sábado, 17 de abril de 2010

Em repouso com Roy Orbison


Na verdade, acredito ter sido com Don Mclean. Mas não posso negar o crédito ao real compositor.
Da biografia de Roy, chama minha atenção o fato de ter sido um geólogo, trabalhando, por algum tempo, em campos petrolíferos. E , durante a noite, cantava...
Pois é dele a melodia que ouvi no carro de minha colega que, insistentemente, sugeria que eu fechasse os olhos para descansar, antes de chegar.

Todas as tardes, quando encerramos nossas atividades na escola, esta colega, pacientemente, modifica seu trajeto e me leva em seu carro até a escola em que estou "realizando estágio". Tenho meia hora para deslocar-me do Jardim Itú Sabará até a outra escola. Com sua ajuda, consigo chegar poucos minutos antes do início da aula.

Fora uma tarde "pesada" em alguns aspectos: enquanto corria com fantoches de lobo atrás de alunos na biblioteca, que tentavam se esconder nas "árvores", um de meus ex- alunos , entrava na sala com uma postura indicando surto. A situação foi controlada com tranquilidade mas não sem o receio que sempre nos acompanha em situações como esta. Mas, retomadas e encerradas as brincadeiras dramatizadas, recebi uma turma e mais outra. Com a última turma fizemos uma "caça aos livros", pela escola... (atividade que chamo de "desafio de pistas")
No carro, minha colega insistia: Fecha os olhos, relaxa enquanto não chega... a tarde foi cansativa pra todas nós... ouve a música."
Não consigo, só consigo ouvir a música...
Tá, então ouve a música de olho aberto e sem relaxar. Mas fica quieta!
Sorri e ouvi a música...





Engraçado como, em certos momentos, independente da idade que temos, das experiências que vivemos, só precisamos de um colo ,uma palavra , ou aceno para nos tornarmos mais fortes.
E, enquanto não recebemos esse "colo", essa palavra ou aceno,enquanto não nos sentimos aconchegados, protegidos e, principalmente, compreendidos, não ficamos bem.
Algumas vezes, encontramos essa compreensão no sorriso e afago de um amigo, no silêncio e respeito do marido, na casa de nossa mãe... E aí, fica fácil, teoricamente.

Outras vezes, o lugar onde você , certamente, encontraria a palavra e o gesto que consideraria certos e essenciais já não existe.
Então, você busca o auxílio da memória ...

Nos minutos que antecediam minha chegada à outra escola, ouvindo a música, de olhos bem abertos , relembrei um passeio ao Zoológico com minha mãe. Como quase toda criança naquela época, eu não percebia o sentido da palavra cativeiro e, por isso, só via o belo nos contornos e movimentos dos animais.
Comentei, ao avistar o tigre dormindo, que gostaria de fazer carinho no bicho pois o achara lindo.
Rapidamente, segurando minha mão, ela respondeu que eu nunca poderia fazer isso, nem com aquele ou outros animais. Retruquei "mas ele tá dormindo, mãe...".
"Ele está descansando, Doca. E se acordar, pode machucar quem está perto. Parece manso, mas não é..."
A criança que eu era ficou muito impressionada.

Muitos anos mais tarde, passada minha adolescência, minha mãe, em uma de suas raras lembranças, trazia de volta, aquele momento. E acrescentava que o tigre dormia porque não lhe restava outra coisa: sua rotina dependia das pessoas que o prendiam ali. Mas que ninguém duvidava de sua ferocidade, quando desperto.
"Filha, quando se sentir presa, fecha os olhos e pensa, pensa muito, até dormir. Quando acordar vai se sentir mais forte..."
Interessante... ela fechou os olhos e ficou pensando muito tempo, antes de partir. Talvez viajasse pra outros lugares em busca do melhor, onde, finalmente desembarcaria. Quando encontrou, se foi e chegou lá bem forte...

Mas, minha vida é aqui e agora. Uma vida em que pouco durmo, muito trabalho e, por vezes, descanso. Opção minha, como outras a que tenho direito.


Os alunos da EJA já estavam na entrada da escola. Ao cumprimentá-los falei que iríamos fazer um passeio diferente. Já na sala, nos organizamos para caminharmos pelas ruas do bairro e observarmos comércio local, pessoas, prédios, paradas de ônibus...
Como já é de costume, minha máquina fotográfica foi circulando entre vários deles, que tiravam fotos de si, dos colegas e das ruas. Saímos às 18h20, ainda dia, e voltamos depois das 19h acompanhados pela noite.
No retorno, relembramos em conjunto, tudo o que vimos, conversamos sobre os 78 anos que a escola estará realizando no dia 19 e realizamos um desenho sobre o passeio destacando o que mais fora significativo.
Próxima semana tentarei disponibilizar o Google Earth nos computadores e levar a turma para realizar um passeio virtual sobre a escola e as ruas próximas. De qualquer forma, as imagens impressas serão entregues e trabalhadas com o grupo.




