sábado, 12 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


E 2011 chegou trazendo uma lufada de diferentes ares. Algo misturado com cansaço e renovação de energias.
Dei a primeira folga ao blog nesses quatro anos e meio de existência: em janeiro e fevereiro fiquei mais ativa no Facebook. E gostei pois, por ali, tive boas notícias de gente que eu não via há muito tempo.
Reencontrei uma querida amiga, mãe de uma de minhas aluninhas do jardim. Fui professora da Nina há mais de 23 anos!!! E quando a reencontro, através de sua mãe e do Facebook, ela ainda me chama com carinho de Tia Bia. Pelos deuses, que coisa boa reencontrá-las!
Nina, para o orgulho de sua família e de sua "Tia Bia", passou em primeiro lugar no concurso para professora de... FOTOGRAFIA e Iluminação, Universidade Federal Fluminense!
Pois é... vale a pena... ( lembrei da Neusa e de alguns de seus questionamentos)
Ao reencontrar Nina lembrei da "festa de formatura" realizada para sua turma de jardim. Na verdade, combinei com os pais uma surpresa: depois de uma caçada ao tesouro pela PUC, as crianças e eu chegaríamos em uma das salas da escola que estaria devidamente enfeitada para a festa. E como o nome da turma era Turma da Bruxinha e do Gregório, a decoração era bruxesca, com muitos morcegos, aranhas e suas teias, abóboras e caldeirões. Para cada criança fora feito um chapéu de bruxa ou feiticeiro. E aquela festa foi a formatura do grupo. Gostei muito disso...

Tempos depois, como assessora , eu estava sentada na platéia do salão de uma das creches que acompanhava. Naquela noite, enquanto assistia os pequenos do jardim, recebendo diplomas com suas togas e roupas detalhadamente idênticas eu me surpreendia com o tímido relato de uma das humildes mães da platéia, ao meu lado: sua preocupação era pagar o empréstimo que fizera para "produzir" de acordo com o solicitado pela creche, os filhos gêmeos para a solenidade. Mais surpresa eu ficava ao constatar que muitas famílias haviam feito o tal empréstimo, com a mesma pessoa. "Desnovelando a linha", encontrei um grupo que agia da mesma forma todos anos, encontrei pessoas que eram emaranhadas no sentimento de que "precisavam fazer como os outros..."
Ao questionar o dirigente da instituição sobre a necessidade de organizar uma solenidade tão rígida para crianças que concluiam o Jardim B ouvi como resposta que "muitos deles, nem vão concluir o primeiro grau...que dirá uma faculdade! Que tenham uma formatura, agora." Pois é... não gostei nada disso. Tempos difíceis, aqueles...
Às vezes, a frase "Para isso somos feitos.", ressurge e ecooa em mim. E eu transformo em dúvida: "Para isso, somos feitos? Para o que somos feitos?"

2011 chegou e pude fechar os olhos, em minhas férias, com a maior preocupação de descansar. E aí, fiquei pensando em escolhas e em seus motivos.
Optei, por motivos bem conhecidos das pessoas que me acompanham e acompanharam o meu 2010, em não participar da cerimônia de formatura. E, hoje, me dou conta que, respaldando minha decisão estavam lembranças adormecidas. Pois é... a caminhada de todo o grupo do PEAD foi longa e, certamente gratificante. Para muitas, estar no palco é a concretização de um sonho, de uma batalha difícil, é a culminância e o certificado de que tudo valeu a pena. Para outros, talvez o ápice não seja este. Entretanto, o mais importante é que cada um de nós faz o que acredita, respeitando as diferentes opiniões.
Estarei na platéia da Reitoria, muito feliz, aplaudindo meus colegas que, bravamente , encerraram o curso e com alegria dividem sua vitória coletivamente. E não posso deixar de dizer que minha felicidade se completa com minhas escolhas e minha coerência. Receberei meu diploma no dia seguinte. Gosto disso.
E se pensar no "para isso somos feitos..." acho que fomos feitos para muitas coisas. Entre elas, para propiciar que nossos alunos sejam críticos, que saibam escolher, para que saibam dizer não, para que reclamem quando necessário, partilhem e manifestam afeto.
Penso que nossa trajetória se justifica, principalmente, quando recebemos o retorno de uma aluna que foi além. Mas também se justifica no momento em que percebemos que podemos auxiliar a "dar voz a quem não a tem".
E, para encerrar, por agora, deixo imagens que me fazem feliz, pessoas que se tornaram importantíssimas...
Entre tantas pessoas que levarei comigo, algumas não posso deixar de destacar pelo carinho, amizade, compreensão e presença. A todas elas, meus agradecimentos.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A volta dos que não foram



O fato é que durante os últimos quatro anos, ocasionalmente, eu ouvia alguém perguntar "E o Argh? Desistiu dele e dos outros personagens?"
Meu marido me incentivava a trazer meu amigo de volta. Carmela, amiga de tantos anos e primeira leitora do Argh, também demonstrava a falta do pequeno mutante. rs E dela também ,pois outro personagem, chamado Bizet, é a própria...
Na verdade, estive especialmente ocupada na última meia década. E continuarei nas próximas, espero. Argh nunca foi a lugar algum diferente de onde sempre esteve: comigo. Mas agora, aos poucos, começo a partilhar esse personagem criado com tanto carinho.

Acho que foi por volta de 1997, que o criei. Nas férias, deste ano, para ser mais exata.
Os motivos de sua criação estão relacionados ao período que precisava ficar esperando minha mãe realizar exames hospitalares, nos corredores com seus bancos repletos em emergências, na espera durante suas internações. Enquanto esperava, pensava em diversas situações que poderiam ser vivenciadas por um personagem com um humor bem característico... então, ARGH surgiu.
E, agora, vai morar neste blog. Bom recomeço, ARGH!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Preparem-se


"Poetas, seresteiros, namorados..." É chegada a hora ! Preparem-se! ARGH está de volta! Temei e rezai!!!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E para completar...

apenas a certeza de que a imagem é tudo...

