quinta-feira, 27 de março de 2008
Já na outra sala , com o professor de Ciências, a proposta foi legal mas eu não estava mais em sintonia: embora brincasse com as colegas, tenha falado sobre turmas de jardim e como vivenciei o trabalho com o estudo de alguns animais....internamente eu sentia a minha irritação crescer. Queria estar a quilômetros dali, em minha casa. E realmente, bem longe dali, mais tarde, esperando a lotação da Kátia que recebi, dela, o meu diagnóstico: "é, Bia, estás chateada por causa da tua aluna, não é? "
Eu e minha colega temos um aluno em especial que gosta dessa melodia. Descobri isto o ano passado, no pátio da escola, quando eu procurava desviar sua atenção de seu próprio corpo: ele tentava morder suas mãos e dedos do pé. Ao agachar-me em sua frente e segurá-lo, cantarolei essa música que me acompanhava há alguns dias. Ele demonstrou interesse e relaxou os braços. Ao perceber, continuei a cantarolar e assim ficamos por um bom tempo. Ainda hoje, no pátio, sentados no balanço vai-e-vem eu e minha colega cantarolamos essa melodia para o mesmo aluno, que voltou muito mal, do seu período de férias. O que nós consideramos um período de descanso, para muitas famílias e muitos de nossos alunos é o contrário: sem a escola alguns deles ficam trancados em casa, surtam, são internados, algumas mães ficam extramamente cansadas e irritadiças. O retorno à Escola e às atividades é, por vezes, muito difícil. E foi em um momento bem complicado que essa música retornou e acalentou, por alguns instantes, as ondas enfurecidas que atormentam nosso aluno. Ele não se comunica verbalmente mas ao observar seu sorriso e seus olhos nos buscando temos muitas respostas.
Mas há em nossa turma uma adolescente que tem demonstrado, já há muito tempo, um crescimento: é organizada, meiga conosco, suas professoras, com seus colegas e até com visitas na turma. Compreende tudo que é falado e, embora só fale "mãe", minha", "naaaaãooo"...comunica-se perfeitamente através de gestos e expressões. Ajuda os colegas que necessitam e está geralmente de bom humor. Claro que está em nossa escola por muitos motivos. É especial.
Pois essa aluna passou as férias com sua mãe que, no retorno à escola, disse que não aguentava mais e ia fazer alguma coisa. Fez. Com a justificativa de que surtara em uma parada de ônibus, nossa aluna foi internada em um hospital psiquiátrico.
Há alguns dias, tínhamos notícias da mãe que dizia visitá-la, sempre. Ontem, pela manhã, a orientadora da escola e eu fomos até o hospital. Ficamos sabendo muitas coisas e relatamos outras.
Mas foi no salão onde a encontramos que aquilo que se transformara em irritação à noite, começou a surgir. Quando a porta foi aberta e ela nos enxergou, veio correndo nos abraçar. As outras internas faziam perguntas "tua mãe?" ,"vai te levar?". Outras, se aproximavam e ficavam apenas observando. Minha aluna me puxava pela mão, mostrando-me a algumas internas, me abraçando, beijando e repetindo "minha, minha", enquanto batia em seu peito .
Logo fomos , com ela, para uma outra sala. Ali, ficamos por 10 minutos conversando , falando que sentíamos sua falta e que a esperávamos na turma. Mas o mais importante era abraçá-la, ser abraçada e repetir "nós gostamos muito de ti." (o tempo todo eu pensava "Por quê? Logo com ela... que não precisaria estar aqui... Por quê?")
Procuramos fazer com que aqueles minutos fossem motivos para boas lembranças, enquanto ela aguarda a sua alta.
Passando pelo salão de mãos dadas ela olhou para nós, sorriu, abraçou-nos e foi sentar frente à TV, com outras internas: sabia que permaneceria mais tempo. Perguntara várias vezes por sua mãe.
O momento mais relaxante, eu diria, foi quando uma das internas puxou o meu braço e disse: "colega, vai sair hoje?" No que eu, surpresa, respondi afirmativamente ela disse "então deixa eu te dar um beijo. Boa sorte, viu?" E me abraçou e beijou.
Ainda olhei para trás e recebi o aceno de minha aluna, como a me tranquilizar.
