sábado, 15 de maio de 2010

No Laboratório de Informática

Desde quinta-feira os alunos estavam ansiosos com a chegada da outra noite. Havia combinado com o grupo que entraríamos no blog da turma e faríamos nossa primeira postagem coletiva: um texto de apresentação. Também assistiríamos a uma filmagem que eu e um dos alunos fizéramos em sala de aula. No início do período, disponibilizei um site de jogos matemáticos em todos os computadores e, enquanto alguns jogavam, pude ir atendendo cada dupla. Já havia identificado que a turma , no laboratório se configura da seguinte forma:

- um aluno que utiliza a máquina com facilidade, pesquisando, usando ferramentas do word, entrando e comentando em blogs.

- dois alunos que não têm vivencia com esse tipo de tecnologia , possuem dificuldade com o mouse e se mostram muito inseguros. Um deles, aceita ajuda minha e de colegas, facilmente. O outro se mostra irritado e tem dificuldade em aceitar ajuda.

- alunos muito ansiosos para usar o computador e que ousam, testam, procuram, descobrem

- alunos muito ansiosos para usar o computador mas que têm dificuldade em ir além sem minha presença e indicações


-uma aluna que sabe procurar, sabe onde buscar recursos no word e que tem muita vontade de conseguir mais. Sua grande limitação física faz com que necessite sempre estar em dupla.

Em sala de aula, já consegui estabelecer os grupos de acordo com as necessidades: quem fica ali, porque beneficia e é beneficiado, quem é mais solidário e auxilia a colega que muito necessita e outras mais...
.
Vejo algumas dificuldades a serem trabalhadas , no LI, como dois alunos que se recusam , inicialmente, a sentar junto a colegas e outro que, acreditando estar em diferente patamar, demonstra irritação com a dificuldade de alguns. Para que a situação se modifique , aos poucos, tenho estimulado que este aluno demonstre o que sabe aceitando o desafio de ajudar os colegas, junto comigo. O fato de ser "junto comigo" faz toda a diferença, para ele. Acredito que , em breve, sua tolerância terá se expandido.

Com os outros dois , geralmente, inicio sentando ao lado de um mas ,logo, percebo que sou necessária em outro lugar e peço que um colega me substitua. Faço o mesmo com o outro aluno.

Depois de acomodados, ouvidos, atendidos é chegada a hora do blog. Encontrá-lo, usando a URL foi um desafio para alguns. Ficaram encantados com a imagem e com a foto que postei da professora. Foi aí, que começaram a comentar. Na realidade, um dos alunos que já tem essa vivência estimulou o grupo a usar este espaço. Circulei entre as duplas, disponibilizando o login e a senha para comentarem e desafiando alguns alunos.



Divertímo-nos bastante assistindo ao vídeo e combinamos que faremos muitos mais. Na construção do texto, fui a redatora: todos se aglomeraram ao meu redor para descobrirem como podíamos salvar imagens dos times do coração e postar no blog. Um fato interessante ocorreu: senti-me obrigada a optar por um time. Optei pela cor e agora, sou gremista. Tudo pela EJA e para colocar uma foto editada, daqui alguns dias... Então, tá.


sábado, 8 de maio de 2010

Chocolates sem pimenta

Na sexta-feira, fomos até a cozinha da escola para realizarmos a segunda parte do presente das mães: bombons feitos pelos alunos , com a orientação da professora da turma e meu auxílio. ( a primeira foi a montagem de fotos, usando o site montafotos.com, no Laboratório de Informática)
Todos participaram colocando chocolate nas formas, levando-as até o congelador, desenformando, enrolando cada bombom e empacotando nos saquinhos.

Os alunos também se dividiram em registrar as imagens. Mas, especialmente, um deles se revelou um fotógrafo atento aos detalhes e paciente para captar a imagem considerada a melhor.

sábado, 1 de maio de 2010

Aqueles que fazem a sua parte

Muita gente, por aí, fala e acredita que a morte de Michael Jackson não é verdadeira.
Segundo relatam, o astro planejou e encenou seus últimos instantes nessa vida para livrar-se de dívidas milionárias. Neste exato momento, Michael está feliz, curtindo um bem pago anonimato. Michael Jackson não morreu, é o que dizem. Elvis não morreu...
Acredito que "marcadores de genialidade" não morrem, mesmo deixando de respirar. A obra de Michael transcende a vida e se entranha em muitos de nós. E o fará novamente, com aqueles que ainda nem nasceram.
Considerei encerrada a semana, no auditório da Livraria Paulinas. Ali, numa Formação de Bibliotecas, pude assistir ao vídeo Earth Song e constatar, mais uma vez, que Michael não morreu.

sábado, 17 de abril de 2010

Em repouso com Roy Orbison


Na verdade, acredito ter sido com Don Mclean. Mas não posso negar o crédito ao real compositor.
Da biografia de Roy, chama minha atenção o fato de ter sido um geólogo, trabalhando, por algum tempo, em campos petrolíferos. E , durante a noite, cantava...
Pois é dele a melodia que ouvi no carro de minha colega que, insistentemente, sugeria que eu fechasse os olhos para descansar, antes de chegar.

Todas as tardes, quando encerramos nossas atividades na escola, esta colega, pacientemente, modifica seu trajeto e me leva em seu carro até a escola em que estou "realizando estágio". Tenho meia hora para deslocar-me do Jardim Itú Sabará até a outra escola. Com sua ajuda, consigo chegar poucos minutos antes do início da aula.

