domingo, 1 de novembro de 2009

Pequenos paraísos





Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca."
(Jorge Luís Borges)

Desde pequena aprendi a utilizar as prateleiras de uma biblioteca como passaporte para grandes viagens.
Conseguir uma nova carteirinha de sócia era motivo de muito festejo, em minha casa.
Na infância, palmilhei por muitas bibliotecas: do SESI, da AABB, ASBac, a biblioteca da casa dos meus padrinhos, da casa dos pais de meu amigo Mathias.. Mais tarde, Biblioteca Central, Lucília Minssen, CCMQ, Faculdade de Letras, Bibliotecas da Smed e FAPA.
Entrar em uma Biblioteca, observar as prateleiras, folhear os livros, escolher aquele que mais interessa, circular pelo espaço sempre foram motivos de muito prazer.
Neste ano, com a aposentadoria da professora responsável por este espaço, a equipe diretiva de minha escola convidou-me a assumir a vaga existente. Este convite foi motivo de muita alegria: tinha a certeza de que poderia, de alguma forma, retribuir tudo o que eu conquistara através deste espaço, realizando hora do conto, estimulando o manuseio dos livros, oportunizando que todos os alunos fizessem retiradas e, na sequência, seus familiares também.


É bem verdade que, além da turma de terceiro ciclo, à tarde, ainda partilho com uma querida colega a coordenação cultural da Escola. Entretanto, entre ter a possibilidade de realizar um novo e mais instigante trabalho, oferecendo uma diferente "filosofia de Biblioteca" , beneficiando muitos alunos e continuar me dedicando quase integralmente a uma coordenação onde já havia uma pessoa também responsável, naturalmente, voltei maior parte de minha atenção para o novo desafio. Porém, por várias questões, ainda não pude me desligar, como é meu desejo, da Coordenação Cultural.
Atualmente, na escola, realizo o trabalho na Biblioteca, sou responsável pela coordenação do Projeto Adote um Escritor, atuo com uma turma de adolescentes (maravilhosos! Tanto a turma como a parceira.) e, de forma não tão intensa quanto antes, acompanho minha colega da Coordenação Cultural.
Nos entremeios, administro o blog da Escola e me "enturmo" cada vez mais com as Tic's.
Chego à conclusão de que tenho bastante com o que me ocupar, fora o PEAD, Cursos de Extensão, cuidados com turma canina e felina, vida pessoal e saúde.
Não trago essas observações como um lamento, ao contrário. Sinto-me desafiada (ok, ok...por vezes cansada, sonolenta...) e instigada a testar os meus limites.
Mas o que faz com que eu "aguente" quase beirando e ultrapassando certos limites? A parceria , o prazer de fazer o que gosto e a compreensão de que nada é permanente.
Em relação aos parceiros, descubro que tenho vários em diferentes níveis: marido, amigas e colegas da Turma e da Coordenação, a equipe diretiva de minha escola, minhas colegas e amigas do PEAD, minhas professoras, orientadoras, tutoras, cachorros, gatos, livros...
E, se por alguns momentos, estiver mais cansada, rabugenta ou , como diz uma colega da Escola, " já estou tomando sorvete pela testa" vou tentar lembrar do que disse a Neusa: "a cada dificuldade surgida, encontro um jeito de..." contorná-la, enfrentá-la, ultrapassá-la , acrescento eu.
Vou conseguir, sempre? Acho que não. Mas uma bela tentativa já é um bom caminho.
Alguns paraísos podem parecer pequenos mas a luminosidade que irradiam nos afeta por uma vida inteira, não é?

sábado, 31 de outubro de 2009

Ampliando a rede

Já faz tempo que penso em escrever sobre a multiplicidade de meu dia a dia.
Começo por dois cursos de extensão que estou realizando: o primeiro, semipresencial, tem como foco Competências para um Trabalho em Equipe. ( em ambiente virtual)
Meu interesse por esse curso se origina no semestre passado quando realizei um Projeto de Aprendizagens sobre Grupos.
Com um olhar mais distante, percebo que o desenvolvimento do PA e sua aparente conclusão sempre esteve "costurado" com as relações que o grupo mantinha. O que não deixa de ser óbvio. Mas já naquela época as relações, o vai e vem de papéis, a troca de funções, chamava minha atenção... Saí daquele PA com a sensação de que alguma tinha mudado e outras coisas precisavam ser descobertas. Quando li o folder do curso pensei "é por aí que eu vou..."
Uma das coisas que gostei muito é a possibilidade de, por algum tempo, conviver com pessoas de diferentes áreas: artista plástico, contador, gerente, analista, estudante de Filosofia e vários outros.
Já no primeiro dia, dividimo-nos em grupos. Com as iniciais de cada um, formamos o WeBiJeCla: um grupo buscando se transformar em equipe.



A ferramenta de trabalho é o ETC, Editor de Texto Coletivo. Através dele, nossa participação é registrada, colaborações e idéias são compartilhadas.
Confesso que, para alguém já acostumada a utilizar o ROODA e, principalmente, o pbworks com suas inúmeras funcionalidades, a utilização do ETC parece ser ainda muito limitada.
Mas é com a participação do grupo, sugestões e indicativo de dificuldades encontradas que a equipe técnica buscará o aperfeiçoamento da ferramenta. Portanto, "faz parte".
Ironicamente, constatei que para alguém que não gostava dos fóruns deste semestre no PEAD, procurei de forma certeira: no mínimo 4 fóruns, dentro do ETC. Mas, surpresa! Estou gostando. Quem participa o faz por que tem algo a questionar, acrescentar, a descobrir... não há preocupação (nossa) com um número mínimo de postagens mas sim, em relacionar o que foi lido com os comentários do fórum e com o que se registra. Vamos conversando e a opção "resposta" é bastante utilizada. Novamente a diversidade se apresenta como aspecto positivo.

