quarta-feira, 23 de abril de 2008

Valores de Páscoa

Esse grupo se transformou na Família Coelho, no dia de Valores de Páscoa, no Hospital Santo Antônio. A "apresentação" nos quartos foi muuuuito legal. Interessante que nem todos puderam se reunir presencialmente, mas deram idéias através de e-mail e telefone. E deu certo!


terça-feira, 22 de abril de 2008

Números

"Onde há números em sua vida?"
"Para que você os usa?"


Há números em minha idade, nos meses, nos dias, nos anos, nos minutos, nos segundos.
Há números no meu cartão de crédito, na minha conta, na minha identidade.
Há números na frente do meu prédio, em cada porta dos apartamentos, nas placas de velocidade, há números nos relatórios, nos escritórios, há números na minha balança ( números que vejo sem vontade).
Há números nos grupos, na linguagem html, nos códigos, no conta-gotas, no relógio, no celular, há números em toda parte, em todo lugar.
Eu os uso para agrupar, selecionar, quantificar, ilustrar, separar.
Uso para contar os anos, pensar no tempo, verificar no Google a velocidade do vento.
Uso os números para organizar o meu tempo presente, para recordar há quantos anos alguém está ausente.
Uso os números para sonhar e planejar o meu futuro.
Posso pensar que sendo UMA, sou um número...
E, agora, sendo 12, sou 47. 12/04/61.
Nasci.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Obrigada, Lú!

Pois esta madrugada está sendo muito divertida. Pelo Skype, Lú Sobotyk e eu, até pintar, pintamos! Muito legal o papo, os trabalhos e as pinturas! Beijocas pra Chaine, pra Kátia e Daiane, que também apareceram.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Mário

"Todos esses que atravancam meu caminho... eles passarão. Eu passarinho."
Mário Quintana

domingo, 13 de abril de 2008

Outras segundas chances

Há muitos anos, no auge do Alzheimer de minha mãe, olhei para os lados e descobri que estava sozinha. E, também, cansada. E,triste. E, apática. Já não conseguia pensar direito. Olhei todas as coisas materiais que eram significativas pra mim: discos, um xale bordado com fitas de cetim lilás, um cálice de estanho, a biografia de Gandhi, um violão velho e encharcado de histórias, uma pedra que ganhara de presente de um dos meus alunos, uma caixa contendo os primeiros bilhetes de minha primeira turma de alfabetização... Nos dias seguintes, fui me despedindo de cada uma dessas coisas: o violão, doei a um colega de trabalho, que era responsável por um grupo de escoteiros, o cálice e o xale foram para Isabela, uma colega que não abraçava ninguém, e não esperava receber nada, também. A biografia de Gandhi, deixei no banco de uma lotação e os discos, em uma caixa na biblioteca do prédio onde trabalhava. A pedra e os bilhetinhos ficaram comigo. Bem, mesmo sendo discreta e realizando minhas doações espaçadamente, chamei a atenção de uma colega , que falou com outra, que encontrou alguém que ganhara um xale, que falara com outro que recebera um violão... E, numa tarde que encabeçava o final de semana, fui chamada na sala de minha coordenadora. Lá encontrei sete pessoas que viriam, nos meses e anos seguintes , a ser meu apoio e conforto até o falecimento de minha mãe. Do grupo, três permanecem muito próximas e se transformaram em valiosas amigas. Através delas percebi que eu não estava sozinha...apenas me isolara em um castelo de problemas e não falara com ninguém.



Decidi desgostar dos escritos futuros de Lya Luft em 2004. Não que eu discorde totalmente do que ela escreveu em um de seus artigos. Mas, ainda acho que certas comparações não são cabíveis, ainda acredito que pessoas se comovendo ao ver uma baleia encalhada e tentando ajudá-la, são bem melhores do que quem critica, escreve, e nada faz. O que me impede de ajudar um animal e TAMBÉM ajudar pessoas? Hoje, ler seu nome nas páginas da Veja é indicativo de "passar para outro artigo".

