terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dia de Obama




Hoje é dia de Obama. De sua posse. Do início de sua trajetória como presidente. Que os olhos de todos tenham motivos para brilhar com alegria e paixão.




Barack Hussein Obama em alguns de seus momentos:

Com o avô
Com sua avó

Com a família, emoldurado pelo futuro

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Atipicamente

Acho bom contar que meu ano começou atipicamente. Que eu lembre, nunca antes iniciara um ano matriculada em em curso. Mas em 2009...
Conheci pessoas muito legais com quem conversei, refleti e redescobri. Novas colegas e algumas bem-vindas amigas.




No início do mês recebo um e-mail de uma amiga

que está para as bandas do Ceará. E, através do artigo que ela me envia, começo nova viagem blogueira: Leio o que Deleuze escrevera sobre os conflitos entre Israel e Palestina, reflito sobre verdades e inverdades midiáticas, conheço o Blog Biscoito Fino, busco tradução para uma música especial.
Tenho viajado muito pelo mundo blogueiro, nesses dias de janeiro. Retomei a "leitura de um cara" que acho interessante e que compartilha suas descobertas, conheci uma professora gaivota, dei uma olhadinha no Nelson Pretto e entrei com os dois pés curiosos no blog de um professor chamado Declev e em um Boteco da Educação.

Intercalo tudo isso com bisbilhotadas nas séries do AXN, no muro do BBB9 , em filmes do 61... Na verdade, meu corpo ainda não aceitou a palavra férias. Talvez em fevereiro ele consiga aderir a um movimento mais contemplativo.
Na minha adolescência e parte da adultez eu tinha o hábito de, a cada fim de ano, comprar nova agenda e nela registrar decisões para os meses seguintes. Naquela época, eu usava relógio, abria a agenda toda a hora e seguia um planejamento quase linear.
Em 2009 confirmo que já fui o que não mais sou. Agora não uso relógio, vejo a hora no celular ou pergunto que horas são, para as pessoas. Ou melhor...nem pergunto! Depois que as agendas do Mario Quintana deixaram de ser vendidas parte do meu "prazer registratório anual" se perdeu.
Nesse momento, enquanto escrevo, percebo que as idéias são muitas...que talvez o texto fique enrolado... Então, resolvo parar... por um tempo. Mas deixo um pouco do que li, através dos links, e do que ouvi, através do vídeo.



Saudações Piramidais e inté. (bem breve...)




Tradução livre:
It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.(Era um credo escrito nos documentos que declararam o destino de uma nação)


Yes we can.(Sim, nós podemos)

It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.(Foi cochichado por escravos e abolicionistas enquanto flamejaram uma trilha em direção a liberdade. )

Yes we can.(Sim, nós podemos)

It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.(Foi cantado por imigrantes quando chegavam de terras distantes e pioneiros que rumaram para o oeste contra um sertão implacável)

Yes we can.(Sim, nós podemos)

It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.(Era o chamado dos trabalhadores que se organizaram; mulheres que alcançaram os votos; um Presidente que escolheu a lua como nossa nova fronteira; e um Rei que nos levou ao topo da montanha e indicou a direção da Terra Prometida)

Yes we can to justice and equality.(Sim nós podemos para justiça e igualdade)

Yes we can to opportunity and prosperity.(Sim nós podemos para oportunidade e prosperidade)

Yes we can heal this nation.(Sim nós podemos curar esta nação)

Yes we can repair this world.(Sim nós podemos consertar este mundo)

Yes we can.(Sim nós podemos)

We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.(Sabemos que a batalha adiante será longa, mas sempre lembre-se de que não importa quais obstáculos estiverem em nosso caminho, nada pode ficar no caminho do poder das vozes de milhões que clamam por mudança)

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics, they will only grow louder and more dissonant.(Fomos informados por um coro de cínicos que não podemos, eles apenas irão falar mais alto e mais dissonante)

We’ve been asked to pause for a reality check. We’ve been warned against offering the people of this nation false hope.(Nos pediram para parar e checar a realidade. Fomos advertidos contra oferecer as pessoas desta nação falsa esperança)

But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.(Mas na história improvável que é a América, nunca teve nada falso sobre esperança)

Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea.(Agora as esperanças da menininha que vai a uma escola aos pedaços em Dillon estão os mesmos sonhos do rapaz que aprende nas ruas de LA; lembrar-nos-emos de que há algo acontecendo na América; que nós não estamos tão divididos quanto os políticos sugerem; que somos um grupo de pessoas; que somos uma nação; e juntos, começaremos o próximo grande capítulo na História americana com três palavras que ecoarão de litoral a litoral; de mar a mar brilhante).

Yes. We. Can. (Sim. Nós.Podemos)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Por onde ando?


Na verdade, não ando. Danço, canto, pinto, modelo,estudo e me divirto.

Estou fazendo um Curso Intensivo de Arte-Educação no CDE.
Estou adorando!!!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Surfista de pátios

Semana passada, assisti a um filme em que um dos personagens era um adolescente, "surfista de trem". Transgressor, procurando emoções envolvendo riscos com sua própria vida, o jovem subia nos trens e buscava o equilíbrio durante o movimento nos trilhos. Se caísse, estaria morto.
Ao abrir os braços, oferecer o rosto ao vento, estufar o peito e gritar parecia estar livre de amarras sociais, familiares ou profissionais.
Na mesma hora, lembrei da cena do filme Titanic em que a dupla principal abria os braços e se equilibrava em uma das partes do navio. Na verdade, Leonardo di Caprio segurava sua parceira.
Braços abertos, vento no rosto, busca de afirmação, sentimento de coragem , impetuosidade, transgressão à regras... algumas coisas em comum.





Pouco tempo passou e eu relembrava de outra passagem de um filme:
Forrest Gump deixava para trás o peso de suas botas, de seus medos, das humilhações vindas da infância: corria para a liberdade ou, penso, para uma estrada que poderia ser a concretização de seus desejos.