Crédito das fotos: Alunos EJA II

Sinto um enorme descompasso entre a forma como o curso de Pedagogia EAD foi conduzido, nestes quatro anos e a forma como o estágio curricular se apresenta. Percebo até a incoerência em relação a um curso voltado para tecnologias inovadoras e um grupo responsável pelo estágio, não tão apropriado dessas tecnologias. Pla -ne - ja- men-to. Que antecede, que reflete e pensa sobre o que pode e poderá acontecer. Há pessoas, como eu, em estágio, sem um documento que me habilite para realizar o mesmo? Pla-ne-ja-men-to! An-te-ci-pa-do. Organização e agilidade.
E, quando falo e escrevo isso, não me dirijo aos supervisores de estágio que, certamente, procurarão fazer o melhor dentro de suas possibilidades. Também não me refiro às incansáveis professoras Coordenadoras de nosso Pólo, seguramente, grandes responsáveis pelo que a palavra "inovador" representou e representa em nosso curso. Assim como nós e o tigre, estão trabalhando dentro do que se apresenta.

Nesta semana, conversei com a responsável pelos fonos , da SEC, que me relatou e esclareceu sobre como alguns encaminhamentos foram e estão sendo realizados pela universidade e pela própria SEC.
Pois é chegada a minha hora de fechar os olhos e , pacientemente, ressonar...

Enquanto isso, ofereço o meu melhor ,no lugar onde estou e para aqueles que me cercam.

3 comentários:

Beatriz disse...

Lu querida será que li bem? Fui lendo tuas colocações com um sentimento, que tem sido contínuo, de impotência: não saber como me movimentar para ajudar a movimentar a máquina do curso naquela direção que todos nós imaginamos que teria. Quase no final, despertei do torpor e do constrangimento que me cobre quando tenho que ler tuas reflexões e li de novo, bem devagar o parágrafo onde indicas que o problema burocrático estaria começando a abrir seus nós. Espero que seja verdadeiro e que consigas continuar teu estágio com mais tranquilidade e vigor. tenho certeza de que vais abrir os olhos com firmeza e como o vigor de quem sabe o que quer. Se o estágio não é como pensavas, tu tens competências suficientes para fazer dele o estágio dos teus sonhos. Basta querer e isso eu sei que queres. Um abração amiga e bem-vinda ao final do curso. Por favor, não deixe que a mesmice de te pegue e que a mosquinha azul seja esmagada.
Um beijão bem mais feliz.
Bea

Biapedag disse...

Olá, Bea!
Olha só: acredito que não leste bem , não. Na verdade, penso que, ao falares no parágrafo onde eu indicaria que o problema burocrático começava a se dissipar, estava muito do teu desjo de que isso acontecesse. Quando relatei o fato de ter conversado com uma das coordenadoras da Sec, não disse que tudo começava a se resolver. O fato é que, a partir de alguns esclarecimentos recebidos, pude confirmar como a SEAD não encaminhou corretamente a minha questão. Pude ter a certeza, a partir da conversa com uma pessoa de outra instituição, de que era o momento de acalmar para agir: caso contrário, estaria até hoje esperando respostas e encaminhamentos que deveriam ter sido realizados há muito tempo atrás.
O fato, Bea querida, é que fui prejudicada, certamente. Não possuo nem tranquilidade, nem vigor, neste momento. Talvez, quando encerrar meu vínculo com este estágio e com as pessoas que da SEAD que foram e são responsáveis pelos trâmites burocráticos, eu consiga uma coisa que me foi tomada : paz e sossego.
Infelizmente, Bea, não é tão simples assim. Ainda estou recolhendo "cacos" e tentando reorganizar meus espaços e tempos.
E , só pra relembrar, eu sou a Bia. rs Não tem importância teres trocado meu nome, na verdade... Se fosse Lu eu também estaria orgulhosa, com certeza.

Beatriz disse...

Vê se pode!!!Acho que fiz um ato falho. :-)) Não quis dizer teu nome porque a tua situação me incomoda muito!!
Li teu mail onde abordas a questão dos dias do teu estágio que agora, pelo jeito ficou datado.
Acho que a data que começas no papel pode ser perfeitamente resolvida pela data real. Por isso, faz dentro do tempo que cabe em 9 semanas, desde que tu começastes.
Um abração
Bea