Nos últimos meses, por motivos diversos, tenho procurado gravar, em minha memória, vozes bonitas.
Uma voz bonita é dessa cantora inglesa, Adele. Gosto de ouví-la. Penso que as letras de suas músicas são especificamente para amores perdidos, confusos, arrependidos. Nem sempre gosto, mas não questiono a qualidade da intérprete. Vozes bonitas acalentam, confortam, chegam como um sol na juventude e nos fazem diminuir o passo, desacelerar o coração...só para ouví-las. Em minha infância, a boniteza da voz estava nas palavras de minha mãe, de meu padrinho, do meu primo Antônio... estava também, com minhas professoras Sônia e Leda, com a vicediretora da escola em que eu estudava e com o Carlinhos, seu filho e meu coleguinha. Sobre o Carlinhos já tentei escrever diversas vezes mas nunca consegui produzir um escrito que desse conta da singeleza daquela criança especial e tão querida. Passados mais de 40 anos, em 2009, ele me encontrou no centro da cidade e me chamou como sempre: "coleguinha Beatriz!" Na adolescência, as vozes bonitas estavam no rádio, nos LPs, nas gargantas de vocalistas de conjuntos musicais. Mas foram vozes efêmeras, perderam sua intensidade com o tempo. Depois de adolescer, aos poucos, fui aprimorando conceitos e o bonito se tornou maior, complexo, instigante. Vozes bonitas estão em qualquer lugar... Eu esperava, no saguão da emergência de um hospital quando o motorista da ambulância que nos levara até lá, caminhou até a cadeira onde eu estava e perguntou "não quer que eu lhe busque uma água"? Sua voz de conforto ecoou em mim. Eu sabia que ele estava penalizado e via uma adolescente sozinha e apavorada tentando se equilibrar na incerteza do que seria uma longa espera. Naquele dia, o mesmo motorista trouxera outras pessoas enfermas e, em todas as vezes que o fizera, fora até onde eu estava e conversara comigo. Sua voz era do tipo de beleza mais inesquecível: era uma voz bonita de generosidade. E eu fui crescendo e, acredito que minha voz ficou bonita pra muita gente. As risadas, os choros, os gritos, as perguntas, as gargalhadas de todos os alunos com quem convivi poderiam encher uma caixa de vozes, poderiam ser levadas para um planeta distante e povoá-lo... Ali, haveria todos os tipos, todas as cores, todos os perfumes que as vozes bonitas podem oferecer. Quando conheci o Lu, sua voz era veludo, bonita em todos os tons... Hoje, sua voz é diferente mas ainda traz muita beleza. Vozes bonitas também encontrei na faculdade. Vozes bonitas desafiadoras, confortantes, questionadoras como as de Íris e Bea, professoras do meu curso, amigas e companheiras da jornada que foi o tempo de PEAD. Vozes bonitas como a da Lu Sobotyk, da Ilsa, Neusa... da Denise Comerlatto. Vozes amigas, companheiras e engraçadas como a voz da Vainir, da Márcia de Sapucaia, da Regilene "siberiana"...rs
Vozes de Léo, de Adriana... Vozes irmãs como as de minhas queridas Ada, Gi, Luísa, Sílvia, Carmen, Carla e Judite... Aprendi, com o tempo, que as vozes mais bonitas sempre estão entrelaçadas com um gesto, uma idéia, uma intenção, tão belos quanto a sonoridade que os antecede ou acompanha... Agora, começo a sentir saudades de vozes bonitas que ainda não conheci... Que a espera seja breve e o encontro seja belo...
Pois lá vou eu de novo, querendo explicar fatos e ações de hoje a partir das recordações do que já se foi...
Uma das mais significativas personagens de minha infância, seguramente, foi meu padrinho.Recebi os primeiros gizões, as primeiras folhas para desenhar através de suas mãos. Era em sua biblioteca que eu realizava viagens ao redor do mundo na companhia de dragões, príncipes, anões, mágicos...
Suas conversas me proporcionavam aguçar a curiosidade e a vontade de buscar mais, querer mais, ser mais...
Eu crescia e o observava envelhecer ...mas sempre com o mesmo jeito perspicaz de ver o mundo e a extrema generosidade com animais.
Acho que já contei em algum espaço nessa rede que ele tinha dois cachorros. Todos os domingos , soltava-os para que dessem uma volta na quadra. Um dia, o mais festeiro e manso dos dois foi dar sua volta e não retornou.
Procuramos e esperamos pelo seu retorno e nunca aconteceu. Mesmo criança que era e, talvez, exatamente por esse motivo, percebi que no momento do desaparecimento de seu cachorro algo mais acontecera: foi ali que meu padrinho começou a entristecer e a morrer aos pouquinhos, de saudade. O outro companheiro canino foi mais rápido: em dois meses morrera de tristeza.
Minhas perguntas eram as mesmas: onde ele está? Por que ele foi? Alguém o levou? Por quê? Ele está bem? Será que ele volta?