Fiquei com estas imagens e com minhas conjecturas, por alguns dias.
Então, aconteceu algo que me fez relembrar de outra cena. O que aconteceu, conto depois. Mas, a cena relembrada, compartilho já adiantando que a personagem principal era uma menina de seus cinco anos, por volta de 1966.
Ela burlava o controle materno pulando pequenos muros e esgueirando-se entre frestas de cercas. Em cada pátio se aproximava dos cachorros, abria os braços e ficava frente a eles, esperando...
Alguns vizinhos reclamavam com sua mãe, "rosnavam" para ela que a criança quase fora mordida, que era teimosa e rebelde, que desobedecia os limites impostos por cercas, muros e grades.
A mãe repetia exaustivamente as palavras dos vizinhos acrescentando ordens, súplicas e, até, castigos. Alguns cachorros se mostraram não receptivos e morderam a menina que, geralmente, era salva por um adolescente, vizinho, e que tomara para si a tarefa de "controlar" a pequena criatura de cachos pretos. Foi nessa época que ela ouviu a palavra vacina e sentiu na pele a dor que a acompanhava.

O que a menina queria, na verdade? Não sabia explicar ,mas ao abrir os braços, na frente dos cachorros, não tinha um pingo de medo...apenas se sentia feliz.
Volta e meia, davam falta da menina e a encontravam em algum pátio, abraçada a um cachorro, falando em seu ouvido e, muitas vezes, sendo lambida por um deles. Até um dos cachorros, com fama de durão, se tornava manso e oferecia o dorso para ser acariciado, quando recebia sua inesperada visita. O padrinho da menina balançava a cabeça e, disfarçando um certo orgulho, repetia "ela não tem medo. Quer domar os cachorros". Fato era , que ela causava espanto em muita gente .
Uma observadora vizinha dizia que ela tentava encantar os bichos. Não era verdade: aquela criança estava encantada por eles. A transgressora, confusa, teimosa, apaixonada pelo vizinho-adolescente-salvador, aquela que abria os braços em cada pátio fazendo com que algumas pessoas questionassem sua sanidade...aquela era eu.

Humberto Maturana é um curioso. E foi pela curiosidade e desejo em conhecer mais, que estudou Biologia.
Quando fala em "biologia do amar", se refere à confiança em que o ser vivo recebe, nas relações construídas, no que alicerça a vida de cada um e, também, do que é construído através das relações do ser com os outros.
Somos resultado de nossas relações e da forma como somos criados. Segundo ele, "se você observa a história de crianças que se transformam em seres, (...) anti-sociais, vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser."


Fico pensando em como eu fui criada, em que me tornei, nas coisas que gosto e das coisas que desgosto. Fico pensando na relação de Maturana com as cenas dos filmes relembrados e dos braços abertos...
Acho, que eu era uma pequena e confusa surfista de pátios, testando a coragem e a confiança adquiridas nas relações com os adultos que me cercavam.
Daquele tempo, talvez, eu tenha trazido a persistência e o amor incondicional pelos animais.


Será que eu já contei que escrevi uma carta para cada um de meus alunos de primeira série, em 1979? Que deixei a carta com seus pais, em dezembro do mesmo ano, quando se despediam em direção à segunda série, com a recomendação que fosse entregue a eles nos seus aniversários de 18 anos?
Pois é, fiz isso. Em cada uma das cartas eu me reapresentava e contava como era aquela criança, minha aluna, no período em que se alfabetizou: do que gostava, situações engraçadas ocorridas em sala, algumas de suas falas, seus desejos, seu jeito infantil de encarar o mundo.
Pois, no finzinho da década de 90, recebi alguns retornos: fui reencontrada por alguns de meus alunos. Uma me reconheceu em um restaurante: relembrou da carta, de colegas, de brincadeiras que eu fazia, das músicas que ensinava... Apresentou-me sua família: marido e filha de três anos. Fez questão de me informar que continuava adorando ler e que se formara em jornalismo.
Outro ex-aluno me encontrou durante um Seminário de Educação. Saíra rapidamente da banca onde vendia os livros da editora em que trabalhava e fora ao meu encalço, perguntando se eu era a "tia Bia, da ACM". Eu era. Eu fui. Fiquei sabendo que ele tinha dois filhos e que guardava para o mais velho um presente que recebera no dia de seu aniverário de 18 anos: uma carta da professora que o alfabetizara. Fabiano, esse é o seu nome, me dizia que , embora sendo o único presente que recebera naquela data, fora um dos melhores momentos de sua vida: resgatava palavras de uma pessoa que lhe ofertara muito carinho. Então, iria presentear o filho com a mesma carta, dizendo que o mais importante não era nenhum bem material mas, a certeza de ter sido especial , a certeza de que alguém depositava nele esperança e confiança. Choramos um bocado, neste dia...
Por último, um rapaz que trabalhava como atendente em uma ferragem. No dia em que me reencontrou estava na frente do trabalho oferecendo um pastel para um cachorro faminto. A cena me sensibilizou e fez com que eu diminuíse os passos o suficiente para provocar uma sensação de reconhecimento no jovem. Contou-me que gostava tanto de animais que, muitas vezes, deixava o balcão de atendimento pra oferecer água aos vira-latas sedentos que passavam. Já recolhera mais de cinco cachorros e os presenteara à sua namorada. Ri e falei que entendia muito bem o que ele sentia. Como resposta, me olhou e disse " a senhora foi minha professora". E me falou da carta.

Mais de vinte anos depois eu recebia alguns presentes... entre eles, a constatação de que aquela surfista de pátio conseguira ensinar um pouco mais do que letras e números. Eu me via em meus alunos. Sabia que, de alguma forma, cada um surfava nos pátios da vida usando o carinho recebido, por uma professora recém formada, como uma espécie de combustível interno. Pois não é o tipo de relações, a forma como somos tratados e como reagimos, que nos faz Ser? Maturana sabe...