Voltamos para a Escola, fizemos relatos necessários, recebi minha a turma à tarde, cantei, brinquei e sorri. Ao final da tarde, enquanto o grupo de colegas ficava em reunião, eu me dirigia até Alvorada. Mas já estava entrando no auge da irritação... Relembrava a informação dada pela assistente social: eu e minha colega foramos as primeiras visitas recebidas por minha aluna, desde sua internação. (A noite ia ser bem longa.)
Pois é... à noite, "quando os gatos são pardos" e eu deveria estar em casa ... não estava. Mas foi bom rever colegas e, mesmo com um humor bem diferente(embora eu saiba que consigo disfarçar muito bem), assistir às presenciais. Sentei junto à Solange, na segunda parte, e com ela e outras colegas (Neusa, kátia e Lu) me diverti bastante e também contei um pouco do que me afligia. Receber um beijo da Alexandra foi legal, conversar com a Tati, também. Voltar para POA, no carro da Neusa, com ela dirigindo e o grupo rindo é outro capítulo que vale muito a pena
É...eu precisava estar ali ...
Mas de ontem, vou lembrar com carinho, da perspicácia da nossa querida tutora Grace. Gentilmente aproximou-se de mim e me abraçou dizendo que ficara me observando na chegada, que eu fora até o cantinho (bem na ponta, no último computador da fila) e parecia estar..."cansada?" Respondi brincando e sorrindo mas lembrei de meus alunos que não conseguem falar mas, mesmo assim, a gente consegue escutar.
sábado, 22 de março de 2008
Novamente "Salada de Frutas" ou "Se precisar de socorro, na dúvida, grite FOGO!"
Estou em fase de "salada de frutas", misturando tudo. Começo com a solicitação das professoras Bea e Íris sobre nossos portfólios de 2007, com uma postagem que intitulei de "clique" e com um comentário posterior também da professora Bea, com uma triste notícia vinda da amiga Mosqueteira Lú sobre um aluno seu e com a história de quem tenta fazer o bem mesmo quando nada tem.
Ah! Para acrescentar uma "pitada" a mais, um comentário feito por meu marido há alguns anos: segundo ele, que trabalhou algum tempo na área de Segurança, uma das formas de conseguir ajuda de alguém, utilizando o grito, não é pedir socorro mas sim, gritar FOGO! A lógica é que as pessoas têm medo, procuram não se envolver ou arriscar. Ajudar algum desconhecido que grita por socorro pode, talvez, transformar quem se dispõe a socorrer, em vítima. Mas já o FOGO passa outra mensagem e mexe com a curiosidade. Quantas vezes vimos alguém observando um incêndio, realizando comentários, solidarizando-se com as vítimas e observando outras pessoas correrem os riscos que se apresentam?Há uma história que gosto de contar chamada "Tico e os Lobos Maus". Nela, um coelhinho grita por socorro, quando imagina um bando de lobos à sua espreita. Sua mãe chega para afastar seus receios, sempre que necessário. Quando conto esta história, no momento em que o personagem grita, eu empresto minha voz e grito "Socorro!!!" Lembro que, há muitos anos, contando a história em uma formação de educadores de uma creche comunitária eu gritei a palavra e, poucos segundos depois, estavam abrindo a porta a cozinheira e o dirigente da instituição. Demos risadas pois, além do susto em quem ouvia a história, percebemos o susto em quem correu para tentar auxiliar. O tempo passa... Na apresentação de meu portfólio contei essa história e, novamente gritei por socorro. Fiquei intrigada quando ouvi o comentário que, em outra sala ouviram o grito e, por um momento, todos permaneceram quietos até que alguém falou " isso é coisa da Bia". Realmente , era. Mas lembrei do que o Lu dissera...
Quando falamos em evidências, também tocamos em finalidades, em metas, objetivos. Aprendi com uma querida líder comunitária a não pensar pequeno em relação as minhas metas. O que eu desejo, estudando? O que espero alcançar? Que diferença vou fazer? Eu espero e trabalho no sentido de que meus alunos, seus familiares e outros alunos que virão saibam fazer a diferença. Quero contribuir para que existam pessoas mais humanitárias, que consigam descentrar-se, que pensem em si e, também no coletivo. (embora, concorde que nem sempre é possível e necessário...) Acredito que devemos, sim, não pensar somente em coisas ruins mas saber que existem e, se necessário, procurar enfrentá-las.