Mas não consigo esquecer de um de seus livros, A asa esquerda do anjo. Lembro-me da expressão "rasgando tecidos"; e também da sensação que isso me provocou: eu sabia exatamente como era sentir algo subindo pela garganta, arranhando-a, como era engolir o choro, engolir a dor, lutar contra eles e enviá-los de volta ao seu recomeço. Identifiquei-me , na época, com algumas coisas da personagem. Mas o tempo passa e, se você é "saudável", consegue reelaborar muita coisa e seguir em frente: as personagens nos acompanham por um tempo necessário..depois vão embora, para que a gente consiga viver nossa realidade. Tenho medo de reler a Asa esquerda e pensar "nossa, quanta bobagem... " Então, apenas recordo as sensações.


Pois, olha só: acabei de ouvir o poema de Jaime Caetano Braun, que a disciplina de Ciências nos ofertou. E acho que há muito relacionado com que eu escrevia, nessa postagem. Trabalhamos e vivemos pelas segundas chances, não é? E pelas terceiras e quartas, e quintas e sextas...
A personagem do poema teve outra chance que a vida lhe deu: mudou o seu olhar sobre aquele animal que, em suas lembranças infantis, sofria com suas brincadeiras de mau gosto. ("e na maldade campeira que identifica os piazotes, vivia te dando trotes, que hoje, recordo com mágoa...)
"Só há morte onde existe vida..."
Então... há um tempo atrás, eu me dei outra chance... outras pessoas também.
Em meu colo, acompanhando, interessada e sonolenta, o movimento da tela do micro, há outra personagem que recebeu uma segunda chance: batizei-a de Samanta. Ela foi abandonada lá na Restinga por um grupo de meninos, frente a uma casa, onde seu morador, de forma ineficaz, triste e solitária abriga mais de cem animais. Samanta ficou dois dias no pequeno pátio desta casa, embolada com outros filhotes que vieram a falecer. Agora, está comigo e com o Lú, aqui na Zona Norte. Tem aproximadamente dois meses , está subnutrida, anêmica, tem uma hérnia...enfim... Acho que depois de sentir o calor e aconchego de outro corpo, está lutando pra sobreviver. Samanta terá outra chance e outra vida.
Com pesar, relembro dos meninos que a largaram... gostaria que tivessem outra chance...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Reflexões sobre Déjà Vu, Disciplinas e o que Rosaura pede



Em um dos semestres passados, houve uma disciplina que absorveu muito de nossa atenção, testou nossos limites (de compreensão, tolerância) e nos deixou lembranças pouco positivas. Lembro-me, com desprazer, de vários e-mails que a turma recebeu de um dos professores de outro Pólo, que viera "contribuir" com sua colega de disciplina. O conteúdo e título de um deles, algo como "Agora, sim, o blog da colega será o mais visitado"(depois que o professor, nele escreveu),volta e meia, me assombra.

Relembro que, em uma das atividades solicitadas falei sobre a importância dos responsáveis por sua disciplina refletirem sobre duas questões:

A primeira se refere ao fato de que existem outras disciplinas que também necessitam de nossa atenção. Colocar na lista, a todo momento, que o prazo está se esgotando, que observemos as datas, etc, etc ...por vezes, é complicado, pois faz com que dediquemos mais tempo ao que pensamos estar sendo solicitado, que voltemos diversas vezes para confirmar o que foi feito...(Meu ponto de vista, lógico!)

Há uma linha muito tênue que indica"Ei, não se esqueça que os alunos precisam fazer as tarefas de outras disciplinas... Quem sabe não é possível dar um espaço para elas, também?"

Particularmente, a forma como as disciplinas são estruturadas e o modo como as atividades são solicitadas e organizadas em nossos diversos ambientes virtuais chamam minha atenção.

A segunda, posso considerar um desmembramento da primeira: O fato do curso ser à distância nos proporciona otimização de tempo e energia. Acho muito satisfatório o número de presenciais organizadas em nosso curso. Entretanto, quando outras atividades indicam que precisaremos marcar datas de encontro para trabalho em grupo, realmente, eu não gosto.