Pois é... acho que estou cansada demais para escrever de outra forma que não seja Fluxo de Consciência . Sinto, para alguns... Acho que encerrei as postagens propostas. Acho que uma nova fase do blog inicia. Acho. Acho que descobri que ainda posso ser muitas coisas, a partir desse curso. Acho que posso ser perita criminal, professora que já sou, pedagoga envolvida com as tecnologias, posso encontrar encanto e generosidade entre as paredes de um hospital e lá contar muitas histórias, posso contar em muitos lugares... Acho que consigo voar. Tenho achado tanta coisa sobre tantos lugares e tanta gente... Acho que em outro momento, provavelmente depois da apresentação do TCC, poderei voltar e analisar (mais ainda???) outras questões. Acho que, durante os dois últimos semestres, fui como o arbusto que um dia, em minha infância, meu padrinho me mostrara salientando que "vergava mas não quebrava". Acho que foi assim, nesse ano. Foi. Mas fiquei cansada.
Sinto dor nos pés.
Acho que estou cansada. Acho que preciso descansar para voltar a caminhar. Acho que todos esses anos, que agora não analisarei, me trouxeram a confiança necessária para que eu siga em frente. E para que volte atrás, vá para os lados , para que eu me espalhe e para que eu me recolha. Acho que percebo outros pés, também, e consigo oferecer apoio. Ou pedir, se necessário. Acho que tenho a certeza da necessidade de continuar estudando e procurando. Acho que mudei, que preciso mudar e que vou mudar ainda mais. Acho que amanhã não serei a mesma. Nem depois. Nem ontem eu fui. Acho que, pensando nos semestres que agora não analisarei, vivenciei a cooperação, a investigação, trabalhei com Arquiteturas Pedagógicas, Projetos de Aprendizagem, conheci pessoas maravilhosas pelo que traziam de contribuição ao estudo, à pesquisa e à formação e outras, bem chatinhas, também. Acho normal.
Pois também sou chata em muitos momentos. Acho que se alguém quiser mais do que lê, não vai conseguir pois eu já cansei de me despedir. Agora, o movimento é outro, não linear...o que me permite, a qualquer hora, mesmo diferente, voltar.


sábado, 4 de dezembro de 2010

2010, o ano dos paradoxos


No semestre anterior ao estágio tivemos as disciplinas de :

  • Didática, Planejamento e Avaliação;
  • Educação de Jovens e Adultos no Brasil;
  • Língua Brasileira de Sinais - Libras
  • Linguagem e Educação;
  • Seminário Integrador VII.

Destaco o trabalho realizado com Arquiteturas Pedagógicas, a partir das propostas da disciplina de Seminário integrador. Nosso projeto se constituiu na criação de um blog coletivo onde 3 escolas conversavam e trocavam idéias sobre o mesmo tema: os mascotes que possuiam. Em meu caso, na minha escola, parte do grupo havia adotado um cachorrinho abandonado. Bob era seu nome.
Este trabalho trouxe satisfações em relação ao fato de diferentes escolas iniciarem uma nova rede e, também, frustrações à medida em que, na escola em que trabalhava começava a perceber o quanto muitas de minhas colegas não aceitavam incluir um animal abandonado. E para isso, criavam muitas justificativas com pouca fundamentação.


E, novamente, eu revia conceitos estudados em Filosofia: a barbárie se apresentava nas mãos das pessoas que promoveram o desaparecimento de nosso mascote. Acredito, que esta foi a minha grande e pior perda durante este curso. Ainda hoje, relembro das idas ao veterinário, com os alunos, do carinho que Bob ofertava e da incompreensão e desapego de algumas de minhas colegas.

Durante este tempo, fiquei imaginando se realmente sabiam o que era inclusão, mesmo trabalhando na área.

Pois é...iniciei o ano de 2010 com a perda de nosso mascote. E logo, iniciou o estágio...
E eu seria desonesta ao afirmar que foi um bom período. Não foi. O trabalho realizado com os alunos, a possibilidade de trabalhar com EJA, conhecer nova escola e, ali, promover algumas mudanças, foi ótimo. Entretanto, paradoxalmente, o curso que se mostrava inovador, ágil através de sua coordenação e das propostas de muitas das disciplinas falhou onde mais era necessário: no acompanhamento burocrático à esta acadêmica. A partir das confusões, das demoras, indecisões e desorganização de quem era responsável pelos trâmites legais e burocráticos do curso, fui atingida e prejudicada. Foi um horror! E realmente não desejo reviver este período lamentável. Por isso, coloco à disposição os links que retratam o que aconteceu.

FERRAZ MATOU O CARA
EM REPOUSO COM ROY ORBISON
HÃ?

Para encerrar e falar de coisas mais agradáveis necessito ir direto para o período de organização do TCC. Assim, poderei relatar com maior tranquilidade e prazer os bons momentos vivenciados com meus alunos do estágio. O resto é o resto.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010



Pois conheci esta música agora, apesar do tempo de existência. Meu Lulu pediu que eu colocasse no blog. Segundo ele, ao ouvir essa música sempre lembra de mim. Então, tá: gostei, postei, amei! Beijocas Lulu.

domingo, 21 de novembro de 2010

Fraser..



Ouvi uma música chamada Dreams Come True, de Norma Fraser. Gostei da música, nem tanto da letra. Mas não importa: o Fraser é igual. Fraser. Lembrei de Madonna cantando I'll Remember. Não gostei da música, nem da letra. Pensei em trocar o áudio. Sabe, que troquei?