(Novamente, volto no tempo, e relembro das crianças da Creche João Paulo...) Quero me tornar uma pessoa melhor, ciente de meus defeitos, aceitando alguns e procurando alterar outros. Quero ter coragem de ouvir um verdadeiro grito de socorro e conseguir me arriscar. Fácil? Que nada! Dificílimo, eu diria. Mas com clareza de objetivos e busca incessante de evidências acho que vou construindo um bom caminho.
"Ó vida, ó dor"... como diria o Dr. Smith... "Na dúvida, eu tenho quase certeza" de que insistiria no "Socorro".
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
GRUPO DE ESTUDOS EM EDUCAÇÃO INFANTIL - GEIN
CICLO DE PALESTRAS GEIN 2008
A educação dos infantis
7 abril
As cores da infância: raça e educação infantil. Profa. Dra. Gládis Kaercher
5 maio
Discutindo diferentes lugares da infância. Profa. Dra. Leni Dornelles Mestrandas Carine Weber e Fernanda Morais
2 junho
Espaço: parceiro pedagógico do educador infantil. Profa. Dra. Maria da Graça Souza Horn
7 julho
Notas sobre o amor romântico: gênero e literatura na educação infantil. Profa. Dra. Jane Felipe Doutoranda Suyan Pires
LOCAL – FACED/ sala 101, 9:00 da manhã.
Valor do ciclo: R$ 20,00 com Certificado de Extensão UFRGS
O pagamento poderá ser feito com antecedência no Banco do Brasil, posteriormente enviaremos o número da conta do Ciclo de Palestras, outra opção é realizar o pagamento no dia da palestra, na agência do BB na UFRGS.Nosso e-mail: gein_ufrgs@yahoo.com.br
terça-feira, 18 de março de 2008
Retomando final de 2007 (primeira parte)
A tela ao centro fez parte de minha apresentação de portfólio no final de 2007. Agora, está acomodada na sala de meu apartamento de forma a cristalizar palavras, imagens, desejos e conquistas.Do que me recordo (sim, dois meses de férias produziram uma certa amnésia) saliento o crescimento do grupo como um todo. Percebi claramente o amadurecimento de muitas de nós no sentido de trabalhar objetivando metas, estratégias, argumentos e evidências. (Com certeza, dos dois últimos jamais esqueceremos.) Fiquei particularmente feliz ao assistir a apresentação de uma das colegas que focou seu trabalho em poesia.
Do relato de minha amiga e colega Lú, sobre o projeto de Robótica falo sensibilizada ao relembrar das histórias de vida de alguns alunos e das evidências trazidas de como este trabalho mobilizou professora e turma.
Quando Lu contava sobre a dificuldade de um dos alunos, que cuidava de sua mãe doente, da forma como outro , considerado por muitos um problema, se relacionou com o projeto eu pensava "nossa, isso daria um bom filme..."
Pois ali, além do relato do projeto em si, havia algo muito mais importante que se referia à capacidade da professora conhecer as diversas trajetórias e a partir de cada uma, propor um trabalho objetivando espírito coletivo, concentração, generosidade, atenção , rapidez de raciocínio. Entrelaçados entre os conceitos trabalhados estavam (e estão) aquilo que eu considero mais importante e singular: os valores.
(continua...)
segunda-feira, 17 de março de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Bem-vindo, ano novo...
Entretanto, no vídeo, vem acompanhada da letra na voz de Elton John. Por hora, serei breve. Volto depois da apresentação do portfólio.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

terça-feira, 18 de dezembro de 2007
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
"Jalecos contadores"

Logo em seguida e mais uma vez, Jorge André leu a história “Um Ponto de Luz Chamado Brilhante”, para emoção e reflexão de todos.
