segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pavarotti e "Mãe de Deus"

Saí de casa com uma certa resistência: por mais incrível que pareça, naquele momento, eu pensava que estava em dívida com Pavarotti. Sentia necessidade de escrever algo em meu blog, sobre ele, sobre sua partida... afinal, no mês anterior , diariamente , sua voz ao cantar Nessum Dorma, tocava fundo nas ondas agitadas que se tornava a mente de um de meus alunos. Ouvindo-o, o adolescente se acalmava, relaxava, parava de gritar e tentar machucar a si e aos que estavam próximos. Como não falar em Pavarotti?
Mas meu marido, com sua insistência, venceu e saímos rapidamente de casa. Nosso destino ficava do outro lado da cidade. Ao chegar na sala já minha conhecida, utilizei o mesmo mecanismo de alguns alunos lá da escola: fixei minha atenção no espaço físico, procurando reconhecer objetos e verificando se houvera alguma mudança. Concentrei-me, antes mesmo de responder aos cumprimentos, nas poltronas. Lá estavam elas! Poltronas grandes, reclináveis e confortáveis. Poltronas cinzas com rodinhas vermelhas. Perfeito! Agora eu ia escolher o meu lugar.
Olhei as pessoas que já estavam acomodadas e percebi que entre um homem de olhos fechados e rosto virado para a parede e uma velhinha de aparência gentil, havia uma possibilidade... Sentei-me, refletindo que o homem não teria nenhuma condição de conversar e que a velhinha provavelmente só iria sorrir ou, nem isso. Talvez estivesse com mais receio do que os outros, sentindo-se sozinha... neste caso, eu abdicaria do meu voto de silêncio e tentaria distrair sua atenção, se a tosse me permitisse. Era muito importante fazer um rápido reconhecimento e escolher estrategicamente o lugar onde sentar pois eu tinha noção de que ficaria no mínimo umas cinco horas por ali...
Próxima etapa: observar discreta e rapidamente as outras poltronas. A sala é dividida em dois ambientes. No primeiro, onde eu sentara, havia oito poltonas. Nas cinco à minha frente estavam sentadas quatro mulheres e um senhor de aproximadamente 80 anos. Uma, a mais jovem , estava de abrigo e tênis. A outra, ao seu lado, vestia uma blusa lilás que chamou minha atenção. Calçava uns tamancos de plataforma. As duas regulavam a idade: por volta de trinta anos. Na poltrona do centro, uma idosa que saiu pouco tempo depois: cabelos tingidos e olhos atentos, controladores. Observava os responsáveis pela sala com certa desconfiança( o que eu traduziria em medo, pela situação em que se encontrava). Ao lado dela, sentadinho de olhos fechados e expressão de muita dor estava o Seu Ari. Fiquei sabendo logo o seu nome pois todos que estavam à trabalho perguntavam "Passou um pouco, Seu Ari?", "Ainda dói muito, Seu Ari?" Ao que ele respondia com balançar de cabeça. Parecia um Papai Noel desnutrido, fraco... mas os indícios de uma vida bondosa "estavam fortes" através de suas tentativas de sorriso e dos frágeis agradecimentos a quem lhe dava atenção. Gostei dele e adotei-o mentalmente. Durante todo o tempo que estive a sua frente, enviei-lhe sorrisos e olhares ,procurando demonstrar que eu observava e , de alguma forma, entendia a sua situação.
Por último, uma senhora de aproximadamente 50 anos, coberta com o seu casaco. Estava de abrigo de passeio . Gostei do tênis dela mas achei-a antipática. Reconhecimento feito em poucos minutos.
Comecei a tossir novamente e lá veio um dos rapazes com uma bandeja na mão , certificando-se de meu nome: "Dona Maria Beatriz?" - "Eu mesma, sem o o Dona." - "Ok, Maria Beatriz... agora eu vou te machucar só um pouquinho, certo?" Por entre tosse , brincando e já esticando o braço... "Nem pensar, meu amigo... vim aqui pra dormir nessa poltrona e já vou avisando: minhas veias são 'bailarinas'." Gilberto, esse era o nome dele, sorriu e respondeu "hum...veias de nenê...difíceis de encontrar..."
Na quarta tentativa, encontrou. Enquanto virava o rosto para não olhar a agulha entrando em minha pele eu pensava no Lu, que estava me aguardando em outra sala. Provavelmente, ouvindo música com os fones de ouvido e tentando, frente a outras pessoas, disfarçar a apreensão. Em todas as minhas idas sempre ficamos assim: ele extremamente preocupado por minha causa e eu, por minha situação e, também pela dele, que sempre vem acompanhada de um grande sentimento de impotência, de querer fazer mais do que consegue. Esse sentimento não o abandona: sei que , antes mesmo de ser atendida pelos médicos, ele já fantasia diagnósticos complicados.
Na verdade, tanto ele como eu (e milhares de pessoas) não conseguimos lidar muito bem com hospitais. Mas devo admitir que utilizo vários mecanismos de defesa e disfarço de forma bastante satisfatória.
A cortizona já começava a circular em minha corrente sanguínea... pensei sobre isso, "deixei" o Lu ouvindo música e lembrei do Pavarotti. Antes de sair de casa eu dera mais uma olhada no blog da Neusa. Ela fizera uma postagem sobre o tenor... senti-me, brevemente, representada pela minha amiga.
Observei que os rapazes da sala, pela altura, poderiam estar numa quadra de basquete. Mas estavam ali, conosco, e tentavam minimizar nossas dores de várias maneiras. Junto com os medicamentos , um deles distribuia sorrisos e dava tapinhas confortadores nas mãos dos mais idosos. O mais sério era rápido, respondia a todos sem deixar de verificar temperaturas e aplicar injeções. Ao contrário de Gilberto, não olhava nos olhos dos pacientes. Mas era ele, juntamente com uma colega, que firme e educadamente retirava os parentes mais afoitos que insistiam em permanecer na sala, atrapalhando a circulação e demonstrando o nervosismo comum de quem gostaria de tirar a dor e doença de seu ente querido. Só nestes momentos, ele olhava nos olhos dos familiares.
Gilberto era o gozador: tinha noção de que era divertido e procurava desviar a atenção de quem atendia. Achei engraçado quando se dirigiu à moça de lilás e disse: "tenho duas notícias pra te dar: uma é tchan a outra é...tchan-tchan. Qual quer primeiro?" Entretanto, a "Lilás" estava tão desorientada que só ficou olhando para ele. E ele continuou: a notícia-tchan é que vais ter que fazer uma medicação na veia do braço e a tchan-tchan é que precisas fazer na nádega também. Qual vai querer primeiro?" O jeito com que falou lembrava muito um vendedor ambulante e, acredito que até ela percebeu porque deu uma risada baixinho e disse que preferia primeiro a menos dolorida. "Braço!" ele respondeu. É... ele poderia ser um pivô de um time de basquete, distribuindo as jogadas... chamou uma das atendentes e disse "o tchan-tchan é teu". Por alguns minutos nem lembrei de dor nas costas, tosse, vômitos. Só fiquei observando a performance do rapaz.
O time era composto por cinco. Os rapazes e duas moças que não "solavam" tanto quanto eles. Ficavam mais no "coro". Mas cada qual demonstrava saber muito bem a função de cada um: quando uma outra senhora com saltinho agulha e olhar de "venham todos me atender" fez sua primeira das muitas exigências , Gilberto se afastou e deixou que o Sério assumisse a bronca. Quando Seu Ari começou a chorar enquanto tirava sangue, com uma das moças, foi o "Tapinha nas Mãos" que se aproximou e afagou seu ombro. Também foi ele quem buscou a filha de Seu Ari, para confortá-lo e acalmá-lo .
Nesse meio tempo, o velhinho se desculpava por chorar e explicava que fazia quimioterapia e que seus braços já estavam doloridos, sua pele não aguentava mais tantas espetas das seringas.
Mesmo sensibilizada não deixei de pensar que Seu Ari tinha o privilégio, como nós, de ter, no mínimo, um convênio. Relembrei de alguns de meus alunos e suas mães que esperam meses por um atendimento. Aí, "saltei" para Pavarotti, de novo, imaginando que tipo de paciente ele fora. E refleti, que ele se fora mas jamais deixaria de ser imortal. Estaria sempre conosco, através de tudo que fez. "Serviço feito...e bem feito" ele poderia dizer, ao chegar em sua nova morada.
Tenho uma amiga que brinca dizendo que, na sua morte, vai subir até o Céu e marcar uma hora com Deus. Só fará uma pergunta, após sentar em sua frente: "Mas Deus...pra que tudo aquilo, lá embaixo?"
Eu acho que o tenor nem precisou marcar hora ao chegar. Após um período de descanso deve ter recebido muitos convites pra cantar no céu.
O tempo passara e eu já estava em minha segunda nebulização. Até o momento de minha saída, às 21h, ainda faria mais duas nebulizaçoes e três exames.
Meu braço começou a formigar, coração acelerou e a visão ficou turva. Pensei: "me sedaram! Droga!" Chamei o "Sério". Disse-me ser efeito do medicamento e que logo iria passar. Sem preocupações, eu estava "sendo monitorada'. ("Ah, tá! O Pavarotti também estava...")
Dormi. Ao acordar, tinha novos companheiros nas poltronas cinza. Cadê o Seu Ari? E a velhinha muda, do meu lado? E a "Salto agulha"? Em minha frente, um cara musculoso e tatuado. Pressão, ele dizia. É a minha pressão. Enquanto isso, na entrada, "Sério " explicava a uma familiar os motivos pelos quais não poderia ficar na sala.
Independente de quem sejamos, de como estamos vestidos, que acessórios colocamos ou, não... nestes momentos, quase sempre todos comungam de sentimentos parecidos: receio, dor, tristeza, impaciência, agradecimento, impotência. A velhinha cuja filha insistia em entrar falava de seu arrependimento em relação ao marido: deveria tê-lo abraçado mais nos últimos meses antes de sua morte, deveria conversar sobre coisas alegres para fazê-lo mais feliz. Mas não conseguia... Da porta a filha sinalizava para que a mãe se acalmasse. Novamente "Tapinhas nas Mãos" surgiu, permitindo a entrada, por breve período, da filha. Após conversar baixinho com a mãe, deu-lhe um abraço e disse que estaria esperando.
A médica que me atendera na chegada, fora verificar como eu estava. Conversou um pouco comigo e com outros pacientes.
Seu Ari voltou do exame e sentou ao meu lado. Contou-me das idas dolorosas á quimioterapia e de como sentia falta de sua mulher que casara com ele aos 18 anos e ficara em sua companhia até os 65. Muito tempo depois de ter saído do hospital pensei que mais forte que o câncer que lhe corroía era a saudade de sua companheira. Há alguns anos atrás , o Lu me disse que seu projeto de vida mais importante era envelhecer ao meu lado, serenamente. Fiquei pensando nisso e em outras coisas, outras planos, outras palavras... Pensei, que apesar da dor eu poderia me considerar uma pessoa feliz.
Com a certeza de que eu saíria do hospital, de que meu marido me aguardava e , que juntos iríamos para casa, as nove horas que permaneci entre exames e sala de medicação foram rápidas, até. Ter a consciência de que seu problema não é o único e de que existem pessoas para amenizar a sua dor é um alento. Não perder a consciência e humanidade é importante. Difícil, para alguns...mas necessário para todos.
Pavarotti fez a sua parte, o quinteto da sala de medicação fazia o melhor que o tempo e as condições permitiam, Seu Ari fez a sua parte com esposa, filhos, netos e um bisneto a caminho. De alguma forma, enquanto não partir pra me encontrar com a Outra Turma, faço o melhor que posso. Quando chegar frente a Deus vou dizer "Serviço bem-feito. Tem mais algum?"