Enquanto eu crescia, acimentava internamente aquele sentimento de perda, de incompreensão e incompletude. E, embora nunca mais falássemos neste assunto, vez por outra eu encontrava o olhar vago de meu padrinho e sabia que ele estava longe, em busca de um grande companheiro que partira.
Muitos anos mais tarde, quando eu já acompanhava os pequenos passos de meus alunos, meu padrinho viajara em busca de uma temperatura mais cordial, em busca do calor. Poucos dias antes de sua ida para outro estado almoçamos juntos e relembramos episódios felizes de minha infância. Antecipávamos muitas coisas naquele almoço, como o dia em que eu terminaria a faculdade, como seriam minhas chances profissionais e o que eu produziria no futuro. Meu padrinho adorava planejar.
O tempo foi passando e seu retorno não acontecia como esperava. Por telefone, ele me contava de como estava aproveitando o clima do outro estado e como teria coisas a contar e mostrar, quando retornasse.
Então, um telefonema vindo do distante anunciou que a espera se transformara em despedida: em outro ponto do mapa meu padrinho morrera. E, no momento em que ouvia a notícia de sua morte uma voz infantil do passado sussurava em meu pescoço: Onde ele está? Por que ele foi? Ele está bem? Por quê?
E foi ali, naquele momento que eu aprendi aquilo que testemunhara . Aprendi a chorar por dentro, mantendo o olhar sereno, um sorriso no rosto acompanhado de palavras sem muito significado. Aprendi a acalentar quem procurava espaço para me acalmar.
Mas eu lembrei disso por quê?
Então o tempo passou bem mais... diferente e vagaroso, seletivo... e era uma vez um cachorro que apareceu em minha escola.
Algumas colegas e eu resgatamos o bichinho que tinha fome, frio e medo. Tornamo-nos responsáveis por ele e em troca o mascote começou a interagir com alunos e familiares do jeito que sabia: brincando, oferecendo carinho e companhia. Mas ele não era unanimidade entre as professoras. Algumas não gostavam de suas patas alegres, de seu pelo viralata com border collie, de sua alegria exuberante para muitos. E embora não auxiliassem com o mascote criticavam quem por ele tinha afeição. Então, um dia, misteriosamente, Bob Borges desapareceu.
A tristeza de uns era a satisfação disfarçada de outros. Como muitas coisas na vida, penso eu.
E novamente, silenciosamente eu enterrava a saudade e agigantava o olhar...
Em quase dois anos do desaparecimento de Bob, nunca deixei de renovar a solicitação de ajuda em sites de buscas. Assim como eu, algumas colegas relembravam do mascote. Eu tinha a certeza de que algum dia iria reencontrá-lo. A história de Bob tem mais contornos do que se pensa ou espera. Mas o que importa é que no dia 5 de janeiro de 2010 ele sumiu e em 23 de julho de 2011 , finalmente, foi encontrado. Está mais medroso, mais magro, mais descrente... mas está de volta. Enquanto escrevo, está deitado em meus pés. Saiu da clínica veterinária onde está hospedado e sendo tratado para permanecer comigo e com meu marido, por algumas horas. Ainda não está saudável, mas um dos remédios principais é o carinho e companhia de quem se gosta e confia.
Onde ele esteve? Por que ele foi? Agora, o importante é uma resposta: Sim, ele voltou.
Bob, Guria, Samantha, Nath, eu e Zuleica, que o encontrou.
A Vida é mesmo uma Salada de Frutas... E conseguimos decifrar? Bem que eu queria ter feito esses dois clipes. Encontrei o primeiro quando buscava o segundo. Ambos foram temas de propagandas de uma determinada operadora.
O segundo me chamou a atenção especialmente por me lembrar de um programa que tenho assistido nessas manhãs em que estou de "molho" em casa: " So you think you can dance"
Tenho apreciado as performances da décima temporada e já sou fã de dois ou três bailarinos. Então, a cena onde os dois personagens dançam em um hiato, criado durante um tranquilo assalto a um banco, me lembra a Bea.
A Bea? Pois é... na verdade essa cena do clipe me remete ao programa, que me remete aos jurados, que me remetem a fala de um deles, o Nigel. O Nigel , algumas vezes, muito empolgado, fala no "nível de excelência" exigido para aquele momento da competição.
A nossa professora do PEAD, Bea, também usa essa expressão, "nivel de excelência", quando procura extrair o máximo de que somos capazes de produzir. Lembro muito bem de seus comentários durante o curso e, principalmente, quando acompanhou minhas apresentações de portfólio. E saber que ainda não chegamos a tal nível mas que somos muito capazes de alcançá-lo se torna um grande estímulo e desafio. Penso que as queridas Bea e Íris são peritas em aceitar desafios e trabalhar com eles.
Mas o primeiro clipe, além da voz, é todo repleto de conceitos (outra palavra muito utilizada pela Bea e pela Íris) que muito me atraem. Eu teria feito algo assim.
Bem antes do curso PEAD encerrar eu já elaborava a certeza de que o que para alguns era um fim (receber o diploma, continuar trabalhando na sua área, aposentar-se daqui a algum tempo...), era uma bifurcação para mim.