Quem são? Quantos são? Onde estão? Meu nome não tem Fraser mas assisti a todos os Retornos da Múmia. E outros melhores, até. Madonna continua. Talvez porque esteja em um estúdio. Não sou Fraser nem Madonna mas fui a um estúdio. E fiz Cocoricó. Também não sou galinha mas cantei que nem galo. O que eu gosto é de contar histórias... E, às vezes, o óbvio é desnecessário. "Não subestimar a capacidade do leitor", já disse o professor Luís Antônio Assis Brasil. Nunca fui aluna de Madonna ou de nenhum Fraser. Mas fui aluna do Assis...
Em um semestre, por ocasião do Portfólio, achei um unicórnio. E a professora Bea pensou que eu dissera querendo dizer mas eu não dissera, nem queria: era outra coisa. Demos risada. Mas a música e o clipe eram lindos! Postei no blog! Neste semestre surgiu a questão "que conceitos você observa nesta...?"



Também gosto de visualizar uma espiral, quem sabe, ouvindo ENIGMA, retornando para os mesmos lugares e vendo tudo diferente. Talvez, porque esteja eu, assim. E, na verdade, em 2009, era novembro como agora.
O 3 me lembra minutos, minutos me lembram vídeo, me lembram 3 minutos que esqueci. Mas falei e escrevi de ZEN e a Arte da Manutenção de Motocicletas. (bem pouco, é verdade...)
O pensamento é falsamente incoerente desejando manifestar o manifesto. Cansaço?

Realmente gosto de muitas músicas da Madonna. Mas desisti do clipe oficial porque esta não valia a pena, apesar de ter seu Mérito. Com ou sem, comecei a escrever para desejar algo a muitos alguéns. Daí lembrei do filme e por mais incrível que pareça, ao ligar a TV, era ele que passava.



Quem é Joe Peci? Quantos eram e onde estavam antes? O que faziam? O que liam e ouviam?
No outro , que fica entre os muros, uma jovem nos convida a relembrar Platão: Tens certeza que pensas o que pensas? Tens certeza de que fazes o que fazes? Eu gosto de trabalhar com imagens, de relembrá-las, associá-las, desvendá-las... Gosto de observar as pessoas, ouví-las, tentar decifrá-las. Mas só tentar, porque o processo é valoroso. Mas, as vezes, até consigo, um pouco...
Também gosto do Graciliano, (do Ramos!!!) pelo que ele fala da escrita. Não pela Baleia... Na verdade, ele matou a tadinha e eu gostaria que ela sobrevivesse. Mas já escrevi sobre isso quando falei de outra vítima, a Eloá. E começo a pensar que serei, minimamente, obrigada a linkar. Coisa que não queria.
E o Fraser? Conseguiu o que queria ou foi além? Olho para a tela da TV e, neste exato, momento assisto ao salto de Billie Elliot, na sua primeira apresentação para as pessoas que amava. Nem sempre estamos com quem amamos mas estamos com muita gente. E com elas, com essas pessoas, aprendemos alguma coisa, mesmo que seja para fazer o oposto. A tecnologia está no estúdio com a Madonna mas não na história do Fraser. Se fôssemos nós, teríamos cópias e cópias, salvas no computador e em pendrives.
Mas ele conseguiu ou não? O mérito está principalmente na caminhada. A chegada, já disse antes, é apenas outro recomeço. Peguei o clipe oficial e troquei o áudio. Madonna é Norma Fraser. Norma Fraser é o outro Fraser, aquele que me conta, me mostra e me diz o que eu desejo para todos.
Mas quem são os todos? Resumo ou amplio a minha vida? Amplio a minha vida investindo no Resumo. Ok.



Não gosto muito de de Reggae. Mas da voz da Fraser que eu coloquei para o outro Fraser...esta adorei! Afinal, quem somos? O que queremos? Quem são os outros?
Acho que estão em mim. Há muitos outros em mim... Levo todos, aconchego alguns, me entrelaço com outros, desisto de alguns e os deixo no caminho...cumpriram sua parte.
Não sou Fraser, nem Madonna, nem Joe Peci, nem Bea, Íris, Assis , Lu, Denise, Ilsa, Silvia, Eloá, Graciliano, nem meus alunos eu sou. Mas todos estão em mim.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

O que pode morar ao lado...

Ao colocar a palavra discriminar no Google esta é uma das imagens surgidas. Então, vamos refletir:
    presume-se que a discriminação congelada pela imagem está no fato de 5 personagens estarem de mãos dadas , formando uma roda e apenas um outro personagem se encontrar à parte, excluído do grupinho, não é?
Mas e se o personagem aparentemente solitário estiver participando de uma brincadeira onde é necessário que um dos participantes se afaste?E, se ele estiver à frente de seu grupo, virado para uma platéia, durante a apresentação de um show? A imagem pode indicar mas não consegue comprovar, não é? Vejo bonequinhos de papel. Mas não consigo enxergar mais nada além disso. (considerando apenas a imagem, lógico) Agora, deixemos a foto e passemos ao vídeo:
Esse vídeo foi enviado ao grupo por um dos colegas da faculdade, evidentemente, durante o semestre em que tivemos uma disciplina voltada para questões étnico-raciais. Com o título em português, propaganda racismo nunca mais, foi enviado com um comentário tipo "olhem que bacana" . Na verdade, acredito que quem o enviou pensava estar contribuindo para reflexões antiracistas.
Mas nem tudo é o que parece, não? Ao assistir ao vídeo, surpreendi-me com o "tom" do mesmo. Fiquei impactada. Penso que foi idealizado e produzido com muita raiva. E a raiva não é um bom indicador para ações antidiscriminatórias.
Que conceitos aparecem neste vídeo?
Ironia, a afirmação de que o narrador faz parte de uma supremacia não ignorante e que o Outro É ignorante ("eis algumas coisas que você deve saber" )e violência. (através das imagens e da frase dúbia, pois se trata de racismo no futebol americano: "vamos chutar o racismo...")
Racismo, segundo as entrelinhas da propaganda, está no Outro, no branco. Então, a quem a propaganda incita a chutar?