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Para Chaine...

Energia Pura. Assisti há muitos anos atrás. Ao recordar, ainda hoje, me emociono com a cena em que o caçador consegue sentir exatamente o que sua presa sentiu ao ser abatida...
Chaine, acho que ias gostar deste filme, sabe...

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pra quem gosta de "Terça Insana" ou não conhece

Conheça a Irmã Selma...
Olha só: concordo plenamente com este texto. Acredito, inclusive, que muitos de nós, ainda agimos ingenuamente em relação à Internet.


ORKUT!!!!! Opinião - Opinião Marco André Vizzortti

O ORKUT apareceu como uma forma de contatar amigos, saber notícias de quem está distante e mandar recados. Hoje está sendo utilizado com o propósito de, creio ser o seu maior trunfo, obter informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira. Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve? Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade,de forma tão irresponsável e leviana. Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam sendo seqüestrados? Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros? Já te abordaram num barzinho, dizendo que te conheciam faz tempo? Já foi a festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu ninguém? Pois é. Ta tudo lá. No ORKUT. Com cinco minutos de navegação eu sei que você tem dois filhos, tem um namorado, estuda no colégio tal, freqüenta cinemas. E o melhor de tudo, com uma foto na mão, identifico seu rosto em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da rua. Afinal, já sei onde você está. É só ler os seus recadinhos. Faço um pedido: Quem quiser se expor assim, faça-o de forma consciente e depois não lamente, nem se desespere, caso seja vítima de uma armação. Mas poupe seus filhos, poupe sua vida Íntima. O bandido te ligou pra te extorquir dinheiro também porque você deixou. A foto dos meninos estava lá. Teu local de trabalho tava lá. A foto do hotel 5 estrelas na praia tava lá. A foto da moto que está na garagem estava lá. Realmente somos um povo muito inocente e deslumbrado. Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos. Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais. Se você me entendeu, ótimo! Reveja sua participação no ORKUT, ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você os coloca. Se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável. Informo que pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas gratuitos, sem perceber que tinham sido vítimas da própria imprudência. A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários. Não só de Orkut vive a maioria dos internautas. Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma informação que pode nos prejudicar. Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede. O papo pode ser muito bom, legal. Mas disponibilizar informações a nosso respeito pode se tornar perigoso ou desagradável. Portanto, cuidado ao colocar certas informações na Internet.

Marco André Vizzortti é professor de informática da USP. Esse texto está circulando pela Internet...

domingo, 12 de agosto de 2007

Ninguém durma

Ninguém durma
Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu mistério está fechado em mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, só o direi na sua boca
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha[Coro]
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!

Esta é a tradução de uma música que muito tem auxiliado um de meus alunos. Há quase quinze dias ele chega na escola muito mal, agredindo sua mãe e colegas da Kombi que o traz. Já em sala de aula, por vezes, precisa ser contido por minha colega, tutores e por mim. Nestes momentos, enquanto contemos o menino para que não se machuque e nem a outras pessoas, é esta voz e esta música que prende sua atenção. Ouvindo-a, relaxa, pára de gritar e tentar se morder e fica em silêncio... minutos depois, mais calmo, já circula pelo espaço, batendo palmas e chegando o mais próximo possível do aparelho de som. Reconhece o nome Luciano que, por várias vezes eu cito, lembrando-o de quem canta a música. Impossível deixar de postar a música e a voz de quem tem me acompanhado diariamente e acalmado um turbulento coração: Pavarotti canta Nessum Dorma.

Se eu fosse...



Olha só: se eu fosse pai ou mãe... acho que um presente legal do qual eu gostaria seria a possibilidade de assistir meus filhos se tornarem pessoas dignas , sinceras e, especialmente, que soubessem valorizar e respeitar as diferenças.
Não tenho filhos mas, com certeza, faço o que me cabe... Fico pensando em quantos de nós sabem e procuram trabalhar para que nossos alunos sejam tudo o que eu coloquei acima. Tá certo, não somos os responsáveis por tudo...mas podemos fazer a nossa parte, não é?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Por enquanto...



27/07 a 09/08

Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro!

"O período que vai de 27/07 até 09/08 envolve a passagem do planeta Mercúrio pela oitava casa do seu mapa de nascimento, Maria. Esta é uma fase em que você aprende de fato que se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. É um momento em que é mais conveniente manter-se numa posição recolhida, observando e mantendo-se numa quietude estratégica, avaliando o meio em torno de si e as circunstâncias. A observação é seu melhor aliado neste período."

domingo, 8 de julho de 2007

"Anice, olha o músico!"

"Quando a estupidez também é bela, não posso deixar de pensar na "Danação da Música", de Me Ti (filósofo chinês da era de Confúcio): 'Se os detentores do poder estivessem, de fato, do lado do povo, eles haveriam de proibir a manifestação musical pois a prática da música tem quatro desvantagens para o povo: os famintos não são alimentados, os que têm frio não são cobertos, os desabrigados continuam sem habitação...' e os desesperados encontram consolação. Me Ti colocava este ponto diferentemente; ele dizia que o desesperado não encontra consolação. Eu gostaria de mudar esta sentença. Se eu penso na estupidez da Música, sou da opinião de que O DESESPERADO ENCONTRA, SIM, A CONSOLAÇÃO."