Fora uma tarde "pesada" em alguns aspectos: enquanto corria com fantoches de lobo atrás de alunos na biblioteca, que tentavam se esconder nas "árvores", um de meus ex- alunos , entrava na sala com uma postura indicando surto. A situação foi controlada com tranquilidade mas não sem o receio que sempre nos acompanha em situações como esta. Mas, retomadas e encerradas as brincadeiras dramatizadas, recebi uma turma e mais outra. Com a última turma fizemos uma "caça aos livros", pela escola... (atividade que chamo de "desafio de pistas")
No carro, minha colega insistia: Fecha os olhos, relaxa enquanto não chega... a tarde foi cansativa pra todas nós... ouve a música."
Não consigo, só consigo ouvir a música...
Tá, então ouve a música de olho aberto e sem relaxar. Mas fica quieta!
Sorri e ouvi a música...





Engraçado como, em certos momentos, independente da idade que temos, das experiências que vivemos, só precisamos de um colo ,uma palavra , ou aceno para nos tornarmos mais fortes.
E, enquanto não recebemos esse "colo", essa palavra ou aceno,enquanto não nos sentimos aconchegados, protegidos e, principalmente, compreendidos, não ficamos bem.
Algumas vezes, encontramos essa compreensão no sorriso e afago de um amigo, no silêncio e respeito do marido, na casa de nossa mãe... E aí, fica fácil, teoricamente.

Outras vezes, o lugar onde você , certamente, encontraria a palavra e o gesto que consideraria certos e essenciais já não existe.
Então, você busca o auxílio da memória ...

Nos minutos que antecediam minha chegada à outra escola, ouvindo a música, de olhos bem abertos , relembrei um passeio ao Zoológico com minha mãe. Como quase toda criança naquela época, eu não percebia o sentido da palavra cativeiro e, por isso, só via o belo nos contornos e movimentos dos animais.
Comentei, ao avistar o tigre dormindo, que gostaria de fazer carinho no bicho pois o achara lindo.
Rapidamente, segurando minha mão, ela respondeu que eu nunca poderia fazer isso, nem com aquele ou outros animais. Retruquei "mas ele tá dormindo, mãe...".
"Ele está descansando, Doca. E se acordar, pode machucar quem está perto. Parece manso, mas não é..."
A criança que eu era ficou muito impressionada.

Muitos anos mais tarde, passada minha adolescência, minha mãe, em uma de suas raras lembranças, trazia de volta, aquele momento. E acrescentava que o tigre dormia porque não lhe restava outra coisa: sua rotina dependia das pessoas que o prendiam ali. Mas que ninguém duvidava de sua ferocidade, quando desperto.
"Filha, quando se sentir presa, fecha os olhos e pensa, pensa muito, até dormir. Quando acordar vai se sentir mais forte..."
Interessante... ela fechou os olhos e ficou pensando muito tempo, antes de partir. Talvez viajasse pra outros lugares em busca do melhor, onde, finalmente desembarcaria. Quando encontrou, se foi e chegou lá bem forte...

Mas, minha vida é aqui e agora. Uma vida em que pouco durmo, muito trabalho e, por vezes, descanso. Opção minha, como outras a que tenho direito.


Os alunos da EJA já estavam na entrada da escola. Ao cumprimentá-los falei que iríamos fazer um passeio diferente. Já na sala, nos organizamos para caminharmos pelas ruas do bairro e observarmos comércio local, pessoas, prédios, paradas de ônibus...
Como já é de costume, minha máquina fotográfica foi circulando entre vários deles, que tiravam fotos de si, dos colegas e das ruas. Saímos às 18h20, ainda dia, e voltamos depois das 19h acompanhados pela noite.
No retorno, relembramos em conjunto, tudo o que vimos, conversamos sobre os 78 anos que a escola estará realizando no dia 19 e realizamos um desenho sobre o passeio destacando o que mais fora significativo.
Próxima semana tentarei disponibilizar o Google Earth nos computadores e levar a turma para realizar um passeio virtual sobre a escola e as ruas próximas. De qualquer forma, as imagens impressas serão entregues e trabalhadas com o grupo.




Crédito das fotos: Alunos EJA II

Sinto um enorme descompasso entre a forma como o curso de Pedagogia EAD foi conduzido, nestes quatro anos e a forma como o estágio curricular se apresenta. Percebo até a incoerência em relação a um curso voltado para tecnologias inovadoras e um grupo responsável pelo estágio, não tão apropriado dessas tecnologias. Pla -ne - ja- men-to. Que antecede, que reflete e pensa sobre o que pode e poderá acontecer. Há pessoas, como eu, em estágio, sem um documento que me habilite para realizar o mesmo? Pla-ne-ja-men-to! An-te-ci-pa-do. Organização e agilidade.
E, quando falo e escrevo isso, não me dirijo aos supervisores de estágio que, certamente, procurarão fazer o melhor dentro de suas possibilidades. Também não me refiro às incansáveis professoras Coordenadoras de nosso Pólo, seguramente, grandes responsáveis pelo que a palavra "inovador" representou e representa em nosso curso. Assim como nós e o tigre, estão trabalhando dentro do que se apresenta.

Nesta semana, conversei com a responsável pelos fonos , da SEC, que me relatou e esclareceu sobre como alguns encaminhamentos foram e estão sendo realizados pela universidade e pela própria SEC.
Pois é chegada a minha hora de fechar os olhos e , pacientemente, ressonar...

