Adoro Música. Uma pessoa cantarolou parte de uma música perto de mim e ,como uma esponja, absorvi a melodia que me acompanha há um tempo. Cantarolei para o Lu, tentando descobrir, com sua ajuda, qual o nome da composição. Frustrada, descobri que estava "semitonando" e, ao contrário do que imaginava, não conseguia me fazer compreender. Com meu orgulho desafiado, recorri à minha coringa: Adi. Quando ninguém compreende meu cantarolar, ninguém lembra da música, letra ou clipe, recorro ao "batfoneadi". Telefono e peço: "Adi, que música é essa?" Ela sempre descobre. Pois com a ajuda dela e do Lu (que conseguiu, na sequencia, identificar e tocou a melodia no violão, para que ouvisse no telefone) redescobri o grupo Vaya Con Dios. Assisti a vários clipes e escolhi um para postar. A música é linda, na voz de quem a canta e com os arranjos que acompanham. Entretanto, considero a letra um caos. Que pena...
Isto me faz pensar em uma palavra, algumas situações e deduções... Lembrei-me de uma música que conheci através de um email que recebi. Na época, fixei-me na mensagem criada e não na letra da música. Reenviei para muitos amigos como votos de Natal. Só muito tempo depois, resolvi ler a sua tradução. Olhe o clipe da música e, só a partir dele, tente imaginar que conceitos nos são trazidos...
Pois é... Fosse eu, jamais conseguiria associar essa letra a uma mensagem de otimismo . Adorei o trabalho realizado pela agência de publicidade responsável pela montagem das imagens, associados ao texto. Mas hoje, apesar de achar muito bonita, não a repasso mais com esta música. Interessante... De qualquer forma, pela última vez, aqui vai : "Aprendizado"
Bah... e nem era sobre isso que eu iria escrever... Mas acho que a questão das "embalagens", dos "conteúdos", de equívocos que a vida nos proporciona e de como reagimos a eles, está presente, ainda que de forma mais sutil... Pra ser mais explícita, volto outra hora. Agora, vou tomar um sorvete. Bye
Ouvi há pouco tempo uma frase que gostei muito: "Saudades do futuro..." Pois, agora, estou assim: com saudades das pessoas que ainda não conheci, das coisas que ainda não produzi, de tudo que ainda não partilhei...estou com saudades de mim. Sinto saudades da bela música que não escutei e daqueles que ainda não reencontrei... Sinto muitas saudades de tudo aquilo que vou fazer e, também, pelo agora, de tudo que eu me descobri ser. Sou fora de mim, parte incompleta que busca caminhar ereta.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Talvez eu não quisesse escrever a primeira postagem do ano com um sentimento de perda. Talvez não quisesse escrever sobre sentimentos confusos, sobre pessoas perdidas e outras que vivem pelo medo e covardia . No início deste ano o cachorrinho que foi cuidado por algumas professoras e funcionárias da escola, por alguns alunos e por mim, desapareceu. Bob foi tema de um trabalho realizado pela professora de Ed. Ambiental e, claro, por minha turma . Trabalho este que, certamente, não poderia ser realizado por algumas pessoas devido a sua delicadeza e fundamento: estávamos tratando com uma vida. Não humana, é verdade, mas , indiscutivelmente , uma vida. E infelizmente, convivemos com pessoas que acreditam que um carro, uma roupa ou uma viagem são superiores a sentimentos relacionados com vidas não humanas. A incompreensão e ignorância geram a ironia e, por vezes, o desrespeito. Por outro lado, também muita pena por parte de quem consegue fazer esta leitura. O fato mais importante, entretanto, é que denúncias indicam que nosso mascote foi roubado. Atualmente, depois de registro de BO, de cartazes espalhados pela região e até de notícia veículada no jornal, aguardamos informações e a volta de nosso Bob. Sua chegada na escola provocou algumas mudanças que não foram percebidas pela maioria. Graças a ele pude enxergar melhor algumas pessoas e situações. Graças a ele, aproximamo-nos de outras pessoas e descobrimos quão belas e corajosas sabem ser,principalmente, no silêncio. A história de Bob não tem um final. Está na parte das reticências. Mas em breve, poderei escrever mais sobre o que ele provocou e ainda provoca em certas pessoas... Salve o cachorrinho que nos presenteou com amor, alegria e gratidão! Que ele esteja bem e que possamos nos reencontrar um dia!
Sempre será o meu melhor presente um cachorro ou gato abandonados. Entretanto, não há mais espaço físico para novos filhotes , em minha casa, nem no espaço que eu e Lu alugamos para nossos filhotes de grande porte. Sabendo disso e observando minhas últimas semanas de exames, fisio, acupuntura e dor meu marido pensou em me dar um melhor presente de brincadeira. Ganhei Caco, fiquei feliz e esqueci de meus últimos incômodos. (sinal de que quase tudo é passageiro).