Em relação às leituras e bibliografia indicada estou me organizando pois o volume aumentou. Mas questões como a funcionalidade de uma equipe, diferença entre equipes e grupos, competências vêm ao encontro de algumas percepções e curiosidades "alimentadas" no Seminário Integrador.
Com todo o cansaço e pouco tempo, tem valido a pena.

O segundo curso de extensão foi escolhido por razões óbvias: também oferecido pela Educação à Distância da UFRGS, trata de Projetos de aprendizagem. Há muitas afinidades neste curso. O fato de realizá-lo na companhia de duas de minhas amigas Mosqueteiras (kátia Diehl e Lu Sobotyk)é um grande estímulo.
Ainda estamos no período de apresentações virtuais mas percebo que, em breve, estaremos com a "mão na massa".



Considero este semestre um interessante desafio. A "batalha" se trava entre a minha vontade de descobrir cada vez mais e os limites que meu corpo e mente impõem.
Neste momento, o que procuro? Encontrar um meio termo e desfrutar das oportunidades que surgem com prazer e saúde. E, como diz a tutora Rossana, "vamoquevamo!"

sábado, 24 de outubro de 2009

Os Galileus que leêm o mundo

Enquanto assistia ao vídeo disponibilizado pela Professora Luciane (EJA) e , mais tarde, ao ouvir seus comentários, relembrava de uma história que contei na primeira apresentação de Memorial, no PEAD: Galileu Leu.
Gosto muito de contá-la quando realizo oficinas com educadores. A conversa que surge, a partir do Galileu, sempre é muito boa.
A aula presencial, e me refiro exclusivamente à professora e a discussão proposta por ela, foi muito significativa.
Ao ouví-la, lembrava de uma de minhas alunas que tem uma ânsia de aprender admirável. E as leituras de mundo que começa a fazer emocionam suas professoras: minha colega Sílvia e eu. Fiquei pensando se estou, realmente, fazendo todo o possível para auxiliá-la ou posso conseguir mais...

E sabem de uma coisa? Acho que essa aluna merece que eu "consiga mais"...
Por hora, ofereço a leitura de Galileu para a professora Luciane e para todos os colegas e amigos que sabem que , muitas vezes, fazemos uma atuação bem melhor fora dos palcos que alguns procuram criar.

domingo, 11 de outubro de 2009

Para todos os 15!

O objetivo deste post é retomar a conversa iniciada com as professoras Bea e Íris através de postagem e comentários neste blog sobre fórum e trocas realizadas. Acho pertinente partilhar alguns vídeos e escritos que mobilizaram a minha reflexão.



Volta e meia retomo alguns vídeos e escritos de Paulo Freire. Se quero assistir a um depoimento apaixonado sobre seu ofício, geralmente, começo com ele.



"...antes da palavra o que a gente tem pra ler... é o mundo. A gente lê o mundo na medida em que o compreende e o interpreta..." (Paulo Freire)
Em minhas circuladas pela rede encontrei um vídeo falando sobre as idéias de Paulo, uma leitura e escrita equivocada na Revista Veja e uma bronca de outro Paulo. Interessante assistir...



Dinéia Hypólitto, em seu artigo O Professor Como Profissional Reflexivo, escreve:

"O saudosismo, o desejo da volta a um mundo em que não havia contestação, o professor tinha status e era o centro da sala de aula, ditando normas, pontos e conceitos, não se coadunam com o professor reflexivo, homem de seu tempo, de passo acertado com a evolução que continua. Vasconcellos nos explica que: “O espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática é essencial para um trabalho que se quer transformador."

Acho interessante pensar que somos seres inacabados buscando a perfeição. Hoje, bem mais do que antes, acredito que o mais significativo seja o processo de busca, a forma como idealizamos e realizamos nossas caminhadas.
Ter a certeza de tudo e de todos nos engessa, nos formata, impede o processo de procura.
Quando Paulo Freire fala sobre a leitura de mundo nos aponta um dos caminhos: o caminho de "nos sabermos", "nos conhecermos" e conhecermos nossos alunos: o caminho da investigação.
Em seu comentário neste INTERDISCIPLINAS a professora Bea escreve "...pois não se saber impede que se mude..."
A professora Íris indaga : "...precisamos pensar como colocar a situação: desabafamos e denunciamos mais do que criamos e anunciamos ou tendemos ao contrário?"

Ah! Posso estar sendo repetitiva mas lá vem, bem grudadinho nas palavras de nossas mestras, o nosso amigo Platão. O que fazemos? temos a certeza do que fazemos? Mesmo?
Pois o Platão já nos indicava que uma boa pergunta pode ser bem mais produtiva do que uma resposta.
Afinal, o que queremos desde a entrada neste curso? Qual a nossa busca? Queremos apenas um canudo ao final do último semestre ou , ao contrário, desejamos ir além, através das experiências possibilitadas?
Será que conseguimos fazer a relação (longínqua para uns, inexistente para outros, mas presente para alguns) entre o que vivenciamos e a possibilidade de termos uma sociedade melhor? Com alunos mais criativos, mais ousados, mais confiantes e, ao mesmo tempo, com um olhar mais terno e respeitoso com todos os seres? Conseguimos perceber que nossa postura, aquilo que pensamos, dizemos e criamos tem a ver com a sustentabilidade desse planeta?
Nossas ações correspondem aos fatos?
Se queremos transformar precisamos nos buscar. Assim como Hypólitto e Vasconcellos escreveram a reflexão é necessária.