Lembra quando falei que algo acontecera e fizera com que eu começasse a relembrar algumas cenas? Então...
Na verdade, na sexta feira , dia 19, pouco antes da meia noite, em meu colo, Beethoven começou a se despedir . No dia 20, conduzido pela veterinária , se foi...
Lu e eu o trouxemos de volta para casa e escolhemos o lugar onde seu corpo seria depositado: entre folhas e arbustos, perto do nosso fusca, em frente à janela de nosso quarto.
E, enquanto esperava o Lu cavar o seu espaço, eu relembrava de tudo isso: assisti Titanic e , ao voltar pra casa, ao abrir a porta, lá estava o orelhudo me esperando. Forrest Gump correu nas telas dos cinemas e eu corri com Beethoven latindo ao meu lado, em muitos momentos. (Nossa... "eu corri"! Quanto tempo já se foi... agora eu não corro... estou aprendendo a caminhar com passos mais tranquilos.)
Quando reencontrei meus alunos, talvez tenha partilhado minha satisfação, alisando seu pêlo.
Brincando com Beethoven eu refletia sobre minhas ações na Escola e de que forma auxiliar algum aluno. Ali estava ele, pertinho de todas as Mosqueteiras e amigas que vieram até a minha casa, por conta do trabalho de Projetos.
Pensando bem, ele acompanhou 18 anos de minha vida, resignificando-a para algo bem melhor. Com a chegada de meu marido, adotou-o, também.
Agora, como eu acredito, está entre folhas e arbustos, cheirando, cavando e fazendo xixi.

Enquanto observava meu marido cavar, ia me despedindo de partes do que fui: uma pequena transgressora, uma menina apaixonada por um "vizinho-herói", uma jovem que corria pelas calçadas do IAPI imaginando ser Forrest Gump, da professora que transbordava suas emoções sobre folhas de papel envelopadas... eu me despedia e, ao mesmo tempo, abria outras portas para que novas partes fossem acrescentadas.

Pela enésima vez, o Lu perguntava se eu estava bem. Sim, eu estava. Faltava um pedaço, como diria Djavan, mas eu estava. Pensando bem, não tenho interesse, hoje em dia, em correr. Mas ainda abro os braços, buscando sentir a coragem do vento, me oferecendo para vida... ainda hoje, eu sou uma surfista de pátios.

Valeu, Thothoven!


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sempre não é todo dia

<
"Eu hoje acordei tão só,

mais só do que eu merecia

eu acho que será pra sempre

mas sempre não é todo dia"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Do Livro dos Abraços, um mar de fogueirinhas

"Um homem da aldeia de Négua, no litoral
da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou.
Disse que tinha contemplado lá do alto
a vida humana.
E disse que somos uma mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - revelou - um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre
todas as outras.
Não existem duas fogueiras iguais.
Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas
e fogueiras de todas as cores.
Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento,e gente de fogo louco,
que enche o ar de chispas.
Alguns fogos, fogos bobos,
não alumiam nem queimam;
mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar,
e quem chegar perto pega fogo".


Eduardo Galeano


Pois fiquei pensando, ontem,antes de dormir, na manhã de domingo, Dia de Valores no hospital. Relembrei da alegria dos familiares nos quartos, dos agradecimentos emocionados de alguns, do abanar de cabeça triste de um "jovem talvez pai" ao lado de uma criança na UTI, do início de choro de um menino ao ver a bruxa (o que fez com que eu saísse de mansinho...sim, ela era eu.), de outro menino que nos seguiu durante as apresentações em um dos andares, da família castelhana que abriu a porta do seu quarto com restrições, para que pudéssemos, do corredor, encenar nossa peça, cantar, brincar e deixar uma mensagem de alegria.



Com uma pintada a mais de satisfação, também resgatei imagens de uma de minhas afilhadas do Viva participando como Rena, em outro grupo de Valores. Ao mesmo tempo, fixei em minha mente o sorriso generoso de minha própria dinda: Madalena,que entrava em cada quarto apresentando todos os personagens e coordenando a brincadeira.





Nosso grupo tinha como Valores-Tema a Alegria e a Felicidade. Nossa peça durava menos de 2 minutos mas era tempo suficiente para que vilões e mocinhos de histórias infantis surgissem abraçados, comemorando o Natal e enfatizando que o mais importante é a união, alegria , felicidade e amizade. Assim, Eu-Bruxa, fiquei boazinha e entrei em cada quarto, após o chamado de um lindo palhacinho, de braços dados com a Fada . E o porquinho e a Chapeuzinho entravam abraçados ao lobo cantando "ninguém tem medo do Lobo Mau , Lobo Mau, Lobo Mau..."



Por último, nos despedíamos cantando um funk de Natal.






Dormi com o propósito de realizar no outro dia, uma postagem sobre nosso dia de Valores. Ao acordar, relembrei de um fato que mobilizou todo o grupo: no saguão da UTI, assistindo a nossa mensagem, uma mãe chorava. E foi no abraço que fiz questão de oferecer-lhe, assim como as colegas, que senti um pouco do seu desespero e de sua dor.



Abraços não precisam vir acompanhados de palavras, em alguns momentos... mas, se elas, as palavras buscam forças para se fazer presente...



Lembrei do Livro dos Abraços e de uma passagem que diz sermos um mar de fogueirinhas. Olhando nossas fotos, observando cada uma participante do grupo, confirmo as palavras escritas por Galeano: "não existem duas fogueiras iguais".



Mas, a união, o conjunto das labaredas pode ser um bonito espetáculo e trazer felicidade aos olhos de quem precisa. Participar como voluntária do Viva e estar próxima de chamas tão intensas, me preenche, me satifaz e me "encharca" de alegria.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Tudo aquilo que brilha...

Para as minhas companheiras de opção pela educação, eu lembro de uma frase da grande Lígia Fagundes Teles: "Vocação é a felicidade de ter como ofício a paixão".
Não esqueçam de manter os olhos brilhando!
Um beijo carinhoso

Hilda Alevato


Fim de ano se aproxima e , parece-me, a necessidade de avaliar alguns fatos e relembrar momentos, também.
Em novembro, participei de uma reunião no Santander Cultural e assisti a algumas pessoas falando sobre Educação Indígena. Mais especificamente sobre o livro Povos Indígenas e Educação.
Pois, logo lembrei da mensagem carinhosa enviada pela Dra. Hilda Alevato às Abelhudas Pedagógicas, por ocasião do trabalho sobre Sress(PA). A professora organizadora do livro tinha os olhos brilhando. Em toda a sua fala, registrei a paixão pelo que fazia, pela sua pesquisa, pelo objeto pesquisado, pela vida. Ela falava e sorria com o olhar.
Uma coisa me intrigava: de onde eu a conhecia? Apenas alguns minutos e eu já encontrava a resposta:


Maria Aparecida Bergamaschi, professora da disciplina de Estudos Sociais, do PEAD. Aí, lembrei dos trabalhos, dos fóruns, dos comentários, de tempo e espaço...