Hanss Eisler


Anice, nossa tutora, em seu blog, faz a pergunta "a música influencia a vida das pessoas?" Se influencia? Que tal olhar mais uma vez o vídeo acima? Perceber, enxergar as expressões da platéia, testemunhar a paixão que o músico tem pela Música que produz...
Como gosto muito de Piazzolla, fui buscar alguns de seus vídeos. Aí, encontrei outro músico fantástico que esteve há poucas semanas no Brasil: Yo Yo Ma. Li uma reportagem sobre ele e o que se destacava, além de seu talento, era a sua simplicidade. Em um meio onde muitos egos são inflamados, Yo Yo Ma é reconhecido por tocar com vários e diferentes parceiros não se incomodando em deixar seu lugar-solo para acompanhar outros talentos. Descobrindo Yo Yo Ma, revi Bobby McFerrin...
Mas, retornando ao princípio... A música exerce um poder muito interessante em minha vida. Ouvindo Música relembro de fatos do meu passado, organizo meu presente e planejo algumas coisas do futuro. Se estou triste mas falta chorar, pronto! Coloco uma música, choro baldes de lágrimas, esvazio todos, seco o rosto e sigo em frente. Se estou muito feliz e quero continuar mais um tempo...outra música. Gosto muito de escrever ouvindo algum som, geralmente alguma música instrumental. Através da Música uma de minhas alunas, autista, abre algumas de suas janelas interiores e interage conosco. A Música tranquiliza muitos de nossos alunos e se torna elemento de ligação entre muitos. Foi ao ouvir, em uma ligação de tele-amigos, uma voz cantando Lulu Santos e tocando violão, que conheci essa "figura", que é o Lu. (meu marido, que também é músico.)
A Música é quase uma personagem em minha vida. Momentos muito especiais, nem sempre felizes, foram acompanhados por uma trilha sonora.
Temos falado muito em infâncias, memórias... fico satisfeita ao perceber como tudo está entrelaçado.
Observando atentamente alguns dos vídeos que já postei revejo a mesma paixão, os olhares de cumplicidade, a satisfação em estarem produzindo algo tão belo. Ana Carolina, em uma de suas entrevistas na GNT, comenta que nada lhe dá tanto prazer quanto o momento em que está no palco, cantando e recebendo a energia de quem a acompanha e da platéia que a assiste. E o Hanss Eisler e a "consolação do desesperado", então?
Quando assisto a um vídeo de um concerto fixo minha atenção no maestro observando seus gestos, acompanhando a leveza de movimentos e o vigor com que rege. Testemunho a sua ligação com todos os músicos, com todos os instrumentos da orquestra. Por um tempo fugaz aquela criatura se transforma, cede sua identidade para algo maior. Seu corpo é o instrumento referência de todos que ali estão. E ele toca uma música belíssima...
E vcs? Quais as referências musicais que guardam na Memória? Que tal darmos uma "forcinha" para a Anice e escrevermos para ela, contando alguma coisa? Topam esse...desafio pedagógico? Pra encerrar... YO YO MA e BOBBY MCFERRIN!



sábado, 23 de junho de 2007

O taxista, o sapateiro, o músico, o professor ou Paixão e Superação

Primeiro, o Professor:
Já que falamos em memória, fui buscar algumas lembranças relacionadas com meu contexto atual e com as propostas das novas disciplinas.
Esse cara , ao lado, foi quem, se não me engano em 1985, sugeriu que seus alunos assistissem ao filme Cabra Marcado para Morrer. Eu fazia parte daquela turma. Também foi através dele que tive o contato com o livro Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas. Luis Augusto Fischer é um Professor. Responsável, naquela época, pela disciplina Composição Literária, na Faculdade de Letras falava aos seus alunos demonstrando imensurável paixão pelo seu ofício. Não terminei a faculdade de Letras mas, recordo com carinho, das discussões em sala de aula, das sugestões para que nossos textos se qualificassem...

Pretendo alinhavar minhas lembranças e reflexões sobre o presente, através destas personagens/pessoas: professor, taxista, sapateiro e o músico. Por hora, é só.

“A Qualidade não está nas coisas nem nas pessoas, mas sim na relação entre elas”.Robert M. Pirsig, em Zen e a arte de manutenção de motocicletas



quinta-feira, 21 de junho de 2007

Memória e Infâncias




Iniciamos, no dia 20, duas novas disciplinas. Vamos refletir bastante sobre As Várias Infâncias, sobre História da Educação, sobre memória, registro, sobre nossos alunos, sobre nós e sobre nossa prática. Revi o maravilhoso curta a Invenção da Infância e, entre falas e reminiscências das colegas, relembrei parte de minha história. Trabalhamos (assessoria da SMED-POA) com este vídeo por mais de um ano, em escolas e creches comunitárias. Foi a partir dele que iniciamos o processo de construção do PPP dos estabelecimentos de ensino municipais e conveniados. Durante muitas noites, conversamos com comunidades, educadores, realizamos atividades, leituras, etc. Perguntas iniciais: O que é ser criança? O que é infância? Que infância nossas crianças (filhos,alunos) têm? Que infância queremos? O que podemos fazer?Estas questões norteavam nossas conversas com os pais, educadores e comunidade em geral.
Tenho muita coisa a lembrar, partilhar e refletir. Mas, por hora, trabalharei em doses homeopáticas... por exclusiva falta de tempo, frente à tela. Até dia 29, estou envolvida com outra atividade, à noite. Tempo curto, saudade imensa do computador e de todas as pessoas que se conectam comigo, quase que diariamente. Mas, em breve, retornarei ...



quarta-feira, 20 de junho de 2007

Finalmente!!!

Puxa! Que trabalhão! Desde anteontem, Daiane e eu tentávamos colocar este vídeo em meu blog e não conseguíamos! Não sei que mistérios aconteceram de anteontem para hoje mas, o fato é que consegui colar , facilmente, agora.

Quero escrever bem mais mas...por hora deixo um beijo de agradecimento para a Daiane e outro para a Íris, pois tenho a certeza de que ela, depois de meu relato na aula presencial, está pesquisando para descobrir o que aconteceu. Beijos. Por enquanto ouçam essa lindeza!!!

domingo, 3 de junho de 2007

Marcelo, Vera, Faísca o porquinho Babe e os analfabetos de coração



Eu simplesmente adorava a minha primeira série, meus colegas e a minha "Cartilha Marcelo, Vera e Faísca"! Aguardava com ansiedade o momento de desenhar e pintar a próxima página com novas aventuras dos três. Fui alfabetizada pelo método global e gostei muito.
Evidentemente, uma junção de fatores colaborou para que meu processo de alfabetização fosse tão prazeroso. Eu vinha de uma experiência não muito agradável na turma de jardim.
Minha professora era uma senhora rígida, que não manifestava tolerância com crianças aparentemente pobres e com suas famílias. Julgava-se superior a elas e, nas reuniões, minha mãe contava, dava quase toda a atenção à mãe que era irmã da diretora da escola. Bem, mas o fato é que essa professora me ajudou, de alguma forma.
Tínhamos, meus colegas e eu, a ingrata tarefa de decorar versos gigantescos para "exposição da nossa figura" em solenidades e eventos da escola. Todos achavam uma gracinha os "pequerruchos do jardim" enrolando a língua ao recitar versos sobre a Pátria, sobre as mães, os pais, a primavera, verão e tudo que nossa professora achasse importante. Argh! Evidentemente, nossa opinião não contava.
Lá em casa, minha mãe ficava angustiada ao perceber minha resistência em permanecer muito tempo repetindo os versos determinados pela professora. Da angústia ao sentimento de impotência era apenas uma lágrima das muitas que eu derramava por não poder ir brincar, naquele momento.
Depois das recitações, chegaram as "pecinhas da professora" onde os "pequerruchos do jardim" faziam todos rirem ao observá-los perdidos em um palco, tentando lembrar das falas e olhando para a expressão zangada da professora.
Dizem, que a pequerrucha de cachinhos pretos não era uma figurinha muito fácil de convencer: dava idéias para professora sobre as histórias que ela contava e dizia não gostar das pecinhas. Fugia do palco e, algumas vezes, era encontrada na biblioteca ou no gabinete dentário pois ela adorava a dentista.
Minha história no jardim encerrou bem antes de minha mãe receber o boletim (que tenho até hoje) com o conceito que chocou todos, em minha casa: "Regular em Dramatização"
Na verdade, terminou quando minha mãe decidiu dar "um basta" nas folhas de versos e falas de personagens. Foi até a escola e pediu que eu fosse liberada destas atividades, pois , para ela o mais importante era que eu brincasse, desenhasse, pintasse, soubesse ouvir e contar histórias. (nem preciso muito para saber que ela conversara com meu padrinho , antes do seu encontro com a professora) E o legal é que outras mães também foram, depois de algum tempo...
Enquanto tudo isso acontecia, lá em casa, eu mexia e brincava com os livros da biblioteca de meu padrinho, folheava revistas, ouvia atentamente histórias por ele contadas e observava o movimento de seu dedo sobre as páginas do livro....
Mas o fato é que minha mãe fora alertada, pela professora, de minha indisciplina e da , talvez, dificuldade que eu teria em me alfabetizar pois não permanecia muito tempo sentada, retrucava e "reinava" bastante.
Acho que essa professora, (que infelizmente, reencontrei na quarta série) funcionou como uma espécie de alavanca: eu era "regular" em dramatização? "pois vou ser muito boa nisso..."
Na chegada à primeira série encontrei um anjo disfarçado de jovem professora: muitas histórias, muitas risadas, muitas conversas de todos nós com quem nos ensinava. Tivemos muita sorte em um tempo e numa escola em que a regra era ser austero com os alunos.
Lembro da cartilha encapada por minha mãe com um plástico verde...dos pedacinhos de durex, que deixaram marcas no verso da capa e da contra-capa... dos lápis de cor espalhados pelo chão da sala, enquanto eu desenhava o Faísca correndo atrás do Marcelo.
Na primeira série, depois de algum tempo, a pequena de cachos não parava de soletrar em voz alta chamando a atenção e buscando elogios da profe. Tentando agradá-la procurou ler algumas palavras de um cartaz dos alunos maiores. E leu "futiferras" ao visualizar a palavra frutíferas.
Na saída, a professora, rindo, contou o equívoco ressaltando a importância de minha tentativa, de minha vontade de aprender e buscar soluções. Naquele dia, minha mãe voltou para casa inchada de tanto orgulho. Foi bom.
Mas, passados tantos anos, ainda relembro de minha professora-algoz, de minha querida professora alfabetizadora (lembro, inclusive de sua voz, de suas risadas...), do Marcelo, Vera e Faísca...
Ah! E se alguém ficar pensando... "mas onde está o Porquinho Babe e os analfabetos de coração", do título?