Como a colega Luciene relatou em seublog, com a proposta de trabalho com as Arquiteturas Pedagógicas, por parte do Seminário Integrador, tivemos a possibilidade de iniciar um trabalho cooperativo. No Victor Issler temos uma dupla querida. No Lucena, temos o nosso querido Bob. Antes mesmo de nossa organização para as Arquiteturas, Bob já estava em nossa escola provocando reações diversas. Sua permanência conosco, até este momento, é uma conquista de todas as pessoas que gostam, respeitam e valorizam os animais. É uma conquista de professores, funcionários e de sensiveis diretora e coordenadora. Sobretudo , é uma conquista de alunos de uma turma e do trabalho realizado. As histórias das Escolas Victor, Lucena e Roque vão se entrelaçar... aguardem.
O fato é que, depois de 5 xalapecos (unidade de medida de tempo dos Turixantans), o grupo estava preparado para o grande vôo.
Nos últimos terços de xalapecos, os bichinhos estavam alvoroçados... temerosos alguns, confiantes, outros.
Várias estratégias foram sendo observadas ao longo do tempo: asas pouco usadas durante o período de aprendizagem agora faziam questão de mostrar o máximo de movimento não perdido..
Turixantans, procurando grasnar o mais alto possível, acreditavam que o barulho de suas vozes facilitaria o vôo.
Outros, ao contrário, já não se importavam com fantásticos sons: preocupavam-se com a concentração interna necessária. Um ou outro ainda não tinha se dado conta da data marcada e corria risco de realizar um vôo mais difícil.
Os Mursiatans (equivalente a mestres, orientadores) participavam do alvoroço de diferentes formas.
Durante todos os xapalecos foram responsáveis pelo desafio de proporcionar as competências para que o vôo fosse realizado. O interessante é que sabiam que não bastava apenas planar no espaço. O recuo buscando espaço para a corrida antes do salto, a posição da cabeça, o momento em que as asas eram abertas (e de que forma; seguramente, tropegamente), a inclinação do corpo no espaço, tudo era observado. E o principal: a rota era diferente, cheia de curvas, elevações e desafios.
Sabiam, os Mursiatans, que a grande maioria completaria o vôo, que talvez alguns desistissem de voar e outros, fariam aquela rota apenas para encerrar o vôo e depois, voltariam ao caminho já trilhado antes da chegada àquele grupo.
Sabiam, os Mursiatans que, no vôo, surpresas poderiam acontecer, imprevistos, desconfortos e também muitas satisfações.
Sabiam, que alguns dos Turixantans trocariam as penas mais uma vez e voltariam diferentes, pelo mesmo caminho...
Sabiam que tanto eles como seus pássaros discípulos não eram mais os mesmos.
Ao contrário do que os mais ingênuos Turixantans pensavam, o grande vôo não era uma competição.
Cada pássaro voava para diferentes lados, a pressa não estava associada ao tempo do outro mas ao tempo de cada um.
Cada Turixantan buscava os limites de seu corpo, de sua mente, da junção de ambos. Esquecidas as confusões e os grasnados destoantes, a preocupação de muitos era levar consigo tudo que se tornara positivo: amizades, palavras de conforto, limites oferecidos quando necessário, cutucões, conselhos , orientação e uma nova e desafiadora forma de voar.
O que, inicialmente, era o final de uma etapa se transforma no começo de outra.
Cada um a trilhará de acordo com o que vivenciou, do que percebeu e enxergou.
O tempo e o espaço não são os mesmos para todos. A aprendizagem é contínua e permanente.
O dia do vôo é nublado para alguns, ensolarado para outros. Tempestuoso, quem sabe.
O vôo linear é aceito mas não tão comemorado. As elevações pelo caminho impedem a continuidade de um voô deste tipo. A adequação do vôo com os desafios propostos no caminho e a originalidade ao enfrentá-los são muito consideradas.
"Ele é um Turixantan. Um pouco mais antigo, com penas não tão brilhantes, já chegara ao grupo, como muitos, sabendo voar. Mas aprendeu mais, descobriu outras formas e capacidades. Agora, pouco antes de seu recuo para o salto, pensa que, se não sabe tudo, pelo menos tem a certeza de que pode investigar e procurar... e que pode fazer isso com e por outros Turixantans. Descobre um receio bem escondido de que seu vôo seja conturbado. Afasta-o, trocando-o pelo sentimento de que é capaz. Com carinho e gratidão vira a cabeça e observa os colegas turixantans e, especialmente , os Mursiatans que o acompanharam até aquele momento. De certa forma, aqueles mestres estariam junto, no vôo e mais além. Ele retoma à posição inicial, balança as asas, recua, corre e salta! Quem permanece na linha de saída pode ler a mensagem enviada pelo bater de suas asas: obrigada, obrigada, obrigada. Fui!"
Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca."
(Jorge Luís Borges)
Desde pequena aprendi a utilizar as prateleiras de uma biblioteca como passaporte para grandes viagens.
Conseguir uma nova carteirinha de sócia era motivo de muito festejo, em minha casa.
Na infância, palmilhei por muitas bibliotecas: do SESI, da AABB, ASBac, a biblioteca da casa dos meus padrinhos, da casa dos pais de meu amigo Mathias.. Mais tarde, Biblioteca Central, Lucília Minssen, CCMQ, Faculdade de Letras, Bibliotecas da Smed e FAPA.
Entrar em uma Biblioteca, observar as prateleiras, folhear os livros, escolher aquele que mais interessa, circular pelo espaço sempre foram motivos de muito prazer.
Neste ano, com a aposentadoria da professora responsável por este espaço, a equipe diretiva de minha escola convidou-me a assumir a vaga existente. Este convite foi motivo de muita alegria: tinha a certeza de que poderia, de alguma forma, retribuir tudo o que eu conquistara através deste espaço, realizando hora do conto, estimulando o manuseio dos livros, oportunizando que todos os alunos fizessem retiradas e, na sequência, seus familiares também.
É bem verdade que, além da turma de terceiro ciclo, à tarde, ainda partilho com uma querida colega a coordenação cultural da Escola. Entretanto, entre ter a possibilidade de realizar um novo e mais instigante trabalho, oferecendo uma diferente "filosofia de Biblioteca" , beneficiando muitos alunos e continuar me dedicando quase integralmente a uma coordenação onde já havia uma pessoa também responsável, naturalmente, voltei maior parte de minha atenção para o novo desafio. Porém, por várias questões, ainda não pude me desligar, como é meu desejo, da Coordenação Cultural.
Atualmente, na escola, realizo o trabalho na Biblioteca, sou responsável pela coordenação do Projeto Adote um Escritor, atuo com uma turma de adolescentes (maravilhosos! Tanto a turma como a parceira.) e, de forma não tão intensa quanto antes, acompanho minha colega da Coordenação Cultural.
Nos entremeios, administro o blog da Escola e me "enturmo" cada vez mais com as Tic's.
Chego à conclusão de que tenho bastante com o que me ocupar, fora o PEAD, Cursos de Extensão, cuidados com turma canina e felina, vida pessoal e saúde.
Não trago essas observações como um lamento, ao contrário. Sinto-me desafiada (ok, ok...por vezes cansada, sonolenta...) e instigada a testar os meus limites.
Mas o que faz com que eu "aguente" quase beirando e ultrapassando certos limites? A parceria , o prazer de fazer o que gosto e a compreensão de que nada é permanente.
Em relação aos parceiros, descubro que tenho vários em diferentes níveis: marido, amigas e colegas da Turma e da Coordenação, a equipe diretiva de minha escola, minhas colegas e amigas do PEAD, minhas professoras, orientadoras, tutoras, cachorros, gatos, livros...
E, se por alguns momentos, estiver mais cansada, rabugenta ou , como diz uma colega da Escola, " já estou tomando sorvete pela testa" vou tentar lembrar do que disse a Neusa: "a cada dificuldade surgida, encontro um jeito de..." contorná-la, enfrentá-la, ultrapassá-la , acrescento eu.
Vou conseguir, sempre? Acho que não. Mas uma bela tentativa já é um bom caminho.
Alguns paraísos podem parecer pequenos mas a luminosidade que irradiam nos afeta por uma vida inteira, não é?
Já faz tempo que penso em escrever sobre a multiplicidade de meu dia a dia.
Começo por dois cursos de extensão que estou realizando: o primeiro, semipresencial, tem como foco Competências para um Trabalho em Equipe. ( em ambiente virtual)
Meu interesse por esse curso se origina no semestre passado quando realizei um Projeto de Aprendizagens sobre Grupos.
Com um olhar mais distante, percebo que o desenvolvimento do PA e sua aparente conclusão sempre esteve "costurado" com as relações que o grupo mantinha. O que não deixa de ser óbvio. Mas já naquela época as relações, o vai e vem de papéis, a troca de funções, chamava minha atenção... Saí daquele PA com a sensação de que alguma tinha mudado e outras coisas precisavam ser descobertas. Quando li o folder do curso pensei "é por aí que eu vou..."
Uma das coisas que gostei muito é a possibilidade de, por algum tempo, conviver com pessoas de diferentes áreas: artista plástico, contador, gerente, analista, estudante de Filosofia e vários outros.
