sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ferraz matou o Cara

Não foi o tio do filme. Nem UM cara. Foi Ferraz e foi O Cara.
Há quilômetros de distância, no extremo sul do país, todos os dias Ferraz protocola e encaminha solicitações realizadas. Sua fama no setor era de atento e rápido em todos os procedimentos de trabalho.

Naquele dia, porque a noite fora longa, Ferraz acordou diferente e enquanto recebia os documentos para protocolar sentiu o perfume enjoativo e adocicado de uma colega. Contrariando sua rotina, resolveu "abrir uma pausa para o café" e saiu da sala. Jogou os documentos em uma gaveta, deixou-a entreaberta e fugiu do aroma Maçã Verde. Foi aí, nesse exato momento, que ele começou a matar o cara.

Os documentos foram retirados da gaveta pela adocicada colega que nutria um não menos doce sentimento por Ferraz, o desatento. Resolveu auxiliá-lo, iniciando o processo de protocolagem.
Ferraz voltou e não conferiu os documentos: agradeceu à colega e continuou o trabalho. Mas na gaveta de Ferraz, fora esquecido o ùltimo documento da pilha: o documento do Cara.

Na outra ponta do país, O Cara aguardava a resposta da solicitação. Da negativa ou concordância dependia sua família, seu trabalho e seu futuro. Ciente do prazo estabelecido para resposta e já contando com certo atraso, organizara-se de modo a esperar com tranquilidade.

No escritório perfumado e de sotaque diferente os dias passaram, se transformaram em semanas e meses. Uma pasta de papelão , dentro de uma gaveta, cobria os documentos do Cara. O chefe de Ferraz recebera vários emails e solicitações cobrando uma resposta que não chegara, lá outro lado do país. O chefe , duas mesas afastado do subordinado, carimbou as reclamações e deixou-as em seu escaninho para que, em algum momento, fossem encaminhadas à Ferraz.



As reclamações eram do Cara. E por causa da demora, da falta de notícias, do desânimo e todos os outros sentimentos provocados em seu pai, a filha do Cara, numa noite de sexta, resolveu não mais sair com as amigas. Não saindo com as amigas, deixou de conhecer o Osvaldo que seria seu marido. Ela e Osvaldo teriam uma filha e seriam felizes.Ficou em casa, atendeu a porta e foi assaltada por dois adolescentes fugitivos de um abrigo.

O Cara precisou fazer um empréstimo para o pagamento das sessões de terapia que a filha iniciara logo após ao assalto em sua casa. O Cara já não trabalhava no mesmo lugar pois sua permanência dependia de uma resposta que não vinha. No outro emprego, iniciou uma diferente jornada.

Naquele escritório, a comemoração era singela mas verdadeira: todos estavam felizes com o noivado de Ferraz e de sua prestativa colega. O noivo já não era tão rápido nos procedimentos, trabalhava com mais vagar, relembrando feliz, noites longas e manhãs supremas.
O chefe de Ferraz abençoara o namoro e apadrinhava o futuro casamento: na verdade, seria eternamente grato por Ferraz ter influenciado a troca de perfume de sua namorada: agora, só o cheirinho quase imperceptível de sabonete de bebê pairava pelo ambiente.

Dias depois, o noivo, encontrou o documento do Cara . Observou que muito se passara, vasculhou a gaveta em busca de outros esquecidos e, ao perceber que somente aquele documento não fora protocolado em tempo hábil, suspirou aliviado: "um, só".
O "Um, só" não era muitos. Talvez, se o fosse , fizesse alguma diferença.

O Cara recebeu uma correspondência dizendo que sua solicitação estava sendo avaliada, que demonstrasse tranquilidade na espera. Quem redigiu o texto, bem longe de onde está o Cara, saiu para um cafezinho, "porque ninguém é de ferro".
Mas o Cara...

Passado muito tempo, Ferraz já é chefe e ensina a bela arte de um "atendimento correto e eficaz".
O Cara recebeu novo aviso e , depois de mais um tempo, a resposta solicitada chegou com saudações.

O Cara já "está noutra". Nunca conheceu Ferraz, nem sabe que , na verdade, foi "morto" por ele.
Mas um dia, quem sabe, nesta história, surja uma outra personagem cujo pai se chama Osvaldo...


De quantos SES a vida é feita... Se fosse antes, se fosse ontem, se fosse depois, se fossem dois, se fossem muitos... Se eles fossem assim, se fossem assado...Se fossem hábeis, se não fossem inábeis, se enxergassem longe...

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"PORTO ALEGRE É DEMAIS..."