E então chegou o momento mais aguardo por todos: a entrega dos jalecos e crachás,a qual foi extensamente fotografada pelos familiares e amigos dos novos contadores de histórias."
domingo, 9 de dezembro de 2007
Contribuição do pbwiki sobre o ato de escrever
Nilson Souza (Zero Hora, 1º/9/1994)
Tive outro dia uma conversa com acadêmicos de Comunicação da PUC e notei certa ansiedade da garotada em relação a uma rotina da vida jornalística, que é a obrigatoriedade de escrever sob a pressão do horário e nos limites do espaço disponível. Tentei tranqüilizá-los: sempre é possível e, com a prática, todo o mundo consegue, não é preciso ter nenhum dom especial. Difícil mesmo é escrever bem. Para isso, não basta ter tempo, espaço ou vontade; é necessário, acima de tudo, persistência. Nunca tive a pretensão de orientar ninguém sobre esta matéria, até mesmo porque também suo diariamente para dar uma forma apresentável a meus textos - e nem sempre consigo. Mas recolhi das leituras da madrugada (leiam, leiam, leiam, mas também procurem escrever e submeter o texto à apreciação de leitores qualificados!) alguns ensinamentos que agora retransmito, na esperança de que sejam úteis a quem se interessa pelo tema.O primeiro deles é de Isaac Bashevis Singer, para quem o melhor amigo do escritor é a lata de lixo. Pode parecer um tanto desestimulante, mas é um admirável conselho. Lembra que a boa redação - aliás, como tudo na vida - só pode ser alcançada com humildade, com o reconhecimento da má obra. Fazer, cortar e refazer repetidamente: este é o ciclo. Trabalhoso, mas necessário. O que é escrito sem esforço, disse Samuel Johnson, geralmente é lido sem prazer.O escritor tem que se preocupar com os mínimos detalhes de sua obra, e especialmente com estes. Tom Campbell andou certa vez dez quilômetros até a gráfica que imprimia um dos seus livros (e dez quilômetros de volta) para mudar uma vírgula num ponto e vírgula. E é exatamente nas vírgulas que tropeçam os redatores iniciantes, separando o que não deve ser separado e unindo o que não pode estar junto. A pontuação é o cimento do texto. Querem um exemplo? Leiam a historinha abaixo, que retirei de uma coletânea de pensamentos de Mansour Challita:Foi encontrado o seguinte testamento: "Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres". Quem tinha direito ao espólio? Eram quatro os concorrentes. O sobrinho assim pontuou o texto: "deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". A irmã pontuou assim: "deixo os bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres." O alfaiate fez a sua versão. "Deixo os bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". O procurador dos pobres pontuou assim: 'Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!".O anônimo moribundo, como podem perceber os leitores, não era um bom redator. Ou então tinha - por motivos óbvios - a pressa dos jornalistas nos minutos que precedem ao fechamento da edição.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Papai Noel foi nos buscar


terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Escrevendo novas histórias
domingo, 2 de dezembro de 2007
Bom dia, Sr. Shlomi
Acordei pensando neste filme.O personagem central da história é um rapaz desconsiderado por sua família. Com exceção do avô, os outros o acham idiota, um aluno medíocre sem condições de aprendizagem. Até uma de suas professoras concorda.
Shlomi transforma o ato de cozinhar em algo mais e, sem que percebam, auxilia a todos que o olham, mas não enxergam.
Shlomi também acredita ser um idiota e demonstra nervosismo nas tarefas escolares. A curiosidade do diretor escolar ao analisar a resposta (considerada errada ) de Shlomi a uma prova começa a modificar a vida do jovem...
Acompanhar o florescer de Shlomi, testemunhar a insistência, ética e visão do diretor da escola possibilita que tenhamos fé, que acreditemos que é possível fazer mudanças através de nosso trabalho, de nossos valores e da forma como "nos postamos" neste mundo.
Fica a dica .
domingo, 25 de novembro de 2007
Temeridade ou O Depois do "Por que não te calas?"
terça-feira, 20 de novembro de 2007
"Um galo sozinho não tece uma manhã"
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos".