Neste exato momento eu reflito triplamente e acho justo mencionar que, por me considerar uma pessoa com facilidade para se atrapalhar, eu vivo buscando a minha organização.( talvez, o Poeta dissesse que "o organizado é um atrapalhado disfarçado") Então, procuro observar atentamente prazos e atividades. Quanto mais a disciplina é apresentada de forma objetiva e organizada, melhor.

Voltando ao presente e relacionando-o com o que ficou para trás, a Disciplina de Matemática tem...digamos... ocupado bastante de meus pensamentos. E até considero um pouco injusto pois , na ânsia de clicar em todos os links, ir do wiki individual para o coletivo, mandar e-mail, ir para o mural, etc, etc... deixei de lado algumas das outras disciplinas. Falta de organização? Pode ser. Mas será só isso? Penso bastante e lembro de nossa presencial onde professora e tutoras enfatizaram o carinho e a preocupação em (uma grande equipe) preparar atividades e materiais interessantes para o grupo. Penso na oferta de auxílio a qualquer momento e na disponibilidade em nos responder de imediato. Com carinho e, certo arrependimento, até, relembro das conversas com a tutora Paula via Skype. Com arrependimento porque, no momento em que busquei sua escuta, estava muito irritada. E, com carinho, pela tranquilidade, presteza e atenção dedicados. Novamente, agradeço.
Pois bem, se há tantas coisas legais, por que ainda tenho essa sensação de incômodo?
Não tenho problema em relação à conteúdo, enfatizo. Mas , respondendo a questionamento feito, sim, tenho dificuldades. Vivo com dificuldades (como todos nós). E as vezes a dificuldade é tão complicada que nem conseguimos identificá-la precisamente.
E, "já indo para os finalmentes" (pois preciso ler material de Estudos Sociais, Ciências e organizar material para o Seminário Integrador) retomo as palavras da nossa Rosaura que, gentilmente, me perguntou se "a inspiração" acabara. (Em relação ao número mínimo de postagens no blog.)
Bem, a inspiração não acabou...
Hoje, consegui tirar um turno para que pudesse ficar em casa . Então, aqui estou.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ontem tivemos nossas aulas presenciais . Foi lá pelo final da noite que eu pude confirmar que além de cansada eu estava tremendamente irritada. Nossa aula de Estudos Sociais foi muito boa e saí da mesma com o propósito de escrever um texto sobre como vivencio os Estudos Sociais com meus alunos com Transtornos.
Já na outra sala , com o professor de Ciências, a proposta foi legal mas eu não estava mais em sintonia: embora brincasse com as colegas, tenha falado sobre turmas de jardim e como vivenciei o trabalho com o estudo de alguns animais....internamente eu sentia a minha irritação crescer. Queria estar a quilômetros dali, em minha casa. E realmente, bem longe dali, mais tarde, esperando a lotação da Kátia que recebi, dela, o meu diagnóstico: "é, Bia, estás chateada por causa da tua aluna, não é? "


Eu e minha colega temos um aluno em especial que gosta dessa melodia. Descobri isto o ano passado, no pátio da escola, quando eu procurava desviar sua atenção de seu próprio corpo: ele tentava morder suas mãos e dedos do pé. Ao agachar-me em sua frente e segurá-lo, cantarolei essa música que me acompanhava há alguns dias. Ele demonstrou interesse e relaxou os braços. Ao perceber, continuei a cantarolar e assim ficamos por um bom tempo. Ainda hoje, no pátio, sentados no balanço vai-e-vem eu e minha colega cantarolamos essa melodia para o mesmo aluno, que voltou muito mal, do seu período de férias. O que nós consideramos um período de descanso, para muitas famílias e muitos de nossos alunos é o contrário: sem a escola alguns deles ficam trancados em casa, surtam, são internados, algumas mães ficam extramamente cansadas e irritadiças. O retorno à Escola e às atividades é, por vezes, muito difícil. E foi em um momento bem complicado que essa música retornou e acalentou, por alguns instantes, as ondas enfurecidas que atormentam nosso aluno. Ele não se comunica verbalmente mas ao observar seu sorriso e seus olhos nos buscando temos muitas respostas.