Enquanto isso, ofereço o meu melhor ,no lugar onde estou e para aqueles que me cercam.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"Nas ondas dos bolinhos e do rádio"

Depois do encontro com os supervisores de estágio e reencontro com todos aqueles que nos acompanham desde o início do curso, cheguei cansada. Fui dormir e acordei com as recordações do que seria um sonho, mas não era:
Naquela época, o Professor José Clóvis de Azevedo era nosso secretário de Educação. Em uma das reuniões com sua assessoria, quando falávamos de crianças e ludicidade, comentou conosco que em sua infância, acreditava que homenzinhos viviam dentro do rádio. As vozes que escutava seriam as dos moradores daquele aparelho. Nunca esqueci aquela conversa. Guardei numa gaveta da memória.

Meses depois, uma de minhas colegas e eu, refletiamos sobre algumas instituições que faziam da hora do lanche, do almoço, um momento diferente e enriquecedor. Foi durante um almoço, em uma creche (pausa da Reunião de Formação) que educadoras, assessoria e um dos mais antigos moradores da região conversaram sobre as origens daquela comunidade, o contexto em que viviam e o papel da instituição como pólo cultural. Ainda hoje, relembro emocionada a face enrugada voltada em minha direção dizendo: "professora, a gente aqui não sai de casa com medo de invasão. A gente não tem lazer, cinema, teatro.. Mas nas reuniões da creche, a gente sempre dá um jeito". Realmente o índice de presenças era alto..
Foi então que pensamos em fazer da creche o espaço de prazer e lazer daquela comunidade. E ,com orgulho lembro das palestras, dos encontros para assistir filmes, das discussões sobre os mesmos, do grupo de teatro organizado pelos pais, da pesquisa sócio-antropológica realizada...

Muito mais tempo depois, eu era uma das organizadoras de um Seminário de Educação Infantil de POA.
E nossa proposta se mostrava diferente: queríamos falar de Infância e Brinquedo ,trazendo alguns elementos que julgávamos significativos.

Pensei em resgatar a conversa com o secretário, sobre o rádio e gravá-la. Imaginava o show de abertura com um rádio gigante no palco. Ouviríamos o depoimento de José Clóvis e, imediatamente, os "homenzinhos sairiam dançando, do aparelho. Para isso, reuni coordenadoras , diretores e educadores de creches e escolas infantis que se propuseram a criar uma coreografia .

Também resgatamos a cozinha das instituições.
No palco, uma cozinha foi criada com peças das instituições e, cada palestrante do Seminário, traria um lanchinho para o café da manhã no palco e a resposta a uma pergunta que envolvia Infância, Ludicidade, Educação,Espaços e Tempos.

Queríamos desformalizar a formalidade, "bater um papo", tomar um café com biscoitos e falar de coisas muito sérias.

A platéia trouxera o chimarrão. Estávamos no salão de atos da Reitoria da UFRGS.


O vice prefeito da cidade, o secretário de Educação e outros palestrantes trouxeram bolinhos, bolachas e tomaram chá e café. Um deles, fez questão de partilhar com a platéia.
Entre um gole e outro, conversavam sobre o foco principal do Seminário.
Foi então que uma das palestrantes, conhecida professora universitária, antes de trazer sua contribuição fez o seguinte pedido: "Por favor, preciso de uma mesa e uma cadeira de professor. É difícil falar sem estar com estes "instrumentos". Imediatamente, levamos até a palestrante uma classe e uma cadeira, colocadas próximas à mesa da cozinha. E, em pé, enquanto seus colegas ouviam e saboreavam os quitutes ela falou sobre... Infância, Ludicidade e Imaginação.


...............

Bem, agora é hora de despertar completamente e pensar em cadernos de planejamento, planejamento semanal, nos objetivos e tecnologia.
Tenho me sentido um pouco estranha, na verdade... utilizo pbworks, planilhas virtuais e outros como instrumentos de minha prática. Relembro de nosso caderno virtual chamado Rooda. Nestes anos de curso, aproveitamos muito bem este espaço.
É verdade...tenho me sentido bem estranha. Que bom!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ferraz matou o Cara

Não foi o tio do filme. Nem UM cara. Foi Ferraz e foi O Cara.
Há quilômetros de distância, no extremo sul do país, todos os dias Ferraz protocola e encaminha solicitações realizadas. Sua fama no setor era de atento e rápido em todos os procedimentos de trabalho.

Naquele dia, porque a noite fora longa, Ferraz acordou diferente e enquanto recebia os documentos para protocolar sentiu o perfume enjoativo e adocicado de uma colega. Contrariando sua rotina, resolveu "abrir uma pausa para o café" e saiu da sala. Jogou os documentos em uma gaveta, deixou-a entreaberta e fugiu do aroma Maçã Verde. Foi aí, nesse exato momento, que ele começou a matar o cara.

Os documentos foram retirados da gaveta pela adocicada colega que nutria um não menos doce sentimento por Ferraz, o desatento. Resolveu auxiliá-lo, iniciando o processo de protocolagem.
Ferraz voltou e não conferiu os documentos: agradeceu à colega e continuou o trabalho. Mas na gaveta de Ferraz, fora esquecido o ùltimo documento da pilha: o documento do Cara.

Na outra ponta do país, O Cara aguardava a resposta da solicitação. Da negativa ou concordância dependia sua família, seu trabalho e seu futuro. Ciente do prazo estabelecido para resposta e já contando com certo atraso, organizara-se de modo a esperar com tranquilidade.

No escritório perfumado e de sotaque diferente os dias passaram, se transformaram em semanas e meses. Uma pasta de papelão , dentro de uma gaveta, cobria os documentos do Cara. O chefe de Ferraz recebera vários emails e solicitações cobrando uma resposta que não chegara, lá outro lado do país. O chefe , duas mesas afastado do subordinado, carimbou as reclamações e deixou-as em seu escaninho para que, em algum momento, fossem encaminhadas à Ferraz.