Já no primeiro dia, dividimo-nos em grupos. Com as iniciais de cada um, formamos o WeBiJeCla: um grupo buscando se transformar em equipe.
A ferramenta de trabalho é o ETC, Editor de Texto Coletivo. Através dele, nossa participação é registrada, colaborações e idéias são compartilhadas.
Confesso que, para alguém já acostumada a utilizar o ROODA e, principalmente, o pbworks com suas inúmeras funcionalidades, a utilização do ETC parece ser ainda muito limitada.
Mas é com a participação do grupo, sugestões e indicativo de dificuldades encontradas que a equipe técnica buscará o aperfeiçoamento da ferramenta. Portanto, "faz parte".
Ironicamente, constatei que para alguém que não gostava dos fóruns deste semestre no PEAD, procurei de forma certeira: no mínimo 4 fóruns, dentro do ETC. Mas, surpresa! Estou gostando. Quem participa o faz por que tem algo a questionar, acrescentar, a descobrir... não há preocupação (nossa) com um número mínimo de postagens mas sim, em relacionar o que foi lido com os comentários do fórum e com o que se registra. Vamos conversando e a opção "resposta" é bastante utilizada. Novamente a diversidade se apresenta como aspecto positivo.
Em relação às leituras e bibliografia indicada estou me organizando pois o volume aumentou. Mas questões como a funcionalidade de uma equipe, diferença entre equipes e grupos, competências vêm ao encontro de algumas percepções e curiosidades "alimentadas" no Seminário Integrador.
Com todo o cansaço e pouco tempo, tem valido a pena.
O segundo curso de extensão foi escolhido por razões óbvias: também oferecido pela Educação à Distância da UFRGS, trata de Projetos de aprendizagem. Há muitas afinidades neste curso. O fato de realizá-lo na companhia de duas de minhas amigas Mosqueteiras (kátia Diehl e Lu Sobotyk)é um grande estímulo.
Ainda estamos no período de apresentações virtuais mas percebo que, em breve, estaremos com a "mão na massa".
Considero este semestre um interessante desafio. A "batalha" se trava entre a minha vontade de descobrir cada vez mais e os limites que meu corpo e mente impõem.
Neste momento, o que procuro? Encontrar um meio termo e desfrutar das oportunidades que surgem com prazer e saúde. E, como diz a tutora Rossana, "vamoquevamo!"
Enquanto assistia ao vídeo disponibilizado pela Professora Luciane (EJA) e , mais tarde, ao ouvir seus comentários, relembrava de uma história que contei na primeira apresentação de Memorial, no PEAD: Galileu Leu. Gosto muito de contá-la quando realizo oficinas com educadores. A conversa que surge, a partir do Galileu, sempre é muito boa. A aula presencial, e me refiro exclusivamente à professora e a discussão proposta por ela, foi muito significativa. Ao ouví-la, lembrava de uma de minhas alunas que tem uma ânsia de aprender admirável. E as leituras de mundo que começa a fazer emocionam suas professoras: minha colega Sílvia e eu. Fiquei pensando se estou, realmente, fazendo todo o possível para auxiliá-la ou posso conseguir mais... E sabem de uma coisa? Acho que essa aluna merece que eu "consiga mais"... Por hora, ofereço a leitura de Galileu para a professora Luciane e para todos os colegas e amigos que sabem que , muitas vezes, fazemos uma atuação bem melhor fora dos palcos que alguns procuram criar.
O objetivo deste post é retomar a conversa iniciada com as professoras Bea e Íris através de postagem e comentários neste blog sobre fórum e trocas realizadas. Acho pertinente partilhar alguns vídeos e escritos que mobilizaram a minha reflexão.
Volta e meia retomo alguns vídeos e escritos de Paulo Freire. Se quero assistir a um depoimento apaixonado sobre seu ofício, geralmente, começo com ele.
"...antes da palavra o que a gente tem pra ler... é o mundo. A gente lê o mundo na medida em que o compreende e o interpreta..." (Paulo Freire)
Em minhas circuladas pela rede encontrei um vídeo falando sobre as idéias de Paulo, uma leitura e escrita equivocada na Revista Veja e uma bronca de outro Paulo. Interessante assistir...
"O saudosismo, o desejo da volta a um mundo em que não havia contestação, o professor tinha status e era o centro da sala de aula, ditando normas, pontos e conceitos, não se coadunam com o professor reflexivo, homem de seu tempo, de passo acertado com a evolução que continua. Vasconcellos nos explica que: “O espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática é essencial para um trabalho que se quer transformador."
Acho interessante pensar que somos seres inacabados buscando a perfeição. Hoje, bem mais do que antes, acredito que o mais significativo seja o processo de busca, a forma como idealizamos e realizamos nossas caminhadas.