Com certeza, ela mantém os olhos brilhando! Foi muito bom ter sido sua aluna.

domingo, 16 de novembro de 2008

Teoria da "Conspirução" ou Mensagem para Mosqueteiras, Abelhudas e Aposentadas

Cheguei à conclusão de que "ELES estão entre nós..."



Foram abduzidos em ocasiões especiais. E começo a desconfiar que isso tudo está relacionado a rupturas emocionais , cortisol em doses elevadas no organismo e a colapsos causados por stress, já se transformando em distress.

Explico-me:

Você desejava muito uma coisa. Por exemplo: seu sonho era passar no Vestibular da UFRGS para Medicina. Tentou várias vezes. Não conseguiu. Define que esta será a última tentativa. Caso não passe, ouvirá Pagode e Funk pelo resto de sua vida.(breve, a partir desta decisão) Mas você é aprovado e pensa estar salvo. Na festa dos Bixos, está tão eufórico, tão transbordante de alegria que sua pressão sobe, seus batimentos cardíacos aceleram, seus olhos começam a ficar esbugalhados, sente ardência no peito... Vai ter um AVC? Não!!! Está sendo abduzido no meio da festa.

Outro:

Você se incomodou com um colega. Ele disse que você disse o que não disse. Você já não consegue dormir pensando no que disse a ele, no que não disse e poderia ter dito. Você só pensa em tudo que poderia ter dito, no que disse e no que vai dizer quando encontrá-lo novamente. Você está gripado, a gripe se fortificou e, em breve, você descobrirá que além da gripe, está com uma tremenda gastrite. E você continua pensando no chato.

Já passaram alguns dias e o chato nem lembra de você, está procurando outra vítima pra infernizar. Mas você, fiel ao extremo, continua ali, grudado nele.

Em outro dia, vai até um consultório médico e espera ser atendido. Enquanto lê uma reportagem sobre "Cortisol, o hormônio do Stress", sente um formigamento nas pernas. Tenta levantar da cadeira e não consegue. Cãimbras, problemas circulatórios? Não!!! Você está sendo abduzido!

Mais um:

Você está prestes a se aposentar, "descansar as chuteiras", "aproveitar a vida", acordar mais tarde, "quebrar o despertador". Você tem uma família enorme, repleta de primos, tias e sobrinhos que não vê há anos. Nas primeiras horas de já aposentado, seu pensamento menos nítido parece o de fazer, algum dia dentre os próximos anos, uma visita àquela turma do interior.

É noite, você ficou acordado até tarde sem culpa e vai dormir feliz sabendo que meio-dia é bom horário para sair da cama. Dorme. Acorda poucas horas depois com o insistente barulho da campainha. Verifica que são apenas sete da manhã e, ao abrir irritadamente a porta, se depara com várias pessoas sorridentes e caladas: tios, tias, primos, sobrinhas vieram tomar o primeiro café da manhã de aposentado com você. Bate a porta rapidamente e pensa estar vivendo o princípio de um pesadelo. Reabre devagarinho e espia para ter certeza. Eles continuam ali, silenciosos e aguardando... Então, são mesmo a sua família? Não! São ELES-disfarçados! E você está sendo abduzido!



Muitos anos se passaram e eu penso que você já era. Não era.

Passei no vestibular. Estou feliz, encerrando o primeiro semestre de aulas. Tiro uma foto com as colegas mais próximas e queridas. Esta foto vai fazer história.

Semestres depois, faço um trabalho de uma tela com acrílico e colagens de fotos. Colo aquela foto. A tela permanece em minha sala até o dia em que, espantada, percebo a presença de uma pessoa desconhecida abraçada ao grupo. Quem era? De onde veio? Ah! Era você! Você foi liberado da abdução em outro corpo, agora feminino e chegou no Planeta no minuto em que meu celular captava uma imagem. Foto histórica. Mas, ainda não sei quem é você. Mas posso adiantar que meu curso não é o de Medicina.

Outra:
Dizem que sou uma pessoa ZEN, tranquila...até abraço árvores. Sou consciente da força propulsora de Gaia! Falo com as plantas, as pedras e escuto os animais. Minha trajetória é uma tranquila sinfonia inacabada.
Então, um dia, já não sou mais ZEN: tenho desejos inconfessáveis de esganar alguém pelo pescoço. Esse alguém é você que voltou da abdução como um "Chato de Galocha e Carteirinha".
E você pensa que eu sou a presidente do Sindicato das "Vítimas dos Abduzidos que voltaram sem noção". Fica o tempo todo atrás de mim pedindo o endereço do Steven Spielberg e repetindo frases desconexas como "somos educadoras...do manancial de ervas."


A última:



Converso com amigas sobre outras amigas. E todas elas pensam que uma das amigas é amiga de outra amiga. Mas, não é. NINGUÉM CONHECE: "mas ela não é sua amiga?" "Não! Pensei que fose sua. Estava conosco por ser sua conhecida. " "Mas não é!" "Ela é conhecida de alguém?" Não???!!! Ué...

Você chegou da abdução e confundiu todo mundo. Ninguém lhe conhece.

MAS...você quer conhecer a todos.



Cuidado, pessoas! Eles estão entre nós! Estão se aproximando. Nos ônibus, em nossos empregos, nos cursos, atravessando a rua... são olheiros, captando imagens, mandando informações, sugerindo novas adduções.

Será que tem PEAD no lugar DELES? E SPA?

E se eu já fui abduzida e, voltei?