Em 2009, o primeiro semestre teve as disciplinas de Seminário Integrador, Etnias, Ed. de Pessoas com Necessidades Especiais e Filosofia como desencadeadoras das questões trabalhadas.
E quando necessito relembrar desse período penso na palavra Barbárie, em Adorno, no PA sobre grupos e nas teorias de Pichon e na insatisfação com a disciplina de Etnias. Sobre a última ,mais em especial, penso na palavra perigo. O quão perigoso pode ser a forma de conduzir ou indicar um trabalho. Pela primeira vez no curso , recusei-me a levar adiante uma proposta indicada por uma disciplina. Ofereci outro trabalho, outras reflexões de acordo com o que eu acreditava e acredito.
Mas, por outo lado, conheci Adorno e suas idéias. Gostei muito e vi relações do que ele escreveu com a atualidade. A Filosofia vai além do senso comum e nos incita a refletir, questionar e não aceitar o que é mais fácil, esperado e desejado por alguns. As propostas da disciplina e as leituras oferecidas foram prazerosas e desafiadoras.

No trabalho sobre grupos, por um espaço de tempo, eu e uma das colegas nos dedicamos a ler um pouco mais sobre Jim Jones. Tínhamos curiosidade em saber como ele conseguiu incitar, manipular um grupo de pessoas até levá-las ao suicídio coletivo. E, de certa forma, novamente eu fazia pequenas relações com leituras de outra disciplina.
Mas há um outro aspecto do qual relembro ou, agora, começo a perceber: o grupo que construia um PA sobre o tema grupos estava, de certa forma, buscando entender que tipo de relações se fortaleciam ou, não em um grupo. Aparentemente lidamos bem com esse tema. Hoje, acredito que , naquele momento em que trazíamos a Teoria e a associávamos com nossa prática, construíamos uma espécie de "divisor de águas": as relações que se encaminhavam para um fortalecimento ultrapassaram a ventania. Outras, apenas perderam a nitidez.
Semestre difícil, complicado, com ganhos e perdas. Mas acredito que o saldo foi muito positivo. Com certeza!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Imagens


Em um dos capítulos de meu TCC falo da fotografia e de como o fotografar se tornou importante para mim. Dia desses, fui à Alvorada e fotografei a parte de fora do Pólo, as ruas, algumas casas, os caminhos que palmilhei nos últimos anos. Pensava em fazer um slide com estas imagens. E, talvez, o faça. Mas por hora coloco uma das fotos tiradas no caminho. Foto editada com a minha nova descoberta: o PHOTOSCAPE
Estou bem cansada... Retorno com escritas reflexivas em outro momento. Em breve, brevíssimo...Bjs

domingo, 24 de outubro de 2010

Mas, olha só!!!

Como todas as colegas do curso, aqui estou eu às voltas com o TCC. E, para minha satisfação, encontrei este vídeo na rede. A professora entrevistada é Diana Pessoa, pernambucana, analista de sistemas, pesquisadora ...e paraquedista.
Pois quando assisti Diana falando de sua pesquisa senti como se estivesse falando de mim. E, um pouquinho, de certa forma, estava...



Um pouco do que pensa a Diana está no meu TCC e, bem antes disso, um comentário que escrevi foi parar dentro da pesquisa que realizou. Fiquei contente quando, vinda das bandas de Pernambuco, passando pelo Rio de Janeiro, através do Sérgio ela chegou no meu blog e me contou que estava conhecendo o meu "canto". Fiquei toda boba ao ler sua tese e me enxergar lá. O blog dela está aqui, no Interdisciplinas. E o Interdisciplinas, ocupa um espacinho de seu blog também.
Quem diria, há anos atrás, que um trabalho de conclusão de uma pesquisadora do outro lado do país iria ser tão significativo para essa professora aqui do sul?
Que rede maravilhosa, hein?

sábado, 16 de outubro de 2010

Alegrando em Santo Antônio da Patrulha


Pois o sábado foi muito legal!!! Obrigada pela acolhida, Monika! Beijos para toda a família.



Trabalhos da artista plástica, escritora e ilustradora Monika Papescu

terça-feira, 12 de outubro de 2010

parte B da quinta

Com a percepção das inúmeras possibilidades que a tecnologia oferecia e, da mesma forma, todas as opções ofertadas pelo blog, senti necessidade de iniciar um registro fotográfico. Então, no segundo semestre adquiri um novo celular que me permitia fotografar o que quisesse.
A partir daí, muito aconteceu...
Depois de algum tempo, já não bastava apenas tirar as fotos, comecei editá-las, brincar com as imagens, adicionar textos, molduras, mexer com o brilho e nitidez. Fiz uso de diferentes programas de edição de imagens.


fotos


Paralelamente, eu criara o blog Lucenorges, na escola em que trabalho e começaraa registrar através de texto e imagens, várias atividades realizadas.
De inicio, minhas colegas brincavam com o fato da escola ter um blog, riam quando ouviam-me falar em "postar" e demonstravam sua confusão quando eu irformava que deixara determinado arquivo no desktop: "desquioquê?"
Três anos mais tarde, em 2010, nosso blog é acompanhado por familiares, alunos e professores.
Na biblioteca, minha antiga turma Ct3, além dos livros, utiliza o computador. Alguns alunos com maior habilidade digitam no blog, pequenas postagens, entram no blog de outras escolas, deixam recados, descobrem informações sobre seus cantores e grupos preferidos, navegam no google earth...
Em 2009, a equipe diretiva da escola entregou aos professores, não uma pasta ou agenda para o ano: recebemos um pendrive.
O fato de fotografar e filmar vários momentos, em sala de aula, me possibilitava, através da retomada do material, refletir sobre a minha prática, rever posturas e analisar os diferentes funcionamentos de meus alunos. Com a máquina em sala de aula, qualifiquei minhas ações.
E então, um dia...percebi o olhar interessado de um de meus alunos, no momento em que eu fotografava um de seus colegas.Este aluno procurava o isolamento, demonstrava mau-humor e, por vezes, agressividade. Quando fiz a pergunta não acreditava que ele me respondesse tão prontamente: "quer tirar uma foto?"
Este foi o início de uma bela aprendizagem e de um trabalho que norteou as ações de minha turma durante todo o ano de 2008.
Daqui a pouco, eu conto o resto....