Será que eu já escrevi em algum lugar sobre o que eu mais observava quando ia assistir óperas com meu padrinho?
Pois bem, vou contar. Meu padrinho era fã de óperas e eu, a mais nova da casa, era fã do meu padrinho. rs A única que o acompanhava até a PUC para assistí-las, era eu. E com o tempo, à medida em que ia crescendo, meu olhar se tornou um pouco mais exigente.
Um dia, olhei para o maestro que regia a orquestra e me encantei: a partir daquele momento, as óperas e concertos eram a possibilidade para que eu revisse o que tanto me chamara a atenção: um homem que falava musicalmente com os braços e que interagia com um grande grupo...

Ainda hoje, a regência me fascina. O conhecimento que o maestro tem dos instrumentos, dos músicos e da relação de ambos o torna um excelente "articulador musical".
Bah! Lembrei agora, de João Carlos Martins!
Aprendeu a tocar piano aos sete anos e, antes dos vinte, já tocava no exterior. Foi considerado o maior intérprete de Bach, pela crítica mundial. Com vinte anos, ao tocar no Carnegie Hall, foi aplaudido de pé, por 10 minutos, pela platéia.
Vários episódios e lesões fizeram com que fosse perdendo o movimento dos dedos. Aparentemente, sem poder tocar piano, a história deste homem podería partir para um epílogo. Não foi o que aconteceu. João nos prova que sua vida apenas recomeçara com outro caminho...



Mas o que Paulo Freire, João Carlos Martins , Platão, as professoras Bea e Íris e a professora Hypólitto têm em comum?
Todos falam e mostram que é possível, através de nossa postura, nossas ações, transformar vidas. Todos eles falam e agem com paixão. Buscam, de diferentes formas partilhar o que possuem de melhor: a sua crença.
Crença que vai para além dos desabafos e denúncias. Vai para a possibilidade de aprendizagem através de um processo em que a investigação, a formulação de hipóteses, a sustentação de teorias através da busca de soluções e respostas é o trajeto.
Precisamos pensar, refletir, avaliar, reformular. Precisamos ler e sustentar nossa prática à luz das teorias.

No primeiro semestre, minha colega e eu organizamos um ppt para a entrega dos relatórios de acompanhamento. Ali, junto às fotos do trabalho com os alunos, colocamos alguns trechos de teóricos da educação que sustentavam o que mostrávamos. Desta forma, a importância do jogo, foi apresentada com escritos de Constance Kammii. Buscamos falas de fotógrafos que salientavam o significado do ato de fotografar, o que é muito trabalhado por minha turma.

Conversávamos sobre o grupo, sobre suas preferências, necessidades, prazeres e conquistas enquanto as imagens eram disponibilizadas.
No momento em que, em um clima de bate-papo, colocávamos as imagens à luz da teoria, desnudávamos a nossa intencionalidade pedagógica: estávamos mostrando o que fazíamos, como fazíamos e o porquê de fazermos.
É através de ações deste tipo que valorizamos o nosso ofício.
Temos ouvido muitas queixas de falta de valorização do professor mas, penso que esta se dá a partir de nós, de nossas ações, de nosso engajamento político-pedagógico.
Uma das leituras que considerei muito significativa, no semestre passado, foi através de um trabalho acadêmico de Karina Mollon e Bettina dos Santos. Ao final de sua tese comentam e destacam uma afirmação de Miguel Arroyo:
“... Miguel Arroyo (2000) ao reforçar a idéia de uma nova pedagogia, capaz de recuperar a centralidade do como, comenta que a escola pode ser um espaço facilitador do desenvolvimento ou um entrave para ele. Para que possamos nos encaminhar a uma educação de qualidade, precisamos refletir sobre como nossos alunos aprendem mais. Esse é um questionamento pertinente. E ainda me pergunto se os educadores têm a percepção de que:” O que fica para a vida, para o desenvolvimento humano são os conhecimentos que ensinamos, mas também, e, sobretudo, as posturas, os processos e significados que são postos em ação, as formas de aprender, de se interessar, de ter curiosidade, de sentir, de raciocinar e de interrogar” (ARROYO, 2000, p.110

Pois sobre isso, sobre as formas de aprender, de se interessar, de interrogar, de desacomodar, nossa dupla do Seminário Integrador tem sido incansável, não é?
Quando a professora Bea, através de uma breve retomada dos movimentos realizados desde o início do curso, nos traz o indicativo de que podemos mais, julgo necessário partirmos para a ação. Em nossas salas, com nossos alunos, com nossos colegas, em nossos trabalhos, em nossa vida.
Quando a colega Neusa nos conta que, a cada dificuldade surgida, uma forma de contorná-la (ou enfrentá-la) é buscada eu acredito que aí está uma resposta para perguntas e provocações que têm sido feitas por Bea e Íris, desde o início do curso.

Danielle, uma de minhas colegas no Lucena, gosta de comentar que, quando cheguei na escola, não sabia nem digitar um parecer e salvá-lo em um disquete. Depois de falar isso, dá uma pausa e finaliza "eta faculdade, hein, Bia! Olha só o que tu fazes, agora..."
Pois é...
Ah! E se alguém ficar pensando qual a relação do título desta postagem com o seu conteúdo, a resposta não é tão óbvia: Para todos os 15 de outubro eu desejo mais 364 dias de alegria, bom-humor, paixão e, sobretudo, superação.

Por último mesmo, um presentinho: a primeira parte de um documentário sobre João Carlos Martins e a possibilidade de vê-lo tocando em 1970!


sábado, 10 de outubro de 2009

Sobre os Jonas da vida

A primeira coisa a pensar é em qual contexto foi realizado esse filme. Em 1979, como a comunidade surda era vista e tratada? Que reflexos desta época podem ser percebidos?