Nossa!!! E se o lugar dos abduzidos for aqui? A TERRA NÃO É A TERRA! Nós somos os abduzadores. Na verdade, esquecemos de nosso ofício primitivo: apenas uma elite continua abduzindo. Essa elite está no Planalto, nas prefeituras, nos cargos de confiança...

MISTÉRIOS...

sábado, 15 de novembro de 2008

QG da Chaine!


Neste sábado, Lu e eu estivemos no QG da Chaine. Juntamente com Inês e Lu Sobotyk conversamos sobre nosso trabalho sobre aposentadoria e realizamos as finalizações necessárias. A tarde foi muuuito legal! Chaine, seu irmão, sua mãe, Hermes (o cocker charmoso) e Belinha ( a vizinha de quatro patas que está "doidinha" para se mudar para a casa da Chaine)... Muitas risadas, trabalho e, entrelaçando tudo isso, um sentimento de carinho e amizade. Saímos com sacolinhas recheadas de verduras da horta de nossa amiga. Voltamos com a Lu e seu marido Paulo, falando sobre Música, filmes, Informática e outras coisas. Valeu!

PS: Sentimos falta da Iliana e da Aline, que não puderam ir. Mas, participaram do trabalho como todas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008




Por hora, só os meus "xódos". Retorno com postagens... bem mais consistentes, no final de semana.



Thorzinho




Beethoven


O mais sábio e persistente da turma: 18 anos de parceria





Guria

domingo, 26 de outubro de 2008

Mais uma dança

Circula pela rede uma carta que teria sido escrita por Fernanda Torres, sobre seu pai.
Transcrevo-a. Os créditos da foto são de Antônio Guerreiro.


A DANÇA DA MORTE

"A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi o melhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos de parceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela se passa no início do século passado e conta a história de um general aposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em um farol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde com eles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por doze vertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua mais derradeira solidão.
Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general da I Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lá pelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:
– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!
E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando em torno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque da esposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC. A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alice arrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo.
Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viu sabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria a acontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce, amorosa e redentora. Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde, no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer que meu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.
Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante a representação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, como a neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era um problema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levou vinte anos para acontecer.
Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numa crônica. Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para os filhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modesto perfil.
Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce e sádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor e ator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro. Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dos tempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissão etérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plena Cinelândia ele gritou: 'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica. Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo a ele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu, Buenos Aires e as montanhas russas. Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meu pai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.
Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do pai jovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturam fortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimos tempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai. Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesse período, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge e Cristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital Sarah Kubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida, libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos e colocando no lugar o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e à doutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fui entender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, e com ela. Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração ou batimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foi ela quem nos ajudou. A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica e acolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundos achar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte da vida.
Um salva de palmas para ele. Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso. Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minha Dança dos Boiardos."

(Fernanda Torres)

domingo, 19 de outubro de 2008

Coincidências

Recebi, agorinha, de uma pessoa muito querida chamada Rejane Dubois. Compartilho.


Quando eles começam a dizer adeus

Volta e meia lembro das palavras da professora Íris ao afirmar que, depois do término do curso, poderíamos, através dos blogs, percorrer nossa caminhada acadêmica, profissional e pessoal. Espero voltar e relembrar com muita nitidez todos os anos e meses.
Estamos em outubro de 2008 e quero relembrar que é um mês eleitoral, estamos escolhendo nossos prefeitos e vereadores. Em POA, vamos ao segundo turno para decidir quem governará nossa cidade.
Já eleitos alguns, podemos aguardar e acompanhar a construção de trajetórias de sucesso ou, ao contrário, lamentar trajetórias e posturas baseadas em ignorância, atrapalhação, autoritarismo ou má-fé.
Em outubro também assistimos, estupefados, o desequilíbrio e a doença no seu auge, ceifando a caminhada de uma adolescente chamada Eloá. Um ex-namorado manteve a menina refém em um apartamento em Santo André, SP. O desfecho foi infeliz: Eloá em coma, sua melhor amiga ferida e, no mínimo, três famílas tragicamente abaladas.
Estamos no quinto semestre do PEAD e acredito ser o trabalho com os Projetos de Aprendizagem o grande foco do semestre. Participo de dois grupos com os temas Stress e Aposentadoria.
Através da pesquisa com minhas colegas, descobri coisas interessantes como "que o stress não é sempre negativo, que existe o Distresse e , ele sim, é a parte que nos traz malefícios que podem ser emocionais ou orgânicos". A afirmação o stress mata, não é verdadeira pois o stress, pode trazer benefícios dependendo da forma como é "recebido pelas pessoas"; o que pode matar são as consequências de uma situação estressora que se transforma em Distresse, quando o corpo e/ou a mente entram em colapso.
Podemos controlar nosso stress, podemos resignificá-lo de forma saudável. Podemos buscar maior qualidade de vida , através de nossas ações. Podemos... e é aí, que entra outra parte: Queremos? Sabemos o que queremos?
Na busca de materiais para o trabalho relativo à aposentadoria, encontrei um vídeo em que Paulo Freire fala da Evolução do Ser. Segundo ele, somos seres inacabados e estamos sempre em busca do SER MAIS. E, algumas vezes, neste processo de busca, nos perdemos. Ocorre um outro processo, o de Desumanização. E Paulo afirma que esta desumanização nada mais é do que a distorção da busca anterior, um "trágico acidente a que nós estamos sujeitos no processo de buscar."





Neste outubro, motivadas pelo trabalho sobre aposentadoria, conversamos com a colega Marion e com a professora Bea, que nos ofertaram seus depoimentos. Foi bem legal.

Pessoalmente, acredito que neste mês tive várias oportunidades de presenciar buscas bem e mal-sucedidas em direção ao SER MAIS. Infelizmente, muitos ainda confundem o SER com o TER, o ser dono, tomar posse, não aceitar o outro... escrevo relembrando o provável sentimento de posse que um rapaz de 22 anos tinha sobre a vida de uma menina de 15 anos. Relembro também da fala despreocupada de um senhor de 78 anos, que incomodado com seu cachorro, arrastou-o acorrentado em um carro.

Paulo Freire tem razão...