É claro que recebi diploma, vou me aposentar daqui a algum tempo, continuo trabalhando na mesma escola, etc, etc... Mas esse curso me possibilitou saber que posso mudar, que devo mudar. A questão das imagens, da Fotografia, dos vídeos, dos programas de edição estudados nas madrugadas começou a tomar forma. As tecnologias, a Educação à Distância , as possibilidades infinitas de um trabalho inovador com os alunos... tudo isso se agigantava em mim.
Ao terminar o curso de graduação, me inscrevi em outros dois cursos: um PÓS em Docência e Tutoria em EAD e outro curso de extensão em Tecnologias Assistivas. O PÓS, talvez em breve, consiga fisgar-me e entrelaçar às suas propostas o que considero essencial: o meu prazer. Por ora, nada se compara ao que vivenciei na UFRGS. Então vou buscando mais...
O curso de Tecnologias Assistivas tem como seu ponto fraco o próprio ambiente virtual: o Teleduc. Incrível como a existência de links facilitam a vida de muita gente. O Teleduc bem que poderia descobrir isso em sua totalidade. Mas, enfim... o conteúdo é interessante embora o ambiente e recursos deixem a desejar.
E isto me leva a outra questão, relacionada aos clipes, ao curso, aos cursos e a mais outras coisas: Quando assisto ao clipe que postei inicialmente, reconheço a bela melodia, a afinação da voz, a beleza das cores, o conjunto da obra. Acho que algumas pessoas param por aí, não é? Pois eu quero saber como foi feito, quais as relações que foram realizadas, muitas vezes linko para saber quem fez e saber um pouco da vida dessas pessoas, o que acreditam, o que buscaram, o que tentam encontrar. Acho que assim, também eu vou me buscando, recolhendo peças e as encaixando...
Mas lembrar dos clipes , do programa, dos comentários do Nigel também me fizeram recordar outro programa : O American Idols. Eu assisti a algumas temporadas e confesso que o que mais chamava a minha atenção eram os comentários, por vezes acompanhados de sarcasmo, do Simon. O Simon era quem sabia das coisas. E saber das coisas fazia toda a diferença. Os candidatos queriam ouví-lo pois sabiam de sua clareza, tinham a certeza de que seus comentários buscavam a excelência.
Pois o Simon, amado e odiado por muitos, reconhecido em sua excelência por todos, saiu do programa quando parecia estar no auge. "Como assistir o Americam Idol sem o polêmico Simon?"
O próprio Simon deu a dica ao falar que preferia sair em momento muito bom, o American Idol não era o Simon por isso continuaria com suas características próprias. E ele, Simon, estava tranquilo (aparentemente) ao partir para outros desafios.
Durante a construção do meu TCC me dei conta de quanta coisa eu ainda não havia lido, do quanto ainda precisaria descobrir. Decidi que PÓS, mestrado e doutorado serão caminhos naturais para mim. Gosto de estudar, de me sentir especialmente pressionada e ser capaz de fazer algo bem melhor.
Entre uma escrita e outra, li email enviado por Íris, sobre a Vírgula e o quanto a sua utilização modifica um texto, uma afirmação, negação ou intenção. Sempre tive muito respeito pela tal da Vírgula. E lembrar da Íris, do email da vírgula me faz lembrar do querido professor Assis Brasil e também de um dos belos escritos do escritor Graciliano Ramos:
“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”
Gosto disso. Gosto de lapidar um texto, de buscar as palavras, de utilizá-las por um tempo, depois agradecer sua contribuição e trocar por uma mais adequada. Gosto de entender a palavra viva, pulsante de significados, de sutilezas.
Mas voltando ao que era antes, aguardo o curso de PÓS da UFRGS para o segundo semestre. Ainda fico pensando se o mais coerente não seria oferecerem um PÓs em Mídias... mas... parece que teremos Psicopedagogia.
Gosto de descobrir coisas. E de estabelecer relações. Gosto de buscar conceitos, gosto de Salada de Frutas.
Quanto mais tempo vou vivendo mais tenho a certeza de que estamos de passagem. Mais penso que fazemos parte de uma oficina, de um laboratório... alguns vieram para aprender, outros para auxiliar ou ensinar. Ah! Não importa! O fato é que a passagem nos torna aptos para outra etapa. O Tempo nos molda e nos envolve. Nos acaricia e bate em nossa face, algumas vezes. Mas o Tempo é Senhor, é personagem importante em cada uma das histórias que realizam diferentes trajetórias nesse mundo. Fico pensando se já encontrei o meu verdadeiro fazer, o meu foco e compromisso. Penso que sim e fico feliz ao perceber que, de alguma forma, ao longo da vida, vamos encontrando as pessoas que nos preenchem, que completam os espaços que nos faltam à medida que vamos existindo. E, para ser bem sincera, não me refiro somente a pessoas, mas também a lugares, animais e momentos. Dia desses, participei de um momento em que todos se despediam de uma querida amiga e irmã. E enquanto eu ia falando com uma pessoa, falando com outra, acenando e abraçando várias, pensava e revia momentos vividos com todas elas. E quem partia, acredito, já fizera a sua parte. Deixava saudades e a tristeza da despedida, é claro. Mas completara o seu ciclo. Bem, na verdade, eu queria falar sobre outras coisas, dar outras notícias, fazer outras reflexões. Mas hoje, agora...o Tempo se faz Senhor e me diz que o importante é esticar os braços e tocar todos aqueles que fazem parte de Minha Grande Rede. E com eles, mentalmente, juntar energias para todos os momentos necessários. A quem foi, a quem fica, a quem hoje celebra, a quem já encontrei, àqueles que um dia vou encontrar, a todos com quem ainda vou celebrar... o meu carinho. Amém
Partiu e deixou, além das saudades, recordações do amor incondicional ao seu dono. "Princesa Guerreira", mãe de Thor. Nasceu no dia em que Lu e eu nos conhecemos. Partiu mas continua..