Ter a certeza de tudo e de todos nos engessa, nos formata, impede o processo de procura.
Quando Paulo Freire fala sobre a leitura de mundo nos aponta um dos caminhos: o caminho de "nos sabermos", "nos conhecermos" e conhecermos nossos alunos: o caminho da investigação.
Em seu comentário neste INTERDISCIPLINAS a professora Bea escreve "...pois não se saber impede que se mude..."
A professora Íris indaga : "...precisamos pensar como colocar a situação: desabafamos e denunciamos mais do que criamos e anunciamos ou tendemos ao contrário?"
Ah! Posso estar sendo repetitiva mas lá vem, bem grudadinho nas palavras de nossas mestras, o nosso amigo Platão. O que fazemos? temos a certeza do que fazemos? Mesmo?
Pois o Platão já nos indicava que uma boa pergunta pode ser bem mais produtiva do que uma resposta.
Afinal, o que queremos desde a entrada neste curso? Qual a nossa busca? Queremos apenas um canudo ao final do último semestre ou , ao contrário, desejamos ir além, através das experiências possibilitadas?
Será que conseguimos fazer a relação (longínqua para uns, inexistente para outros, mas presente para alguns) entre o que vivenciamos e a possibilidade de termos uma sociedade melhor? Com alunos mais criativos, mais ousados, mais confiantes e, ao mesmo tempo, com um olhar mais terno e respeitoso com todos os seres? Conseguimos perceber que nossa postura, aquilo que pensamos, dizemos e criamos tem a ver com a sustentabilidade desse planeta?
Nossas ações correspondem aos fatos?
Se queremos transformar precisamos nos buscar. Assim como Hypólitto e Vasconcellos escreveram a reflexão é necessária.
Será que eu já escrevi em algum lugar sobre o que eu mais observava quando ia assistir óperas com meu padrinho?
Pois bem, vou contar. Meu padrinho era fã de óperas e eu, a mais nova da casa, era fã do meu padrinho. rs A única que o acompanhava até a PUC para assistí-las, era eu. E com o tempo, à medida em que ia crescendo, meu olhar se tornou um pouco mais exigente.
Um dia, olhei para o maestro que regia a orquestra e me encantei: a partir daquele momento, as óperas e concertos eram a possibilidade para que eu revisse o que tanto me chamara a atenção: um homem que falava musicalmente com os braços e que interagia com um grande grupo...
Ainda hoje, a regência me fascina. O conhecimento que o maestro tem dos instrumentos, dos músicos e da relação de ambos o torna um excelente "articulador musical".
Bah! Lembrei agora, de João Carlos Martins!
Aprendeu a tocar piano aos sete anos e, antes dos vinte, já tocava no exterior. Foi considerado o maior intérprete de Bach, pela crítica mundial. Com vinte anos, ao tocar no Carnegie Hall, foi aplaudido de pé, por 10 minutos, pela platéia.
Vários episódios e lesões fizeram com que fosse perdendo o movimento dos dedos. Aparentemente, sem poder tocar piano, a história deste homem podería partir para um epílogo. Não foi o que aconteceu. João nos prova que sua vida apenas recomeçara com outro caminho...
Mas o que Paulo Freire, João Carlos Martins , Platão, as professoras Bea e Íris e a professora Hypólitto têm em comum?
Todos falam e mostram que é possível, através de nossa postura, nossas ações, transformar vidas. Todos eles falam e agem com paixão. Buscam, de diferentes formas partilhar o que possuem de melhor: a sua crença.
Crença que vai para além dos desabafos e denúncias. Vai para a possibilidade de aprendizagem através de um processo em que a investigação, a formulação de hipóteses, a sustentação de teorias através da busca de soluções e respostas é o trajeto.
Precisamos pensar, refletir, avaliar, reformular. Precisamos ler e sustentar nossa prática à luz das teorias.
No primeiro semestre, minha colega e eu organizamos um ppt para a entrega dos relatórios de acompanhamento. Ali, junto às fotos do trabalho com os alunos, colocamos alguns trechos de teóricos da educação que sustentavam o que mostrávamos. Desta forma, a importância do jogo, foi apresentada com escritos de Constance Kammii. Buscamos falas de fotógrafos que salientavam o significado do ato de fotografar, o que é muito trabalhado por minha turma.
Conversávamos sobre o grupo, sobre suas preferências, necessidades, prazeres e conquistas enquanto as imagens eram disponibilizadas.
No momento em que, em um clima de bate-papo, colocávamos as imagens à luz da teoria, desnudávamos a nossa intencionalidade pedagógica: estávamos mostrando o que fazíamos, como fazíamos e o porquê de fazermos.
É através de ações deste tipo que valorizamos o nosso ofício.