Mas há em nossa turma uma adolescente que tem demonstrado, já há muito tempo, um crescimento: é organizada, meiga conosco, suas professoras, com seus colegas e até com visitas na turma. Compreende tudo que é falado e, embora só fale "mãe", minha", "naaaaãooo"...comunica-se perfeitamente através de gestos e expressões. Ajuda os colegas que necessitam e está geralmente de bom humor. Claro que está em nossa escola por muitos motivos. É especial.
Pois essa aluna passou as férias com sua mãe que, no retorno à escola, disse que não aguentava mais e ia fazer alguma coisa. Fez. Com a justificativa de que surtara em uma parada de ônibus, nossa aluna foi internada em um hospital psiquiátrico.
Há alguns dias, tínhamos notícias da mãe que dizia visitá-la, sempre. Ontem, pela manhã, a orientadora da escola e eu fomos até o hospital. Ficamos sabendo muitas coisas e relatamos outras.
Mas foi no salão onde a encontramos que aquilo que se transformara em irritação à noite, começou a surgir. Quando a porta foi aberta e ela nos enxergou, veio correndo nos abraçar. As outras internas faziam perguntas "tua mãe?" ,"vai te levar?". Outras, se aproximavam e ficavam apenas observando. Minha aluna me puxava pela mão, mostrando-me a algumas internas, me abraçando, beijando e repetindo "minha, minha", enquanto batia em seu peito .
Logo fomos , com ela, para uma outra sala. Ali, ficamos por 10 minutos conversando , falando que sentíamos sua falta e que a esperávamos na turma. Mas o mais importante era abraçá-la, ser abraçada e repetir "nós gostamos muito de ti." (o tempo todo eu pensava "Por quê? Logo com ela... que não precisaria estar aqui... Por quê?")
Procuramos fazer com que aqueles minutos fossem motivos para boas lembranças, enquanto ela aguarda a sua alta.
Passando pelo salão de mãos dadas ela olhou para nós, sorriu, abraçou-nos e foi sentar frente à TV, com outras internas: sabia que permaneceria mais tempo. Perguntara várias vezes por sua mãe.
O momento mais relaxante, eu diria, foi quando uma das internas puxou o meu braço e disse: "colega, vai sair hoje?" No que eu, surpresa, respondi afirmativamente ela disse "então deixa eu te dar um beijo. Boa sorte, viu?" E me abraçou e beijou.
Ainda olhei para trás e recebi o aceno de minha aluna, como a me tranquilizar.
Voltamos para a Escola, fizemos relatos necessários, recebi minha a turma à tarde, cantei, brinquei e sorri. Ao final da tarde, enquanto o grupo de colegas ficava em reunião, eu me dirigia até Alvorada. Mas já estava entrando no auge da irritação... Relembrava a informação dada pela assistente social: eu e minha colega foramos as primeiras visitas recebidas por minha aluna, desde sua internação. (A noite ia ser bem longa.)


Pois é... à noite, "quando os gatos são pardos" e eu deveria estar em casa ... não estava. Mas foi bom rever colegas e, mesmo com um humor bem diferente(embora eu saiba que consigo disfarçar muito bem), assistir às presenciais. Sentei junto à Solange, na segunda parte, e com ela e outras colegas (Neusa, kátia e Lu) me diverti bastante e também contei um pouco do que me afligia. Receber um beijo da Alexandra foi legal, conversar com a Tati, também. Voltar para POA, no carro da Neusa, com ela dirigindo e o grupo rindo é outro capítulo que vale muito a pena
É...eu precisava estar ali ...
Mas de ontem, vou lembrar com carinho, da perspicácia da nossa querida tutora Grace. Gentilmente aproximou-se de mim e me abraçou dizendo que ficara me observando na chegada, que eu fora até o cantinho (bem na ponta, no último computador da fila) e parecia estar..."cansada?" Respondi brincando e sorrindo mas lembrei de meus alunos que não conseguem falar mas, mesmo assim, a gente consegue escutar.

sábado, 22 de março de 2008

Novamente "Salada de Frutas" ou "Se precisar de socorro, na dúvida, grite FOGO!"