Algumas coisas que chamam a atenção, de imediato:

· a crença, por parte de algumas pessoas de que Jonas era “retardado”. Surdez confundida com “atraso mental”.

· a idéia de institucionalizar (em clínicas) crianças especiais.

· a inabilidade dos pais em lidar com o filho diferente.

· após o aumento das dificuldades com o filho, o abandono, por parte do pai. (fato que até hoje é vivenciado por muitas famílias. Em minha escola, por exemplo, mais de 80% das famílias são constituídas pelo filho especial, sua mãe e irmãos , apenas).

· O desconforto frente a sociedade e o sentimento inexplicável de culpa, principalmente da mãe.

A primeira dificuldade de Jonas foi imposta por sua família, ao acreditar que necessitava ser institucionalizado como um menino portador de doença mental.

Com o seu retorno para casa podemos acompanhar a dificuldade dos pais em enxergar o filho como diferente e portador de necessidades especiais. Em nenhum momento há a tentativa de entender como Jonas pensa, o que pensa, o que deseja e o que recusa

No próprio filme, apenas na chegada em sua casa e recepção por parte de familiares, é possível “enxergar/ouvir” sob o ponto de vista do menino. Durante o desenrolar da trama é a tentativa e superação da mãe que é salientada. É através da mudança de postura da mesma que Jonas se beneficia, saindo de uma escola com ênfase em condicionamento e exercícios para aquisição de fala, para uma nova possibilidade através do prazer, da busca e da linguagem de sinais.

O avô era o único personagem que, desde o início, não demonstrou nenhum problema na compreensão e relação com Jonas. Sua linguagem era bem mais simples e espontânea: baseada no amor, no respeito e na isenção de cobranças.

Na verdade, o problema não estava em Jonas. Estava nos adultos que, com ele conviviam e na sua incapacidade, em alguns casos momentânea, de se colocar no lugar do outro, de perceber e tentar compreender outros pontos de vista.

Talvez essa história fosse um pouco diferente, se vivenciada nos dias de hoje em uma capital de nosso país. Talvez a mobilização da comunidade surda, a sua força em relação ao direito de exercer sua cidadania seja um diferencial em relação àquela época retratada no filme. Ou, não. Ainda há muita gente, por aí, que precisa se alfabetizar integralmente...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aceito!

A descrição dos fatos:

Primeiro recebemos um email de nossa professora Íris partilhando a pesca realizada.
Sabendo que sempre há uma intencionalidade pensemos no que a postagem da colega nos traz:
  • Fórum como possibilidade de repensar o trabalho, a prática de cada um;
  • Fórum se constituindo como espaço de desabafo;
  • Lugar de desabafo poderia ser mais específico;
  • Um lugar sugerido seria um wiki criado para este fim
  • A lista (da UFRGS, um espaço acadêmico, para trocas acadêmicas) não se constitui para este fim e, sim, para fins de "dificuldades do curso".
Haveria indícios de que o foco dos fóruns estaria mudando?

Passado algum tempo recebemos, pela lista, outro email com o que considero um interessantíssimo desafio...







A partir do convite para relatarmos o que concluirmos, salientei uma palavra no email: realmente.

E através de análise mais detalhada pude verificar algumas questões bem interessantes.
Consideremos o fórum como um campo de futebol e , nós, os jogadores. Os passes são as ações realizadas.
Quem realizou mais passes? Quem recebeu mais a bola? Quem distribuiu mais ou menos? Quem fez sua participação no início e saiu para a reserva? Quem entrou no segundo tempo?

Para realizar a análise mais apurada abri e minimizei o fórum indicado, abri na tela o ppt da professora Íris e, com o auxílio das teclas Ctrl + F, realizei uma nova leitura. Depois de algum tempo, vi a necessidade de um terceiro instrumento de análise. Compartilho a página criada para este fim...

À medida em que ia "clareando a leitura" do fórum analisado, pensava no tipo de ações que EU fizera e deixara de fazer no fórum em que participei. Fui atuante ou apareci, dei um chutezinho e voltei tempos depois?
Huuuummmm... As evidências poderão comprovar a segunda alternativa, reconheço. Mas estarei lá, retomando e analisando com outro olhar o que fiz e o que deixei de fazer.
Percebo que temos, constantemente, recebido "munição" para sairmos do achismo (acho que participei pouco ou bastante, acho que perguntei ou só comentei...) Podemos e devemos comprovar e, consequentemente, nos auto-avaliar.

Bem...agora, lanço um singelo desafio para nossas queridas Bea e Íris:

Ouçam esta "brega música":




Que relação é possível fazer entre as questões trazidas pelos escritos de Platão (vide últimas cenas do filme Entre Muros da Escola: tens certeza de que pensas o que pensas, tens certeza de que fazes o que fazes?), a nossa postura enquanto educadores e partes da letra dessa música?

domingo, 27 de setembro de 2009

Cansaço




Cansada e com humor em baixa. Auspicioso "sair de campo"...Volto em um dia ou dois. Ponto.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EJA

Pesquisando na rede, encontrei um vídeo documentário sobre EJA.
A segunda parte, disponibilizei no Fórum da disciplina, com a ajuda da amiga Kátia Diehl. A primeira, como havia prometido, no fórum, está aqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

Premonição, "crônica de uma morte anunciada" ou, infelizmente, "de novo, não!"


Ia escrever sobre outra coisa. Ia. Não vou mais.
Já naquele período que chamamos de férias, fiquei surpresa e intrigada. Mas, como boa curiosa que sou, resolvi esperar pra ver...
Acho que estou vendo.
Há alguns semestres atrás escrevi em meu webfólio o seguinte:

"Quanto à generosidade, posso dizer “pensar que , enquanto professor, minha disciplina, matéria ou conteúdo merece toda a atenção e espaço é um equívoco”. Somos generosos ao enxergarmos nossos colegas, quando cedemos espaço para que também consigam atuar e tempo para executar..."