Temos ouvido muitas queixas de falta de valorização do professor mas, penso que esta se dá a partir de nós, de nossas ações, de nosso engajamento político-pedagógico.
Uma das leituras que considerei muito significativa, no semestre passado, foi através de um trabalho acadêmico de Karina Mollon e Bettina dos Santos. Ao final de sua tese comentam e destacam uma afirmação de Miguel Arroyo:
“... Miguel Arroyo (2000) ao reforçar a idéia de uma nova pedagogia, capaz de recuperar a centralidade do como, comenta que a escola pode ser um espaço facilitador do desenvolvimento ou um entrave para ele. Para que possamos nos encaminhar a uma educação de qualidade, precisamos refletir sobre como nossos alunos aprendem mais. Esse é um questionamento pertinente. E ainda me pergunto se os educadores têm a percepção de que:” O que fica para a vida, para o desenvolvimento humano são os conhecimentos que ensinamos, mas também, e, sobretudo, as posturas, os processos e significados que são postos em ação, as formas de aprender, de se interessar, de ter curiosidade, de sentir, de raciocinar e de interrogar” (ARROYO, 2000, p.110
Pois sobre isso, sobre as formas de aprender, de se interessar, de interrogar, de desacomodar, nossa dupla do Seminário Integrador tem sido incansável, não é?
Quando a professora Bea, através de uma breve retomada dos movimentos realizados desde o início do curso, nos traz o indicativo de que podemos mais, julgo necessário partirmos para a ação. Em nossas salas, com nossos alunos, com nossos colegas, em nossos trabalhos, em nossa vida.
Quando a colega Neusa nos conta que, a cada dificuldade surgida, uma forma de contorná-la (ou enfrentá-la) é buscada eu acredito que aí está uma resposta para perguntas e provocações que têm sido feitas por Bea e Íris, desde o início do curso.
Danielle, uma de minhas colegas no Lucena, gosta de comentar que, quando cheguei na escola, não sabia nem digitar um parecer e salvá-lo em um disquete. Depois de falar isso, dá uma pausa e finaliza "eta faculdade, hein, Bia! Olha só o que tu fazes, agora..."
Pois é...
Ah! E se alguém ficar pensando qual a relação do título desta postagem com o seu conteúdo, a resposta não é tão óbvia: Para todos os 15 de outubro eu desejo mais 364 dias de alegria, bom-humor, paixão e, sobretudo, superação.
Por último mesmo, um presentinho: a primeira parte de um documentário sobre João Carlos Martins e a possibilidade de vê-lo tocando em 1970!
A primeira coisa a pensar é em qual contexto foi realizado esse filme. Em 1979, como a comunidade surda era vista e tratada? Que reflexos desta época podem ser percebidos?
Algumas coisas que chamam a atenção, de imediato:
·a crença, por parte de algumas pessoas de que Jonas era “retardado”. Surdez confundida com “atraso mental”.
·a idéia de institucionalizar (em clínicas) crianças especiais.
·a inabilidade dos pais em lidar com o filho diferente.
·após o aumento das dificuldades com o filho, o abandono, por parte do pai. (fato que até hoje é vivenciado por muitas famílias. Em minha escola, por exemplo, mais de 80% das famílias são constituídas pelo filho especial, sua mãe e irmãos , apenas).
·O desconforto frente a sociedade e o sentimento inexplicável de culpa, principalmente da mãe.
A primeira dificuldade de Jonas foi imposta por sua família, ao acreditar que necessitava ser institucionalizado como um menino portador de doença mental.
Com o seu retorno para casa podemos acompanhar a dificuldade dos pais em enxergar o filho como diferente e portador de necessidades especiais. Em nenhum momento há a tentativa de entender como Jonas pensa, o que pensa, o que deseja e o que recusa
No próprio filme, apenas na chegada em sua casa e recepção por parte de familiares, é possível “enxergar/ouvir” sob o ponto de vista do menino. Durante o desenrolar da trama é a tentativa e superação da mãe que é salientada. É através da mudança de postura da mesma que Jonas se beneficia, saindo de uma escola com ênfase em condicionamento e exercícios para aquisição de fala, para uma nova possibilidade através do prazer, da busca e da linguagem de sinais.
O avô era o único personagem que, desde o início, não demonstrou nenhum problema na compreensão e relação com Jonas. Sua linguagem era bem mais simples e espontânea: baseada no amor, no respeito e na isenção de cobranças.
Na verdade, o problema não estava em Jonas. Estava nos adultos que, com ele conviviam e na sua incapacidade, em alguns casos momentânea, de se colocar no lugar do outro, de perceber e tentar compreender outros pontos de vista.