Alternou, em suas férias, sonhos que indicavam que tinha que fazer algo importante com outros, talvez resposta, que falavam em salvar alguém. E as noites iam passando da mesma forma que se agigantava a certeza de que algo precisava ser feito. Salvar alguém? Quem? As férias acabaram e a sensação indicativa continuava: salvar quem? um aluno? alguém que atravessa a rua descuidado? Pronto! Você puxa o braço e impede que o trágico aconteça... Ficou atenta, super atenta, ansiosa pelo momento em que a vida de alguém dependesse de sua agilidade, ou de sua voz: ladrão, ladrão! E a bolsa de quem foi roubada era resgatada por outro salvador muito mais ágil. Mas quem alertou...foi ela.Os dias iam passando e o marido Dela comentava sobre a insônia observada, os olhos que chegavam em casa distantes, ainda a procura de sei lá o que.Certo dia acordou com a sensação de que tinha que adotar um cachorro. (mais um, companhia para os 5 que já possuia). Cansou-se nas noites seguintes, entrando em sites de adoção e procurando o bichinho que mais parecesse precisar.
Telefonou para protetoras de animais buscando informações. Mas todos os cachorros por qual se interessava estavam em processo de adoção. Começou a olhar as ruas, enquanto andava de carro procurando , procurando.
O marido se preocupava com a ansiedade e tentava decifrá-la. Em vão.Pára o carro, ela dizia. E lá se ia, atrás de um , de outro e mais outro. Mas para esses encontrou donos rapidamente.
Um dia, feriado de carnaval, foi visitar uma protetora de animais e, com ela, levar ração para cachorros cuja dona falecera. No caminho, pensava que era naquela casa, de cachorros sem dona, que encontraria o que procurava.Enquanto, junto com o marido e a amiga, oferecia comida para todas as patas que saltavam ao seu redor observou uma pequena mancha preta do outro lado da calçada, aninhada no chão.
Curiosa, atravessou a rua e descobriu ser um filhote de cachorro muito debilitado: ossos aparecendo, muita fome e sobretudo muito medo. Fugiu, com a aproximação dela. Foi neste momento que suas respostas começaram a surgir. Chamou o marido e a amiga e avisou que queria aquele filhote apavorado. E foi uma das pessoas da vila que conseguiu pegà-lo. E o trouxe, para o pavor de quem aguardava, segurando-o pelo pescoço e rindo ao comentar que, até o final da tarde já estaria morto: de fome, doença ou por abate de alguém.
Quando Ela recebeu o filhote e o pegou no colo, pode enxergar os seus olhos . Eram olhos de morte. De resignação e profunda tristeza pela chance que não lhe fora dada.
Então, eu soube que tinha que salvar alguém e quem. O filhote era ela, uma cachorrinha triste. E se chamou Samanta Elisa. Samanta por quem já foi e Elisa em homenagem à veterinária que abriu sua clínica, em pleno feriado de carnaval, para recebê-la.Samanta Elisa já cresceu um pouco, está mais gordinha. Brinca com suas manas, cava o sofá, late para as gatas e come sempre em desespero: como se fosse sua ultima refeição. Mas, quando me olha, já não mostra os olhos de antes. Samanta Elisa, agora, tem olhos de quem vai viver.
Samanta Elisa, depois de um mês em seu novo lar...
Quando vi esta foto lembrei de parte de uma frase: "...terminando por onde começa..."Pois o começo foi bem assim: Através do Lu. Foi ele quem viu uma notícia no jornal falando sobre o vestibular para Pedagogia EAD. Minha conquista também é dele. Com sua insistência, inscrevi-me , fiz o vestibular e iniciei a trajetória que parcialmente se encerra com esta foto.Parcialmente porque percebo que há vários caminhos a percorrer em relação ao estudo e qualificação profissional e pessoal.Mas antes de planos e notícias, quero voltar ao dia 25, quando aconteceu a cerimônia de formatura da turma. Através destas fotos partilho a alegria de todos. (Destacando, lógico, duas colegas e amigas: Lu Sobotyk e Lu
Betat) Lu Sobotyk foi e é minha grande companheira deste curso. Sua alegria, na cerimônia de formatura, foi a minha também. A alegria de Lu Betat, foi minha também. E tantas outras colegas que ali estavam, no palco, partilhando a conquista de um sonho.Valeu !