O tempo passa e algumas situações voltam em embalagens diferentes.
Pois é...acho que alguns de nossos mestres, por vezes, esquecem que não os únicos, que sua disciplina, embora maravilhosa, envolvente, com atividades planejadas com carinho (ou, não) NÃO É A ÚNICA!
Fico surpresa ao constatar que ainda temos disciplinas que planejam um grande volume de atividades de tal forma que , em muitos momentos, quase não conseguimos realizar outras propostas , tal o envolvimento necessário para realizar uma atividade apenas. E, quando mal estamos ou ainda não terminamos (dentro do prazo) de postar...Surpresa! Novas atividades chegam.
Considero isso, no mínimo , uma indelicadeza com outras disciplinas e uma aparente incapacidade de trabalhar em grupo. Para fazê-lo é preciso se dar conta que não somos as únicas, que existem outras pessoas-disciplinas que merecem e solicitam atenção e acompanhamento por parte dos alunos..
Espero, realmente, que ao término deste semestre eu possa escrever sobre a disciplina de EJA com carinho, atenção e salientando todos os aspectos positivos.

domingo, 6 de setembro de 2009

Como você sabe?

Vamos por partes que podem se interligar ou, não:
Iniciamos o semestre com as propostas do Seminário Integrador referentes a descobertas através da análise de um saco de lixo e de planejamento de mobiliar uma casa através de informações oferecidas e de um limite de valor. Não estive na aula presencial, mas a questão me interessou bastante, principalmente a que se referia ao que fora encontrado no saco de lixo.
Já faz algum tempo que acompanho às séries de CSI (Miami, Las Vegas...) e, também, Criminal Minds. A análise de locais de crimes e do funcionamento da mente de criminosos é enfocada nestas séries. Seus personagens principais resolvem os desafios impostos através da associação de excelentes recursos tecnológicos e um profundo conhecimento sobre o foco de seu trabalho.

Antes mesmo do PEAD eu já ouvia com frequência a palavra "evidências". No meu dia a dia, algumas vezes, brincava com a possibilidade de descobrir algo através das evidências. Foi através delas que descobri qual a colega que comia em horário diferente do restante da escola, ou seja, antes ou depois do recreio, e não limpava seus farelos. (analisando o tipo de farelos, com que frequência surgiam, relacionando horários de especializadas, datas...) Nossa! Eu me tornara uma importante detetive! Em outra acasião, por conta do arrombamento de uma sala do anexo da escola, enquanto um grupo se mantinha na sala de reuniões conjecturando sobre o fato, fui a única a ir até o anexo, observar a porta, olhar o chão, verificar que as funcionárias da limpeza já haviam varrido o local (afinal, nada seria feito. A guarda apenas registraria o arrombamento e conversaria com a direção), observar a cena toda e imaginar de onde tinha ou tinham vindo. E com a descoberta de uma pegada grande de tênis, próximo ao muro eu me sentira uma CSI! Enquanto voltava ao outro anexo eu pensava que , embora de nada adiantasse o que eu observara, minha postura havia mudado. Em lugar do medo e especulação, a curiosidade e ingênua busca de evidências que confirmassem alguma teoria. Enquanto pensava isso veio a idéia "Bah, eu deveria ter fotografado..."


Você já assistiu a um filme e, antes mesmo, de alguma descoberta ser realizada (solução de um crime, uma personagem que praticara um ato desconhecido por todos...) já indicar, acertadamente o resultado?
Alguém já não perguntou "Como você sabe? Como descobriu?"
Acredito que, em muitos momentos, olhamos um filme, acompanhamos o seu desenrolar sem nos preocuparmos em, juntamente com os personagens principais, solucionarmos a questão.
Olhamos, mas não enxergamos. É mais fácil ficarmos curiosos e à espera do resultado.
E o "palpite" de quem diz "foi ele", "fez assim..." pode ser a análise mais apurada de uma ou mais cenas, da relação feita entre fatos e locais apresentados.
Se olharmos a cena abaixo, o que poderíamos concluir?






Bem, o fato é que nós e nossos alunos , mesmo não sendo agentes de um CSI, podemos utilizar a observação, os questionamentos, a busca de evidências que auxiliem e comprovem nossos argumentos, em nossas vidas.

Se você é um leitor, se gosta de escrever e tem um certo "carinho" pelas palavras pode identificar padrões de escrita. Você pode, depois de algum tempo, perceber que naquele blog, aquele post não foi escrito por quem assina, por exemplo. A linguagem diferente, as palavras utilizadas, as construçõs frasais podem ser indícios de uma nova participação.
Dizem que, geralmente, sabemos quando um de nossos alunos usa de subterfúgios, não é?



Neste exato momento, partilho uma de minhas leituras, que é sobre criatividade e pensamento divergente. Também posso afirmar que estaremos enfocando, de alguma forma, estes temas.
Compartilho mais, ao anexar esta frase escrita por uma de nossas professoras, em algum lugar:

"A atitude investigativa inclui por em duvida os preconceitos e o conhecimento anterior para construir um novo conceito, mais próximo do momento em que se está."