Quanto ao porquinho... quando comecei a escrever esta postagem, o filme "Babe, o porquinho..." passava na Tv. Gosto muito deste filme por motivos que não explicarei aqui. Mas enquanto escrevia, lembrava de outra situação mostrada anos atrás, no Fantástico: Em uma cidade do interior do Brasil a população, sempre na mesma época do ano, recolhe um filhotinho de porco. O bichinho é criado com todas as honras , passando alguns dias em cada casa do vilarejo, "trazendo sorte aos moradores". Passeia com as crianças, é afagado e acariciado por todos que desejam "ter uma vida próspera". Depois de meses, quando o bicho está enorme e já visitou todos os moradores, uma grande festa é realizada. Após uma missa na praça, alguns dos moradores matam e assam o porco que os acompanhou desde filhote. Quase em êxtase, os habitantes se acotovelam com seus pratos para conseguir uma fatia da carne suína...
Bom...aí, eu fico pensando em minhas duas professoras. Acho que a do jardim, se assistisse essa reportagem, talvez nem se abalasse. Já a minha professora de primeira série...nosssa! Acho, que, se assistiu, chorou bastante.
E, agora, será que preciso falar sobre quem são os "analfabetos de coração"?

quarta-feira, 23 de maio de 2007

"Freud explica..."

Confesso que achei muito engraçado o recadinho de nossa professora de Psicologia para nossa professora do Seminário Integrador: " Bea, deixa meus alunos exercitarem o Freud, tá?"
Na realidade, Bea chamava a atenção, parece-me, de algumas de nós que estaríamos utilizando a expressão para tentar justificar motivos de atrasos... (não me recordo bem, infelizmente não estou mais com o e-mail)
Fiquei pensando nesta disciplina e em quanto o seu conteúdo tem nos absorvido. É inegavel que Freud, através de Luciane, Maura e Fernanda, tem povoado nossos pensamentos, ações e reflexões. "Ponto para as responsáveis por isso". Desde o início da Disciplina achei o volume da textos assustador. Mas acredito ser necessário colocar outras questões. Temos pouco tempo para a Disciplina pois, atendendo a uma solicitação nossa, o Curso disponibilizou três disciplinas inicialmente e, após o encerramento de Alfabetização e Psicologia, mais duas. De início, adorei a idéia. Atualmente, reformulo minha opinião: acredito que seria bem melhor termos mais tempo, mesmo com cinco disciplinas, para realizarmos as leituras, nos apropriarmos do conteúdo e executarmos as tarefas. Mas o interessante é que, mesmo nesta correria, tenho muito prazer com o que leio e, embora resmungando algumas vezes, acho as propostas de atividades bem planejadas e muito focadas no objetivo de fazer com que o grupo reflita e relacione com sua prática.
Outro fator que, certamente, faz a diferença é o retorno quase que imediato de professora e tutoras demonstrando "sintonia", atenção e paixão pelo que fazem.
Estive, por um período mais cansada, mais gripada, mais afastada, mais entediada e...mais chata! argh! Mas isso não se deve a esta ou àquela disciplina e sim, a um somatório de questões. Vou achar legal muitas coisas, reclamar de outras mas...vou em frente. Com ajuda de colegas, amigas, professoras, tutoras, marido, gato, cachorro e papagaio....

Ah, e falando em "Freud explica" tenho relembrado dos meus tempos de assessoria e de encontros com algumas lideranças comunitárias, com creches de bairros, relações, finalidades da Educação, pessoas bem-intencionadas e pessoas equivocadas... Tenho relembrado bastante. Mas isso é outro assunto...

domingo, 20 de maio de 2007

Bruna e Carol

Em minhas "andanças" pelo Youtube encontrei algumas músicas do Grupo Palavra Cantada. Eles estiveram, no ano passado, na Reitoria da Ufrgs. Meus alunos e eu fomos assistir e adoramos.

Ouvindo novamente e assistindo ao vídeo lembrei de duas amiguinhas: Bruna e Carol. Bruna, com toda a graça do imaginário infantil, pensa que eu moro no computador de sua casa pois, fala comigo pelo Skype e observa atentamente as conversas que eu e sua mãe temos, noites afora.

Já a Carol, sabe que o computador é o nosso meio e utiliza o Skype e e-mails com segurança. Também conversamos pelo bate-papo. Carol acompanha os progressos de sua mãe e fica feliz de participar, de alguma forma.

Duas meninas, idades diferentes e ambas muito queridas. Quando suas mães estiverem se formando, com certeza, as duas de certa forma, também estarão.

Mimosas! Beijocas!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Cansada...

Pois é... mesmo com dois dias de "desaparecimento" ainda continuo muito cansada. Como a maior parte do grupo, sei... O tempo está conspirando e brincando comigo. Estou mais atrapalhada, esquecida, mal-humorada, por vezes, com vontade de estar bem longe...
Mas tenho , apesar de tudo, meus pés bem fimes, no chão. Sei que vai passar, melhorar, voltar e "revoltar"... "Momentos, vizinha...", como diria minha mãe... "são só momentos..."

domingo, 6 de maio de 2007

Só mais essa...

Putz... seria uma simples febre ou... Já posso considerar como Síndrome de Youtube? De qualquer forma, acho liiiiindo!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Minha semana termina e começa aqui!

Na verdade, foi um período atípico. Já acordava cansada, sentindo a falta de horas de sono e de tempos mais amenos. Uma semana corrida, onde fiquei muito atrelada a prazos, leituras, relógio. Não que isso
seja algo incomum mas, associado a outras questões, não me fez bem. Incomodada por não conseguir estar em dois lugares e, estando em um, pensava no outro... Impactada por algumas situações complicadas vividas na escola. Um dos cachorros doentes, marido gripado... Ah...sei lá!
O fato é que , ontem, na hora em que o grupo resolveu sair, demonstrando que "a aula acabara" eu fiquei rindo e pensando como seria bom se tívessemos um tempinho para ouvir uma música que nos fizesse felizes. Adoro Música!
O Lu é músico e trouxe à minha vida um sentimento rasgado de emoção ao ouvir certas vozes. Com ele aprendi a analisar um pouquinho mais os vocais, a adequação da postura, o entrosamento das pessoas que cantam em grupo. As semelhanças e diferenças....
Mas voltando a ontem à noite, ao chegar em casa preocupei-me em postar algo no blog. Postar, por postar, quase sem vontade. Do que eu iria falar? Do cansaço? Do ônibus que me deixou duas paradas adiante? Mas enfim...
Pois, hoje acordei e ouvi música . Enquanto escovava os dentes , o Lu ouvia Ana Carolina e Seu Jorge. Confesso que já conhecia esta música na voz de Simone (na versão brasileira) e a letra não me chamara tanto a atenção. Mas... a mesma letra nas vozes de Seu Jorge e Ana Carolina.... MINHA NOSSA! Então comecei a pensar em semelhanças, diferenças, parcerias que dão certo e elementos que fazem bem e curam nossa alma. Olha...acho que por mais que tente, não vou conseguir explicar o inexplicável...
Então, encerro dizendo que ouvir , ver e enxergar essas "duas vozes" me acalmou, acalentou meus pensamentos e fez, com certeza, sorrir a minha alma.
Deixo o link da postagem que fiz no wiki com o vídeo dos dois.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Cansaço e correria

Nestas últimas semanas iniciamos com as Disciplinas de Alfabetização e Psicologia. Muitas pessoas na sala, barulho, cansaço... O conteúdo é bem legal. As leituras também, embora em excesso, na minha opinião. Falei com Daiane pelo Skype e me diverti bastante com nossa conversa. Realmente, sem condições de postar mais nada, hoje. Correria, sempre. Cansaço, agora.

sábado, 21 de abril de 2007

Pbwiki

Todos os PBwikis educacionais agora estão livres de anúncios.O pessoal da infra-estrutura atendeu ao apelo dos educadores e está sempre melhorando este recurso que agora também conta com um editor muito prático.Como eles dizem, abrir um PBWiki é tão fácil quanto fazer um sanduiche de manteiga de amendoim.Ele oferece 10 MB de espaço e a boa nova é que estão oferecendo o dobro de espaço para quem tiver um PBWiki e resolver colocar a imagem com o link para o site deles, no seu blog, página web ou divulgar esta notícia em Newsletters. Promoção válida até 30 de abril.

domingo, 8 de abril de 2007

TRISTE PÁSCOA

Xirú 1996/2007

AQUELA PERNA DO ANDY GARCIA OU ENCOURAÇADO POTENKIN



Ah, tá certo... Assistimos, no pólo a uma das mais famosas cenas do filme Encouraçado Potenkin.
Entretanto, quando já estávamos em frente ao computador, fazendo nosso trabalho...enquanto a Bea vinha "nos provocar", rindo e dizendo que não registráramos "a coisa grande" que aparecia no início da cena...eu não conseguia deixar de lembrar de Andy Garcia, de Sean Connery e da cena(inspirada no filme Encouraçado Potenkin) da escadaria. Os Intocáveis!