Na imagem que segue, as queridas Íris e Bea sorriem e olham para a platéia.Bem, se lembrarmos da História, mesmo existindo um quarto elemento, na verdade, os Mosqueteiros eram 3. Então, talvez, na platéia...
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
E 2011 chegou trazendo uma lufada de diferentes ares. Algo misturado com cansaço e renovação de energias. Dei a primeira folga ao blog nesses quatro anos e meio de existência: em janeiro e fevereiro fiquei mais ativa no Facebook. E gostei pois, por ali, tive boas notícias de gente que eu não via há muito tempo. Reencontrei uma querida amiga, mãe de uma de minhas aluninhas do jardim. Fui professora da Nina há mais de 23 anos!!! E quando a reencontro, através de sua mãe e do Facebook, ela ainda me chama com carinho de Tia Bia. Pelos deuses, que coisa boa reencontrá-las! Nina, para o orgulho de sua família e de sua "Tia Bia", passou em primeiro lugar no concurso para professora de... FOTOGRAFIA e Iluminação, Universidade Federal Fluminense! Pois é... vale a pena... ( lembrei da Neusa e de alguns de seus questionamentos) Ao reencontrar Nina lembrei da "festa de formatura" realizada para sua turma de jardim. Na verdade, combinei com os pais uma surpresa: depois de uma caçada ao tesouro pela PUC, as crianças e eu chegaríamos em uma das salas da escola que estaria devidamente enfeitada para a festa. E como o nome da turma era Turma da Bruxinha e do Gregório, a decoração era bruxesca, com muitos morcegos, aranhas e suas teias, abóboras e caldeirões. Para cada criança fora feito um chapéu de bruxa ou feiticeiro. E aquela festa foi a formatura do grupo. Gostei muito disso...
Tempos depois, como assessora , eu estava sentada na platéia do salão de uma das creches que acompanhava. Naquela noite, enquanto assistia os pequenos do jardim, recebendo diplomas com suas togas e roupas detalhadamente idênticas eu me surpreendia com o tímido relato de uma das humildes mães da platéia, ao meu lado: sua preocupação era pagar o empréstimo que fizera para "produzir" de acordo com o solicitado pela creche, os filhos gêmeos para a solenidade. Mais surpresa eu ficava ao constatar que muitas famílias haviam feito o tal empréstimo, com a mesma pessoa. "Desnovelando a linha", encontrei um grupo que agia da mesma forma todos anos, encontrei pessoas que eram emaranhadas no sentimento de que "precisavam fazer como os outros..." Ao questionar o dirigente da instituição sobre a necessidade de organizar uma solenidade tão rígida para crianças que concluiam o Jardim B ouvi como resposta que "muitos deles, nem vão concluir o primeiro grau...que dirá uma faculdade! Que tenham uma formatura, agora." Pois é... não gostei nada disso. Tempos difíceis, aqueles... Às vezes, a frase "Para isso somos feitos.", ressurge e ecooa em mim. E eu transformo em dúvida: "Para isso, somos feitos? Para o que somos feitos?"
2011 chegou e pude fechar os olhos, em minhas férias, com a maior preocupação de descansar. E aí, fiquei pensando em escolhas e em seus motivos. Optei, por motivos bem conhecidos das pessoas que me acompanham e acompanharam o meu 2010, em não participar da cerimônia de formatura. E, hoje, me dou conta que, respaldando minha decisão estavam lembranças adormecidas. Pois é... a caminhada de todo o grupo do PEAD foi longa e, certamente gratificante. Para muitas, estar no palco é a concretização de um sonho, de uma batalha difícil, é a culminância e o certificado de que tudo valeu a pena. Para outros, talvez o ápice não seja este. Entretanto, o mais importante é que cada um de nós faz o que acredita, respeitando as diferentes opiniões. Estarei na platéia da Reitoria, muito feliz, aplaudindo meus colegas que, bravamente , encerraram o curso e com alegria dividem sua vitória coletivamente. E não posso deixar de dizer que minha felicidade se completa com minhas escolhas e minha coerência. Receberei meu diploma no dia seguinte. Gosto disso. E se pensar no "para isso somos feitos..." acho que fomos feitos para muitas coisas. Entre elas, para propiciar que nossos alunos sejam críticos, que saibam escolher, para que saibam dizer não, para que reclamem quando necessário, partilhem e manifestam afeto. Penso que nossa trajetória se justifica, principalmente, quando recebemos o retorno de uma aluna que foi além. Mas também se justifica no momento em que percebemos que podemos auxiliar a "dar voz a quem não a tem". E, para encerrar, por agora, deixo imagens que me fazem feliz, pessoas que se tornaram importantíssimas... Entre tantas pessoas que levarei comigo, algumas não posso deixar de destacar pelo carinho, amizade, compreensão e presença. A todas elas, meus agradecimentos.