Como eu afirmo que trabalharemos com este foco? Como eu afirmo que a frase acima é da nossa querida professora Bea?
Observação e leitura.

sábado, 5 de setembro de 2009

Voltando

Se eu estava com alguma dificuldade de colocar meus dois pés neste semestre, com certeza, o email enviado pela professora Bea deu o "empurrão necessário": é hora de recomeçar.
Paradoxalmente, ainda não me desligara totalmente de um semestre que eu tanto desejara que acabasse. Mas lembrarei daquele período, principalmente, através do saldo positivo : das aulas de Psicologia, Seminário e das excelentes proposições de Filosofia. O restante... acabou, felizmente.
Ainda não fui ao Pólo, mas estou atenta ao que acontece e ao que se propõe. O reinício no blog, com postagens significativas ainda não se efetivou, reconheço.
Estou aqui, não tão explícita quanto antes: apenas mais reflexiva e, "aos costumes", muito observadora através do que leio. O semestre começou. Estou voltando...


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Blog do presidente?

27/08 - 00:01hs

Mesmo sem ainda ir ao ar, blog de Lula já recebe críticas
Tentando declaradamente seguir os passos do presidente dos EUA, Barack Obama, o Blog do Planalto, que pretende contar o dia a dia da Presidência da República, deve estrear na próxima segunda, dia 31. Ninguém no governo comenta oficialmente o assunto, mas sabe-se que está tudo pronto: do layout à equipe de cinco pessoas, entre jornalistas e técnicos, que tocará o blog - o próprio Lula não postará.
Logo Agência Estado

Agência Estado

Por Rodrigo Martins, colaborou Ana Freitas São Paulo, (AE)

Mesmo antes do lançamento, o blog já recebe críticas. Se quando era candidato, Barack Obama abusou das redes sociais. Ao assumir o cargo, passou a gravar vídeos semanais, colocar todo o conteúdo disponível para republicação e tornar disponíveis todas as leis propostas cinco dias antes de serem sancionadas. E abriu um canal para a população dizer o que achava.



Todo o portal da Casa Branca foi modificado. No caso do Lula, só o blog será lançado. O site da Presidência continua o mesmo. "Parece ‘forçação’ de barra", opina a pesquisadora em mídia social da PUC-RS Ana Maria Brambilla. "É uma ação tardia, seguindo o monte de políticos que foram para a web agora."


A ideia é chegar aos mais jovens, afirmaram os responsáveis no anúncio, em junho, durante o Fórum de Software Livre. "Percebemos que há muitas pessoas, principalmente os jovens, que se informam só por blogs", disse o coordenador, Nelson Breve. A questão é que nem só jovens leem blogs. "E só serão atingidos jovens escolarizados que acessam a web. Muitos ficam de fora", diz o blogueiro Tiago Dória.



No blog, apenas o Planalto falará. As pessoas não poderão comentar. Será uma comunicação de mão única e oficial sem a possibilidade de resposta, característica forte dos blogs (aí há uma semelhança com o blog da Casa Branca, que também não permite comentários). "É até compreensível não ter comentário por deixar o blog vulnerável. Mas o blog existe pela conversa. Sem ela, perde-se o sabor", diz o blogueiro Juliano Spyer. A justificativa do governo é que "não há pessoal disponível para moderar comentários".



Outra questão é o próprio conteúdo. "É importante que o Lula apareça pelo menos duas vezes por semana no blog. Pode ser por vídeo", diz o blogueiro Alexandre Inagaki. "E o conteúdo não pode ser propaganda. É preciso transparência, informações úteis. Se o Lula não é o blogueiro, é preciso saber quem bloga", completa Dória.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Roubaram alguma coisa de alguém, em algum lugar...


Ontem, uma amiga me disse que "tudo vai cair no esquecimento", que "por enquanto, não há provas, infelizmente..."
Bem, quero deixar registrado alguma coisa do que li e do que ouvi, para não esquecer...
E como acredito que o bom humor nos auxilia, em muitos momentos difíceis, compartilho essa postagem...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre pandemia, gripe...


Com o objetivo de contribuir para um pensamento mais investigativo (não expositivo gratuitamente), compartilho...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"Mostremos valor constância..."


Tem se tornado uma rotina acompanhar notícias do Rio Grande e de alguns de seus saqueadores através deste Blog.
Que aqueles que envergonham nosso Estado, nossa vida, sejam merecidamente punidos.
Do Blog RS URGENTE:




Quando, em 5 de março deste ano, este blog apresentou uma catastrófica previsão do tempo na política gaúcha, é porque já naquele momento estava formada a convicção de que a máfia que roubara 44 milhões do Detran, havia deixado rastros muito salientes pelo caminho.
Precisamente às 15h52min de hoje, 5 de agosto, o procurador federal Fredi Wagner se encarregou de comprovar aquela previsão: Yeda Rorato Crusius foi formalmente acusada de ter participado do roubo do Detran. Por razões de sigilo jurídico, o procurador não disse se Yeda operou a fraude, se ela intermediou a fraude, ou se ela ficou com dinheiro da fraude. Mas uma, ou duas, ou três dessas coisas, isso ela fez, afirmou o procurador que, por isso, pediu à Justiça que decrete o afastamento da governadora do cargo.
Nunca, antes, na história política do Rio Grande do Sul, houve qualquer coisa parecida. É a maior crise institucional de que se tem notícia no Estado. E não só porque a governadora é ré de uma ação de improbidade. Mas, também, porque seu marido, Carlos Crusius, é acusado da mesma coisa. E não só ele. Ainda o ex-Secretário Geral de Governo de Yeda, Delson Martini. E o ex-Chefe da Casa Civil de Yeda e ex-presidente do PMDB de Porto Alegre, deputado Luiz Fernando Zachia. E dois ex-presidentes da Assembleia Legislativa, deputados do PP, José Otávio Germano e Frederido Antunes, todos da base aliada da governadora. Como se não bastasse, também o ex-tesoureiro de campanha de Yeda, Rubens Bordini que hoje ocupa a vice-presidência do Banrisul no governo dela e a assessora mais próxima da governadora, seu braço-direito, Walna Vilarins Meneses foram formalmente acusados.
Toda esta gente está acusada oficialmente de ter mandado às favas a integridade, a honestidade, a honradez, a retidão e a justiça. Sim, ser probo é ser isto: íntegro, honesto, reto e justo. E a acusação que pesa sobre eles é de Improbidade. O tempo, definitivamente, fechou. E aqueles gaúchos que, por ventura, se sentirem envergonhados por tudo o que está acontecendo, que lembrem das palavras do procurador Ivan Marx ditas hoje ao justificar a ação do Ministério Público: “O povo tem direito à verdade. E que a impressão não seja de desamparo, mas de um Estado melhor”. (Maneco)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sutilmente