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"olhos brilhando"


Bem...promessas à parte, tenho muita coisa para relembrar...
Se todo o curso fosse um TCC acredito que algumas das minhas palavras chaves seriam: evidências, argumentos, Projetos de Aprendizagem, CMap Tools, Stress, Distress, Eustresse, perguntas, cooperação, investigação, redes, Arquiteturas Pedagógicas e "olhos brilhando..."

Uma das propostas mais instigantes(adoro essa palavra) se refere à construção de nosso primeiro PA em grupo.
Depois do choque inicial causado pela Professora Íris ao relatar-me que já vira muitas vezes filhotes de pomba e que, por conseguinte , minha sugestão de aprofundarmos o que sabíamos sobre os bichinhos não renderia muito, busquei com meu grupo, outro tema. Na verdade, fomos encontradas por ele": estávamos estressadas e o próprio stress se transformou em nosso objeto de pesquisa. Foi muito bom!
Dúvidas, certezas provisórias... nosso trabalho gerou conhecimento, cooperação, conflitos e superação.
Hoje, quando falo ou ouço a palavra stress faço inúmeras associações que antes nem imaginava: cortisol, eustresse, distresse. O meu stress, agora, é carregado de significados e de conceitos entrelaçados em rede.
Diverti-me nos relatos do trabalho e reconheci o bom-humor como fundamental em minha vida. Bom humor é um excelente remédio.
O trabalho com mapas conceituais se instalou em minha rotina. Além da faculdade, é no planejamento de meu trabalho que o utilizo com frequência.

Através deste PA, entramos em contato com a Dra. Hilda Alevato que, gentilmente, respondeu-nos algumas questões sobre o tema estudado por nosso grupo. Ao final do email que nos enviou, a Dra Hilda relembrava Ligia Fagundes Teles:



Além das propostas das Professoras Bea e Íris, as disciplinas de Ciências e Estudos Sociais muito me mobilizaram.
Em Estudos Sociais, cada atividade proposta , ao ser encerrada, deixava uma expectativa: "o que será de bom, que vem , agora?"

Será que não existem outras formas de percepção do EU e que podem se expressar em um “mero estar”, dispondo-se ao movimento do universo? Talvez seja isso que teus alunos querem nos mostrar. Porém, a escola, para construir esse conhecimento, esse currículo, criou um conceito de normalidade, excluindo tudo e todos que saem dos seus parâmetros de pretensa homogeneidade."

"Lendo teu trabalho me perguntei: e se o certo é o que consideramos errado? Concordo que Estudos Sociais tem que ter a temática da vida, o tempo e o espaço que é constituído e constituinte de cada sujeito que ali está. E creio que esse Estudos Sociais se expressa nas belas atividades que exemplificam a tua proposta: 1) o varal de fotos; 2) o grande calendário; 3) o dialogar com o silêncio e muito mais, suportar o silêncio. Bia, nos encontraremos mais adiante, na interdisciplina que discute as questões étnico-raciais, situação em que retomaremos novamente esse tema e, talvez, questionados por outras diferenças, ver como tudo isso se implica com os Estudos Sociais na escola.
"

(transcrito do webfólio de Estudos Sociais)

Que pena não tê-la reencontrado na outra disciplina...
Mas sua postura,suas propostas, seu diálogo e respeito com os alunos são inesquecíveis.
Em Ciências, durante algum tempo, dialoguei através de emails com o professor, que também gosta de Filosofia e de Música, sobre minha diferente realidade com alunos PNEE. Gostei.

Retomando minhas lembranças percebo o quanto estas 3 disciplinas, através de suas propostas e de seus professores foram importantes para mim. Em meu trabalho, buscava cada vez mais resignificar minha prática.
Naquele semestre, tive a impressão inicial de que , com certa surpresa, alguns professores percebiam que não só suas alunas deveriam resignificar sua prática a partir da vivência de seus grupos mas, também eles...a partir de uma diferente vivência de uma professora de Educação Especial..
Escrevi muito neste semestre e relembro, com carinho, da postagem Surfista de Pátios.
Diferentes disciplinas e professores...e eu conseguia enxergar relações entre as propostas e questionamentos.
E com certeza, uma coisa posso afirmar : Bea, Íris, Maria Aparecida, José, Eliane, Maura... todos eles tinham os olhos brilhando!


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Passagem por onde não queria


...mas, pelo jeito, devia. Aviso aos mais próximos: estou bem! Nem "fora da área de cobertura", nem desligada!

sábado, 2 de outubro de 2010

Parte QUATRO em 2008

Analisar 2008 é relembrar a pergunta de um aluno sobre os motivos de ser como é, relembrar de professores inesquecíveis e aqueles inesquecíveis para lembrar de "como não ser", falas ingênuas, evidências, o ofício de escrever...é falar de números, idéias românticas sobre trabalho com alunos especiais, redescobrir e relembrar de um estudo de caso com a ajuda de Naruto e, amorosamente, recordar de meu grande companheiro de adolescência e idade adulta: Beethoven. ..é relembrar do BatPostePreto, de como cursei e porque abandonei a Faculdade de Letras, é , acima de tudo, refletir sobre qual o meu papel, nesta vida e sobre segundas chances...
Pois então, vamos lá...