E é embalada pelas palavras de Paulo Freire que relembro de outras passagens, de amigos, de parentes, de palavras acalentadoras oferecidas em diferentes momentos. Enquanto escrevo, aos meus pés, em seu almofadão, Beethoven ressona. Em fevereiro de 2009 ele faria 19 anos...ou fará, ainda não sei. O fato é que meu companheiro canino começa a se despedir.

E é acompanhando sua marcha trôpega, seus latidos enfraquecidos e a ausência do brilho em seus olhos que, mais uma vez, aguardo o momento de decidir sobre a partida de um de meus amigos . Mas enquanto os remédios e a veterinária garantem uma qualidade de vida ainda razoável , vou desfrutando de sua amizade e de sua companhia. Vou relembrando, junto a ele, de nossas corridas e brincadeiras pelo campo aqui perto de casa, das suas fugas em dias de chuva, de seu salto em um lago em dia de verão, das suas orelhas compridas balançando enquanto corria ou fugia levando um brinquedo na boca e da manhã em que, protegendo-me, frustrou uma tentativa de assalto. Agora, ele levanta a cabeça e cheira em minha direção, certificando-se de minha presença. Suspira e retorna ao sono.
Outro mestre (desta vez, literário) escreveu um livro que muito admiro. Graciliano Ramos tornou a cadelinha Baleia inesquecível para muitos. Tenho uma amiga que escreve contos e crônicas . Uma vez, disse-me que ainda escreveria um conto que desse vida à personagem Baleia, que de alguma forma faria com que seu desfecho fosse outro. Minha amiga, até hoje, tem bronca com Graciliano Ramos por causa do Vidas Secas.


Eu gosto de pensar no que Baleia teria vislumbrado: outra possibilidade de viver de forma mais feliz. E é pensando assim que todos os dias, ao sair de casa, me despeço de Beethoven. Meu amigo começa a me dizer adeus e entendo a sua necessidade de partir. Acredito que em breve ele estará entre folhas e arbustos, cheirando tudo com seu olfato recuperado e se preparando para uma corrida sem cansaço.

Torna-se mais difícil, entretanto, aceitar o adeus de quem não se sabia partindo, de quem ainda estava construindo uma trajetória...
Através de Maturana podemos compreender a importância do que tivemos na infância e , também, das escolhas que fazemos ao longo de nossa vida.
Neste outubro, confirmo o que penso, ao valorizar amigos, momentos e recordações. Um beijo e abraços do Lu, conversas e risadas com Mosqueteiras, Abelhudas, Aposentadas e todas as outras pessoas que me fazem bem, despedidas bem elaboradas, saudades... tudo isso me preenche , me prepara para essa grande tarefa de passar pelo mundo e, quem sabe, também para a hora de , algum dia, começar a dizer adeus.


domingo, 12 de outubro de 2008

Confiantemente, sem stress

Neste, como em outros semestres, o Seminário Integrador propõe mais uma atividade instigante: os Projetos de Aprendizagem.
Inicialmente, o grupo esteve confuso em relação ao foco de pesquisa. Mas com o tempo, sentímo-nos mais seguras e capazes de trilhar outra nova jornada. Nosso foco é o Stress e a pergunta inicial é "O stress pode ser saudável?"
É evidente que a resposa não será fornecida aqui mas, posso tecer algumas considerações sobre este trabalho. Uma de nossas maiores conquistas, no grupo, se refere, certamente, à sintonia demonstrada entre suas participantes. Desde o início, o "tom" do trabalho foi registrado com bom-humor. As relações entre as participantes são de confiança e partilha. Rimos bastante durante nossas conferências. Por sinal, uma ótima dica para administrar o stress é rir , sorrir, praticar atividades que nos tragam prazer e procurar ter contato com pessoas que nos façam acreditar que a vida vale a pena... apesar de muita coisa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

JOMEEX

Dia 27 passou. Deixa saudades, novamente. A cada ano, nossos alunos se emocionam, nos emocionam e se superam.

Durante semanas, nas aulas de Ed. Física e em outros cantos da escola o assunto é o mesmo: o reencontro no SESC com ex-colegas, professores, com suas turmas, seus amigos... o desfile, a banda, as competições.


Todos que competem ganham suas medalhas, sobem no pódium, tiram fotos e sentem imenso orgulho. Uma de minhas alunas ao receber sua medalha, no sábado, só foi retirá-la do pescoço na segunda-feira, depois da aula.
Todos nós, professores, gritamos, torcemos e aguardamos nossos competidores na linha de chegada para cumprimentá-los e falarmos de nosso orgulho.

O JOMEEX é uma festa!


domingo, 28 de setembro de 2008

"tenho sonhado muito estranho"

Estou em fase de dieta...
Meus sonhos estão muito estranhos... mas, pensando bem, se justifica. A animação abaixo mostra qual o meu foco imaginário.

sábado, 13 de setembro de 2008

Quando "menos é mais"

Já faz um tempo que tenho a idéia de escrever sobre como vejo e organizo o meu blog. Ou, os meus blogs. Com a insistência de uma amiga em saber como penso, o que coloco ou não, resolvi abandonar a decisão de "um dia eu escrevo".
Vamos por partes: gosto muito de cores, especialmente lilás . Penso que o blog deve ser atraente para quem o lê, começando por mim.
Não gosto de luzinhas piscando, florzinhas e outros "inhas". Blog muito colorido, no meu caso, me atrapalharia. Afinal, o que é mais importante? O conteúdo ou a embalagem? Respondo que a embalagem é importante mas não deve se sobressair ao que escrevo.