O fato é que durante os últimos quatro anos, ocasionalmente, eu ouvia alguém perguntar "E o Argh? Desistiu dele e dos outros personagens?"
Meu marido me incentivava a trazer meu amigo de volta. Carmela, amiga de tantos anos e primeira leitora do Argh, também demonstrava a falta do pequeno mutante. rs E dela também ,pois outro personagem, chamado Bizet, é a própria...
Na verdade, estive especialmente ocupada na última meia década. E continuarei nas próximas, espero. Argh nunca foi a lugar algum diferente de onde sempre esteve: comigo. Mas agora, aos poucos, começo a partilhar esse personagem criado com tanto carinho.
Acho que foi por volta de 1997, que o criei. Nas férias, deste ano, para ser mais exata.
Os motivos de sua criação estão relacionados ao período que precisava ficar esperando minha mãe realizar exames hospitalares, nos corredores com seus bancos repletos em emergências, na espera durante suas internações. Enquanto esperava, pensava em diversas situações que poderiam ser vivenciadas por um personagem com um humor bem característico... então, ARGH surgiu.
E, agora, vai morar neste blog. Bom recomeço, ARGH!
Pois é... acho que estou cansada demais para escrever de outra forma que não seja Fluxo de Consciência . Sinto, para alguns...Acho que encerrei as postagens propostas. Acho que uma nova fase do blog inicia. Acho. Acho que descobri que ainda posso ser muitas coisas, a partir desse curso. Acho que posso ser perita criminal, professora que já sou, pedagoga envolvida com as tecnologias, posso encontrar encanto e generosidade entre as paredes de um hospital e lá contar muitas histórias, posso contar em muitos lugares...Acho que consigo voar. Tenho achado tanta coisa sobre tantos lugares e tanta gente...Acho que em outro momento, provavelmente depois da apresentação do TCC, poderei voltar e analisar (mais ainda???) outras questões.Acho que, durante os dois últimos semestres, fui como o arbusto que um dia, em minha infância, meu padrinho me mostrara salientando que "vergava mas não quebrava". Acho que foi assim, nesse ano. Foi. Mas fiquei cansada. Sinto dor nos pés. Acho que estou cansada. Acho que preciso descansar para voltar a caminhar. Acho que todos esses anos, que agora não analisarei, me trouxeram a confiança necessária para que eu siga em frente. E para que volte atrás, vá para os lados , para que eu me espalhe e para que eu me recolha. Acho que percebo outros pés, também, e consigo oferecer apoio. Ou pedir, se necessário. Acho que tenho a certeza da necessidade de continuar estudando e procurando. Acho que mudei, que preciso mudar e que vou mudar ainda mais. Acho que amanhã não serei a mesma. Nem depois. Nem ontem eu fui. Acho que, pensando nos semestres que agora não analisarei, vivenciei a cooperação, a investigação, trabalhei com Arquiteturas Pedagógicas, Projetos de Aprendizagem, conheci pessoas maravilhosas pelo que traziam de contribuição ao estudo, à pesquisa e à formação e outras, bem chatinhas, também. Acho normal.Pois também sou chata em muitos momentos. Acho que se alguém quiser mais do que lê, não vai conseguir pois eu já cansei de me despedir. Agora, o movimento é outro, não linear...o que me permite, a qualquer hora, mesmo diferente, voltar.
No semestre anterior ao estágio tivemos as disciplinas de :
Didática, Planejamento e Avaliação;
Educação de Jovens e Adultos no Brasil;
Língua Brasileira de Sinais - Libras
Linguagem e Educação;
Seminário Integrador VII.
Destaco o trabalho realizado com Arquiteturas Pedagógicas, a partir das propostas da disciplina de Seminário integrador. Nosso projeto se constituiu na criação de um blog coletivo onde 3 escolas conversavam e trocavam idéias sobre o mesmo tema: os mascotes que possuiam. Em meu caso, na minha escola, parte do grupo havia adotado um cachorrinho abandonado. Bob era seu nome. Este trabalho trouxe satisfações em relação ao fato de diferentes escolas iniciarem uma nova rede e, também, frustrações à medida em que, na escola em que trabalhava começava a perceber o quanto muitas de minhas colegas não aceitavam incluir um animal abandonado. E para isso, criavam muitas justificativas com pouca fundamentação.
E, novamente, eu revia conceitos estudados em Filosofia: a barbárie se apresentava nas mãos das pessoas que promoveram o desaparecimento de nosso mascote. Acredito, que esta foi a minha grande e pior perda durante este curso. Ainda hoje, relembro das idas ao veterinário, com os alunos, do carinho que Bob ofertava e da incompreensão e desapego de algumas de minhas colegas. Durante este tempo, fiquei imaginando se realmente sabiam o que era inclusão, mesmo trabalhando na área.