[João Cabral de Melo Neto, in Tecendo a Manhã"]
A rede aumenta a cada dia e é tecida em nossas casas, no Pólo, em casas de parentes, em praças de POA. Para o trabalho de Literatura , organizamo-nos de forma a nos encontrarmos em diferentes locais (Praça Província de Shiga, QG da mãe da Lú e, por último, na Praça Leonardo Macedônia.) Outros trabalhos e lugares virão. Mas fica a constatação de que nosso grupo aumenta, prazerosamente, a cada dia: filhos, maridos, cachorros nos acompanham e nos auxiliam com idéias ou com sua presença.No dia 19, finalmente, nosso grupo realizou a tarefa combinada e prometida. DIVERTÍMO-NOS MUUUUITO! Valeu!
sábado, 17 de novembro de 2007
Relato de "Relatos" - Maduridade
A atividade do SeminárioIntegrador III propõe que escolhamos uma postagem no Blog Relato de Experiências e, a partir da mesma, realizemos leitura analítica e façamos uma postagem em nossos blogs observando alguns aspectos salientados. domingo, 11 de novembro de 2007
sábado, 3 de novembro de 2007
No QG Pedagógico da Lú Sobotyk
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Feira do Livro

O Lu e eu fomos até a Feira do Livro. Como sempre, ficamos um tempão na área infantil. Aproveitei e aumentei mais o meu acervo para contação de histórias na escola e, futuramente, no hospital. Reencontrei uma pessoa que foi minha colega na SMED por muitos anos: Evinha.
Os livros que vieram aqui para casa: Grúfalo, O filho do Grúfalo, Vacas não voam, A galinha Xadrez; todos da Editora Brinque Book.
Também comprei Não Confunda, da Eva Furnari; A almofada que não dava tchau, de Celso Guttfreind. Pra encerrar, "A menina que roubava livros" e "Quando Nietzche chorou".

segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Formação no Hospital Santo Antônio
Agenda
1. Sensibilização – Equipe Viva e Deixe Viver
22/09 às 14h
24/09 às 19h
2. Mestre do Tempo – Denis Escudero + preencher questionário
01/10 às 19h30min
3. Pensamento Positivo – Organização Brahma Kumaris
08/10 às 19h30min
4. O que é ser voluntário – Flávia Pimentel
15/10 às 19h30min
5. Ambientação Hospitalar – Controle de infecções e Serviço de Psicologia
Raquel Bauer e Juliana Potter
22/10 às 19h30min
6. A arte da contação de histórias para crianças hospitalizadas – Naraiana Nunes
29/10 às 19h30min
7. Aprendendo a perder – Equipe de Psicologia
05/11 às 19h30min - A confirmar
8. Vivência Prática – Voluntários Viva
Todo mês de novembro - Cronograma a ser definido
9. Formatura
A confirmar
domingo, 28 de outubro de 2007
Expresso25
Da Guedes, Bidê ou Balde, Nenhum de Nós são alguns dos conjuntos e bandas conhecidos de nossa cidade. Talvez, Engenheiros do Hawai e, atualmente, Papas da Língua sejam os grupos gaúchos de maior expressão nacional, através da mídia televisiva.
Lá no Bairro Restinga existe uma moça chamada Tânia. Viúva, com um filho pequeno, mora com os pais. É educadora de uma creche e responsável pelo coral da Igreja Nossa Senhora da Misericórdia: Os canarinhos da Restinga. Na creche em que trabalha, também é responsável por mais vozes infantis. Tânia tem “vozeirão” de encher capela e deixar o coração da platéia mais alegre.
Fazer um levantamento musical (bem singelo, eu diria) de nossa cidade, no meu caso, passa muito próximo das vozes quase anônimas, mas reunidas pela mesma paixão. Passa pelo canto coral, do qual fiz parte durante alguns anos. Passa bem pertinho da moradora da Restinga chamada Tânia, que faz sucesso nas missas e nos festivais de coros religiosos.
Optei por relembrar de um grupo que conheci nos Festivais de Coros como Coral 25 de Julho.
Esse coral, criado em 1964, tinha como base musical as músicas alemãs e como finalidade preservar a cultura germânica através do canto. Em 1997, sob nova regência do maestro Paulo Trindade, o grupo optou por outro caminho, envolvendo a mpb e “uma nova expressão cênica e estética visual do canto coral”, com instrumentos e percussão.
Atualmente com 45 vozes, o Expresso 25 (nome atual) tem 4 cds gravados, recebeu o Prêmio Açorianos na categoria Melhor Intérprete MPB, realizou sete turnês pela Europa e ministra diversas oficinas com artistas de renome como Guinga, Marcelo Delacroix, Arthur de Faria, Marcos Leite, entre outros.
Ensaiam na sede do Centro Cultural 25 de julho, localizada na rua Germano Peterson Júnior, em POA.