A Páscoa sempre me reserva situações incomuns. No ano passado, foi a perda do Xirú.
Estou em fase de "salada de frutas", misturando tudo. Começo com a solicitação das professoras Bea e Íris sobre nossos portfólios de 2007, com uma postagem que intitulei de "clique" e com um comentário posterior também da professora Bea, com uma triste notícia vinda da amiga Mosqueteira Lú sobre um aluno seu e com a história de quem tenta fazer o bem mesmo quando nada tem.

Ah! Para acrescentar uma "pitada" a mais, um comentário feito por meu marido há alguns anos: segundo ele, que trabalhou algum tempo na área de Segurança, uma das formas de conseguir ajuda de alguém, utilizando o grito, não é pedir socorro mas sim, gritar FOGO! A lógica é que as pessoas têm medo, procuram não se envolver ou arriscar. Ajudar algum desconhecido que grita por socorro pode, talvez, transformar quem se dispõe a socorrer, em vítima. Mas já o FOGO passa outra mensagem e mexe com a curiosidade. Quantas vezes vimos alguém observando um incêndio, realizando comentários, solidarizando-se com as vítimas e observando outras pessoas correrem os riscos que se apresentam?

Há uma história que gosto de contar chamada "Tico e os Lobos Maus". Nela, um coelhinho grita por socorro, quando imagina um bando de lobos à sua espreita. Sua mãe chega para afastar seus receios, sempre que necessário. Quando conto esta história, no momento em que o personagem grita, eu empresto minha voz e grito "Socorro!!!" Lembro que, há muitos anos, contando a história em uma formação de educadores de uma creche comunitária eu gritei a palavra e, poucos segundos depois, estavam abrindo a porta a cozinheira e o dirigente da instituição. Demos risadas pois, além do susto em quem ouvia a história, percebemos o susto em quem correu para tentar auxiliar. O tempo passa... Na apresentação de meu portfólio contei essa história e, novamente gritei por socorro. Fiquei intrigada quando ouvi o comentário que, em outra sala ouviram o grito e, por um momento, todos permaneceram quietos até que alguém falou " isso é coisa da Bia". Realmente , era. Mas lembrei do que o Lu dissera...

Quando falamos em evidências, também tocamos em finalidades, em metas, objetivos. Aprendi com uma querida líder comunitária a não pensar pequeno em relação as minhas metas. O que eu desejo, estudando? O que espero alcançar? Que diferença vou fazer? Eu espero e trabalho no sentido de que meus alunos, seus familiares e outros alunos que virão saibam fazer a diferença. Quero contribuir para que existam pessoas mais humanitárias, que consigam descentrar-se, que pensem em si e, também no coletivo. (embora, concorde que nem sempre é possível e necessário...) Acredito que devemos, sim, não pensar somente em coisas ruins mas saber que existem e, se necessário, procurar enfrentá-las.
(Novamente, volto no tempo, e relembro das crianças da Creche João Paulo...) Quero me tornar uma pessoa melhor, ciente de meus defeitos, aceitando alguns e procurando alterar outros. Quero ter coragem de ouvir um verdadeiro grito de socorro e conseguir me arriscar. Fácil? Que nada! Dificílimo, eu diria. Mas com clareza de objetivos e busca incessante de evidências acho que vou construindo um bom caminho.

"Ó vida, ó dor"... como diria o Dr. Smith... "Na dúvida, eu tenho quase certeza" de que insistiria no "Socorro".