Faz pouquinho, acordei com a imagem vista em alguns filmes de ficção: abertura de um portal.
Sabe aqueles filmes em que um Portal do Tempo se abre, permitindo que alguns personagens saiam de sua dimensão e vão para outra? Pois é...



Se eu usar este artifício de imagem posso afirmar que , em 2008, tive a possibilidade de me tornar uma pessoa...digamos, melhor. Um portal se abriu...

Mas para explicar isso devo relembrar de agora, 2010, quando estava no Laboratório de Informática com os meus alunos do estágio. (alunos que revejo todas as terças feiras, por conta de meu voluntariado na escola)
Estava sentada entre dois alunos, buscando entender o que um deles me dizia. Com dificuldade de fala, o adolescente repetia pausadamente o título de uma novela que muito o comovera. Queria rever imagens e ouvir a trilha sonora. Depois de algumas tentativas e questionamentos de nossa parte, chegamos a conclusão (eu e a outra aluna) de que a novela era do SBT e falava de irmãs gêmeas que trocaram de lugar e de vidas. Com a ajuda do Google descobrimos: Cúmplice de um Resgate.
Eu nunca ouvira falar de tal novela mas, naquele momento, assisti interessada o quanto ela mobilizava meu aluno que, visivelmente emocionado, observava as cenas de abertura, no youtube.


Enquanto eu pensava que teria de pesquisar mais a respeito para entendê-lo melhor , mais um portal se abriu... o rapaz desviou os olhos da tela e me buscou perguntando:

Bia, por que a gente é assim?

Hã? Assim, como?
Assim como eu, Bia...deficiente!

Pronto! A resposta e conversa que tivemos eu vou contar. Mas antes, fui sugada pelo portal... Relembrar 2008 é escrever sobre algumas disciplinas que me mobilizaram positivamente e nem tanto. Inicio por uma "nem tanto": Matemática.
Mas para dissecá-la, retorno a outra disciplina e seu professor, desta vez na Faculdade de Letras...

Estávamos no meio do semestre e o professor solicitara uma monografia sobre determinado assunto.
A maior parte dos alunos, no primeiro semestre daquela faculdade nunca fizera uma monografia. Alguns nunca tinham ouvido falar.
Inicialmente curiosa, eu aguardava que o professor nos indicasse um caminho. Apenas ouvimos "Pesquisem..." e assistimos o seu movimento característico: voltar os olhos para um livro.
Em suas aulas eu assistia o interesse que ele tinha pelos livros, pelo que continham e a dificuldade que possuia de enxergar além dos mesmos: de enxergar seus alunos.
Àqueles que eram considerados alunos exemplares, que já haviam lido os mesmos livros, pensado igual e que demonstravam isso facilmente, o professor dedicava um pouco de seu tempo. Aos outros, relembrava as tarefas colocadas no quadro .
O interessante é que , aquele professor era uma grande referência: tinha livros publicados e reconhecidos nacionalmente, fora mestre de muitos dos professores da própria faculdade e participava de palestras e debates sobre a sua área em várias cidades do estado. Representava muito bem, a faculdade, portanto.
Alguns colegas e eu o procuramos, durante o intervalo, para perguntarmos sobre o trabalho: apressado, dísse-nos que fízéssemos o nosso melhor e que só depois de entregue, faria comentários. Mas não desejávamos comentários, queríamos ajuda. Dias depois, surge um aluno de outro semestre com a solução para muitos: "copiem do livro tal, páginas x, x, x e y... ele nem vai perceber...pede a mesma coisa todo o ano e acho que nem lê. Eu copiei tudo e tirei A!"
Fiquei horrorizada!
Mas o fato é que, pouco tempo mais tarde, eu abandonava a disciplina. Muitos colegas fizeram o sugerido e passaram. Sem nenhum louvor.

Durante anos eu refleti sobre aquele "famoso mestre escritor de livros" que tinha dificuldade de enxergar seus alunos, de vê-los não apenas como peças de uma pesquisa mas, como pessoas, que necessitavam interagir com ele. O conteúdo de sua disciplina era mais importante que o seu grupo...

Fiz, na época da Faculdade de Letras, algo que não teria coragem para fazer novamente: assistia todas as aulas das disciplinas cujos mestres eu admirava,mesmo não tendo conseguido vaga para tal. Explico-me relembrando de uma professora que tinha paixão por sua disciplina e profundo respeito por seus alunos: Maria da Glória Bordini. Suas aulas eram muito disputadas e, por conseguinte, as inscrições para sua disciplina encerravam logo. A outra oferta era muito parecida com o professor que eu descrevi anteriormente. Então, mesmo inscrita em outra turma, eu buscava aqueles que considerava em nível de excelência admirável. Fui reprovada em algumas disciplinas por não ter assiduidade: estava na sala ao lado.


A disciplina a Representação do Mundo através da Matemática trouxe-nos uma "avalanche de atividades e prazos a cumprir". Ainda hoje, lembro das palavras da professora, na primeira presencial, dizendo que ela e sua equipe haviam preparado um material com muito carinho , para o grupo. Realmente, todo o conteúdo estava matematicamente organizado, preparado, elaborado, pensado e repensado. Início, meio e fim. Prazos para isso, para aquilo, postagem nesta página, outro tipo na outra... E a densidade do material não previa,inicialmente, atrasos...
Inegável a competência da professora e sua equipe.
E mesmo assim, faltava, no meu caso, alguma coisa.
Enquanto eu me perdia em atividades que, para mim, não faziam o melhor, digo, menor sentido (fazendo referência ao meu contexto de trabalho em uma escola especial com alunos com TGD) pensava que, em outros tempos, já teria desistido da disciplina e buscado outra referência.
Mas não desisti. Apenas, ressignifiquei, apresentando a Matemática vivida em meu contexto.
A partir de uma experiência nada agradável eu viria a realizar uma interessante produção: a escrita sobre meu trabalho e sobre de que forma interajo com meus alunos.