No blog Interdisciplinas, procuro manter um ar mais formal. Sendo um instrumento utilizado, principalmente, com fins de acompanhamento de minha história acadêmica (somada à vida profissional e pessoal) tenho um cuidado maior com a seleção de conteúdos e com a ortografia, concordância, etc.
Minhas eternas vilãs, as Vírgulas, sempre me acompanham pregando algumas peças em meus escritos. Mas, sobrevivo.
Apenas um gif permanece no layout de meu blog: Mutley , o cachorro personagem do desenho Corrida Maluca. Sua presença me traz boas recordações de infância e indica um gosto pessoal: gosto de animais, especialmente cachorros. (Ah! também tenho o gif do relógio que, atualmente, faz parte ...)
Continuando... escolhi a cor preta para ser a base de minhas postagens. Na escrita, procuro escolher sempre a mesma cor ou suas tonalidades de forma que haja uma certa harmonia. Jamais coloco vermelho sobre o preto, pois acho difícil de visualizar.
Agora lembrei do Melvin! No primeiro semestre do PEAD coloquei, copiando uma das colegas, um gif do mago Merlin em meu wiki. Assim que minha página era acessada, ele aparecia, fazia um movimento de bater na tela e voava por toda a página. Sempre acompanhado de sons característicos, claro. O que eu achava uma gracinha, inicialmente, tornou-se um tormento, tempos depois: já não aguentava ouví-lo batendo em uma porta imaginária, dizendo "Helloooo" e voando sobre as postagens que eu tentava ler. Como todo o mago, este era temperamental e, ao tentar excluí-lo de minha tela, não conseguia. Com a ajuda de uma das professoras "despachei-o" para os tempos da Távola Redonda.
Nos primeiros meses de PEAD, ao percorrer por outras páginas, conheci o blog de um cara legal, chamado Sérgio Lima. Ao conversar, via comentários de post, falei de meu desejo de colocar música em meu blog. Eu, que adoro música, não poderia deixar de colocar músicas que gosto no meu espaço. Foi então que li como resposta "Bia, menos é mais". Gentilmente, ele me indicou alguns links para que eu pudesse me apropriar e colocasse uma trilha em meu blog. Entretanto, demonstrou que isso, talvez, não fosse tão importante e que meu blog poderia ser mais atrante se menos recursos tecnológicos tivesse. Naquela época, concordei parcialmente. Argumentei que "menos é mais, quando se sabe como faz". Aprendi a usar o recurso mas não coloquei.
E, agora, faço um parênteses: gosto muito de Música. Gosto de MPB, música instrumental, new age, algumas clássicas, Glenn Miller, Pavarotti, Djavan, Engenheiros...Gosto de tangos, música celta, trilhas de filmes... Eu gosto. Eu. Entretanto, meu blog é um convite, espero que outras pessoas venham e permaneçam um tempo em sua leitura. Quando entro em um blog cuja música compete com o texto e ganha,desisto de permanecer. Descobri com o tempo que música no blog precisa levar em conta os visitantes e, também, a mensagem que ela traz. (se há alguma, lógico) Músicas de funk, com letras tendensiosas e agressivas sempre me gritam "vá embora, correndo". E, salvo algumas exceções, geralmente vou.
Mas, com a possibilidade de colocar vídeos de música que só tocam se o leitor quiser, considerei-me satisfeita.
Minha amiga novamente me pergunta agora, aqui em casa, o que ela deve considerar. Acho que a melhor resposta foi a que dei anteriormente: pense que o blog está sendo feito para ser exibido, para que outros leiam....não dificulte o trabalho das visitas. Mas, se colorir, colocar milhares de florzinhas, gifs, mensagens diversas for de sua vontade...Faça. Só o tempo vai dizer o que é bom... e você precisa acreditar que aquele recurso, aquela palavra, aquela imagem tem uma razão de estar onde está...e que isso contribui para o que você deseja. O resto, é o resto.
Mas não esqueça... às vezes, MENOS É MAIS.

sábado, 23 de agosto de 2008

Luto pombal e cia


Pois é... acho que estou em "estado de choque pombalístico".

Desde pequena observo as pombas caminhando audaciosamente próximo a pneus de carros e procurando comida nas calçadas. Sempre pensei: "mas onde estão os filhotes de pomba?"

Alguém já viu um filhote de pomba?

Nunca perguntei a ninguém até conhecer meu marido. (não sei qual a relação...) A ele, entre uma conversa e outra eu perguntava: "Lu, já viu um filhote de pomba?" "Não, nunca, Bibi..."

O Google surgiu em nossas vidas e, nada. Jamais pesquisei sobre o assunto. Algo me impedia. Mas no fundo, eu teorizava romanticamente: "hum, as pombinhas são mães muito zelosas. Escondem e protegem seus filhotes até a fase adulta."

E falando em fases e em adulta devo confessar que meu choque pombalístico começou através de uma intervenção de nossa querida Íris. Sim, graças a ela fui arrancada da fase romântica sobre os bichinhos.

Na aula presencial, ao verificar as questões que Iliana e eu escolheramos para o PA, questionou a relevância das mesmas já respondendo a pergunta que eu sempre guardara sem respostas: " ora, quem não viu é porque não estava no lugar certo! Eu estou cansada de ver filhotes de pombas que caem dos ninhos, perto de minha casa.."

Percebem o meu choque? Íris não só respondeu à pergunta como disse que já vira, não uma, mas MUITAS VEZES, filhotes de pomba!!!
Fiquei olhando para ela e ouvindo-a, conversando e analisando sua face tranquila que demonstrava não ter captado a importância daquele momento: saí da infância pombalar para a fase adulta pombalística! Alguém vira os filhotes de pombas muitas vezes e dissera que eu nunca estivera no lugar certo para vê-los... E pior!!! Que estava cansada de vê-los!!! Pensam que ficou só nisso? "Nananinanãoooo!"

Nossa colega Rosária também "matou" minha curiosidade ao contar-me que sua avó tinha criação de pombas e que ela também vira muitos filhotes. Contou-me que eram muito feínhos e que tinham uma plumagem muita escassa, por isso, ficavam "protegidos" por bastante tempo...

Tanta gente querendo me ajudar e eu só pensava "será que mais alguém viu? Será que a Íris e a Rosária não são as únicas remanescentes de uma espécie em extinção: AQUELES QUE VIRAM OS FILHOTES DE POMBAS? "











Mas, ainda havia a questão das abelhas...