Talvez essa história fosse um pouco diferente, se vivenciada nos dias de hoje em uma capital de nosso país. Talvez a mobilização da comunidade surda, a sua força em relação ao direito de exercer sua cidadania seja um diferencial em relação àquela época retratada no filme. Ou, não. Ainda há muita gente, por aí, que precisa se alfabetizar integralmente...
Primeiro recebemos um email de nossa professora Íris partilhando a pesca realizada.
Sabendo que sempre há uma intencionalidade pensemos no que a postagem da colega nos traz:
Fórum como possibilidade de repensar o trabalho, a prática de cada um;
Fórum se constituindo como espaço de desabafo;
Lugar de desabafo poderia ser mais específico;
Um lugar sugerido seria um wiki criado para este fim
A lista (da UFRGS, um espaço acadêmico, para trocas acadêmicas) não se constitui para este fim e, sim, para fins de "dificuldades do curso".
Haveria indícios de que o foco dos fóruns estaria mudando?
Passado algum tempo recebemos, pela lista, outro email com o que considero um interessantíssimo desafio...
A partir do convite para relatarmos o que concluirmos, salientei uma palavra no email: realmente.
E através de análise mais detalhada pude verificar algumas questões bem interessantes.
Consideremos o fórum como um campo de futebol e , nós, os jogadores. Os passes são as ações realizadas.
Quem realizou mais passes? Quem recebeu mais a bola? Quem distribuiu mais ou menos? Quem fez sua participação no início e saiu para a reserva? Quem entrou no segundo tempo?
Para realizar a análise mais apurada abri e minimizei o fórum indicado, abri na tela o ppt da professora Íris e, com o auxílio das teclas Ctrl + F, realizei uma nova leitura. Depois de algum tempo, vi a necessidade de um terceiro instrumento de análise. Compartilhoa página criada para este fim...
À medida em que ia "clareando a leitura" do fórum analisado, pensava no tipo de ações que EU fizera e deixara de fazer no fórum em que participei. Fui atuante ou apareci, dei um chutezinho e voltei tempos depois?
Huuuummmm... As evidências poderão comprovar a segunda alternativa, reconheço. Mas estarei lá, retomando e analisando com outro olhar o que fiz e o que deixei de fazer.
Percebo que temos, constantemente, recebido "munição" para sairmos do achismo (acho que participei pouco ou bastante, acho que perguntei ou só comentei...) Podemos e devemos comprovar e, consequentemente, nos auto-avaliar.
Bem...agora, lanço um singelo desafio para nossas queridas Bea e Íris:
Ouçam esta "brega música":
Que relação é possível fazer entre as questões trazidas pelos escritos de Platão (vide últimas cenas do filme Entre Muros da Escola: tens certeza de que pensas o que pensas, tens certeza de que fazes o que fazes?), a nossa postura enquanto educadores e partes da letra dessa música?
Pesquisando na rede, encontrei um vídeo documentário sobre EJA. A segunda parte, disponibilizei no Fórum da disciplina, com a ajuda da amiga Kátia Diehl. A primeira, como havia prometido, no fórum, está aqui.
Ia escrever sobre outra coisa. Ia. Não vou mais. Já naquele período que chamamos de férias, fiquei surpresa e intrigada. Mas, como boa curiosa que sou, resolvi esperar pra ver... Acho que estou vendo. Há alguns semestres atrás escrevi em meu webfólio o seguinte:
"Quanto à generosidade, posso dizer “pensar que , enquanto professor, minha disciplina, matéria ou conteúdo merece toda a atenção e espaço é um equívoco”. Somos generosos ao enxergarmos nossos colegas, quando cedemos espaço para que também consigam atuar e tempo para executar..."
O tempo passa e algumas situações voltam em embalagens diferentes. Pois é...acho que alguns de nossos mestres, por vezes, esquecem que não os únicos, que sua disciplina, embora maravilhosa, envolvente, com atividades planejadas com carinho (ou, não) NÃO É A ÚNICA! Fico surpresa ao constatar que ainda temos disciplinas que planejam um grande volume de atividades de tal forma que , em muitos momentos, quase não conseguimos realizar outras propostas , tal o envolvimento necessário para realizar uma atividade apenas. E, quando mal estamos ou ainda não terminamos (dentro do prazo) de postar...Surpresa! Novas atividades chegam. Considero isso, no mínimo , uma indelicadeza com outras disciplinas e uma aparente incapacidade de trabalhar em grupo. Para fazê-lo é preciso se dar conta que não somos as únicas, que existem outras pessoas-disciplinas que merecem e solicitam atenção e acompanhamento por parte dos alunos.. Espero, realmente, que ao término deste semestre eu possa escrever sobre a disciplina de EJA com carinho, atenção e salientando todos os aspectos positivos.