Pois é...iniciei o ano de 2010 com a perda de nosso mascote. E logo, iniciou o estágio... E eu seria desonesta ao afirmar que foi um bom período. Não foi. O trabalho realizado com os alunos, a possibilidade de trabalhar com EJA, conhecer nova escola e, ali, promover algumas mudanças, foi ótimo. Entretanto, paradoxalmente, o curso que se mostrava inovador, ágil através de sua coordenação e das propostas de muitas das disciplinas falhou onde mais era necessário: no acompanhamento burocrático à esta acadêmica. A partir das confusões, das demoras, indecisões e desorganização de quem era responsável pelos trâmites legais e burocráticos do curso, fui atingida e prejudicada. Foi um horror! E realmente não desejo reviver este período lamentável. Por isso, coloco à disposição os links que retratam o que aconteceu.
Para encerrar e falar de coisas mais agradáveis necessito ir direto para o período de organização do TCC. Assim, poderei relatar com maior tranquilidade e prazer os bons momentos vivenciados com meus alunos do estágio. O resto é o resto.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Pois conheci esta música agora, apesar do tempo de existência. Meu Lulu pediu que eu colocasse no blog. Segundo ele, ao ouvir essa música sempre lembra de mim. Então, tá: gostei, postei, amei! Beijocas Lulu.
Ouvi uma música chamada Dreams Come True, de Norma Fraser. Gostei da música, nem tanto da letra. Mas não importa: o Fraser é igual. Fraser. Lembrei de Madonna cantando I'll Remember. Não gostei da música, nem da letra. Pensei em trocar o áudio. Sabe, que troquei?
Quem são? Quantos são? Onde estão? Meu nome não tem Fraser mas assisti a todos os Retornos da Múmia. E outros melhores, até. Madonna continua. Talvez porque esteja em um estúdio. Não sou Fraser nem Madonna mas fui a um estúdio. E fiz Cocoricó. Também não sou galinha mascantei que nem galo. O que eu gosto é de contar histórias... E, às vezes, o óbvio é desnecessário. "Não subestimar a capacidade do leitor", já disse o professor Luís Antônio Assis Brasil. Nunca fui aluna de Madonna ou de nenhum Fraser. Mas fui aluna do Assis... Em um semestre, por ocasião do Portfólio, achei um unicórnio. E a professora Bea pensou que eu dissera querendo dizer mas eu não dissera, nem queria: era outra coisa. Demos risada. Mas a música e o clipe eram lindos! Postei no blog! Neste semestre surgiu a questão "que conceitos você observa nesta...?"
Também gosto de visualizar uma espiral, quem sabe, ouvindoENIGMA, retornando para os mesmos lugares e vendo tudo diferente. Talvez, porque esteja eu, assim. E, na verdade, em 2009, era novembro como agora. O 3 me lembra minutos, minutos me lembram vídeo, me lembram 3 minutos que esqueci. Mas falei e escrevi de ZEN e a Arte da Manutenção de Motocicletas. (bem pouco, é verdade...) O pensamento é falsamente incoerente desejando manifestar o manifesto. Cansaço? Realmente gosto de muitas músicas da Madonna. Mas desisti do clipe oficial porque esta não valia a pena, apesar de ter seu Mérito. Com ou sem, comecei a escrever para desejar algo a muitos alguéns. Daí lembrei do filme e por mais incrível que pareça, ao ligar a TV, era ele que passava.
Quem é Joe Peci? Quantos eram e onde estavam antes? O que faziam? O que liam e ouviam? No outro , que fica entre os muros, uma jovem nos convida a relembrar Platão: Tens certeza que pensas o que pensas?Tens certeza de que fazes o que fazes? Eu gosto de trabalhar com imagens, de relembrá-las, associá-las, desvendá-las... Gosto de observar as pessoas, ouví-las, tentar decifrá-las. Mas só tentar, porque o processo é valoroso. Mas, as vezes, até consigo, um pouco... Também gosto do Graciliano, (do Ramos!!!) pelo que ele fala da escrita. Não pela Baleia... Na verdade, ele matou a tadinha e eu gostaria que ela sobrevivesse. Mas já escrevi sobre isso quando falei de outra vítima, a Eloá. E começo a pensar que serei, minimamente, obrigada a linkar. Coisa que não queria. E o Fraser? Conseguiu o que queria ou foi além? Olho para a tela da TV e, neste exato, momento assisto ao salto de Billie Elliot, na sua primeira apresentação para as pessoas que amava. Nem sempre estamos com quem amamos mas estamos com muita gente. E com elas, com essas pessoas, aprendemos alguma coisa, mesmo que seja para fazer o oposto. A tecnologia está no estúdio com a Madonna mas não na história do Fraser. Se fôssemos nós, teríamos cópias e cópias, salvas no computador e em pendrives. Mas ele conseguiu ou não? O mérito está principalmente na caminhada. A chegada, já disse antes, é apenas outro recomeço. Peguei o clipe oficial e troquei o áudio. Madonna é Norma Fraser. Norma Fraser é o outro Fraser, aquele que me conta, me mostra e me diz o que eu desejo para todos. Mas quem são os todos? Resumo ou amplio a minha vida? Amplio a minha vida investindo no Resumo. Ok.