Contando histórias na "Província de Shiga"
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Ponto.
-Acordo fora de mim
como há tempos não fazia.
Acordo claro, de todo,
acordo com toda a vida,
com todos cinco sentidos
e sobretudo com a vista
que dentro dessa prisão
para mim não existia.
- Acordo fora de mim:
como fora nada eu via,
ficava dentro de mim
como vida apodrecida.
Acordar não é ter saída.
Acordar é reacordar-se
ao que em nosso em redor gira.
João Cabral de Melo Neto 1920 - 1999
in Auto do Frade - fragmento
Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Um pouco da gente...
RELATO DE TRABALHO REALIZADO COM A TURMA CT3, A PARTIR DA RELEITURA, REALIZADA PELA PROFESSORA, DA OBRA AS MENINAS, DE VELÁSQUEZ
Contextualizando
Meus alunos têm idades entre 15 e 21 anos. Todos são portadores de Transtornos Globais de Desenvolvimento. (autismo ou psicose associados a outras síndromes e/ou deficiências). De todo o grupo, apenas uma das adolescentes consegue se expressar através da fala, utilizando pequenas frases.
A utilização de roupas, fantasias, acessórios e espelho em sala de aula é atividade comum para o grupo. Divertem-se ao se olhar no espelho. Do grupo, duas alunas têm autonomia para escolher suas fantasias, colocá-las com relativa facilidade e compreender a proposta de uma brincadeira dramatizada. Os outros alunos necessitam de auxílio para colocar as roupas e realizar alguma proposta a partir desta ação. Entretanto, o grupo mantém a unanimidade no que se refere a fotos. Reconhecem a máquina fotográfica e a associam a “fazer poses”, sorrir, mostrar objetos. No livrão da turma, observam com atenção e satisfação as fotos tiradas pelas professoras, que revelam momentos da rotina na escola e passeios realizados..
A proposta
A partir de duas fotos tiradas frente ao espelho, pensei em reunir dois momentos que a turma aprecia: a produção através das roupas de teatro e a produção para as “poses para as fotos”. Desta vez, procuraria envolver as famílias convidando-as a participar de uma sessão de fotos.
Levei para a sala algumas reproduções de obras de pintores conhecidos (Pinacoteca Caras), dentre eles, Velásquez com sua “As meninas”. Na roda, oportunizamos minha colega e eu, que manuseassem o material. Uma das adolescentes chamou a atenção do grupo ao comentar, apontando para “As meninas”: vai casar, ela vai casar. (importante registrar que esta aluna tem fixação por casamentos e tudo relacionado ao mesmo...).
Com uma moldura trazida por uma colega iniciamos o que chamamos de “construção de quadros fora de esquadro”. Brincávamos com as roupas de Teatro e acessórios e montávamos a nossa obra.
Aqui, vale salientar o quanto essa atividade, iniciada timidamente, cresceu. Escolher as roupas, partilhar com os colegas, observar as reproduções que ficaram expostas na sala por alguns dias, receber sua família e, com ela, “entrar no quadro”, trouxe muito prazer para todos os envolvidos.
Novamente, cabe ressaltar outra questão: uma vez por semana, enquanto nossos alunos estão em aulas especializadas reúno as mães que aguardam seus filhos no pátio externo da escola e faço um momento de contação de histórias. Conto histórias, conversamos sobre as mesmas, rimos... Começo a vislumbrar outras possibilidades com este grupo, utilizando algumas reproduções que possuo. Posteriormente, este trabalho será registrado no webfólio.
Retomando aos “quadros fora de esquadro”: colocamos este nome porque sabíamos que a moldura traria algum estranhamento da parte de alguns alunos e que, certamente, outros não se “enquadrariam” na mesma. Estávamos certas. Como exemplo, há a foto em que apareço com uma coroa cor de laranja, na cabeça. Colocar a coroa e ficar na moldura foi a única solução para que um dos alunos se aproximasse. Na verdade, seu objetivo era resgatar o objeto preferido. (o que conseguiu fazer, não sem antes, puxar o tecido do fundo, derrubar alguns objetos e tentar empurrar-me para que eu também me afastasse. Tudo, dentro da nossa normalidade...).