Que a Bea e a Íris me perdoem mas lembrar daqueles dois "hombres" foi essencial! rs

No filme, que eu adoro, a cena mostra que são quase meia-noite. Em cinco minutos o trem para Miami vai partir. Kevin Kostner e Andy Garcia esperam prender o contador de Al Capone. Estão na escadaria da estação de trem. Kevin, que representa Elliot Ness, observa, tenso, a movimentação de uma mulher que tenta subir as escadas levando um bebê em um carrinho e algumas malas. Ansioso, resolve ajudá-la a subir pois, sabe que, em breve, o perigo se fará presente no local. Mas não consegue completamente pois é reconhecido por um dos capangas de Al Capone quando estava chegando com o carrinho na parte superior da escadaria. Kevin-Ness larga o carrinho e atira no mafioso para se defender. Neste momento começa a seqüência mais poderosa do filme: a descida do carrinho pelas escadas, o desespero da mãe, a corrida de Kevin-Ness pelos degraus, atirando nos outros capangas e tentando impedir que o carrinho fosse alvejado e ,finalmente, a aparição de Andy Garcia (o tira recrutado na academia de polícia, como o melhor atirador).

Andy Garcia se atira no chão, segura com uma das pernas o carrinho do bebê e mira na cabeça do mafioso que segura o refém. Não se mexe, fica estático salvando o bebê e preparado para a ação. Tudo isso sem deixar cair o chapéu!!!! "Jeeeeeeeesuíta!!!", como diz a filha da Kátia.... É evidente que Andy Garcia e Kevin Costner conseguem o que queriam. Bato palmas para Brian de Palma que dirigiu o filme. Bato palmas para todo o elenco, principalmente para Sean Connery, que eu acho o máximo. Agora, minha nossa... saio da cadeira, da frente do computador e bato palmas para a perna, o chapéu e para TODO o Andy Garcia!!! rs

A melhor coincidência é que ontem, no Telecine Cult, pude assistir a esse filme novamente. Depois do término, Lu, meu marido que também assistiu, comentava sobre a trilha sonora e sobre a seqüência da escadaria. Perguntou qual a melhor parte da seqüência, em minha opinião. Adivinhem qual a PER, PARTE que eu citei?

sábado, 7 de abril de 2007

VIDA NOVA

Feliz Páscoa! Que nossos filhos e alunos saibam respeitar todas as formas de vida.









segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

ECS 10 - FINAL


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA A DISTÂNCIA
ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
ESCOLA, CULTURA E SOCIEDADE
PÓLO DE ALVORADA
PROFESSORA VERA CORAZZA



A oportunidade de refletirmos sobre nosso cotidiano e sobre nossa prática, através dos pensamentos de Paulo Freire é essencial. Através de sua leitura percebemos como é complexa nossa tarefa.
Dentro do contexto em que vivemos, observando as desigualdades existentes, acompanhando a trajetória de políticos, por nós eleitos, surge a necessidade de, cada vez mais, trabalharmos de forma que nossos alunos consigam refletir, agir com criticidade e autonomia.
Paulo Freire salienta que teoria e prática devem ser coerentes uma com a outra e que o professor é referência e influência, para seus alunos. O processo educativo, muitas vezes, através de quem o conduz, torna-se um instrumento de dominação-submissão. Suas características mais visíveis são um controle rígido e autoritário e o descaso para com o diálogo entre todos os personagens deste processo.

Tenho a certeza que educar é um grande desafio. Na área em que atuo percebo a necessidade de diálogo e formação de maiores vínculos, principalmente, com as famílias.
Há algumas décadas, não enxergávamos pelas ruas pessoas cadeirantes, portadoras de deficiências, pessoas especiais com transtornos diferenciados. Portadores de Síndrome de Down eram os mais visíveis. Mas onde estavam os outros? Não existiam?
As outras pessoas especiais estavam em casa. Muitas, escondidas, muitas, abandonadas em instituições. Como circular por uma cidade despreparada para os cadeirantes, por exemplo? Como atravessar uma rua? Como entrar em um ônibus?
Há um ditado que diz que “quem não é visto, não é lembrado”. Infelizmente, se não lembrado, para alguns, deixa de existir.
Atualmente, as políticas públicas procuram através de leis e projetos contemplar as necessidades das pessoas especiais. Há um longo caminho a ser trilhado, mas algumas conquistas podem ser registradas.
Uma das primeiras coisas que fazemos é saber da história pessoal e clínica de nossos alunos e de seus familiares. Trabalhar com alunos que trazem comportamentos muito diferenciados e, por vezes, inesperados é uma grande escola para mim. Sinto a necessidade de romper os muros de nosso espaço educacional. Embora, em meu caso, a escola seja um ambiente maravilhoso, com espaço físico privilegiado, com salas de oficinas, computadores, diversos equipamentos no pátio e em salas percebo que precisamos sair. Pegar um ônibus, visitar museus, ir a shoppings, praças, visitar outras escolas, outras pessoas. E isso tenho feito com os meus alunos e com seus familiares.

Pessoas com Transtornos Globais de Desenvolvimento também precisam ser vistas, lembradas, pois existem, deixam sua marca na vida e têm a capacidade de tornar mais sensíveis, mais críticas e ,espero, muito mais amorosas, quem com elas, interaje.
Procuro fazer a minha parte e contribuir para que deixem a sua marca . Não é fácil e reconheço que muito tenho ainda que aprender e crescer como pessoa e profissional. Ah...mas estou no caminho!
Para finalizar (pelo menos esta tarefa) saliento que as leituras oportunizadas nesta atividade foram excelentes. Como já disse anteriormente, o que não gostei,
neste caso, foi a proposta de trabalhar com a wikistórias. Achei confuso, exigiu muito mais tempo do que se pensava e frustrante na medida em que produções foram deletadas e precisávamos recorrer a auxílio, várias vezes, para realizar atividades diversas. Talvez uma atividade que não oferecesse uma multiplicidade de propostas, como essa, fosse mais apreciada e melhor realizada.

Entretanto, gostei muito de conversar na sala sobre EducaçãoEspecial.
Analisando mais um pouco, percebo que o conteúdo (as leituras ofertadas e as reflexões sobre) foi de extrema importância, para mim. Agora, sinto a necessidade de ler mais sobre alguns autores como Marx e Engels
Bem... É Natal, os sinos tocam e os anjos dizem “continue, continue, continue...” Amém.

sábado, 23 de dezembro de 2006







"Talvez não tenhamos conseguido ser o melhor, mas lutamos para que o melhor fosse feito... Não somos o que devemos ser, não somos o que iremos ser mas, graças a Deus, não somos o que éramos."

Martin Luther King

domingo, 17 de dezembro de 2006

ECS 11- Sobre textos e sítios

Sobre DESIGUALDADES EDUCATIVAS NO BRASIL:ENTRE ESTADOS,PRIVATIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO

O texto se refere a caminhada da Educação , no Brasil. salienta mudanças ocorridas a partir da Década de 30, até a atualidade. Traz referências das três redes de ensino , no Brasil, salientando características que contribuem para a desigualdade. Certamente, há diferenças entre as redes privada, municipal e estadual de ensino. diferenças que passam pela questão salarial, formação de docentes e características de cada região. Entretanto,por mais que possamos verificar as tentativas de governos e sociedade no sentido de promover uma Educação de melhor qualidade, ainda é pouco. E falando em desigualdades, como acreditar em melhorias conduzidas por nossos políticos e governantes ao, por exemplo, lermos pelos jornais as notícias sobre o aumento de seus próprios salários?

Sobre OS SÍTIOS

Na visita aos sítios pude acompanhar alguns projetos que acontecem nos âmbitos federal, municipal e estadual. Saliento o PROINESP, um projeto de Informática na Educação Especial. No site oficial de Porto Alegre (http://www.portoalegre.rs.gov.br) na parte das secretarias encontrei notícia sobre a Formatura de nossos alunos especiais.