As reclamações eram do Cara. E por causa da demora, da falta de notícias, do desânimo e todos os outros sentimentos provocados em seu pai, a filha do Cara, numa noite de sexta, resolveu não mais sair com as amigas. Não saindo com as amigas, deixou de conhecer o Osvaldo que seria seu marido. Ela e Osvaldo teriam uma filha e seriam felizes.Ficou em casa, atendeu a porta e foi assaltada por dois adolescentes fugitivos de um abrigo.

O Cara precisou fazer um empréstimo para o pagamento das sessões de terapia que a filha iniciara logo após ao assalto em sua casa. O Cara já não trabalhava no mesmo lugar pois sua permanência dependia de uma resposta que não vinha. No outro emprego, iniciou uma diferente jornada.

Naquele escritório, a comemoração era singela mas verdadeira: todos estavam felizes com o noivado de Ferraz e de sua prestativa colega. O noivo já não era tão rápido nos procedimentos, trabalhava com mais vagar, relembrando feliz, noites longas e manhãs supremas.
O chefe de Ferraz abençoara o namoro e apadrinhava o futuro casamento: na verdade, seria eternamente grato por Ferraz ter influenciado a troca de perfume de sua namorada: agora, só o cheirinho quase imperceptível de sabonete de bebê pairava pelo ambiente.

Dias depois, o noivo, encontrou o documento do Cara . Observou que muito se passara, vasculhou a gaveta em busca de outros esquecidos e, ao perceber que somente aquele documento não fora protocolado em tempo hábil, suspirou aliviado: "um, só".
O "Um, só" não era muitos. Talvez, se o fosse , fizesse alguma diferença.

O Cara recebeu uma correspondência dizendo que sua solicitação estava sendo avaliada, que demonstrasse tranquilidade na espera. Quem redigiu o texto, bem longe de onde está o Cara, saiu para um cafezinho, "porque ninguém é de ferro".
Mas o Cara...

Passado muito tempo, Ferraz já é chefe e ensina a bela arte de um "atendimento correto e eficaz".
O Cara recebeu novo aviso e , depois de mais um tempo, a resposta solicitada chegou com saudações.

O Cara já "está noutra". Nunca conheceu Ferraz, nem sabe que , na verdade, foi "morto" por ele.
Mas um dia, quem sabe, nesta história, surja uma outra personagem cujo pai se chama Osvaldo...


De quantos SES a vida é feita... Se fosse antes, se fosse ontem, se fosse depois, se fossem dois, se fossem muitos... Se eles fossem assim, se fossem assado...Se fossem hábeis, se não fossem inábeis, se enxergassem longe...

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"PORTO ALEGRE É DEMAIS..."

Sobre estágio:

Desde o início do curso, a certeza dos alunos era de que fariam seu estágio em suas próprias salas de aula. Certeza não adquirida gratuitamente mas originada de palavras de professores e coordenadores.
Sou uma das professoras do município de Porto Alegre. Há poucas semanas do início do estágio fui "brindada" com a notícia de que não poderia realizar estágio em minha própria turma.
Passei meu período de férias buscando outras possibilidades com a certeza de que meu estágio seria realizado em um terceiro turno, à noite.
Enquanto a Universidade enviava mensagens tranquilizadoras e esperançosas o RH de minha secretaria me alertava ao contrário. Mas como a vida continua, era esperada uma resposta : eu continuaria em minha turma para realizar estágio ou iria para a Biblioteca da Escola, nas 40 horas? A lógica da direção ( e com o franco desejo de me auxiliar) era de que , estando fora da sala de aula ,eu poderia ter "mais gás" para enfrentar um terceiro e inesperado turno de trabalho.
Então, (e escrevo aqui o que já falei dezenas de vezes) outra professora veio para substituir-me.
Não posso deixar de salientar que, desde o semestre passado, o meu prazer e expectativas eram enormes em relação ao estágio: junto com meus alunos e com a colega e amiga Luciene e sua turma, iniciara uma Arquitetura Pedagógica que trilhava bons caminhos para o estágio de ambas. Eu estava bem feliz: tinha uma turma, já iniciara a Arquitetura, iria fazer estágio em minha escola, usando espaços e tempos já conhecidos.
Entretanto, a Secretaria de Educação de POA, indicava outros rumos... E devo acrescentar que os "ses" são muito importantes. Se não fossem apenas umas poucas professoras, se as reuniões com a secretaria de Porto alegre tivessem acontecido com maior antecedência, se tivessem percebido , se...

Fui recebida em outra escola. Em uma escola em que o Laboratório de Informática parece ser um território a ser conquistado. Em uma escola em que todos são gentis , mas desconhecem o foco de meu estágio. Conquistar e informar leva um certo tempo... Ah! Mas eu, pensando em minha situação e na de outros colegas, sugeri a elaboração de um documento que nos auxiliasse a "abrir algumas portas". A idéia, pelo que percebi foi bem aceita. Estamos aguardando o documento...
E , falando em documentos, são eles necessários em outras esferas. Como duas vezes por semana tenho reunião pedagógica, à noite, ainda necessito solicitar redução de carga horária para utilizar o turno da noite. E para encaminhar a redução necessito de um documento da escola onde, supostamente, irei estagiar afirmando que lá estou e informando meu horário de estágio. Mas ainda, lá não estou... embora esteja, desde o início do mês observando e conhecendo alunos e professores.