Pois anteontem eu voltava de um outro bairro e, no ônibus, ouvia algumas músicas pelo celular. Enquanto olhava a paisagem envidraçada da Bento Gonçalves, ouvia uma voz conhecida em uma letra que chamou minha atenção.
Hoje, coloquei uma parte do que ouvira no Google e voilá! Skank , Samuel Rosa e Sutilmente...



Adorei o clipe oficial e, ao vê-lo fiquei pensando que o melhor remédio para alguns males é produzir algo, ter o que fazer, construir algo interessante e significativo. E, enquanto eu pensava no que tinha sido muito bom, encontrei outro clipe que fez o "muito bom" ficar melhor ainda.

Surreal



Tá pensando que vou falar alguma coisa a respeito da imagem, aí ao lado? Se enganou!!! Não vou!
Vou falar de uma ida à dentista e da loucura das coisas. Ou, não...
O fato é que muita gente que andava por aqui , se foi. Um enfartou e se escapou, outra infartou e foi cantar em outros palcos , um se despediu e descansou bem no Dia do Amigo e o mais recente está ensinando em outras constelações, acredito. Tudo isso eu pensava na cadeira da dentista. De boca aberta, com o aparelho de sucção sendo colocado pela auxiliar, observando os óculos de proteção da dentista , inclinada com a cabeça para baixo e pés confortavelmente elevados pela poltrona eu revia situações e pessoas e concluia: este semestre tem um quê de surreal.
Por conta de uma das despedidas, meu marido resolveu que já era hora de retornarmos ao programa "Faça musculação e tenha saúde". Detesto musculação! Sou tão atrapalhada que penso em fazer um manual que ensine como "subir" em algumas daquelas máquinas... Depois de instalada e começar a fazer a série de exercícios fico antevendo o tempo em que estarei dolorida.
Pensei em tudo isso antes de pendurar um meio sorriso no rosto e concordar com ele: ok, vamos voltar.
Brincando com a personal eu chamo as máquinas de instrumento de tortura. Mas, já fazia os exercícios há duas semanas e nada de sentir uma dor mais específica. Cheguei a pensar: hum...estou melhorando... Engano. E pra comprovar, fui à dentista.
Instalada na cadeira, ouvindo-a repassar sua agenda do dia com a auxiliar eu refletia sobre outras loucuras: sobre "o se achar estar no lugar do outro" sendo caricato, sobre comprar mansões com recursos indevidos, sobre estar afundando numa areia movediça de corrupção e ter a cara de pau de chamar uma classe, de torturadores...
Comecei a sentir um leve incômodo na lombar enquanto era relembrada de que ficaria mais ou menos uma hora na cadeira.
Estou em férias.
No momento, férias é o espaço que eu tenho na agenda para estar em casa e fazer (em duas semanas) tudo que eu não consegui, durante estes primeiros meses: arrumar, costurar, reparar, ficar mais com os cachorros e gatas e, claro, dormir até tarde, andar de pantufas pela casa e olhar pela janela sem preocupar-me com o horário...
É o tempo que tenho, teoricamente, para fazer algo que não faço durante o resto do ano: estar em casa sem ter horário pra sair. E é quando TODAS as pessoas amigas me cobram aquele tempinho em que preciso me encontrar com elas (pois não consegui , durante o semestre, por motivos que cansei de relatar-lhes).
Eu organizo uma agenda de encontros durante todos os dias possíveis ou me faço de louca? Claro! Eu me faço de louca! Mandei uma foto para o email de uma de minhas amigas mais queridas e que me conhece muito bem, dizendo: Saudades? Por hora, só olhando a foto. Telefono. Beijos.
Para outra, a quem considero uma irmã, liguei, conversei por quase duas horas e me despedi relembrando que conversáramos tanto por telefone que nem havia a necessidade de nos encontrarmos. Mas se quisesse me ver, sempre havia a possibilidade de uma foto.
Como ambas são muito amigas , nem ligaram . Amanhã, vamos almoçar juntas.
O incômodo na lombar já se transformara em dor. Saí da cadeira da dentista conjugando mentalmente o verbo entrevar.
Lembrei do email que a professora Íris nos enviou intitulado "blog, blog, blog". Relacionei algumas falas da postagem do blog Navegantes com o último vídeo postado na página "Para pensar".
Outra coisa que detesto são as correntes e emails muito cara de paus que dizem "na dúvida, resolvi repassar..." Ora, na dúvida, não repasse!!! Eu vou agradecer.
Há tempos atrás, recebi um e-mail de uma colega do Pead que dizia "se não repassar em 24 horas, sua sorte estará prejudicada, você vai perder amigos...." Bem, perdi aquela que, talvez viesse a ser, mas não será: quem mandou o email. Escrevi de volta perguntando se não tinha outra coisa mais importante a fazer: estudar , por exemplo. Nunca mais escreveu e eu não sinto falta e nenhuma culpa. Nesse momento penso que poderia escrever algo tipo "Como perder quase-amigos? Sendo sincero com eles... quem resiste...."
Agora estou em casa, escrevendo, lendo, assistindo/ouvindo a TV, comendo bolinhos de chuva, me envergonhando por um governo enlameado e pensando de que forma fazer com que "a minha parte" seja significativa, de que forma possa fazer diferença...
Na certeza , começo repassando o link do Marcos Weissheimer.
Ah! Mais uma coisinha para além das férias: ir ao médico; minha lombar está em "pandarecos".

domingo, 12 de julho de 2009

Inté...