As evidências
Esta proposta apenas inicia, pois percebo a grande possibilidade de trabalhar, a partir da releitura de Velásquez, de forma interdisciplinar unindo Artes, Teatro, Literatura e Música.
Neste momento, toda a equipe de professores e funcionários da escola também participou do quadro, indo até nossa sala, se produzindo e posando para as fotos. Durante este mês estaremos realizando uma exposição de todas as fotos produzidas e das reproduções utilizadas. Estaremos ainda visitando a Bienal e registrando nossas impressões.
A participação e alegria das famílias é um destaque. Cabe aqui salientar que, sem ter visto a foto que a filha tirara, uma das mães se produziu de forma quase que idêntica à da filha, destacando uma figura que indicava, segundo ela, uma noiva.
domingo, 7 de outubro de 2007
Prazeres e mudanças
O espelho é peça fundamental em nossa sala de aula. Achei interessante a imagem retratada: a fotógrafa e o fotografado ambos sendo personagens principais e secundários do cenário que se reflete.
Outra coisa que temos, minha colega Sílvia e eu, observado é como o "retratar" já é rotina para nosso grupo. Fotografar e filmar os vários momentos já é parte do trabalho e da vivência de todos nós.
Do ano ano passado até agora , noto uma grande diferença: em 2006, na escola, quando falava em blog, postagens e no que poderíamos fazer com os alunos, a maior parte do grupo se interessava inicialmente, mas não se dispunha a saber mais ou participar.Hoje, temos o blog da escola que é visitado por professores, alunos (turma Ct1) , familiares e pessoas interessadas. Minhas colegas pedem muitas vezes " Bia, tira foto pro nosso blog!" As turmas do terceiro ciclo vão até a Informática e visualizam os blogs. Uma de minhas colegas pediu minha ajuda para criar o seu blog. " Assim, Bia, vou ensinar o grupo. Nossa turma vai ter um blog." Depois dos JOMEEX, alguns familiares vieram falar comigo pedindo orientações para, na escola, "acharem o blog" no computador. Começo a perceber que, de mansinho, todas as minhas colegas do turno da tarde principalmente, pensam em "Ah, isso podemos registrar no nosso blog"... Pois é...o que era, no passado, meu...agora começa a ser de todos. Tudo tem seu tempo, sua hora, sua duração. Valeu esperar, não insistir, mas acompanhar a mudança... Outras propostas estão pra chegar... Algo que acho bem interessante salientar é que uma das assessoras responsáveis pela criação do site das escolas municipais, ao visualizar o nosso blog entrou em contato comigo. A partir daí, estamos fazendo uma parceria com o site e blog da escola. As fotos selecionadas para este slide tiveram como critério de escolha a relação com o lúdico, a literatura, com artes, com a alegria e o prazer .

domingo, 30 de setembro de 2007
Contando histórias


sábado, 29 de setembro de 2007
Alegrias


sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Salto alto, salada de frutas ou tin, tin, gordinhas!

Se eu pensar sob a ótica da "salada de frutas", devo mencionar um comercial a que assisti esses dias. Com o objetivo de alertar familiares e público em geral sobre a anorexia, trazia uma adolescente se olhando no espelho. E, lógico, a visão de uma pessoa anoréxica é bem distorcida. Fiquei pensando nisso. Fiquei pensando a meu respeito . Estou do outro lado do espelho, posso assim dizer. Faço parte das gordinhas, das gordas, das obesas, das fofinhas. Não deixo de ser um extremo, bem sei...
Ainda na "Salada de Frutas" preciso contar que, há muitos anos, eu e uma colega fomos a um Centro de Controle da Obesidade muito conhecido em POA.
Ao sermos entrevistadas pela médica responsável, ficamos bem impressionadas. Ela dizia "queridas, é preciso entender e aceitar que obesidade é uma doença...portanto vocês estão doentes. Muito doentes! Mas existe salvação..."
Minha amiga prestou atenção na mensagem enviada. Eu, prestei atenção nos detalhes: a carga de dramaticidade que a médica usou me fez morder os lábios rapidamente. Meu Deus, eu ia rir!
Ela continuava de forma enfática, nos fazendo perguntas e nos diagnosticando: "sem namorado atualmente? Ah...sei... , pais separados...hum, hum... não gosta de legumes... NÃO GOSTA MESMO??? Gosta de ler, que bom... fica lendo em casa e não caminha, não é?"