Não gosto muito de de Reggae. Mas da voz da Fraser que eu coloquei para o outro Fraser...esta adorei! Afinal, quem somos? O que queremos? Quem são os outros? Acho que estão em mim. Há muitos outros em mim... Levo todos, aconchego alguns, me entrelaço com outros, desisto de alguns e os deixo no caminho...cumpriram sua parte. Não sou Fraser, nem Madonna, nem Joe Peci, nem Bea, Íris, Assis , Lu, Denise, Ilsa, Silvia, Eloá, Graciliano, nem meus alunos eu sou. Mas todos estão em mim.
Ao colocar a palavra discriminar no Google esta é uma das imagens surgidas. Então, vamos refletir:
presume-se que a discriminação congelada pela imagem está no fato de 5 personagens estarem de mãos dadas , formando uma roda e apenas um outro personagem se encontrar à parte, excluído do grupinho, não é?
Mas e se o personagem aparentemente solitário estiver participando de uma brincadeira onde é necessário que um dos participantes se afaste?E, se ele estiver à frente de seu grupo, virado para uma platéia, durante a apresentação de um show?A imagem pode indicar mas não consegue comprovar, não é? Vejo bonequinhos de papel. Mas não consigo enxergar mais nada além disso. (considerando apenas a imagem, lógico)Agora, deixemos a foto e passemos ao vídeo:
Esse vídeo foi enviado ao grupo por um dos colegas da faculdade, evidentemente, durante o semestre em que tivemos uma disciplina voltada para questões étnico-raciais. Com o título em português, propaganda racismo nunca mais, foi enviado com um comentário tipo "olhem que bacana" . Na verdade, acredito que quem o enviou pensava estar contribuindo para reflexões antiracistas. Mas nem tudo é o que parece, não? Ao assistir ao vídeo, surpreendi-me com o "tom" do mesmo. Fiquei impactada. Penso que foi idealizado e produzido com muita raiva. E a raiva não é um bom indicador para ações antidiscriminatórias. Que conceitos aparecem neste vídeo? Ironia, a afirmação de que o narrador faz parte de uma supremacia não ignorante e que o Outro É ignorante ("eis algumas coisas que você deve saber" )e violência. (através das imagens e da frase dúbia, pois se trata de racismo no futebol americano: "vamos chutar o racismo...") Racismo, segundo as entrelinhas da propaganda, está no Outro, no branco. Então, a quem a propaganda incita a chutar?
Em 2009, o primeiro semestre teve as disciplinas de Seminário Integrador, Etnias, Ed. de Pessoas com Necessidades Especiais e Filosofia como desencadeadoras das questões trabalhadas. E quando necessito relembrar desse período penso na palavra Barbárie, em Adorno, no PA sobre grupos e nas teorias de Pichon e na insatisfação com a disciplina de Etnias. Sobre a última ,mais em especial, penso na palavra perigo. O quão perigoso pode ser a forma de conduzir ou indicar um trabalho. Pela primeira vez no curso , recusei-me a levar adiante uma proposta indicada por uma disciplina. Ofereci outro trabalho, outras reflexões de acordo com o que eu acreditava e acredito. Mas, por outo lado, conheci Adorno e suas idéias. Gostei muito e vi relações do que ele escreveu com a atualidade. A Filosofia vai além do senso comum e nos incita a refletir, questionar e não aceitar o que é mais fácil, esperado e desejado por alguns. As propostas da disciplina e as leituras oferecidas foram prazerosas e desafiadoras.
No trabalho sobre grupos, por um espaço de tempo, eu e uma das colegas nos dedicamos a ler um pouco mais sobre Jim Jones. Tínhamos curiosidade em saber como ele conseguiu incitar, manipular um grupo de pessoas até levá-las ao suicídio coletivo. E, de certa forma, novamente eu fazia pequenas relações com leituras de outra disciplina. Mas há um outro aspecto do qual relembro ou, agora, começo a perceber: o grupo que construia um PA sobre o tema grupos estava, de certa forma, buscando entender que tipo de relações se fortaleciam ou, não em um grupo. Aparentemente lidamos bem com esse tema. Hoje, acredito que , naquele momento em que trazíamos a Teoria e a associávamos com nossa prática, construíamos uma espécie de "divisor de águas": as relações que se encaminhavam para um fortalecimento ultrapassaram a ventania. Outras, apenas perderam a nitidez. Semestre difícil, complicado, com ganhos e perdas. Mas acredito que o saldo foi muito positivo. Com certeza!
Em um dos capítulos de meu TCC falo da fotografia e de como o fotografar se tornou importante para mim. Dia desses, fui à Alvorada e fotografei a parte de fora do Pólo, as ruas, algumas casas, os caminhos que palmilhei nos últimos anos. Pensava em fazer um slide com estas imagens. E, talvez, o faça. Mas por hora coloco uma das fotos tiradas no caminho. Foto editada com a minha nova descoberta: o PHOTOSCAPE Estou bem cansada... Retorno com escritas reflexivas em outro momento. Em breve, brevíssimo...Bjs