sábado, 7 de novembro de 2009

O VÔO DOS TURIXANTANS

O fato é que, depois de 5 xalapecos (unidade de medida de tempo dos Turixantans), o grupo estava preparado para o grande vôo.
Nos últimos terços de xalapecos, os bichinhos estavam alvoroçados... temerosos alguns, confiantes, outros.
Várias estratégias foram sendo observadas ao longo do tempo: asas pouco usadas durante o período de aprendizagem agora faziam questão de mostrar o máximo de movimento não perdido..
Turixantans, procurando grasnar o mais alto possível, acreditavam que o barulho de suas vozes facilitaria o vôo.
Outros, ao contrário, já não se importavam com fantásticos sons: preocupavam-se com a concentração interna necessária. Um ou outro ainda não tinha se dado conta da data marcada e corria risco de realizar um vôo mais difícil.
Os Mursiatans (equivalente a mestres, orientadores) participavam do alvoroço de diferentes formas.
Durante todos os xapalecos foram responsáveis pelo desafio de proporcionar as competências para que o vôo fosse realizado. O interessante é que sabiam que não bastava apenas planar no espaço. O recuo buscando espaço para a corrida antes do salto, a posição da cabeça, o momento em que as asas eram abertas (e de que forma; seguramente, tropegamente), a inclinação do corpo no espaço, tudo era observado. E o principal: a rota era diferente, cheia de curvas, elevações e desafios.
Sabiam, os Mursiatans, que a grande maioria completaria o vôo, que talvez alguns desistissem de voar e outros, fariam aquela rota apenas para encerrar o vôo e depois, voltariam ao caminho já trilhado antes da chegada àquele grupo.
Sabiam, os Mursiatans que, no vôo, surpresas poderiam acontecer, imprevistos, desconfortos e também muitas satisfações.
Sabiam, que alguns dos Turixantans trocariam as penas mais uma vez e voltariam diferentes, pelo mesmo caminho...
Sabiam que tanto eles como seus pássaros discípulos não eram mais os mesmos.
Ao contrário do que os mais ingênuos Turixantans pensavam, o grande vôo não era uma competição.
Cada pássaro voava para diferentes lados, a pressa não estava associada ao tempo do outro mas ao tempo de cada um.
Cada Turixantan buscava os limites de seu corpo, de sua mente, da junção de ambos. Esquecidas as confusões e os grasnados destoantes, a preocupação de muitos era levar consigo tudo que se tornara positivo: amizades, palavras de conforto, limites oferecidos quando necessário, cutucões, conselhos , orientação e uma nova e desafiadora forma de voar.

O que, inicialmente, era o final de uma etapa se transforma no começo de outra.
Cada um a trilhará de acordo com o que vivenciou, do que percebeu e enxergou.
O tempo e o espaço não são os mesmos para todos. A aprendizagem é contínua e permanente.


O dia do vôo é nublado para alguns, ensolarado para outros. Tempestuoso, quem sabe.
O vôo linear é aceito mas não tão comemorado. As elevações pelo caminho impedem a continuidade de um voô deste tipo. A adequação do vôo com os desafios propostos no caminho e a originalidade ao enfrentá-los são muito consideradas.

"Ele é um Turixantan. Um pouco mais antigo, com penas não tão brilhantes, já chegara ao grupo, como muitos, sabendo voar. Mas aprendeu mais, descobriu outras formas e capacidades. Agora, pouco antes de seu recuo para o salto, pensa que, se não sabe tudo, pelo menos tem a certeza de que pode investigar e procurar... e que pode fazer isso com e por outros Turixantans. Descobre um receio bem escondido de que seu vôo seja conturbado. Afasta-o, trocando-o pelo sentimento de que é capaz. Com carinho e gratidão vira a cabeça e observa os colegas turixantans e, especialmente , os Mursiatans que o acompanharam até aquele momento. De certa forma, aqueles mestres estariam junto, no vôo e mais além. Ele retoma à posição inicial, balança as asas, recua, corre e salta! Quem permanece na linha de saída pode ler a mensagem enviada pelo bater de suas asas: obrigada, obrigada, obrigada. Fui!"



2 comentários:

Iris disse...

Bia, querida

Voe!
Obrigada....
Bjs

Beatriz disse...

Bia amada, me emocionei!! Sem dúvida te soltastes para vôos cada vez melhores, que darão mais sensação de liberdade!! Lembra, porém, que sempre fostes uma ave que tentou e conseguiu voar. Muito antes do PEAD.
Bjos
Bea