A notícia colocada pela professora Rosane na Front Page do wiki do estágio dizendo que "foi acolhida a solicitação da UFRGS e que os alunos do PEAD poderão efetuar os estágios nas respectivas escolas/salas de aula.", já não me beneficia. Minha caminhada já é outra. Caminhada que eu não desejava fazer, que talvez, dependendo de muitos "ses" , não precisasse realizar.
Mas fico contente se pelo menos uma ou mais pessoas tenham sido beneficiadas. E torço para que realizem seu estágio tranquila e prazerosamente.

Se há colegas, tranquilas e satisfeitas (e, há, com certeza) neste período inicial do estágio, este não é o meu caso. Sinto-me muito incomodada . Na verdade, o estágio em si nunca me preocupou. Percebo, agora, que meu desgaste, cansaço e desencanto certamente não se originam de turma, aluno ou tipo de metodologia: eles vêm da burocracia, da lentidão e da incerteza.


Esse post foi muito pensado e filtrado por mim. Esperei passar alguns estágios em que me encontrava. Não conseguiria escrever outras coisas se antes, não colocasse um mínimo do que se passou e passa em minha mente.
Mas, desencantada que ainda estou, crio outro espaço onde poderei ser piegas, raivosa, dramática, cômica ...um espaço onde relatarei o que chamo de bastidores. Agora, será ali,o lugar onde despejarei o meu prazer.

Ainda aguardando resposta na página "Tenho Dúvidas", despeço-me, desejando um FELIZ ESTÁGIO a todos!

E antes que venha um certo tipo de pergunta eu já respondo :

Eu não sou Ferraz, não sou o Cara, não gosto do perfume de Maçã Verde, não sou a filha, nem me chamo Osvaldo. E se nessa vida , a obviedade é plural, seguramente, eu sou SINGULAR.

quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Pasárgada por alguns momentos, please

Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá um Existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei nenhum pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na Beira do Rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir uma concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei --
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "Bandeira uma Vida Inteira", Editora Alumbramento - Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
Manuel Bandeira: em sua vida e sua obra estão "Biografias".

segunda-feira, 8 de março de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Link Poético




"É preciso que eu esclareça algumas coisas. Tenho dito todo dia que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é apenas uma metáfora. Não estou pregando que você deva abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça... Seria o caos. E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa horrível rotina quotidiana — e cuidando das absurdas engrenagens do mundo —, para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos.

Saltar profundo não é pra todo mundo."


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ensaiando

Faz algum tempo que ensaio um texto sobre a série Ally Mcbeal. Não será nesse post que escreverei a análise que desejo. Entretanto... tem como não gostar de uma série que nos apresenta Sting como ele mesmo, sendo processado pelo marido de uma fã que afirma ter sido seduzida pela música do cantor? Uma série em que todas as personagens se encontram em um bar no fim do expediente e cantam suas alegrias e suas mágoas?
Biscoito, Richard, Ling, a participação interrompida (que pena!) de Robert Downey Jr?
Fico pensando no criador da série... se não me engano, um advogado. Que cara... rs
E a dança do Jonh, incorporando Barry White, então?
Tem gente que assiste e enxerga uma comédia apenas. Mas há muito mais sutilezas do que alguns pensam. Como não pensar no final do episódio de aniver de Ally onde , mesmo tendo o que sempre desejou (amor, amigos, celebração), se descobre absolutamente só?
Pois é a partir desse final que, um dia talvez, eu volte a falar da série que eu tanto gosto...
Por enquanto...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Austrália em Áries



Também nascida em abril, 12, do mesmo ano: Lisa Gerrard, compositora e cantora australiana responsável pela música Now we are Fre, trilha do Filme Gladiador.


Nascido na Austrália, em 7 de abril, Russell Crowe estrelou vários filmes. Entre eles, o sucesso O Gladiador.






Sempre vou lembrar da descrição emocionada, de uma colega, dos momentos finais do filme Gladiador. Ela conta que se imaginava na Arena e sentia a vibração dos romanos... que chorava copiosamente no cinema ao perceber a grandiosidade das cenas apresentadas.
Quando ouço esta música e revejo este filme relembro de uma professora de História, de uma colega, de uma coordenadora competente, de uma pessoa incompleta que trilha a sua passagem caminhando ereta. Beijocas, Do Carmo!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Música e Letra

Adoro Música.
Uma pessoa cantarolou parte de uma música perto de mim e ,como uma esponja, absorvi a melodia que me acompanha há um tempo. Cantarolei para o Lu, tentando descobrir, com sua ajuda, qual o nome da composição. Frustrada, descobri que estava "semitonando" e, ao contrário do que imaginava, não conseguia me fazer compreender.
Com meu orgulho desafiado, recorri à minha coringa: Adi. Quando ninguém compreende meu cantarolar, ninguém lembra da música, letra ou clipe, recorro ao "batfoneadi". Telefono e peço: "Adi, que música é essa?" Ela sempre descobre.
Pois com a ajuda dela e do Lu (que conseguiu, na sequencia, identificar e tocou a melodia no violão, para que ouvisse no telefone) redescobri o grupo Vaya Con Dios.
Assisti a vários clipes e escolhi um para postar. A música é linda, na voz de quem a canta e com os arranjos que acompanham. Entretanto, considero a letra um caos. Que pena...



Isto me faz pensar em uma palavra, algumas situações e deduções...
Lembrei-me de uma música que conheci através de um email que recebi. Na época, fixei-me na mensagem criada e não na letra da música. Reenviei para muitos amigos como votos de Natal. Só muito tempo depois, resolvi ler a sua tradução.
Olhe o clipe da música e, só a partir dele, tente imaginar que conceitos nos são trazidos...