E, neste momento, não posso deixar de relembrar uma palavra trazida por Paulo Freire: AMOROSIDADE
.
Se você não sabe o que é, se não consegue vivenciar o que a palavra nos sugere, pode até ser a maior referência em determinado assunto...mas faltará , sempre, alguma coisa que o tornaria bem melhor.
A questão das evidências já vinha sendo amplamente trabalhada com as professoras Íris e Bea, no SI... Por isso, a curiosidade se transformava em algo mais concreto:
Por que a disciplina me trazia tanto desprazer?
Quais as evidências que comprovariam as minhas críticas?

A primeira se refere ao fato que a disciplina tão bem formatada, planejada, não previra um detalhe: entre todos os alunos da turma havia uma que tinha "clientela" diferente dos demais. O que era ótimo para a maioria não se adequava ao meu contexto. Meus alunos vivenciavam a Matemática de outra forma.
A professora e sua equipe haviam pensado sobre isso? Não. E então, enquanto eu trabalhava com alunos que possuiam dificuldade nas AVD (atividades de vida diária como vestir-se, sentar-se, levar à boca um talher, higienizar-se), deveria apresentar propostas para trabalhar com geoplano, no computador. A maior parte de minha turma nem conseguia associar o objeto computador à algumas de suas possibilidades.
Portanto, havia alguém, naquela turma que não se beneficiava inicialmente com muitas das propostas oferecidas. Era eu.
Mas que interessante! Essa foi a possibilidade encontrada para que eu escrevesse o Vide Bula e o Resignificando, dois textos que muito me auxiliaram no sentido de que algumas pessoas pudessem enxergar que existem vários tipos de alunos, vários contextos e, portanto, a necessidade de termos mais de um plano na manga. (Bea e Íris diriam "o Plano B"...)


Outra evidência diz respeito "ao material preparado com tanto carinho":














No meu caso, em todos os momentos que abria uma nova atividade com um dos gifzinhos piscando, sentia um desprazer. Ironicamente, o gif que anunciava uma atividade divertida (para quem?) era um boneco de neve que derretia, tal qual o meu bom-humor... Em outra tarefa, o tal gifzinho nos convida a "brincar como crianças", através de uma proposta de trabalho da disciplina. Mas, para minha surpresa, pouco tempo depois apresenta uma personagem que gosta de brincar mas que diz "...mas agora, nada de brincadeira! Vamos falar de operações?"

Além de carinho, precisamos ter cuidado...

Pois é...lá na década de 80 , embora muito aprendesse em espeços diferentes, eu desistia de disciplinas, de professores e, mais tarde, viria a desistir até da faculdade.
Mas todos aprendemos com segundas chances, não é?
O que eu não conseguira aprender com aquele renomado mestre, viria a exercitar na disciplina de Matemática: não aceitar tudo o que é proposto apenas porque É proposta já definida organizada, formatada; criticar a partir da busca de evidências que sustentem a própria crítica, reconhecer o que nunca pretenderei ser e reconhecer quando outra chance é oferecida.

"Nossa! Quanta matemática! Quanto trabalho de educador, esse, que vai além de qualquer divisão de área de conhecimento! Aqui, eu encontrei atividades CS, NO e EF! tudo em uma única página e, talvez, sem intencionalidade, como tu dizes algumas vezes no teu texto. Com certeza, conhecer mais a tua turma e o teu trabalho só tem a me acrescentar, pois, como a Bea, eu também não tenho [espero poder dizer 'tinha' em seguida ;o)] familiaridade com a Educação Especial. Parece que nos encontramos!"

Comentário realizado pela professora da disciplina no wiki de Bia Guterres

Ao mesmo tempo em que a professora, finalmente, enxergava uma diferente aluna em sua turma e conseguia, associar as vivências que a mesma trazia, com suas propostas de trabalho eu reconhecia e constatava que independentemente da função que realizemos, estaremos sempre aprendendo com o outro. Não havia mágoas, apenas compreensão e a certeza de que "tudo passa".

Ah...mas foi através da disciplina de Seminário Integrador e a sua proposta de PIE que encontrei espaço para reflexão, prazer, conhecimento e aprendizagem. Tudo junto e entrelaçado! Maravilha!



Com o PIE, tive oportunidade de conhecer e desvendar alguns segredos de um de meus alunos. Através de um universo desconhecido até então ( mangás, animês sobre o personagem Naruto) realizei um estudo de caso que muito me auxiliou na aproximação e construção de vínculos com um dos adolescentes de minha turma.
Através das provocações e comentários das professoras da disciplina eu viria a construir a minha admiração pelas mesmas, pelas propostas que traziam e pela forma com que interagiam com seus alunos, sabendo estimulá-los, cobrando quando necessário e, acima de tudo, dialogando. Amorosamente.
Dia desses recebi deste aluno, que foi foco de meu PIE, oseguinte recado, através de um email:
" bia meis que vem quero voce na ct3" Tiago (nome fictício)
Receber este email de um aluno como este é saber que vínculos foram construídos, que de alguma forma ele expressa seu carinho e sua saudade (mesmo tendo grande dificuldade em fazê-lo).
Depois de recebido o email, recebi sua visita na biblioteca, para que me explicasse que ele me dava um prazo para voltar a ser sua professora. E para minha alegria ele não propunha uma troca: sua professora deste ano sair para que eu voltasse. Ele queria um acréscimo: mais uma professora (eu) em sua turma. Evidência que os vínculos com minha colega também estão sendo constrídos positivamente.
O recebimento deste email e "carinho" é fruto de uma relação construída com muito cuidado , planejamento , pesquisa e reflexão. Tenho a certeza de que a disciplina do SI, através da proposta do PIE, muito me auxiliou neste aspecto.
Bem...mas comecei esta postagem relatando, entre outras coisas, a pergunta que meu aluno me fizera sobre o porquê ser deficiente.
Já está na hora de relembrar o que respondi.