Vamos por partes que podem se interligar ou, não: Iniciamos o semestre com as propostas do Seminário Integrador referentes a descobertas através da análise de um saco de lixo e de planejamento de mobiliar uma casa através de informações oferecidas e de um limite de valor.Não estive na aula presencial, mas a questão me interessou bastante, principalmente a que se referia ao que fora encontrado no saco de lixo.
Já faz algum tempo que acompanho às séries de CSI (Miami, Las Vegas...) e, também, Criminal Minds.A análise de locais de crimes e do funcionamento da mente de criminosos é enfocada nestas séries. Seus personagens principais resolvem os desafios impostos através da associação de excelentes recursos tecnológicos e um profundo conhecimento sobre o foco de seu trabalho.
Antes mesmo do PEAD eu já ouvia com frequência a palavra "evidências".No meu dia a dia, algumas vezes, brincava com a possibilidade de descobrir algo através das evidências.Foi através delas que descobri qual a colega que comia em horário diferente do restante da escola, ou seja, antes ou depois do recreio, e não limpava seus farelos. (analisando o tipo de farelos, com que frequência surgiam, relacionando horários de especializadas, datas...) Nossa! Eu me tornara uma importante detetive!Em outra acasião, por conta do arrombamento de uma sala do anexo da escola, enquanto um grupo se mantinha na sala de reuniões conjecturando sobre o fato, fui a única a ir até o anexo, observar a porta, olhar o chão, verificar que as funcionárias da limpeza já haviam varrido o local (afinal, nada seria feito. A guarda apenas registraria o arrombamento e conversaria com a direção), observar a cena toda e imaginar de onde tinha ou tinham vindo. E com a descoberta de uma pegada grande de tênis, próximo ao muro eu me sentira uma CSI!Enquanto voltava ao outro anexo eu pensava que , embora de nada adiantasse o que eu observara, minha postura havia mudado. Em lugar do medo e especulação, a curiosidade e ingênua busca de evidências que confirmassem alguma teoria. Enquanto pensava isso veio a idéia "Bah, eu deveria ter fotografado..."
Você já assistiu a um filme e, antes mesmo, de alguma descoberta ser realizada (solução de um crime, uma personagem que praticara um ato desconhecido por todos...) já indicar, acertadamente o resultado? Alguém já não perguntou "Como você sabe? Como descobriu?" Acredito que, em muitos momentos, olhamos um filme, acompanhamos o seu desenrolar sem nos preocuparmos em, juntamente com os personagens principais, solucionarmos a questão. Olhamos, mas não enxergamos. É mais fácil ficarmos curiosos e à espera do resultado. E o "palpite" de quem diz "foi ele", "fez assim..." pode ser a análise mais apurada de uma ou mais cenas, da relação feita entre fatos e locais apresentados. Se olharmos a cena abaixo, o que poderíamos concluir?
Bem, o fato é que nós e nossos alunos , mesmo não sendo agentes de um CSI, podemos utilizar a observação, os questionamentos, a busca de evidências que auxiliem e comprovem nossos argumentos, em nossas vidas.
Se você é um leitor, se gosta de escrever e tem um certo "carinho" pelas palavras pode identificar padrões de escrita. Você pode, depois de algum tempo, perceber que naquele blog, aquele post não foi escrito por quem assina, por exemplo. A linguagem diferente, as palavras utilizadas, as construçõs frasais podem ser indícios de uma nova participação. Dizem que, geralmente, sabemos quando um de nossos alunos usa de subterfúgios, não é?
Neste exato momento, partilho uma de minhas leituras, que é sobre criatividade e pensamento divergente. Também posso afirmar que estaremos enfocando, de alguma forma, estes temas. Compartilho mais, ao anexar esta frase escrita por uma de nossas professoras, em algum lugar:
"A atitude investigativa inclui por em duvida os preconceitos e o conhecimento anterior para construir um novo conceito, mais próximo do momento em que se está."
Como eu afirmo que trabalharemos com este foco? Como eu afirmo que a frase acima é da nossa querida professora Bea? Observação e leitura.
Se eu estava com alguma dificuldade de colocar meus dois pés neste semestre, com certeza, o email enviado pela professora Bea deu o "empurrão necessário": é hora de recomeçar. Paradoxalmente, ainda não me desligara totalmente de um semestre que eu tanto desejara que acabasse. Mas lembrarei daquele período, principalmente, através do saldo positivo : das aulas de Psicologia, Seminário e das excelentes proposições de Filosofia. O restante... acabou, felizmente. Ainda não fui ao Pólo, mas estou atenta ao que acontece e ao que se propõe. O reinício no blog, com postagens significativas ainda não se efetivou, reconheço. Estou aqui, não tão explícita quanto antes: apenas mais reflexiva e, "aos costumes", muito observadora através do que leio. O semestre começou. Estou voltando...