
Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca."
(Jorge Luís Borges)
Desde pequena aprendi a utilizar as prateleiras de uma biblioteca como passaporte para grandes viagens.
Conseguir uma nova carteirinha de sócia era motivo de muito festejo, em minha casa.
Na infância, palmilhei por muitas bibliotecas: do SESI, da AABB, ASBac, a biblioteca da casa dos meus padrinhos, da casa dos pais de meu amigo Mathias.. Mais tarde, Biblioteca Central, Lucília Minssen, CCMQ, Faculdade de Letras, Bibliotecas da Smed e FAPA.
Entrar em uma Biblioteca, observar as prateleiras, folhear os livros, escolher aquele que mais interessa, circular pelo espaço sempre foram motivos de muito prazer.
Neste ano, com a aposentadoria da professora responsável por este espaço, a equipe diretiva de minha escola convidou-me a assumir a vaga existente. Este convite foi motivo de muita alegria: tinha a certeza de que poderia, de alguma forma, retribuir tudo o que eu conquistara através deste espaço, realizando hora do conto, estimulando o manuseio dos livros, oportunizando que todos os alunos fizessem retiradas e, na sequência, seus familiares também.
É bem verdade que, além da turma de terceiro ciclo, à tarde, ainda partilho com uma querida colega a coordenação cultural da Escola. Entretanto, entre ter a possibilidade de realizar um novo e mais instigante trabalho, oferecendo uma diferente "filosofia de Biblioteca" , beneficiando muitos alunos e continuar me dedicando quase integralmente a uma coordenação onde já havia uma pessoa também responsável, naturalmente, voltei maior parte de minha atenção para o novo desafio. Porém, por várias questões, ainda não pude me desligar, como é meu desejo, da Coordenação Cultural.
Atualmente, na escola, realizo o trabalho na Biblioteca, sou responsável pela coordenação do Projeto Adote um Escritor, atuo com uma turma de adolescentes (maravilhosos! Tanto a turma como a parceira.) e, de forma não tão intensa quanto antes, acompanho minha colega da Coordenação Cultural. 

Nos entremeios, administro o blog da Escola e me "enturmo" cada vez mais com as Tic's.
Chego à conclusão de que tenho bastante com o que me ocupar, fora o PEAD, Cursos de Extensão, cuidados com turma canina e felina, vida pessoal e saúde.
Não trago essas observações como um lamento, ao contrário. Sinto-me desafiada (ok, ok...por vezes cansada, sonolenta...) e instigada a testar os meus limites.
Mas o que faz com que eu "aguente" quase beirando e ultrapassando certos limites? A parceria , o prazer de fazer o que gosto e a compreensão de que nada é permanente.
Em relação aos parceiros, descubro que tenho vários em diferentes níveis: marido, amigas e colegas da Turma e da Coordenação, a equipe diretiva de minha escola, minhas colegas e amigas do PEAD, minhas professoras, orientadoras, tutoras, cachorros, gatos, livros...
E, se por alguns momentos, estiver mais cansada, rabugenta ou , como diz uma colega da Escola, " já estou tomando sorvete pela testa" vou tentar lembrar do que disse a Neusa: "a cada dificuldade surgida, encontro um jeito de..." contorná-la, enfrentá-la, ultrapassá-la , acrescento eu.
Vou conseguir, sempre? Acho que não. Mas uma bela tentativa já é um bom caminho.
Alguns paraísos podem parecer pequenos mas a luminosidade que irradiam nos afeta por uma vida inteira, não é?

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