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
GRUPO DE ESTUDOS EM EDUCAÇÃO INFANTIL - GEIN

CICLO DE PALESTRAS GEIN 2008

A educação dos infantis
7 abril
As cores da infância: raça e educação infantil. Profa. Dra. Gládis Kaercher

5 maio
Discutindo diferentes lugares da infância. Profa. Dra. Leni Dornelles Mestrandas Carine Weber e Fernanda Morais

2 junho
Espaço: parceiro pedagógico do educador infantil. Profa. Dra. Maria da Graça Souza Horn

7 julho
Notas sobre o amor romântico: gênero e literatura na educação infantil. Profa. Dra. Jane Felipe Doutoranda Suyan Pires

LOCAL – FACED/ sala 101, 9:00 da manhã.
Valor do ciclo: R$ 20,00 com Certificado de Extensão UFRGS
O pagamento poderá ser feito com antecedência no Banco do Brasil, posteriormente enviaremos o número da conta do Ciclo de Palestras, outra opção é realizar o pagamento no dia da palestra, na agência do BB na UFRGS.Nosso e-mail: gein_ufrgs@yahoo.com.br

terça-feira, 18 de março de 2008

Retomando final de 2007 (primeira parte)

A tela ao centro fez parte de minha apresentação de portfólio no final de 2007. Agora, está acomodada na sala de meu apartamento de forma a cristalizar palavras, imagens, desejos e conquistas.
Do que me recordo (sim, dois meses de férias produziram uma certa amnésia) saliento o crescimento do grupo como um todo. Percebi claramente o amadurecimento de muitas de nós no sentido de trabalhar objetivando metas, estratégias, argumentos e evidências. (Com certeza, dos dois últimos jamais esqueceremos.) Fiquei particularmente feliz ao assistir a apresentação de uma das colegas que focou seu trabalho em poesia.
Do relato de minha amiga e colega Lú, sobre o projeto de Robótica falo sensibilizada ao relembrar das histórias de vida de alguns alunos e das evidências trazidas de como este trabalho mobilizou professora e turma.
Quando Lu contava sobre a dificuldade de um dos alunos, que cuidava de sua mãe doente, da forma como outro , considerado por muitos um problema, se relacionou com o projeto eu pensava "nossa, isso daria um bom filme..."
Pois ali, além do relato do projeto em si, havia algo muito mais importante que se referia à capacidade da professora conhecer as diversas trajetórias e a partir de cada uma, propor um trabalho objetivando espírito coletivo, concentração, generosidade, atenção , rapidez de raciocínio. Entrelaçados entre os conceitos trabalhados estavam (e estão) aquilo que eu considero mais importante e singular: os valores.
(continua...)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Bem-vindo, ano novo...

A música já foi tema de outra postagem...
Entretanto, no vídeo, vem acompanhada da letra na voz de Elton John. Por hora, serei breve. Volto depois da apresentação do portfólio.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Fiquei pensando em várias formas de apresentar meu portfólio. Algumas idéias interessantes, outras "uma viagem" , como diria uma de minhas colegas. Há dias penso sobre o assunto e sempre coloco uma determinada música para me acompanhar. Essa música é a culpada por alguns de meus devaneios. Ela é quem me faz esquecer a proposta inicial e traz lembranças de um passado não tão distante.
Quando realizava oficinas de contação de histórias com os educadores da rede , algumas vezes perguntava se uma melodia poderia contar uma história. Apenas o instrumental, sem letra nenhuma... Depois das considerações dos participantes eu colocava a música pedindo que fechassem os olhos e escutassem. Incrivelmente, algumas pessoas não associavam a melodia ao filme, o que era muito bom, naquele momento. Após terem escutado eu pedia que me contassem como era a música, do que ela parecia estar falando, que história ela poderia estar contando. Quase sempre as pessoas falavam de crescimento, de caminhadas, escolhas, cansaço e superação deste cansaço, de vida...
Mas como?, eu perguntava. Se não há palavras dizendo o que nos conta? (Sabem, podemos fazer isso com nossos alunos, também.)Em que parte identificamos as caminhadas, escolhas? Qual o trecho da música que nos dá a idéia de cansaço e superação? Aí, começávamos a buscar os trechos que identificavam.
Ao mesmo tempo, eu relembrava o filme para as pessoas realizando as associações que mais me instigavam.
Gosto desta música porque acho que ela realiza, com maestria, o seu propósito: é trilha de um filme e mesmo que não o fosse, contaria a mesma história: de coisas e momentos que vêm e que se vão, de alegrias, tristezas, dúvidas, de luta, superação e conquista. Uma das educadoras participantes disse-me, certa vez, que a música a empurrava para frente, dava-lhe a impressão que ela poderia conseguir o que quisesse na vida...desde que soubesse que é preciso dar um passo de cada vez...
Esta melodia tem uma canção, uma letra. E foi imortalizada por um cantor a quem admiro bastante. No youtube, encontrei um clipe com cenas deste cantor e de momentos de criação, em um estúdio, com um desenhista e seu modelo principal.
Ainda não sei como apresentar o portfólio, nem que aspecto enfocar. Mas a música que vamos escutar...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Marcelo Médici

