Estou em fase de "salada de frutas", misturando tudo. Começo com a solicitação das professoras Bea e Íris sobre nossos portfólios de 2007, com uma postagem que intitulei de "clique" e com um comentário posterior também da professora Bea, com uma triste notícia vinda da amiga Mosqueteira Lú sobre um aluno seu e com a história de quem tenta fazer o bem mesmo quando nada tem.
Ah! Para acrescentar uma "pitada" a mais, um comentário feito por meu marido há alguns anos: segundo ele, que trabalhou algum tempo na área de Segurança, uma das formas de conseguir ajuda de alguém, utilizando o grito, não é pedir socorro mas sim, gritar FOGO! A lógica é que as pessoas têm medo, procuram não se envolver ou arriscar. Ajudar algum desconhecido que grita por socorro pode, talvez, transformar quem se dispõe a socorrer, em vítima. Mas já o FOGO passa outra mensagem e mexe com a curiosidade. Quantas vezes vimos alguém observando um incêndio, realizando comentários, solidarizando-se com as vítimas e observando outras pessoas correrem os riscos que se apresentam?Há uma história que gosto de contar chamada "Tico e os Lobos Maus". Nela, um coelhinho grita por socorro, quando imagina um bando de lobos à sua espreita. Sua mãe chega para afastar seus receios, sempre que necessário. Quando conto esta história, no momento em que o personagem grita, eu empresto minha voz e grito "Socorro!!!" Lembro que, há muitos anos, contando a história em uma formação de educadores de uma creche comunitária eu gritei a palavra e, poucos segundos depois, estavam abrindo a porta a cozinheira e o dirigente da instituição. Demos risadas pois, além do susto em quem ouvia a história, percebemos o susto em quem correu para tentar auxiliar. O tempo passa... Na apresentação de meu portfólio contei essa história e, novamente gritei por socorro. Fiquei intrigada quando ouvi o comentário que, em outra sala ouviram o grito e, por um momento, todos permaneceram quietos até que alguém falou " isso é coisa da Bia". Realmente , era. Mas lembrei do que o Lu dissera...
Quando falamos em evidências, também tocamos em finalidades, em metas, objetivos. Aprendi com uma querida líder comunitária a não pensar pequeno em relação as minhas metas. O que eu desejo, estudando? O que espero alcançar? Que diferença vou fazer? Eu espero e trabalho no sentido de que meus alunos, seus familiares e outros alunos que virão saibam fazer a diferença. Quero contribuir para que existam pessoas mais humanitárias, que consigam descentrar-se, que pensem em si e, também no coletivo. (embora, concorde que nem sempre é possível e necessário...) Acredito que devemos, sim, não pensar somente em coisas ruins mas saber que existem e, se necessário, procurar enfrentá-las.
(Novamente, volto no tempo, e relembro das crianças da Creche João Paulo...) Quero me tornar uma pessoa melhor, ciente de meus defeitos, aceitando alguns e procurando alterar outros. Quero ter coragem de ouvir um verdadeiro grito de socorro e conseguir me arriscar. Fácil? Que nada! Dificílimo, eu diria. Mas com clareza de objetivos e busca incessante de evidências acho que vou construindo um bom caminho.
"Ó vida, ó dor"... como diria o Dr. Smith... "Na dúvida, eu tenho quase certeza" de que insistiria no "Socorro".
Um comentário:
Bia, ainda posso escutar o "socorro" em tuas palavras ;-)
Bem, como assisti ao teu trabalho, não há dúvidas de que ele represente de forma muito significativa o teu processo de aprendizagem, não é mesmo? Todavia, além dele, que outros poderíamos destacar?
Além disso Bia, que outras relações poderíamos estabelecer entre o pessoal que apresentou no mesmo grupo que você, além da questão da emoção que ficou muito bem evidenciada?
Vamos tentar a reflexão? Volto para conversarmos mais!
Um abraço e uma ótima semana ;-)
Daiane
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