Talvez não seja compreendida, inicialmente.
Entretanto, é preciso tornar mais claro que o fato de escrever, no meu caso, se relaciona com o prazer de fazê-lo. Prazer e vontade foram os itens que sempre estiveram presentes em minhas postagens. Quando um desses itens se ausenta, a escrita fica difícil, truncada, as palavras não combinam com o papel, mesmo que virtual. Você escreve mas sabe que o resultado não é o que poderia ou gostaria. Só escreve, tipo encomenda. Aí, entra outro item: a necessidade. Ponto.
Eu desejava escrever sobre o estágio e o curso em um momento em que estivesse com alguns sentimentos "serenados", em que pudesse ser justa e, não me deixasse contaminar por trapalhadas burocráticas de pessoas que, na verdade, nem me conhecem . Com a certeza de que ainda escreverei especificamente sobre isso, "sereno": meu foco, agora, é outro.

Foi em 2006 que postei essa imagem, no blog.
Faço, agora, o que a postagem e a Professora Íris previam:
lanço um olhar para 2006 e, a partir deste movimento, refaço parte de minha trajetória.
Eu não gostava do wiki e nem tinha idéia do era html.
Achei muito engraçado quando a professora Bea nos mostrou o Skype e comentou que uma aluna, em pleno horário de almoço, ligara para ela só pra dar um oi.
Nos anos que seguiram, com o skype instalado em meu micro, não apenas em horários de almoço ou janta mas em feriados, noites e algumas madrugadas tive o acompanhamentode professores , tutores e colegas do PEAD. Impossível , aqui, deixar de destacar a dupla Íris e Bea.
O PEAD envolve todos em todos os momentos possíveis. O computador nos permite o que um curso presencial não consegue: estar na casa das pessoas, virtualmente, trocando idéias, refletindo, trabalhando em grupo, em horários considerados improváveis.
Desde o início do curso identifiquei que era o nosso olhar a ser trabalhado: o que fazíamos e acreditávamos em Educação. Por que fazíamos, como fazíamos e de que forma inovar nossas práticas.
Enquanto escrevo, também assisto algumas cenas de uma série chamada CSI. Já comentei, tempos atrás do quanto gosto desta e outras séries que trabalham com evidências e perfis. (vide CSI e Criminal Minds)
Olhar e enxergar, reconhecer o território, contextualizar, descobrir intencionalidades, trabalhar a partir das evidências, construir argumentações não fazem parte somente do mundo destes filmes mas, principalmente, do dia a dia da Educação.
Durante estes quatro anos, trabalhamos no sentido de aprimorar, qualificar nossa prática e, consequentemente, contribuir para que nossos alunos tenham prazer e vontade de estarem conosco, na escola. Não apenas, necessidade. E que se tornem melhores, mais autônomos, mais ágeis, mais solidários, mais criativos...
Certa vez, uma amiga brincou comigo, dizendo que, a partir deste curso, observara que o conteúdo de minha bolsa mudara: pendrives, máquina fotográfica, cabos, T, fazem parte do meu kit: nunca saio sem eles. O registro fotográfico se tornou rotineiro e , percebo, em minha turma de estágio, isso também se configura: os alunos fotografam para que o registro visual e escrito seja feito.
Já bem antes de iniciar este curso eu acreditava que a formação de professores qualificada era essencial para que a Escola não se aproxime de ruínas. Trabalhar práticas consideradas inovadoras foi essencial para que confirmasse o que pensava.
Na primeira vez que falei em blog e postagem, em minha escola, minhas colegas riram muito "Poooostar???". Hoje, o blog , as postagens com o trabalho realizado e com evidências fotográficas fazem parte do universo de nossa comunidade escolar.
Sem nenhuma falsa modéstia, constato que introduzi, em meu ambiente escolar o respeito e a convicção de que as tecnologias só contribuem e fazem com que tenhamos um trabalho mais qualificado.


No estágio, é nos momentos em que os alunos, de forma cooperativa, organizam seus comentários no Blog da turma que posso perceber , claramente, em que estágio de escrita estão, quais suas hipóteses e que necessidades apresentam.
Quando uma das alunas que não consegue digitar é auxiliada por vários colegas que a estimulam, solicitam sua opinião, perguntam o que ela deseja que escrevam para ela e por ela tenho a certeza de que as diferenças são suavizadas e respeitadas.
Sensibilizo-me ao testemunhar a professora da turma, alegremente, realizar as pequenas mesmas descobertas que eu fiz no início do curso: baixar imagens, editar fotos, criar arquivos, entrar em blogs e comentar....
Ne escola em que estagio, os avanços realizados à tecnologia começam desde uma porta de Laboratório que começa a ser aberta mais vezes e com menos resistência, na curiosidade da equipe diretiva em saber "o que ela vai fazer ali...", no desejo de outros professores conhecerem o blog da turma e nele escreverem.
Revivo , a cada dia, o que tanto discutimos em fóruns e trabalhos diversos: a Educação é uma conquista. Necessitamos conquistar espaço e respeito. E isso se dá atraves de nosso trabalho, nossas crenças, nosso estudo, nosso prazer e nossa vontade.
Pequenas conquistas antecedem boas vitórias. No início do estágio, a formação das classes em sala de aula era a tradicional: um atrás do outro. Hoje, trabalhar em grupo é rotina. É , a partir do grupo que o trabalho se torna cooperativo, que as dúvidas são exploradas e teorias são questionadas.
A questão do grupo e de sua formação é peça-chave , a meu ver. Relembro de trabalhos em grupo, realizados no curso, e das dificuldades encontradas, por vezes, no sentido de compreender o funcionamento do mesmo. No meu caso, foi de fundamental significado ter trabalhado com um pouco da teoria, ter compreendido um pouco sobre os papéis que cada um exerce ou pode exercer. E concluo que, do tipo de Escola de onde vim, o trabalho cooperativo não era tão enfocado. Hoje, meus alunos tem mais possibilidades do que muitas de nós, professoras.
Uma das coisas que me fez muito refletir, nessas semanas, foi o fato de ter trazido, através de meu estágio, novas vontades e necessidades não só nos alunos mas, também em sua professora. Ao observar seus progressos, pensava de que forma teriam um acompanhamento em relação ao Blog,postagens e todas as outras possibilidades que começavam a se apresentar... Nove semanas, para o grupo de alunos e professora parecia ser pouco tempo. Bem...talvez tenhamos encontrado um outro caminho: Após conversar com a professora e esta, com a diretora,
ficou combinado que retornarei por mais algum tempo à escola: desta vez como voluntária. Certamente, por prazer, necessidade e vontade.