Depois do encontro com os supervisores de estágio e reencontro com todos aqueles que nos acompanham desde o início do curso, cheguei cansada. Fui dormir e acordei com as recordações do que seria um sonho, mas não era:
Naquela época, o Professor José Clóvis de Azevedo era nosso secretário de Educação. Em uma das reuniões com sua assessoria, quando falávamos de crianças e ludicidade, comentou conosco que em sua infância, acreditava que homenzinhos viviam dentro do rádio. As vozes que escutava seriam as dos moradores daquele aparelho. Nunca esqueci aquela conversa. Guardei numa gaveta da memória.
Naquela época, o Professor José Clóvis de Azevedo era nosso secretário de Educação. Em uma das reuniões com sua assessoria, quando falávamos de crianças e ludicidade, comentou conosco que em sua infância, acreditava que homenzinhos viviam dentro do rádio. As vozes que escutava seriam as dos moradores daquele aparelho. Nunca esqueci aquela conversa. Guardei numa gaveta da memória.
Meses depois, uma de minhas colegas e eu, refletiamos sobre algumas instituições que faziam da hora do lanche, do almoço, um momento diferente e enriquecedor. Foi durante um almoço, em uma creche (pausa da Reunião de Formação) que educadoras, assessoria e um dos mais antigos moradores da região conversaram sobre as origens daquela comunidade, o contexto em que viviam e o papel da instituição como pólo cultural. Ainda hoje, relembro emocionada a face enrugada voltada em minha direção dizendo: "professora, a gente aqui não sai de casa com medo de invasão. A gente não tem lazer, cinema, teatro.. Mas nas reuniões da creche, a gente sempre dá um jeito". Realmente o índice de presenças era alto..Foi então que pensamos em fazer da creche o espaço de prazer e lazer daquela comunidade. E ,com orgulho lembro das palestras, dos encontros para assistir filmes, das discussões sobre os mesmos, do grupo de teatro organizado pelos pais, da pesquisa sócio-antropológica realizada...
Muito mais tempo depois, eu era uma das organizadoras de um Seminário de Educação Infantil de POA.
E nossa proposta se mostrava diferente: queríamos falar de Infância e Brinquedo ,trazendo alguns elementos que julgávamos significativos.
Pensei em resgatar a conversa com o secretário, sobre o rádio e gravá-la. Imaginava o show de abertura com um rádio gigante no palco. Ouviríamos o depoimento de José Clóvis e, imediatamente, os "homenzinhos sairiam dançando, do aparelho. Para isso, reuni coordenadoras , diretores e educadores de creches e escolas infantis que se propuseram a criar uma coreografia .
Também resgatamos a cozinha das instituições.
No palco, uma cozinha foi criada com peças das instituições e, cada palestrante do Seminário, traria um lanchinho para o café da manhã no palco e a resposta a uma pergunta que envolvia Infância, Ludicidade, Educação,Espaços e Tempos.
Queríamos desformalizar a formalidade, "bater um papo", tomar um café com biscoitos e falar de coisas muito sérias.
A platéia trouxera o chimarrão. Estávamos no salão de atos da Reitoria da UFRGS.
O vice prefeito da cidade, o secretário de Educação e outros palestrantes trouxeram bolinhos, bolachas e tomaram chá e café. Um deles, fez questão de partilhar com a platéia.
Entre um gole e outro, conversavam sobre o foco principal do Seminário.
Foi então que uma das palestrantes, conhecida professora universitária, antes de trazer sua contribuição fez o seguinte pedido: "Por favor, preciso de uma mesa e uma cadeira de professor. É difícil falar sem estar com estes "instrumentos". Imediatamente, levamos até a palestrante uma classe e uma cadeira, colocadas próximas à mesa da cozinha. E, em pé, enquanto seus colegas ouviam e saboreavam os quitutes ela falou sobre... Infância, Ludicidade e Imaginação.
...............
Bem, agora é hora de despertar completamente e pensar em cadernos de planejamento, planejamento semanal, nos objetivos e tecnologia.
Tenho me sentido um pouco estranha, na verdade... utilizo pbworks, planilhas virtuais e outros como instrumentos de minha prática. Relembro de nosso caderno virtual chamado Rooda. Nestes anos de curso, aproveitamos muito bem este espaço.
É verdade...tenho me sentido bem estranha. Que bom!
5 comentários:
!
Bah,lembro bem deste Seminário e da surpresa que foi ver no palco esta mesa que falas com bolinhos e outras gostosuras.Estou enganada?Eu trabalhava na Educação Infantil nesta ´spoca.Que bom reembrar isto, Bia!
Por ora,só quero comentar esta parte da postagem.Mais adiante,comento a estranheza. rsrsrrs
Beijão,Lú
Oi, Bia!
Fiquei muito intrigada com o teu comentário no meu blog, sei que mais tarde conversaremos...
A cerca desse teu post, queria dizer que a opção política, para a comunidade carente faz muito a diferença e que é uma pena que eles, às vezes não tenham consciência disso.
Um forte abraço, Ivana.
Bia, realmente és uma contadora de histórias fantástica!!O paradoxo que quisestes salientar é muito comum na educação, cosntruindo um fosso entre os que estão imersos na educação e os que falam dela. Essa últimas foram engolidas pelo acadecismo que nada mais é que o disfarce em forma de teoria, da falta de prática e de conhecimento prévios e construídos acerca da educação. Eu, tb, particularmente, já estou bem cansada disso (coisa de velha já impaciente, querendo que os outros ultrapassem degraus que precisam ser trilhados). Posso te alertar? Sei que estás em pleno processo de elaboração ( ruminação)mas precisa dar o salto que esperamos de ti. Vamos ficar mais pobres sem tua ação-reflexão- ação. Vamos lá Guria!!
Bea
Só um lembrete mais!! Estamos esperando a continuidade do teu wli de estágio. Incomodo não?
Um abração
Bea
Na verdade, não acho incômodo não. Apenas constato que estamos todos esperando alguma coisa.
Abraços
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