"Alunos com necessidades especiais participam de formatura
Proporcionar que jovens com necessidades especiais realizem experiências em secretarias do Município, trabalhando e se integrando à sociedade. Com esse objetivo, o Programa de Trabalho Educativo (PET) realizou hoje à tarde a formatura de oito adolescentes, no Auditório da Secretaria Municipal de Educação (Smed).
Os alunos das escolas especiais Lígia Averbuck, Tristão Sucupira Viana, Paulo Freire, Eliseu Paglioli e Lucena Borges realizaram estágio durante dois anos nas secretarias municipais do Meio Ambiente (Smam), Esportes, Recreação e Lazer (SME), Produção, Indústria e Comércio (Smic) e na Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), além da Câmara Municipal, todos parceiros no projeto. A idéia é promover a educação pelo trabalho, despertando nos jovens suas verdadeiras aptidões e possibilitando crescimento pessoal e profissional, integração social e resgate da cidadania.
Ao som do grupo Rebeldes, familiares, professores e colegas prestigiaram a conquista dos oito formandos. "A iniciativa existe desde 2000, sendo que o número de vagas foi ampliado pela atual gestão, pois o programa é de extrema importância, indo além da inclusão educacional: os jovens são incluídos na vida", comemora a coordenadora do Território de Educação Especial da Smed, Viviane Loss. A cada ano, os professores indicam 25 alunos para participar do PET."

No site do governo do Estado o que saliento é o programa Escola Aberta, o qual pude, durante algum tempo acompanhar mais de perto, em uma escola estadual da Restinga.
Há vários projetos e muito boas intenções. Muito se consegue e , infelizmente, mais ainda, se perde.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Postei.(Wikistória)


Página do Ser professor/Ser professora.

Contribuição de Bia

Chegou cansado no apartamento solitário. Tirou os sapatos já na entrada e caminhou até o quarto. Observou a tela do computador e , ao perceber que mais uma mensagem chegara, sorriu torto. Lembrou da aluna que cruzava os braços e dizia "que bobagem, professor... que bobagem...." Pois é. Que grande bobagem certamente estaria sendo enviada, desta vez... Deslizou até a sala e ligou o aparelho de som em sua música predileta, no momento: A trilha do filme Ray. A tarde de pagodes, axé e funk terminara, mais uma vez. Telefonou para a amiga e combinou novo encontro. Desta vez levaria "pai e filha": Pedagogia Do Oprimido , de Paulo e A paixão de conhecer o mundo, de Madalena. A campainha toca e, vagarosamente, pesadamente vai abrir a porta: nada inesperado. Sua colega, professora da mesma escola, chegara trazendo novas perturbações.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Link ECS9

Link para o blog colaborativo da interdisciplina Escola Cultura e Sociedade. Pólo Alvorada http://www.ufrgs.br/tramse/pead/colaba/

ECS 10 ou PAULO, de FREIRE e de JOÃO


A proposta inicial é de comentar a minha participação, até o momento, na atividade de ECS 10. Pouco antes de "entrar em meu blog", a idéia era de iniciar a atividade com algumas falas significativas "de e sobre" Paulo Freire e que estão entrelaçadas com o momento em que vivo. Mas ao ler os comentários de várias colegas naquele espaço chamado wikistórias, não pude resistir ao que a querida colega Adriana Fraga escreveu. Portanto, é a partir do que Adriana escreve que eu inicio esta atividade.


"É hora de olharmos com novos olhos para nossos alunos, percebendo que eles têm limitações como as nossas, têm anseios, dúvidas, angústias, medos, assim como todo ser humano, querendo ser ouvido e amado."
Adriana Fraga

Sou professora. E sou aluna. Os verbos acompanhar, planejar, refletir, avaliar, questionar, estudar, provocar fazem parte de meu cotidiano. Tenho dúvidas, medos e certezas.
Falar sobre Paulo Freire é falar de coisas que acredito, é relembrar de muitos momentos em minha história... ida para a SMED-POA, Escola Cidadã, Seminários Nacionais , Internacionais e Regionais que organizamos-participamos, do trabalho com as escolas da rede, das creches comunitárias e das formações que realizávamos, das caminhadas pelas diferentes comunidades e das conversas com as pessoas...Ilha da Pintada, Rubem Berta, Vila Areia, Vila Tecnológica, Vilas Asa Branca, Minuano, Elizabeth, Nova Brasília... Lugares que talvez eu jamais conhecesse se, não tivesse a feliz oportunidade de, durante dez anos, trabalhar na assessoria pedagógica da SMED, numa gestão de participação popular, com educadores oriundos de locais diversos trazendo a riqueza da diversidade. Aprendi tanto... E reconheço que... ainda tenho, tanto, a aprender...




Ah! A Atividade solicitada... Tentei entrar na página do wikistórias e fazer a minha apresentação pessoal. Escrevi algo breve, pois tinha mais interesse em ler as postagens já colocadas. Escrevi, mas não conseguia editar. Fiquei mais de uma hora tentando fazê-lo . Ao mesmo tempo, refletia sobre a necessidade de fazer de algo tão prazeroso como falar sobre Paulo Freire uma intrincada tarefa de mexer em comandos, traduzir, acompanhar angustiada o movimento dos ponteiros do relógio. Naquele momento, frustrada eu me perguntava se já não fiz, muitas vezes, isso com meus alunos: tão fascinada estava pela "maravilhosa atividade" que eu organizara que esquecera de como ela poderia ser recebida pelos diferentes alunos que possuia. Mas ao ler comentários de colegas que, facilmente, haviam realizado a proposta e expressavam sua alegria, resolvi persistir. Entretanto, a vontade não foi mais persistente que a capacidade. Duas horas depois, estava solicitando ajuda a mais uma querida e solícita colega. Mas acontecera o que eu imaginava; como diria um aluno "já tinha perdido o..." Deixei a atividade para depois.

Criatividade’ é sinônimo de ‘pensamento livre’, isto é, de capacidade de romper cotidianamente os esquemas da experiência. É ‘criativa’ uma mente que trabalha, que sempre faz perguntas, que descobre problemas onde os outros encontram respostas satisfatórias (na comodidade das situações onde se deve farejar o perigo), que é capaz de juízos autônomos e independentes (do pai, do professor e da sociedade), (...) que remanuseia objetos e conceitos sem se deixar inibir pelo conformismo (RODARI, 1982)

Quando Li o que Rodari escreveu, imediatamente lembrei de algo que, ainda hoje, me faz muita falta. E é aí, que "entra" o PAULO, não de Freire... mas de João. Na verdade, João Paulo II. Esclarecendo, melhor ainda, Creche Comunitária João Paulo II. Em outra postagem, em meu blog, já havia feito referência, a ela. Foi a primeira creche a ser visitada por mim, ao começar a trabalhar na assessoria. E a última a receber minha despedida, uma década depois....

Tudo aquilo que eu, enquanto educadora, acreditava, pude acompanhar, na prática, nesta creche. E o mais importante, participei ativamente desta caminhada e construção. Fiz parte, orgulhosamente, de todas as reuniões de formação,das reuniões de pais, de todas as conquistas, os acertos e equívocos, acompanhei a caminhada das educadoras e contribuí na construção de seus saberes.
Participei, junto com educadoras, dirigentes da creche e comunidade, da construção da "PPI da João Paulo": a Proposta político-pedagógica da nossa creche. Nossa! Nossa PPI. Tudo o que desejávamos, acreditávamos e o que íamos fazer.
Em troca, aprendi muito, com elas, sobre Educação Popular e o que Paulo Freire dizia:"amorosidade"...

Quando cheguei na creche, nos primeiros meses, observei a resistência de algumas educadoras que pensavam coisas como "ela vem nos criticar", "vem ensinar o que não sabemos", "ela vai ver nossos erros de Português, dizer que a gente não sabe, escrever..."
Refleti muito sobre a maneira de quebrar a resistência; esclarecendo que aquelas idéias eram muito diferentes de meus propósitos. Eu queria descobrir o que elas sabiam e como sabiam. A partir daí, em conjunto, verificar o que precisava ser mudado, repensado... ou não. Erros de Português escritos em um caderno não me preocupavam. O importante e bonito (Paulo Freire falaria da boniteza...rs) era que HAVIA algo escrito! E isso queria dizer que alguém, minimamente que fosse, planejara alguma coisa, refletira, relatara... Comecei a criar vínculos, com aquele grupo. Eu PRECISAVA de uma coisa: CONFIANÇA.

(Mas, olha só que paradoxo... agora, olho os ponteiros do relógio e penso que eles podiam realizar sua dança de forma mais lenta, tranquila...dando passagem ao meu relato, minhas lembranças... Estou em um lugar aconchegante, fazendo algo que gosto, reletindo, relembrando...sem uma pitadinha de irritação. O tempo passa ligeiro, aqui...)