Hoje, não resisti...Gosto muito desse cara.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"Jalecos contadores"


"A formatura dos novos contadores de histórias do Viva Porto Alegre aconteceu no dia 7 de dezembro, no Restaurante Massolin Di Fiori.

Na abertura, nosso coordenador, Denis Escudero transmitiu uma forte mensagem de parabéns a todos os formandos, pelo empenho com o qual chegaram ao final do processo de formação e seleção.
Logo em seguida e mais uma vez, Jorge André leu a história “Um Ponto de Luz Chamado Brilhante”, para emoção e reflexão de todos.
E então chegou o momento mais aguardo por todos: a entrega dos jalecos e crachás,
a qual foi extensamente fotografada pelos familiares e amigos dos novos contadores de histórias."

domingo, 9 de dezembro de 2007

Contribuição do pbwiki sobre o ato de escrever

No mundo das vírgulas
Nilson Souza (Zero Hora, 1º/9/1994)


Tive outro dia uma conversa com acadêmicos de Comunicação da PUC e notei certa ansiedade da garotada em relação a uma rotina da vida jornalística, que é a obrigatoriedade de escrever sob a pressão do horário e nos limites do espaço disponível. Tentei tranqüilizá-los: sempre é possível e, com a prática, todo o mundo consegue, não é preciso ter nenhum dom especial. Difícil mesmo é escrever bem. Para isso, não basta ter tempo, espaço ou vontade; é necessário, acima de tudo, persistência. Nunca tive a pretensão de orientar ninguém sobre esta matéria, até mesmo porque também suo diariamente para dar uma forma apresentável a meus textos - e nem sempre consigo. Mas recolhi das leituras da madrugada (leiam, leiam, leiam, mas também procurem escrever e submeter o texto à apreciação de leitores qualificados!) alguns ensinamentos que agora retransmito, na esperança de que sejam úteis a quem se interessa pelo tema.O primeiro deles é de Isaac Bashevis Singer, para quem o melhor amigo do escritor é a lata de lixo. Pode parecer um tanto desestimulante, mas é um admirável conselho. Lembra que a boa redação - aliás, como tudo na vida - só pode ser alcançada com humildade, com o reconhecimento da má obra. Fazer, cortar e refazer repetidamente: este é o ciclo. Trabalhoso, mas necessário. O que é escrito sem esforço, disse Samuel Johnson, geralmente é lido sem prazer.O escritor tem que se preocupar com os mínimos detalhes de sua obra, e especialmente com estes. Tom Campbell andou certa vez dez quilômetros até a gráfica que imprimia um dos seus livros (e dez quilômetros de volta) para mudar uma vírgula num ponto e vírgula. E é exatamente nas vírgulas que tropeçam os redatores iniciantes, separando o que não deve ser separado e unindo o que não pode estar junto. A pontuação é o cimento do texto. Querem um exemplo? Leiam a historinha abaixo, que retirei de uma coletânea de pensamentos de Mansour Challita:Foi encontrado o seguinte testamento: "Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres". Quem tinha direito ao espólio? Eram quatro os concorrentes. O sobrinho assim pontuou o texto: "deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". A irmã pontuou assim: "deixo os bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres." O alfaiate fez a sua versão. "Deixo os bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". O procurador dos pobres pontuou assim: 'Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!".O anônimo moribundo, como podem perceber os leitores, não era um bom redator. Ou então tinha - por motivos óbvios - a pressa dos jornalistas nos minutos que precedem ao fechamento da edição.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Papai Noel foi nos buscar




