muito e vi relações do que ele escreveu com a atualidade. A Filosofia vai além do senso comum e nos incita a refletir, questionar e não aceitar o que é mais fácil, esperado e desejado por alguns. As propostas da disciplina e as leituras oferecidas foram prazerosas e desafiadoras.
No trabalho sobre grupos, por um espaço de tempo, eu e uma das colegas nos dedicamos a ler um pouco mais sobre Jim Jones. Tínhamos curiosidade em saber como ele conseguiu incitar, manipular um grupo de pessoas até levá-las ao suicídio coletivo. E, de certa forma, novamente eu fazia pequenas relações com leituras de outra disciplina.
Mas há um outro aspecto do qual relembro ou, agora, começo a perceber: o grupo que construia um PA sobre o tema grupos estava, de certa forma, buscando entender que tipo de relações se fortaleciam ou, não em um grupo. Aparentemente lidamos bem com esse tema. Hoje, acredito que , naquele momento em que trazíamos a Teoria e a associávamos com nossa prática, construíamos uma espécie de "divisor de águas": as relações que se encaminhavam para um fortalecimento ultrapassaram a ventania. Outras, apenas perderam a nitidez.
Semestre difícil, complicado, com ganhos e perdas. Mas acredito que o saldo foi muito positivo. Com certeza!
Mas nem tudo é o que parece, não? Ao assistir ao vídeo, surpreendi-me com o "tom" do mesmo. Fiquei impactada. Penso que foi idealizado e produzido com muita raiva. E a raiva não é um bom indicador para ações antidiscriminatórias.
Que conceitos aparecem neste vídeo?
Ironia, a afirmação de que o narrador faz parte de uma supremacia não ignorante e que o Outro É ignorante ("eis algumas coisas que você deve saber" )e violência. (através das imagens e da frase dúbia, pois se trata de racismo no futebol americano: "vamos chutar o racismo...")
Racismo, segundo as entrelinhas da propaganda, está no Outro, no branco. Então, a quem a propaganda incita a chutar?
Em 2009, o primeiro semestre teve as disciplinas de Seminário Integrador, Etnias, Ed. de Pessoas com Necessidades Especiais e Filosofia como desencadeadoras das questões trabalhadas.
E quando necessito relembrar desse período penso na palavra Barbárie, em Adorno, no PA sobre grupos e nas teorias de Pichon e na insatisfação com a disciplina de Etnias. Sobre a última ,mais em especial, penso na palavra perigo. O quão perigoso pode ser a forma de conduzir ou indicar um trabalho. Pela primeira vez no curso , recusei-me a levar adiante uma proposta indicada por uma disciplina. Ofereci outro trabalho, outras reflexões de acordo com o que eu acreditava e acredito.
Mas, por outo lado, conheci Adorno e suas idéias. Gostei muito e vi relações do que ele escreveu com a atualidade. A Filosofia vai além do senso comum e nos incita a refletir, questionar e não aceitar o que é mais fácil, esperado e desejado por alguns. As propostas da disciplina e as leituras oferecidas foram prazerosas e desafiadoras.
No trabalho sobre grupos, por um espaço de tempo, eu e uma das colegas nos dedicamos a ler um pouco mais sobre Jim Jones. Tínhamos curiosidade em saber como ele conseguiu incitar, manipular um grupo de pessoas até levá-las ao suicídio coletivo. E, de certa forma, novamente eu fazia pequenas relações com leituras de outra disciplina.Mas há um outro aspecto do qual relembro ou, agora, começo a perceber: o grupo que construia um PA sobre o tema grupos estava, de certa forma, buscando entender que tipo de relações se fortaleciam ou, não em um grupo. Aparentemente lidamos bem com esse tema. Hoje, acredito que , naquele momento em que trazíamos a Teoria e a associávamos com nossa prática, construíamos uma espécie de "divisor de águas": as relações que se encaminhavam para um fortalecimento ultrapassaram a ventania. Outras, apenas perderam a nitidez.
Semestre difícil, complicado, com ganhos e perdas. Mas acredito que o saldo foi muito positivo. Com certeza!
Um comentário:
Perdas e ganhos, saldos positivos e negativos, pretos e brancos.... O que sabemos e bem aprendemos é que sempre, como bem colocaste, há mais de uma forma de percebermos e interpretarmos as situações, sejam elas imagens, diálogos, expressões de diversas formas. Trazes uma excelente reflexão Bia! Mas preciso comentar... ao assistir o vídeo, tive dois pensamentos/sentimentos: um, é que há racismo sim sob as diversas perspectivas (do branco, do preto, do amarelo, etc); outro, é que ainda bem que existe o senso de humor (dei umas boas risadas com o narrador, que de certa forma, nesse meu olhar, parecia divertir-se com a situação)! Afinal são somente cores, o que vale está na profundidade, não na superfície não é mesmo! Bjs, Maura - tutora do SI
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