Pois é...
Fosse eu, jamais conseguiria associar essa letra a uma mensagem de otimismo .
Adorei o trabalho realizado pela agência de publicidade responsável pela montagem das imagens, associados ao texto. Mas hoje, apesar de achar muito bonita, não a repasso mais com esta música.
Interessante...
De qualquer forma, pela última vez, aqui vai : "Aprendizado"




Bah... e nem era sobre isso que eu iria escrever...
Mas acho que a questão das "embalagens", dos "conteúdos", de equívocos que a vida nos proporciona e de como reagimos a eles, está presente, ainda que de forma mais sutil...
Pra ser mais explícita, volto outra hora. Agora, vou tomar um sorvete. Bye

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Saudades



Ouvi há pouco tempo uma frase que gostei muito: "Saudades do futuro..."
Pois, agora, estou assim: com saudades das pessoas que ainda não conheci, das coisas que ainda não produzi, de tudo que ainda não partilhei...estou com saudades de mim.
Sinto saudades da bela música que não escutei e daqueles que ainda não reencontrei... Sinto muitas saudades de tudo aquilo que vou fazer e, também, pelo agora, de tudo que eu me descobri ser.
Sou fora de mim, parte incompleta que busca caminhar ereta.


domingo, 17 de janeiro de 2010


Talvez eu não quisesse escrever a primeira postagem do ano com um sentimento de perda. Talvez não quisesse escrever sobre sentimentos confusos, sobre pessoas perdidas e outras que vivem pelo medo e covardia .
No início deste ano o cachorrinho que foi cuidado por algumas professoras e funcionárias da escola, por alguns alunos e por mim, desapareceu.
Bob foi tema de um trabalho realizado pela professora de Ed. Ambiental e, claro, por minha turma . Trabalho este que, certamente, não poderia ser realizado por algumas pessoas devido a sua delicadeza e fundamento: estávamos tratando com uma vida. Não humana, é verdade, mas , indiscutivelmente , uma vida. E infelizmente, convivemos com pessoas que acreditam que um carro, uma roupa ou uma viagem são superiores a sentimentos relacionados com vidas não humanas. A incompreensão e ignorância geram a ironia e, por vezes, o desrespeito. Por outro lado, também muita pena por parte de quem consegue fazer esta leitura.
O fato mais importante, entretanto, é que denúncias indicam que nosso mascote foi roubado. Atualmente, depois de registro de BO, de cartazes espalhados pela região e até de notícia veículada no jornal, aguardamos informações e a volta de nosso Bob.
Sua chegada na escola provocou algumas mudanças que não foram percebidas pela maioria. Graças a ele pude enxergar melhor algumas pessoas e situações. Graças a ele, aproximamo-nos de outras pessoas e descobrimos quão belas e corajosas sabem ser,principalmente, no silêncio.
A história de Bob não tem um final. Está na parte das reticências. Mas em breve, poderei escrever mais sobre o que ele provocou e ainda provoca em certas pessoas...
Salve o cachorrinho que nos presenteou com amor, alegria e gratidão! Que ele esteja bem e que possamos nos reencontrar um dia!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal

Que o Natal seja um momento de reencontro, generosidade, alegria , superação e fé. Que em 2010, todos os dias tenham um pouco do Natal...

Que todos nós façamos a diferença, contribuindo para um mundo bem melhor!


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pra me deixar feliz


Sempre será o meu melhor presente um cachorro ou gato abandonados. Entretanto, não há mais espaço físico para novos filhotes , em minha casa, nem no espaço que eu e Lu alugamos para nossos filhotes de grande porte. Sabendo disso e observando minhas últimas semanas de exames, fisio, acupuntura e dor meu marido pensou em me dar um melhor presente de brincadeira. Ganhei Caco, fiquei feliz e esqueci de meus últimos incômodos. (sinal de que quase tudo é passageiro).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Arquitetando


Como a colega Luciene relatou em seu blog, com a proposta de trabalho com as Arquiteturas Pedagógicas, por parte do Seminário Integrador, tivemos a possibilidade de iniciar um trabalho cooperativo.
No Victor Issler temos uma dupla querida. No Lucena, temos o nosso querido Bob.
Antes mesmo de nossa organização para as Arquiteturas, Bob já estava em nossa escola provocando reações diversas.
Sua permanência conosco, até este momento, é uma conquista de todas as pessoas que gostam, respeitam e valorizam os animais. É uma conquista de professores, funcionários e de sensiveis diretora e coordenadora. Sobretudo , é uma conquista de alunos de uma turma e do trabalho realizado.
As histórias das Escolas Victor, Lucena e Roque vão se entrelaçar... aguardem.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