As educadoras precisavam e queriam saber também da minha história, quem eu era, do que gostava, o que pensava. Nada mais justo.
Mas, voltando ao "escrito" de Rodari, preciso "selecionar" uma parte da história, "copiar, colar" e contar... Diz respeito a um orgulho e a um erro cometido.
Depois de alguns anos acompanhando o trabalho desta creche, surpreendi-me ao ouvir o relato da diretora da instituição: algumas famílias de crianças que haviam terminado o Jardim B e sido matriculadas em escolas regulares da região, traziam notícias inquietantes. As falas eram mais ou menos assim:
"O fulaninho não está nada bem na escola, a professora da minha filha reclama quase todo dia dela, eles não têm bom comportamento, ele já foi até pra direção, fui chamada pela professora, ele não pára, mas o que é que ela aprendeu na creche??"
Bem, meus cabelos e os de Lurdes, diretora e cooordenadora da creche, devem ter-se arrepiado todinhos. Começamos a pensar e questionar: mas o que está acontecendo? Como essas crianças que durante todo o período que aqui estiveram apresentaram, em sua maioria, conquistas , poderiam ter mudado tanto? Mal-educadas? Precisando ser "levadas" à direção? O que fizéramos de errado? Como encaminhávamos crianças que haviam em seus relatórios de desenvolvimento apresentado tantos progressos e que se mostravam, agora, "diferentes" do que a creche enxergava? Mais do que isso, enquanto conversava com Lurdes eu me perguntava "O que eu fiz? Ou, não fiz?"
Mas, depois de algum tempo, percebemos que deveríamos sair à campo, atrás das respostas; Quem falou o quê? De quem? As crianças faziam o quê? O que era considerado falta de educação? Em que situação, foi levado o fulaninho até a direção? O que eles aprendem? Qual, de forma bem clara e objetiva, eram as dificuldades destas crianças? Não estavam se alfabetizando? Em que áreas demonstravam deficiências? Para isso, conversamos com familiares e fomos buscar respostas nas escolas, com equipes diretivas e professores. Eu, particularmente, tive a facilidade de conversar com os colegas que assessoravam estas equipes. Juntando todas as informações começamos a enxergar... E aí, entra o nosso orgulho, meu erro e minha tristeza.
Basicamente a fala dos professores era a mesma: as crianças não páram, estão sempre querendo mais coisas, "se metem na aula"(da professora), "querem ensinar como a gente ensina, vê se pode???", uns "fedelhos", dando idéias... Alguns diziam: "lá na João Paulo" a gente fazia assim....
Em resumo: com poucas exceções, as crianças "que vinham da João Paulo" eram desafiadoras, questionadoras, barulhentas e criativas. E, como uma das mães salientou e um dos professores concordou: "estranhamente" eram as mais solidárias, as que partilhavam merendas, pertences, que brincavam no recreio com qualquer outra criança, gostavam de histórias, teatro e sabiam contar e fazer... "estranhamente"...
As educadoras, Lurdes e eu estávamos orgulhosas. As crianças continuavam vivenciando valores muito salientados na creche, estavam se alfabetizando facilmente e continuavam fazendo o que leváramos anos trabalhando: opinando sem receio, com ousadia... Ficamos contentes e, neste dia, encerrei a visita na creche, com um sorriso. Mas Lurdes e eu, sabíamos que, novamente, íriamos "nos fechar na salinha" e conversar.
Na tardinha deste dia, ao chegar em casa, chorei muito. De tristeza, de felicidade e de constatação. Imaginava as crianças , aquelas nossas crianças, sendo chamadas de metidas, mal-educadas, sendo "perseguidas" por terem a ousadia de questionarem seus mestres. Inquestionáveis, estes mestres seriam? Eu sabia que, não.
Tristeza pelo que estavam vivendo, alegria por estarem "resistindo". Mas, a constatação veio logo: Eu errara ao pensar pequeno. Considerava, há muito tempo, aquele espaço como um oásis, uma ilha. Mesmo acompanhando o relato de colegas que assessoravam as escolas regulares daquela comunidade, jamais pensei que um dia, "as crianças da João Paulo" sairiam do "oásis". Eu deveria estar há muito tempo, preocupada, com isso, e participando mais ativamente de outros fóruns da região. Eu precisava, principalmente, interagir muito mais com quem estava no cotidiano das escolas.
Olho para trás e revejo quantas pessoas interessantes iluminaram meu caminho. Quantas professoras estavam sedentas em questionar seu próprio grupo. E o faziam, lindamente. Agora, saliento(como se fosse em negrito) o orgulho que sentimos ao constatar que estávamos no caminho certo. Ok, com tropeços, dúvidas, lentidão... mas percebíamos, mesmo assim, os resultados.
E foi aí, que começamos a intensificar, cada vez mais, as formações com as famílias.
Pensando bem, poderia escrever horas e horas sobre o que vivi na assessoria e ,especialmente, na João Paulo II: a maneira como realizavam as festas, as combinações feitas com as crianças sobre as brigas no pátio, as atividades de pesquisa a partir da escolha do nome de cada turma, as reuniões de pais (e os preparativos para as mesmas), a pesquisa sócio-antropológica, a formação das educadoras, o trabalho com as coordenadoras, as conversas em seminários e encontros com Tânia Fortuna, Jane Felipe, Maria Carmem Barbosa (a Lika,que tanto acompanhou a equipe de Educação Infantil da SMED), Brandão, Maria da Graça Horn, Gandin e claro, o outro e querido PAULO. Paulo Freire.

Voltando a atividade.... Fiquei algumas horas frente ao computador, relembrando ... Nesse meio tempo, também voltei à página da wikistórias e li, mais algumas coisas. Gostei de ler os comentários de Beatriz Lopes. Ao clicar sobre Bia Guterres, na página da apresentação, a minha surpresa: o que eu escrevera não estava mais lá. Como diz uma colega " relaxar, relaxar..."
Abri e-mail da professora Su Gutierrez que dá dicas sobre este espaço: em algum momento, de hoje, vou voltar e tentar fazer a tarefa da forma desejada pelas professoras.
Mas se quero continuar sendo coerente com meu jeito de ser e "enfrentar" o mundo, realmente, não posso me intimidar. Devo ser sincera ao afirmar que não gostei desta atividade, na realidade, da forma com que foi proposta. Mas, lembrando de algumas crianças, devo dizer que embora não goste vou procurar fazer da melhor forma "do meu possível".


"A realidade não pode ser modificada senão quando o homem descobre que é modificável e que ele o pode fazer".
Paulo Freire



Reflexões, reflexões, reflexões... Acordei as seis da manhã e sentei frente ao computador com o propósito de "desvencilhar-me" da ECS10. São 4 horas da tarde. Não posso, por mais que me aconselhem do contrário, deixar de partilhar outra reflexão . Acredito que a maior parte das pessoas que opta por um curso à distância tem algumas características em comum. Uma delas pode ser a dificuldade em gerenciar o tempo de forma presencial. Penso: fiquei horas realizando parte desta tarefa. Tudo bem. Minha opção. Agora, na grande parte dos momentos, ser obrigada a fazer tarefas em grupo, não me parece sensato. Com a humildade necessária para ser lida e compreendida sugiro que se repense a FORMA como algumas atividades são determinadas. Poder optar também é bonito, saudável e, principalmente, democrático.


"Eu tenho a necessidade de compreender um diferente de mim, se eu quiser crescer. Portanto, a minha radicalidade fenece no agora, Gadotti, momento em que eu me nego a compreender o diferente de mim. Segundo, quando eu compreendo o diferente descubro que há um diferente diferente, que há um diferente que é antagônico. Ou seja, ele é tão diferente de mim que não dá para dialogar comigo em termos profundos. Mas ao descobrir a possibilidade da existência do antagônico, que é o diferente mais radical, eu descubro também que até com o antagônico eu aprendo. E que, portanto, não posso me fechar sectariamente. No fundo, a minha briga não é contra contra os outros; é contra mim mesmo, no sentido de não me permitir cair na sectarização. E a sectarização é a negação do outro, é a negação do contrário, é a negação do diferente, é a negação do mundo, é a negação da vida. Quer dizer, ninguém pode continuar vivo se sectariza. Veja como o stalinismo era a antivida, como o nazismo é antivida. E a democracia só se autentica quando é vida. E esta só é vida quando é móvel, quando tem medo. É preciso se abrir ao máximo, às emoções, ao riso, aos desejos..."
Paulo Freire
(Nova Escola On-line)


À noite, novamente, entrarei na página da wikistória... estou tentando.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

ECS 9 LETRA C

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pedagogia Anos Iniciais do Ensino Fundamental
Escola, Cultura e SociedadeECS 9-
Trabalho em grupo Letra C - Versão Final
Componentes do grupo: Carla Adriani Drago Dinnbier, Carla Cristine Finato, Carmem V.Wichrowski, Chaine Mello Rodrigues, Maria Beatriz lemos Dornelles, Maria Beatriz Santos Guterres, Maria Fernanda da Silva Martins, Maria Gabriela Ferreira Sargenti
Pólo de Alvorada
Professora Vera Corazza
Síntese e análise dos capítulos Introdução e Ensino, Ciência e Ideologia