Maximira já começava a se aproximar da deprê, "encaídando" os olhos e mexendo rapidamente as mãos sobre o colo. Eu, caso perdido, ouvia (deixara estampada em meu rosto uma fisionomia de interesse e concordância) e fazia o que mais me agradava: especulava.
E entre tantas coisas, pensei que aquela médica poderia ser, também, uma atriz. Mais tarde, notei seu sapato com saltinho fino. Gostei daquele sapato.... (Gordinha como eu estava, conseguiria equilibrar-me por muito tempo em um salto daqueles?)
A entrevista foi se encaminhando para o final quando ouvimos o preço do pacote: nossa! Certo, faríamos uma semana intensiva em um hotel spa, da serra gaúcha. Sem contar os exames, as caminhadas orientadas já em Porto Alegre...
No mesmo momento, internamente, Maxi e eu fazíamos cálculos: ela calculava todas as possibilidades existentes para conseguir aquele valor. Eu, calculava de que forma iria encerrar a entrevista deixando uma frase tipo "entraremos em contato. Obrigada." Despedimo-nos da médica com elogios ao programa e falso indicativo de que voltaríamos.
Na frente do casarão nos olhamos e começamos a rir. Maxi propôs: "Vamos comer uma pizza?" "Claro!"
Maxi e eu trabalhávamos na mesma escola particular. Ela se apaixonou por um de nossos colegas. Ele era apaixonado pelo seu trabalho. Maxi achou que o fato de ser gordinha ( muito menos do que eu!) era o fator determinante no seu fracasso amoroso. E, escondida de todos, começou a tomar inibidores de apetite.
Eu saí da escola e não mais a vi . Anos depois, fiquei sabendo que ela falecera. Ao visitar seus pais tive a noção exata e tardia de como era a angustia de Maxi: ela falecera por excesso de remédios. Tivera uma overdose.
Eu tinha esquecido de tudo isso. Mas hoje, ao acordar sem a tosse característica da coqueluche que me "visitou", senti-me, desde o momento em que coloquei os pés no chão, poderosa! Sim, "acordei de salto alto"! Nada me abalará! Vou ler e enviar meus e-mails, fazer as atividades necessárias no Rooda, ouvir música, conversar com alguma das Mosqueteiras, passear com o Lu, brincar com a turma canina...sei lá! Eu me olhei no espelho e gostei do que vi, bem mais do que em outros dias.
Sei, uma gordurinha aqui, outra ali...outra lá...outra acolá... outra escondida, outra perdida, outra apertada, outra recém encontrada... quase todas não desejadas... Preciso emagrecer por uma questão de saúde, principalmente. Acho que em breve, depois de comer uma pizza, vou começar mais um regime...Quem sabe?Mas não serei uma escrava da balança, sou muito preguiçosa para isso.
Você, que está me lendo... Qual é o seu time? Seja qual for, saúde! Vamos saudar os magrinhos, os gordinhos, os altos, os baixos, os mancos, os quietos, os falantes... Não esqueçamos que os excessos fazem mal... Mas não deixemos de nos amar! E falando nisso, encontrei essa gordinha maravilhosa em minhas andanças virtuais: Jennifer Larmore!
Tin-tin! Saúde!
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Comentário nacional
Muitos comentários, notícias e discussões sobre o filme Tropa de Elite. A discussão nacional procede e vale a pena conferir. 
O filme é baseado no livro "Elite da Tropa".
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Pavarotti e "Mãe de Deus"
Saí de casa com uma certa resistência: por mais incrível que pareça, naquele momento, eu pensava que estava em dívida com Pavarotti. Sentia necessidade de escrever algo em meu blog, sobre ele, sobre sua partida... afinal, no mês anterior , diariamente , sua voz ao cantar Nessum Dorma, tocava fundo nas ondas agitadas que se tornava a mente de um de meus alunos. Ouvindo-o, o adolescente se acalmava, relaxava, parava de gritar e tentar machucar a si e aos que estavam próximos. Como não falar em Pavarotti?segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Para Chaine...
Chaine, acho que ias gostar deste filme, sabe...


