domingo, 19 de setembro de 2010

Parte Três


O ano de 2007 trouxe fatos e descobertas importantes. Pessoalmente, fortalecia os vínculos com algumas das colegas do curso. Criávamos, na brincadeira, um nome para o encontro das colegas Lu Betat Lu Sobotyk, Kátia Diehl e eu: éramos as Mosqueteiras Pedagógicas cujo lema era o mesmo do quarteto famoso "Um por todos e todos por um!"
O apoio das colegas via skype, telefone e email foi fundamental , principalmente, nos primeiros semestres do curso. As madrugadas de estudo e pesquisa não eram solitárias. Além do grupo das Mosqueteiras, geralmente, encontrava a professora Íris.
Foi neste ano que escrevi uma das
postagens pela qual tenho muito carinho: refletindo sobre meu processo de alfabetização, relacionei-o com outras questões significativas.
Acredito ter sido neste período que o meu prazer em fotografar se tornou ato mais sério: meu olhar para com o que era fotografado se modificou. Comecei a editar imagens, procurar o melhor ângulo para tirar uma foto, abandonei fotos de pose e busquei fotos mais naturais... Semestres mais tarde eu observaria minha turma de terceiro ciclo "debruçar-se sobre a fotografia," também.
Em meu Inventário de Aprendizagens do terceiro semestre, registro o fato de , a partir de uma proposta da interdisciplina de Artes Visuais, iniciar um trabalho com os familiares de meus alunos:

" a partir da proposta (...) sobre a releitura de um quadro de Velásquez, procurei oferecer aos alunos uma atividade um pouco diferente das habituais: com uma moldura e vários acessórios e roupas do armário de Teatro, nossa turma se produziu para "fazer poses"... (...) As mães e pais de outras turmas perguntaram se poderiam ser fotografados. Topei o pedido e sugeri que viessem em um dia em que eu teria duas aulas especializadas seguidas... Comecei contando histórias, mostrando reproduções de obras de outros pintores. Atualmente, todas as quintas-feiras, o grupo que está na entrada é convidado por mim a ir até a sala ouvir histórias. Depois de contar as escolhidas pelo grupo, pergunto se estão "a fim" de brincar. Geralmente, todo o grupo aceita participar de brincadeiras envolvendo Música, Expressão Corporal e Teatral."


Carly Simon - Coming Around Again live 1987

Entretanto, foi na esfera pessoal que acredito ter ganho do PEAD um interessante presente, ou registro.... Já na primeira parte de minha volta ao passado, menciono a minha dificuldade em dizer adeus. Rápida como sempre, a professora Bea, em seu comentáio à postagem, afirma que existem apenas "momentos de transição". Mas o fato é que , apenas ao encontrar o clipe de Carly Simon, pude resgatar memórias que tinham sido concretadas. Graças a esta música, a este curso e suas propostas, naquele momento consegui, finalmente dizer adeus de uma forma tranquila e saudável: consegui despedir-me de minha mãe que falecera já há alguns anos.

"Querida Bia, interessante que a tecnologia, que tanta gente acusa por facilitar a frieza e o individualismo, é capaz de fornecer um recurso para que as lembranças permaneçam arejadas, ao vento e ao sol. Isso significa compartilhar o que somos , de quem viemos e que caminhos estamos cruzando para que outros se emocionem conosco e se dêem conta de que a humanidade dos homens está nesse constante entendimento de si e dos outros. Quando As pessoas dizem que falta o olho no olho na ead fico pensando em como se enganam!! Não precisa a troca de olhar e sim a troca vinda da mente e do coração."

Professora Beatriz Magdalena no Blog SOGUTERRES

minha mãe Judith

Algumas pessoas dizem que tenho facilidade em estabelecer relações entre pessoas e fatos, que vou tecendo redes que vãoi alcançando inimagináveis distâncias. É verdade.

meu padrinho Alfredo


Ao reencontrar casualmente algumas fotos de minha infância, percebo de onde, talvez, tenham vindo dois de meus grandes interesses e motivos de meu prazer: nas fotos de minha mãe, sempre um mascote a acompanha. Em uma das fotos de meu padrinho revejo uma de suas paixões : a fotografia. Interessante isso... não me lembrava desse fato.

Como a querida Bea reforçou, que interessante o fato de ser através da Tecnologia que , finalmente, eu tenha conseguido reorganizar algumas de minhas emoções. A frieza de que alguns falam sobre a Tecnologia e as redes que constrói é um engano. Em todos os momentos que utilizei esta rede, que necessitei de auxílio, de conforto, de estímulo e acompanhamento , sempre encontrei. A rede virtual só é fria para quem não se dispõe a conhecer suas possibilidades. Através do blog, resgatei outro prazer há muito tempo adormecido: o de escrever e, principalmente, refletir sobre tal ato, "lapidar" um texto, soltá-lo na rede e acompanhar o impacto que é capaz de promover...


meus padrinhos Ilka e Alfredo e eu

Pois lá estava eu em 2006, 2007... em uma nova trajetória. Mas, percebo agora, que uma boa base já estava consolidada. A criticidade, a observação, o sentimento inquietante de que mesmo o correto nem sempre sendo mais fácil e menos doloroso, ainda assim, é a única opção, me acompanhavam há tempos. Cheguei no PEAD, desta forma. Mas, certamente, ao longo do novo caminho transformações ocorreram. Acompanhar estas transformações é deslizar no tempo, ir para além de 2007 e construir novo capítulo, neste blog...

minha mãe , eu( bebê e pré adolescente) e o cachorro Jaques