Introdução
Marx e Engels não publicaram nenhuma obra específica sobre Educação nem formularam nenhuma teoria pedagógica. Criticavam o Capitalismo e , como conseqüência, abordavam questões educativas. Seria através da Educação que as classes trabalhadoras poderiam desenvolver a consciência e a razão.Para a conquista de uma sociedade igualitária e sem relações de dominação era necessária a emancipação social do indivíduo. Ambos criticavam a alienação trazida pela Igreja e, pela dominação capitalista.
ENSINO, CIÊNCIA E IDEOLOGIA
Engels coloca que há uma divisão do domínio do conhecimento em três grandes seções.A primeira trata das ciências que se ocupam da natureza inanimada e que podem ser tratadas, de certa forma, matematicamente.(Matemática, Astronomia, Mecânica, Física, Química)Engels questiona a exatidão destas ciências. Considera as verdades trazidas, não absolutas e justifica sua opinião, trazendo alguns exemplos onde, com o passar do tempo, os fatos científicos puderam ser reconsiderados e resignificados.A segunda seção se refere às ciências que tratam do estudo dos organismos vivos. Ele traz a convicção de que pouco se sabia a respeito dos seres vivos e de sua constituição orgânica.Por último, fala sobre as Ciências Históricas: ?... quando excepcionalmente se consegue conhecer o encadeamento íntimo das formas de existências sociais e políticas de um período, isso só se verifica normalmente quando essas formas já se encontram a meio de sua existência, quando estão a caminho do declínio. Neste caso, o conhecimento é essencialmente relativo, pois se limita a compreender o encadeamento e as conseqüências de certas formas de sociedade e Estado só existentes em determinado tempo e em determinados povos e transitórios por natureza?. A partir da reflexão e questionamentos sobre as ditas ciências, conclui que a verdade não é absoluta, nem eterna.Engels contrapõe as ?modernas ciências naturais? ao que chama de intuições filosóficas sobre a natureza e às descobertas realizadas pelos árabes. Segundo ele, as Ciências naturais iniciaram na época da Reforma. Um novo mundo começava a se configurar trazendo rupturas com o antigo. Os indivíduos se acharam dominados por um espírito de aventura.Não eram escravos do trabalho, participavam ativamente da sua condição de ?ser político?. O clero perdeu o monopólio da leitura e da escrita.Copérnico separou Ciência e Teologia. Entretanto, segundo Engels, em Dialética da Natureza,os progressos observados a partir desta época traziam questionamentos e novas hipóteses em relação à concepção da natureza mas, ainda no presente, idéias equivocadas continuam a ser ensinadas em muitas escolas. Através de suas idéias e teorizações sobre as mesmas Marx e Engels questionaram verdades dadas como absolutas possibilitando que os indivíduos refletissem e questionassem sua condição e as relações existentes entre as classes.

Referências Bibliográficas:MARX & ENGELS. Textos sobre educação e ensino. São Paulo: Moraes, 1983.
Questões:
1-Que relação poderíamos fazer com nossos alunos, a partir da afirmação de que ?nenhuma verdade é absoluta??
2-Refletindo sobre nosso contexto atual, de que forma poderíamos trabalhar criticamente com o ensino de Ciências, em classes de Séries iniciais?
3-Partindo das idéias de dominantes e dominados como poderíamos, por exemplo, conversar sobre as idéias essenciais através da análise da hora do recreio em uma escola de classes regulares? Que situações poderiam ser trazidas para análise e reflexão juntamente com os alunos?

domingo, 26 de novembro de 2006

terça-feira, 14 de novembro de 2006

SÓGUTERRES


Semana cansativa e produtiva. Leituras interessantes propostas pela disciplina de Escola, Projeto Pedagógico e Currículo.

Aos poucos, noto melhor domínio sobre algumas ferramentas. Acredito que o tempo de duas semanas é ideal para:

Realizar leituras, refletir sobre as mesmas relacionando-as com nossa prática;

Participar nos fóruns;

Ler e comentar blogs de colegas deste e de outros pólos (naturalmente...);

Procurar, se necessário, participantes de grupos determinados e organizar-se com os mesmos;

Rever a caminhada e retomar atividades que necessitam de reformulação;

Ler os diversos tutoriais oferecidos;

Postar no blog, no pbwiki, escrever nos Diários de Bordo, trabalhar no webfólio;

Escrever, ler e responder e-mails


Optei, por dedicar um tempo maior ao blog SÓGUTERRES. Portanto, também visitem meu outro endereço http://mbgbiagut.blogspot.com

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Seu klein, Picasso e Jonas

Talvez comece por Jonas, porque é quem resta... ou ainda, por ser ele o desencadeador de minhas memórias. É meu aluno. Na verdade, seu nome não é Jonas. Mas não importa.
Ele tem 9 anos aprisionados em um corpo adolescente. O gigantismo acelera seu crescimento e os transtornos mentais dificultam todo o seu desenvolvimento. Mora em um abrigo pois, seus pais são desconhecidos. Foi abandonado com poucos dias de vida.
Numa casa em que as crianças têm até seis anos e mal ultrapassam as maçanetas das portas, ele pode ser considerado "um pato no meio dos gansos". Ou, o contrário. Fato é, que acompanha o vem-e-vai de crianças que chegam, criam vínculos com ele e depois se vão, adotadas. Mas Jonas, sempre fica.
Hoje pela manhã, depois do recreio, pegou colchonete e almofada e foi descansar. Todos fazem isso, mas de diferentes formas: olhando uma revista, ouvindo uma música , fechando os olhos... Eu estava sentada em um dos colchonetes, fazendo uma trança nos cabelos de uma das meninas quando, já deitado, com sua fala atrapalhada, ele disse "Bia, tô com muita febre".
Essa frase, sem um pingo de veracidade, é a "deixa" para que eu saiba que ele precisa de mais atenção, de carinho, de colo.Terminei a trança e fui até o colchonete febril. Coloquei sua cabeçona em meu colo, acariciei sua testa e diagnostiquei : "sem febre...mas com vontade de carinho, né?" Foi então, que ele virou a cabeça, sorriu, "pendurou" seus olhos nos meus e, lutando contra a dificuldade verbal, me disse uma coisa...



Pois, naquela época em que eu era bem menor, dizem que ao ouvir pela primeira vez o nome Picasso fiquei repetindo baixinho como se fosse uma cantiga: "Picasso, Picasso, Picasso..." Muito mais tarde, associei o nome à imagem, às telas...
Mas a musicalidade da palavra me acompanhou até a maioridade. Quando esperava um elevador, cansada, ficava repetindo "Picasso, Picasso, Picasso..."; quando, distraída, aguardava a minha vez, na fila, repetia "Picasso, Picasso, Picasso"...
Estranho, mas inquestionável...
Nada mais natural, portanto, que MEU primeiro cachorro fosse batizado com este nome.
Eu o ganhei , passada a minha adolescência. Picasso me conquistou com sua fidelidade, com seu mau-humor para com qualquer outra pessoa, sua cumplicidade em brincadeiras, em momentos alegres e solitários, também. Sempre me ofereceu seu focinho, quando percebia-me carente e seu vigor e ferocidade ao impedir, por exemplo, que fosse abordada por um ingênuo assaltante. Troquei a cantilena infantil por uma personificação de quatro patas. Picasso! Picasso! Picasso! E, lá vinha ele, correndo e "sorrindo dentes" afiados.
Meu companheiro suportou, heroicamente, a chegada de um "irmão" canino. Sabíamos , nós dois que, por mais que o filhote de orelhas grandes fosse lindo e sedutoramente atrapalhado, sempre seria o segundo em meu amor.
Desesseis anos passaram rápido e pesaram muito no corpo de meu amigo. Acompanhei sua infância, seu vigor adolescente, sua serenidade adulta e , infelizmente, sua velhice. Já cego, com dificuldade para caminhar, para deglutir, para evacuar, com dores pelo corpo, foi levado por meu companheiro e por mim até a veterinária. Relutante, carregando-o em meu colo cheguei na sala e coloquei-o sobre a maca. Eu sentia uma espécie de "bola", subindo e descendo pela minha garganta. Lutava. E sabia, estar perdendo. Aproximei meu rosto de sua cara e disse-lhe baixinho "vai passar, Picasso". Foi então que,vagarosamente, virou seus olhos opacos em minha direção e lambeu meu rosto. Parecia estar dizendo "tudo, bem... eu confio em você... faça a dor nas patas passar, minha visão voltar, meu faro, minha velocidade. Faça!"
A veterinária, sua conhecida desde o tempo de filhote, já se aproximara com a seringa na mão. Ele deitou a cabeça na maca e esperou. Rapidamente, eu disse adeus, afaguei-o e saí da sala. Fui embora, deixando que a "bola" saltasse de minha boca e de meus olhos em forma de soluços e choro . Meu marido me seguiu, preocupado comigo, mas sei que teria preferido acompanhar a despedida de Picasso até o fim. Eu não pude. Simplesmente, não pude.
Naquela e nas próximas noites a cantilena voltara: "Picasso, Picasso, Picasso". Fechei os olhos e adormeci minha culpa, durante anos.

Agora, falta contar sobre Seu Klein e qual a relação entre ele, Picasso e Jonas. Mas isso fica pra depois, porque eu sinto que uma "bola" se agiganta , em minha garganta...