O VÔO DOS TURIXANTANS

O fato é que, depois de 5 xalapecos (unidade de medida de tempo dos Turixantans), o grupo estava preparado para o grande vôo.
Nos últimos terços de xalapecos, os bichinhos estavam alvoroçados... temerosos alguns, confiantes, outros.
Várias estratégias foram sendo observadas ao longo do tempo: asas pouco usadas durante o período de aprendizagem agora faziam questão de mostrar o máximo de movimento não perdido..
Turixantans, procurando grasnar o mais alto possível, acreditavam que o barulho de suas vozes facilitaria o vôo.
Outros, ao contrário, já não se importavam com fantásticos sons: preocupavam-se com a concentração interna necessária. Um ou outro ainda não tinha se dado conta da data marcada e corria risco de realizar um vôo mais difícil.
Os Mursiatans (equivalente a mestres, orientadores) participavam do alvoroço de diferentes formas.
Durante todos os xapalecos foram responsáveis pelo desafio de proporcionar as competências para que o vôo fosse realizado. O interessante é que sabiam que não bastava apenas planar no espaço. O recuo buscando espaço para a corrida antes do salto, a posição da cabeça, o momento em que as asas eram abertas (e de que forma; seguramente, tropegamente), a inclinação do corpo no espaço, tudo era observado. E o principal: a rota era diferente, cheia de curvas, elevações e desafios.
Sabiam, os Mursiatans, que a grande maioria completaria o vôo, que talvez alguns desistissem de voar e outros, fariam aquela rota apenas para encerrar o vôo e depois, voltariam ao caminho já trilhado antes da chegada àquele grupo.
Sabiam, os Mursiatans que, no vôo, surpresas poderiam acontecer, imprevistos, desconfortos e também muitas satisfações.
Sabiam, que alguns dos Turixantans trocariam as penas mais uma vez e voltariam diferentes, pelo mesmo caminho...
Sabiam que tanto eles como seus pássaros discípulos não eram mais os mesmos.
Ao contrário do que os mais ingênuos Turixantans pensavam, o grande vôo não era uma competição.
Cada pássaro voava para diferentes lados, a pressa não estava associada ao tempo do outro mas ao tempo de cada um.
Cada Turixantan buscava os limites de seu corpo, de sua mente, da junção de ambos. Esquecidas as confusões e os grasnados destoantes, a preocupação de muitos era levar consigo tudo que se tornara positivo: amizades, palavras de conforto, limites oferecidos quando necessário, cutucões, conselhos , orientação e uma nova e desafiadora forma de voar.

O que, inicialmente, era o final de uma etapa se transforma no começo de outra.
Cada um a trilhará de acordo com o que vivenciou, do que percebeu e enxergou.
O tempo e o espaço não são os mesmos para todos. A aprendizagem é contínua e permanente.


O dia do vôo é nublado para alguns, ensolarado para outros. Tempestuoso, quem sabe.
O vôo linear é aceito mas não tão comemorado. As elevações pelo caminho impedem a continuidade de um voô deste tipo. A adequação do vôo com os desafios propostos no caminho e a originalidade ao enfrentá-los são muito consideradas.

"Ele é um Turixantan. Um pouco mais antigo, com penas não tão brilhantes, já chegara ao grupo, como muitos, sabendo voar. Mas aprendeu mais, descobriu outras formas e capacidades. Agora, pouco antes de seu recuo para o salto, pensa que, se não sabe tudo, pelo menos tem a certeza de que pode investigar e procurar... e que pode fazer isso com e por outros Turixantans. Descobre um receio bem escondido de que seu vôo seja conturbado. Afasta-o, trocando-o pelo sentimento de que é capaz. Com carinho e gratidão vira a cabeça e observa os colegas turixantans e, especialmente , os Mursiatans que o acompanharam até aquele momento. De certa forma, aqueles mestres estariam junto, no vôo e mais além. Ele retoma à posição inicial, balança as asas, recua, corre e salta! Quem permanece na linha de saída pode ler a mensagem enviada pelo bater de suas asas: obrigada, obrigada, obrigada. Fui!"



domingo, 1 de novembro de 2009

Pequenos paraísos





Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca."
(Jorge Luís Borges)

Desde pequena aprendi a utilizar as prateleiras de uma biblioteca como passaporte para grandes viagens.
Conseguir uma nova carteirinha de sócia era motivo de muito festejo, em minha casa.
Na infância, palmilhei por muitas bibliotecas: do SESI, da AABB, ASBac, a biblioteca da casa dos meus padrinhos, da casa dos pais de meu amigo Mathias.. Mais tarde, Biblioteca Central, Lucília Minssen, CCMQ, Faculdade de Letras, Bibliotecas da Smed e FAPA.
Entrar em uma Biblioteca, observar as prateleiras, folhear os livros, escolher aquele que mais interessa, circular pelo espaço sempre foram motivos de muito prazer.
Neste ano, com a aposentadoria da professora responsável por este espaço, a equipe diretiva de minha escola convidou-me a assumir a vaga existente. Este convite foi motivo de muita alegria: tinha a certeza de que poderia, de alguma forma, retribuir tudo o que eu conquistara através deste espaço, realizando hora do conto, estimulando o manuseio dos livros, oportunizando que todos os alunos fizessem retiradas e, na sequência, seus familiares também.


É bem verdade que, além da turma de terceiro ciclo, à tarde, ainda partilho com uma querida colega a coordenação cultural da Escola. Entretanto, entre ter a possibilidade de realizar um novo e mais instigante trabalho, oferecendo uma diferente "filosofia de Biblioteca" , beneficiando muitos alunos e continuar me dedicando quase integralmente a uma coordenação onde já havia uma pessoa também responsável, naturalmente, voltei maior parte de minha atenção para o novo desafio. Porém, por várias questões, ainda não pude me desligar, como é meu desejo, da Coordenação Cultural.
Atualmente, na escola, realizo o trabalho na Biblioteca, sou responsável pela coordenação do Projeto Adote um Escritor, atuo com uma turma de adolescentes (maravilhosos! Tanto a turma como a parceira.) e, de forma não tão intensa quanto antes, acompanho minha colega da Coordenação Cultural.
Nos entremeios, administro o blog da Escola e me "enturmo" cada vez mais com as Tic's.
Chego à conclusão de que tenho bastante com o que me ocupar, fora o PEAD, Cursos de Extensão, cuidados com turma canina e felina, vida pessoal e saúde.
Não trago essas observações como um lamento, ao contrário. Sinto-me desafiada (ok, ok...por vezes cansada, sonolenta...) e instigada a testar os meus limites.
Mas o que faz com que eu "aguente" quase beirando e ultrapassando certos limites? A parceria , o prazer de fazer o que gosto e a compreensão de que nada é permanente.
Em relação aos parceiros, descubro que tenho vários em diferentes níveis: marido, amigas e colegas da Turma e da Coordenação, a equipe diretiva de minha escola, minhas colegas e amigas do PEAD, minhas professoras, orientadoras, tutoras, cachorros, gatos, livros...
E, se por alguns momentos, estiver mais cansada, rabugenta ou , como diz uma colega da Escola, " já estou tomando sorvete pela testa" vou tentar lembrar do que disse a Neusa: "a cada dificuldade surgida, encontro um jeito de..." contorná-la, enfrentá-la, ultrapassá-la , acrescento eu.
Vou conseguir, sempre? Acho que não. Mas uma bela tentativa já é um bom caminho.
Alguns paraísos podem parecer pequenos mas a luminosidade que irradiam nos afeta por uma vida inteira, não é?