Sobre estágio:

Desde o início do curso, a certeza dos alunos era de que fariam seu estágio em suas próprias salas de aula. Certeza não adquirida gratuitamente mas originada de palavras de professores e coordenadores.
Sou uma das professoras do município de Porto Alegre. Há poucas semanas do início do estágio fui "brindada" com a notícia de que não poderia realizar estágio em minha própria turma.
Passei meu período de férias buscando outras possibilidades com a certeza de que meu estágio seria realizado em um terceiro turno, à noite.
Enquanto a Universidade enviava mensagens tranquilizadoras e esperançosas o RH de minha secretaria me alertava ao contrário. Mas como a vida continua, era esperada uma resposta : eu continuaria em minha turma para realizar estágio ou iria para a Biblioteca da Escola, nas 40 horas? A lógica da direção ( e com o franco desejo de me auxiliar) era de que , estando fora da sala de aula ,eu poderia ter "mais gás" para enfrentar um terceiro e inesperado turno de trabalho.
Então, (e escrevo aqui o que já falei dezenas de vezes) outra professora veio para substituir-me.
Não posso deixar de salientar que, desde o semestre passado, o meu prazer e expectativas eram enormes em relação ao estágio: junto com meus alunos e com a colega e amiga Luciene e sua turma, iniciara uma Arquitetura Pedagógica que trilhava bons caminhos para o estágio de ambas. Eu estava bem feliz: tinha uma turma, já iniciara a Arquitetura, iria fazer estágio em minha escola, usando espaços e tempos já conhecidos.
Entretanto, a Secretaria de Educação de POA, indicava outros rumos... E devo acrescentar que os "ses" são muito importantes. Se não fossem apenas umas poucas professoras, se as reuniões com a secretaria de Porto alegre tivessem acontecido com maior antecedência, se tivessem percebido , se...

Fui recebida em outra escola. Em uma escola em que o Laboratório de Informática parece ser um território a ser conquistado. Em uma escola em que todos são gentis , mas desconhecem o foco de meu estágio. Conquistar e informar leva um certo tempo... Ah! Mas eu, pensando em minha situação e na de outros colegas, sugeri a elaboração de um documento que nos auxiliasse a "abrir algumas portas". A idéia, pelo que percebi foi bem aceita. Estamos aguardando o documento...
E , falando em documentos, são eles necessários em outras esferas. Como duas vezes por semana tenho reunião pedagógica, à noite, ainda necessito solicitar redução de carga horária para utilizar o turno da noite. E para encaminhar a redução necessito de um documento da escola onde, supostamente, irei estagiar afirmando que lá estou e informando meu horário de estágio. Mas ainda, lá não estou... embora esteja, desde o início do mês observando e conhecendo alunos e professores.

A notícia colocada pela professora Rosane na Front Page do wiki do estágio dizendo que "foi acolhida a solicitação da UFRGS e que os alunos do PEAD poderão efetuar os estágios nas respectivas escolas/salas de aula.", já não me beneficia. Minha caminhada já é outra. Caminhada que eu não desejava fazer, que talvez, dependendo de muitos "ses" , não precisasse realizar.
Mas fico contente se pelo menos uma ou mais pessoas tenham sido beneficiadas. E torço para que realizem seu estágio tranquila e prazerosamente.

Se há colegas, tranquilas e satisfeitas (e, há, com certeza) neste período inicial do estágio, este não é o meu caso. Sinto-me muito incomodada . Na verdade, o estágio em si nunca me preocupou. Percebo, agora, que meu desgaste, cansaço e desencanto certamente não se originam de turma, aluno ou tipo de metodologia: eles vêm da burocracia, da lentidão e da incerteza.


Esse post foi muito pensado e filtrado por mim. Esperei passar alguns estágios em que me encontrava. Não conseguiria escrever outras coisas se antes, não colocasse um mínimo do que se passou e passa em minha mente.
Mas, desencantada que ainda estou, crio outro espaço onde poderei ser piegas, raivosa, dramática, cômica ...um espaço onde relatarei o que chamo de bastidores. Agora, será ali,o lugar onde despejarei o meu prazer.

Ainda aguardando resposta na página "Tenho Dúvidas", despeço-me, desejando um FELIZ ESTÁGIO a todos!

E antes que venha um certo tipo de pergunta eu já respondo :

Eu não sou Ferraz, não sou o Cara, não gosto do perfume de Maçã Verde, não sou a filha, nem me chamo Osvaldo. E se nessa vida , a obviedade é plural, seguramente, eu sou SINGULAR.

5 comentários:

Luciene Sobotyk disse...

Oi amiga!
O que dizer?Nada,está TUDO aqui.Apenas um detalhe:Luciene e não Luciane rsrsrsrsr
Beijos,Lú

Luciene Sobotyk disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Beatriz disse...

A burocracia é massacrante e, muitas vezes, acaba com os desejos e vontades e competências. Desejo apenas que consigas exercitar a ação de ignorá-la e faças o teu trabalho. Eu, como parte dessa máquina hororrosa vou me virar do avesso para que ela tire os últimos "ses" da tua espera e te libere para trabalhar no estágio que, sei que será maravilhoso. Não quero me defender e sim registrar que estamos lutando desesperadamente com essa burrocracia que nos esmaga.
Um abração
Bea

Biapedag disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Biapedag disse...

Bea querida,

Agradeço. Várias vezes.