A noite de nossa formatura começou assim: Papai Noel, dirigindo um táxi que produz neve, foi nos buscar. Fomos pela 24 de outubro, Parcão, até o local da formatura participando como atores coadjuvantes da alegria proporcionada pelo taxista: janelas de carros se abriam, mãos risonhas abanavam, adultos enfatiotados dentro de seus carros voltavam a ser criança sorrindo e pedindo um aceno natalino. Mãe e dois filhos quase pularam para o táxi rindo, falando da lista de presentes. Da janela de um camburão da polícia , um fotógrafo registrou alguns acenos. Kátia, Lu e eu ríamos e, vez por outra, abanávamos, também.
Na chegada ao restaurante, a despedida perfeita: uma chuva de flocos imitando neve. E Papai Noel (na verdade, nosso vizinho Nilton) foi embora em seu "truno" (mistura de trenó com fiat uno) buscar duas crianças que haviam solicitado uma volta pela cidade com o vizinho, digo, velhinho.
Essa foi a Parte Um: digna de registro, com certeza.
A Parte Dois é no Massiolini di Fiori: nossa entrega de jalecos.
A partir deste momento Kátia e eu formaremos uma dupla e, todas as semanas, estaremos contando histórias no Hospital Santo Antônio.
Pensei que conseguiria, com facilidade, descrever o nosso processo de visitação nos quartos, na UTI, a contação de histórias e a reação das crianças e famílias. Enganei-me: é quase indescritível a sensação obtida ao conseguir que uma criança esqueça, por alguns momentos, suas dores e sorria ou preste atenção na história e no contador. Da mesma forma, sensibiliza-nos a satisfação de algumas famílias ao abrirem a porta dos quartos e deixarem passar quem traz um pouco de alento.
O Viva e Deixe Viver faz um lindo e competente trabalho e orgulhamo-nos em poder participar!
A noite foi bela e as companhias muito mais: Pessoas muito especiais estavam conosco: nossa amiga Mosqueteira Lú Sobotyk e o Erik (seu filho, que tem um sorriso cativante), Irene ( nossa amiga em comum) e Silvinha , minha grande parceira de trabalho e carinhosa amiga . Claro que não posso deixar de falar no Lu: meu marido-amigo-parceiro de vida.
Em certo momento, observei todos à mesa... Sílvia, Irene, Kátia, Lú, Erik e Lu... observei as novas pessoas que , de alguma forma, entram em minha vida para ajudar a transformá-la e me certifiquei de como estou feliz. E posso partilhar esta felicidade com pessoas que precisam descobrir que vale a pena estar aqui.
Com certeza, vale muito !

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Escrevendo novas histórias

Encerrei meu estágio, hoje.
Sob a supervisão de um dos voluntários veteranos, contei histórias em dois quartos, no Santo Antônio. Interessante também foi o fato de , enquanto aguardava a chegada do veterano, no saguão , resolvi contar a história da Casa dos Beijinhos e do Grúfalo para três crianças e seus acompanhantes.
Acho que o Grúfalo está ficando conhecido, no Hospital.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Bom dia, Sr. Shlomi

Acordei pensando neste filme.
O personagem central da história é um rapaz desconsiderado por sua família. Com exceção do avô, os outros o acham idiota, um aluno medíocre sem condições de aprendizagem. Até uma de suas professoras concorda.
Shlomi transforma o ato de cozinhar em algo mais e, sem que percebam, auxilia a todos que o olham, mas não enxergam.
Shlomi também acredita ser um idiota e demonstra nervosismo nas tarefas escolares. A curiosidade do diretor escolar ao analisar a resposta (considerada errada ) de Shlomi a uma prova começa a modificar a vida do jovem...
Acompanhar o florescer de Shlomi, testemunhar a insistência, ética e visão do diretor da escola possibilita que tenhamos fé, que acreditemos que é possível fazer mudanças através de nosso trabalho, de nossos valores e da forma como "nos postamos" neste mundo.
Fica a dica .