sábado, 31 de outubro de 2009

Ampliando a rede

Já faz tempo que penso em escrever sobre a multiplicidade de meu dia a dia.
Começo por dois cursos de extensão que estou realizando: o primeiro, semipresencial, tem como foco Competências para um Trabalho em Equipe. ( em ambiente virtual)
Meu interesse por esse curso se origina no semestre passado quando realizei um Projeto de Aprendizagens sobre Grupos.
Com um olhar mais distante, percebo que o desenvolvimento do PA e sua aparente conclusão sempre esteve "costurado" com as relações que o grupo mantinha. O que não deixa de ser óbvio. Mas já naquela época as relações, o vai e vem de papéis, a troca de funções, chamava minha atenção... Saí daquele PA com a sensação de que alguma tinha mudado e outras coisas precisavam ser descobertas. Quando li o folder do curso pensei "é por aí que eu vou..."
Uma das coisas que gostei muito é a possibilidade de, por algum tempo, conviver com pessoas de diferentes áreas: artista plástico, contador, gerente, analista, estudante de Filosofia e vários outros.
Já no primeiro dia, dividimo-nos em grupos. Com as iniciais de cada um, formamos o WeBiJeCla: um grupo buscando se transformar em equipe.



A ferramenta de trabalho é o ETC, Editor de Texto Coletivo. Através dele, nossa participação é registrada, colaborações e idéias são compartilhadas.
Confesso que, para alguém já acostumada a utilizar o ROODA e, principalmente, o pbworks com suas inúmeras funcionalidades, a utilização do ETC parece ser ainda muito limitada.
Mas é com a participação do grupo, sugestões e indicativo de dificuldades encontradas que a equipe técnica buscará o aperfeiçoamento da ferramenta. Portanto, "faz parte".
Ironicamente, constatei que para alguém que não gostava dos fóruns deste semestre no PEAD, procurei de forma certeira: no mínimo 4 fóruns, dentro do ETC. Mas, surpresa! Estou gostando. Quem participa o faz por que tem algo a questionar, acrescentar, a descobrir... não há preocupação (nossa) com um número mínimo de postagens mas sim, em relacionar o que foi lido com os comentários do fórum e com o que se registra. Vamos conversando e a opção "resposta" é bastante utilizada. Novamente a diversidade se apresenta como aspecto positivo.

Em relação às leituras e bibliografia indicada estou me organizando pois o volume aumentou. Mas questões como a funcionalidade de uma equipe, diferença entre equipes e grupos, competências vêm ao encontro de algumas percepções e curiosidades "alimentadas" no Seminário Integrador.
Com todo o cansaço e pouco tempo, tem valido a pena.

O segundo curso de extensão foi escolhido por razões óbvias: também oferecido pela Educação à Distância da UFRGS, trata de Projetos de aprendizagem. Há muitas afinidades neste curso. O fato de realizá-lo na companhia de duas de minhas amigas Mosqueteiras (kátia Diehl e Lu Sobotyk)é um grande estímulo.
Ainda estamos no período de apresentações virtuais mas percebo que, em breve, estaremos com a "mão na massa".



Considero este semestre um interessante desafio. A "batalha" se trava entre a minha vontade de descobrir cada vez mais e os limites que meu corpo e mente impõem.
Neste momento, o que procuro? Encontrar um meio termo e desfrutar das oportunidades que surgem com prazer e saúde. E, como diz a tutora Rossana, "vamoquevamo!"

sábado, 24 de outubro de 2009

Os Galileus que leêm o mundo

Enquanto assistia ao vídeo disponibilizado pela Professora Luciane (EJA) e , mais tarde, ao ouvir seus comentários, relembrava de uma história que contei na primeira apresentação de Memorial, no PEAD: Galileu Leu.
Gosto muito de contá-la quando realizo oficinas com educadores. A conversa que surge, a partir do Galileu, sempre é muito boa.
A aula presencial, e me refiro exclusivamente à professora e a discussão proposta por ela, foi muito significativa.
Ao ouví-la, lembrava de uma de minhas alunas que tem uma ânsia de aprender admirável. E as leituras de mundo que começa a fazer emocionam suas professoras: minha colega Sílvia e eu. Fiquei pensando se estou, realmente, fazendo todo o possível para auxiliá-la ou posso conseguir mais...

E sabem de uma coisa? Acho que essa aluna merece que eu "consiga mais"...
Por hora, ofereço a leitura de Galileu para a professora Luciane e para todos os colegas e amigos que sabem que , muitas vezes, fazemos uma atuação bem melhor fora dos palcos que alguns procuram criar.