Adri,
Fica em paz, canta e te diverte...
Olha... onde quer que seja tua nova casa, acho que vai ser palco de muita festa. Não deixo de pensar que o "outro lado" está ficando cada vez melhor, com tanta gente boa...
Abraços em alguns, da turma que já chegou.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Receita Forundesca de chocolate

Você não tem muito tempo mas se comprometeu em participar "daquela" Feira de Gastronomia e oferecer um lindo prato ao grupo participante. Então, escolhe a Forundesca de Chocolate. Está otimista pois além da receita tem um estudante de Gastronomia para acompanhá-la. Tudo será perfeito.Vamos lá:
Coloque uma pergunta aromática na panela. Mexa devagar, criando expectativas. Aos poucos os ingredientes vão chegando. Você dá uma olhada e pensa: está tudo encaminhado. Vou sair e volto logo. Mas avisa os ingredientes que serão acompanhados pelo futuro Chef: o estudante de Gastronomia.
O tempo vai passando, o futuro Chef vai mexendo e misturando os ingredientes, vez por outra. Você, está ocupadíssima, mas pensando na receita. Para que os ingredientes também se ocupem ainda mais e "cresçam" (pois você associa "acúmulo de ocupação" com aprendizagem) , oferece uma infinidade de temperos para serem misturados.
Ah! Você não esquece de salientar qual o tempo de dedicação à tarefa de misturar os ingredientes. Isso é de fundamental importância: mesmo que você não consiga acompanhar sua receita em todos os momentos necessários, alguém o fará: o futuro Chef. E se os ingredientes não conseguirem dar conta de misturar-se a tantos temperos? Hum...isso parece ser irrelevante!
Você dá uma corrida e volta ao seu estande. Vê que os ingredientes salgados e doces precisam e merecem um pouco mais de seu talento culinário. Então, fica um pouco, dá uma mexidinha na panela, mostra que está por perto... Mas, depois, sai voando , não sem antes deixar mais temperos para a mistura e salientar que os ingredientes tem um determinado tempo para concluirem essa tarefa.
Os ingredientes salgados começam a acumular ao seu redor, na panela, vários temperos. A mistura vai crescendo, os aromas mudam. Hum..eu já falei que os ingredientes fazem parte de outras receitas, também?
Ah...você chega para observar e participar! Fala com seu parceiro culinário que relata como o cozimento está funcionando.
Então, agora já é hora de lançar na panela outra pergunta aromática. Mas, antes, você dá uma lembrada básica aos ingredientes que não cumpriram o esperado: estão atrasados meus queridos. Precisam de ajuda na mistura? (ah, tá...)É claro, que a Receita Forundesca tem suas vantagens: os ingredientes, muitas vezes sozinhos, sem aquela mexidinha básica da colher, fazem a sua parte, misturam-se a temperos, criam novos aromas... Você precisa ter sorte, também. (às vezes, a mistura não é de fácil paladar) Mas isso importa?
Hum...você esqueceu de relatar... Deixou para os "partingredientes" a tarefa de construir um lindo livro de receitas. A cada momento possível e indicado, este livro deverá ser abastecido. Você estará acompanhando e auxiliando esse processo. (Mesmo?) Para isso (surpresa!) você está oferecendo muitos outros temperos...que beleza!
E assim, de pergunta em pergunta, de tempero em tempero a Feira vai chegando ao final.
Nossa... Ainda há ingredientes tentando misturar temperos! Mas você pensou que, em algum momento, talvez, quem sabe, a "desenvoltura" de alguns ingredientes poderia estar relacionada ao que você ofereceu? Ah! Claro! A receita está pronta! Tem gente que provou e gostou.
Concordo, há gosto para tudo. Mas eu percebi que na Forundesca de Chocolate faltou uma coisa: chocolate!
PS: Quando a Forundesca de Chocolate é feita com chocolate, dá certo pra muita gente.

domingo, 7 de junho de 2009

Encantamentos



Há muitos anos, entrei em uma sala de berçário de uma escola municipal na Ilha da Pintada. Ali, acompanhei encantada, a professora e o desenvolvimento do seu trabalho. Durante semanas, nos dias de assessoria à Escola, eu voltava à sala e observava o que se passava.


Em cada retorno à Secretaria, nas reuniões, eu falava da professora , da sua relação com os alunos e do seu comprometimento pedagógico.


Foi então, que percebi que ela poderia multiplicar o que fazia: beneficiar não apenas os seus alunos mas, muitos outros, através de um outro tipo de trabalho: assessoria pedagógica na SMED. E assim , Simone saiu de sua escola, a convite de minha coordenadora, e começou um trabalho também de encantamento com os professores e educadores de escolas municipais e creches comunitárias. Mais do que uma colega , descobri ter levado para SMED, uma grande e querida amiga. E essa amiga que tanto gostava de seu trabalho, de suas crianças, que tanto encantava grandes e pequenos tinha o sonho de ser mãe. Após muito tempo, o sonho foi realizado. Já não somos colegas de assessoria, não estamos na SMED , não nos falamos frequentemente mas, continuamos amigas. Olhando as fotos, percebo como o tempo corre e confirmo mais um, entre tantos encantamentos.