"É verdade que as abelham morrem depois de darem uma ferroada?"
Facilmente, Iliana encontrou a resposta, em sua casa. Mas, tendo abandonado os filhotes de pomba, tentávamos ficar com as abelhas.
Nossa "Poderosa Íris" entrou em ação e lá íamos nós outra vez, à procura de uma questão que nos mobilizasse de verdade. Mas, enquanto essa nova e ainda desconhecida curiosidade está adormecida, procurei, finalmente, fotos de filhotes de pomba e curiosidades mais específicas sobre a abelha rainha.
Li que a abelha rainha ao ficar velha e incapaz de procriar era substituída pelas abelhas operárias. "Como assim? Elas se voltam contra a Rainha e matam a coitadinha?"
Alguns textos falavam em substituição mas não entravam nos detalhes mais perversos. "Garimpei" e encontrei esta resposta na wikipédia:

Substituição é o processo pelo qual uma rainha, normalmente muito velha ou doente, é substituida por outra. Com o avanço da idade, a rainha para de produzir seu feromônio inibidor.
A substituição pode ser forçada por uma operária. Ela pode, por exemplo, cortar uma das patas dianteiras ou do meio da rainha, que não consegue mais se apoiar corretamente e para de colocar os ovos na posição correta. Tal fato é percebido pelas operárias, que iniciam imediatamente a produção de novas células de rainha. Quando uma nova rainha já está madura e fértil as operárias matam a anterior por sufocamento, se sobrepondo umas as outras sobre a rainha, até que ela morra por excesso de temperatura (método também utilizado para matar vespas predatórias).


Considero muito luto de uma vez só: o luto pela saída de uma fase infantil para outra, o luto pelas pombinhas que caem dos ninhos perto da casa da Íris, o luto pela abelha Rainha(tadinha...) e por todas as operárias que morrem ao picarem alguém... minha nossa, se demorar mais, sou capaz de chorar pela morte da "bananeira que morre depois de dar cacho", se isso for verdade, lógico.
É, esse semestre promete...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Nos caminhos de Alvorada

Brincando com um poema conhecido , posso dizer que


No meio do caminho tem Alvorada

tem Alvorada no meio do caminho

tem Alvorada

no meio do caminho tem Alvorada


Lembro todos os dias

através da minha rotina acadêmica tão sonhada

lembro que no meio do caminho tem Alvorada

tem Alvorada

e não é pedra, é felicidade conquistada.

Mosqueteiras Pedagógicas


"imagem é tudo..."


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Agosto à gosto na segunda parte

Além do incômodo em partilhar, com um grande número de pessoas minha rotina pessoal, ficava retumbando em minha mente um verso ou frase: "Sou dona do meu tempo".
Tento explicar: sou dona do meu tempo e ele, senhor de meus momentos. Construo minha rotina com imprecisão e decisão. Durmo pouco, acordo mal, sinto sono, acordo, leio, construo, passeio quase nada. Percebo que meu lazer é uma piada. Mas o tempo e como é administrado não deixará de ser resultado de minha constante reflexão.
Retomo a frase "sou dona..." e penso sobre o motivo de relembrá-la e de por que minha irritação.
Na verdade, quando somos confrontados com nossas falhas, podemos reagir com raiva, aceitação, teimosia, culpa, bom-humor...
Enquanto escrevo, converso com a Kátia pelo Skype, ouço a porta da frente bater, indicando que o Lu chegou e penso" só mais uns minutos, só mais um pouquinho..."
Acho que a frase correta vem das vozes do grupo Roupa Nova e diz "sou dona do meu coração".
Fui buscar a música e li versos muito interessantes. " as pessoas se convencem de que a sorte me ajudou, plantei cada semente que o meu coração desejou..."
Que interessante... leio outros versos e enxergo coisas de minha mãe; "eu não me permito chorar, já não vai adiantar e recomeço do nada..."
Outros versos, no meu caso , são inverdades: " jamais me desespero..."
Mas gosto desta música, apesar de sentí-la raspando em algumas paredes internas.
Bem, já é tarde. Desejo a todos um semestre com muita persistência, saúde e equilíbrio.
Inté...daqui a pouco.

Agosto, à gosto...

Comecei em agosto... na verdade, recomecei, com o RE bem grande.
No dia 5, junto com minha colega e amiga Kátia, retornei ao Hospital Santo Antônio para contar histórias e participar da Hora do Contador.
O "caminho" até o hospital pode apresentar obstáculos (cansaço, atrasos, um aluno que surta, uma carona perdida, um ônibus que atrasa e outras coisinhas) mas, quando chego nos quartos e começo a contar histórias ...esqueço tudo e fico feliz. O cansaço vai embora, a dor no pé... Gosto disso. Durante algum tempo, as intempéries do caminho reduziram minhas forças. Mas, como cantava o Oswaldo Montenegro, "sempre não é todo dia".

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Champagnat da Juventude" e uma história de Jardim


Lá pela metade da década de 80, fui professora de um menino que adorava ouvir histórias e arregalava os olhos de felicidade ao assistir teatro e manipular fantoches. Lembro dele com um blusão vermelho... tinha 5 anos, cabelo bem lisinho e acastanhado em um corte tipo pagem.
Bem... há alguns anos, tive a felicidade de reencontrá-lo e observá-lo no "exercício de sua profissão e de seu prazer"...
Hoje relembrei de um tempo de histórias, teatros, caminhadas pela cidade universitária com os alunos, de jovens pais, de seus filhos promissores. Fui buscar registros na web e dei de cara com a Cia A Caixa do Elefante Teatro de Bonecos. Olhando as fotos reencontrei aquele que fora meu aluno. Bem, o agasalho não é o mesmo, evidentemente, mas é vermelho...
Muito orgulho deste "menino": Rafael Rossa.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

domingo, 6 de julho de 2008

Se

Pela voz, pela musicalidade, por duas ou três palavras, por alguns versos, pela imagem... se, neste momento, eu estivesse fechando as portas do semestre, usaria esta música para me despedir, para desejar bom descanso nas férias, para desejar que acalentasse o sono de quem precisa dormir, que distraísse a mente de quem a tem ocupado em demasia, para que acompanhasse as mãos dadas de quem esteve afastado, para atenuar a dor de quem tem sofrido...para abraçar, acalentar, entrar dentro do peito e, ali, se aninhar...pulsando, pulsando, pulsando... buscando vida...